terça-feira, novembro 25, 2008

Lobi 1998-2008

Esta semana, o panorama da ornitologia em Portugal ficou mais pobre, pois perdemos um membro fiel do grupo de anilhagem do Gerês.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Os bámpiros atacaruom o Puorto, Carago!

Ou mais exactamante, a base de operações foi uma terra com nome de peixe, onde me prometeram visões etéreas de galinholas, Ficedulas parvas e coisas que tais. Foi formado mais um grupo de gente sedenta de sangue mas as únicas vítimas foram mesmo as francesinhas do almoço de hoje, que ainda estou entupido até às goelas. Desta vez, a logística da coisa não foi tão complexa mas ainda implicou transferência de voluntários entre carros, aplicação prática de muitas horas a jogar tetris e um novo limite de tolerância ao odor corporal de anatídeos.
O regresso foi feito a sapar no nycteamobile - com o Sócio a sofrer em casa na esperança que a viatura chegasse ilesa à capital - com uma breve paragem por Brasfemes para trocar pitos por uma garrafa de geropiga e fatias de bolo*.
Podem continuar a mimar-me assim que eu gosto.
*PQT, os bolos estavam óptimos, os parabéns aos mestres pasteleiros. Depois da prova da tão afamada geropiga farei a minha apreciação.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Sobre pássaros e veneno


Colecção de Passeriformes venenosos (no sentido dos ponteiros dos relógios): Ifrita kowaldi, marcador preto+caneta de feltro aguarelável; Pitohui kirhocephalus, caneta de feltro aguarelável; Colluricincla megarhyncha, lápis de cor aguarelável.


Depois de ler um post no blog Tetrapod Zoology sobre o género Ifrita e sendo a conjugação pássaros-veneno-desenho um tema sempre actual esta semana fui aprofundar o assunto, tendo desculpa para mais uns esboços, inacabados como é costume.
Nas florestas da Papua-Nova Guiné vivem algumas espécies de Aves que têm a pequena particularidade de serem venenosas. Pois é, a pele e as penas contém alcalóides potentes, em tudo idênticos às Batracotoxinas presentes na pele dos Dendrobatídeos, que nem têm qualquer grau de parentesco com estes pássaros, pois vivem na América do Sul e por acaso, até são anfíbios (eu não queria usar o termo "rãs" para os designar mas se dissesse "anuros" se calhar ia haver gente que não iria fazer a mais pequena ideia do que raio era isso). Devido à grande semelhança entre os alcalóides destes 2 grupos, as toxinas presentes nestas Aves são designadas de homo-batracotoxinas. Os seus efeitos, quando ingeridos ou absorvidos são idênticos, tendo acções neurotóxicas (levando a paralisia de nervos periféricos) e cardiotóxicas. A sua fonte pensa-se que seja também a mesma: nem as rãs nem os pássaros sintetizam estes alcalóides, crê-se que estes sejam absorvidos a partir de Insectos (escaravelhos Melyridae, género Choresine) que compõem a dieta destes animais e que, secundariamente, fiquem sequestrados na pele.
Estão então descritos 3 géneros de Aves venenosas, todas endémicas da Papua-Nova Guiné:
Ifrita kowaldi, que até hoje ninguém sabe bem em que família colocá-la (no HBW acho que aparece entre os Cinclosomatidae);
Pelo menos, 2 espécies do género Pitohui, P. kirhocephalus e P. dichrous. Apesar de serem classificados entre os Pachycephalidae, este grupo tem sido alvo de alguma revisão taxonómica e no futuro, poderão aparecer associados a outro grupo de Corvóides qualquer. Este género foi o primeiro a ser descrito como venenoso e estas 2 espécies são exemplos interessantes de aposematismo (exibem uma coloração berrante vermelho-preto de aviso para potenciais predadores) e de mimetismo muelleriano (por terem um padrão de coloração idêntico uma espécie acaba por proteger a outra).
Finalmente, uma terceira espécie, Colluricincla megarhyncha, também classificado entre os Pachycephalidae aparenta ter penas e pele venenosa.
Portanto... quem quer ir anilhar para a Papua-Nova Guiné? Aqui, sim, é boa ideia usar luvas.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Iupi!

Às vezes coisas simples, como começar para a semana o curso avançado de ilustração científica, tem este efeito antídoto e torna-me um bocadinho menos Dr. Veneno. Ah! E esqueçam o nome pomposo, curso avançado de não-sei-quantos, é simplesmente terapia. Por outro lado, alguns irão achar que estou mesmo a precisar de outras terapias porque os desenhos estranhos vão regressar em força. Mas nesta fase já devem estar habituados.

terça-feira, novembro 18, 2008

Conceito de globalização

Esqueçam as manifestações, Buu! Abaixo a economia de mercado, fora com os Macdonalds, abaixo os governos, viva a anarquia, a globalização não é necessariamente má. Tem aspectos muito negativos e impactos profundos a nível ambiental e em muitos habitantes do planeta mas sem globalização...
... não seria possível gaiteiros, dançarinos de salsa e dançarinas de kizomba encontrarem-se numa tenda marroquina no Sahara para beber coca-cola e comer torradas.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Visão do inferno

Afinal o Inferno tem um aquecedor a óleo e é habitado por periquitos. E mandarins. E esquilos. Se trocarem "inferno" por "manicómio" a frase continua a fazer sentido. E mais que antibióticos aquela casa precisava era de prozac. E uma lobotomia. E, talvez um colete de forças, que devia estar tão na moda.

terça-feira, novembro 11, 2008

Insuficiência cardíaca aguda

...E os níveis de Dopamina e outros neurotransmissores vieram por aí abaixo.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Tradução simultânea

"A reunião está marcada das 18h às 19h"
Tradução: traz saco-cama que vais passar cá a noite. E já agora, um penico, que é chato sair a meio para ir fazer uma mija. Olha, não bebesses tantos cafés hoje.
"-Quer manteiga na sandes?"
"-Só um bocadinho."
"-OK."
Tradução: vou enfiar 1 kg de manteiga no pão, daquela com sal que não há cá merdas light isso é para tenrinhos, até te sairem lacticínios pelos ouvidos e as artérias chiarem com o colesterol (o mau, é claro) a passar.
"Ah... pois, mas não é esta fila. É aquela ali."
Tradução: pois, decidimos, pôr placas indicativas encriptadas para estupidamente perder meia hora na fila errada atrás deste senhor psicótico e complicado, que ainda por cima cheira a catinga que tresanda.
"Então ninguém se lembra? falámos disto a semana passada."
Tradução: Hello?! Alguém aí trouxe um cérebro?
"Está marcado para as 18h30."
Tradução: vais apanhar uma seca à espero dum filho da p**a que nem sequer pede desculpa por chegar atrasado, soltar os maus fígados e atirar-lhe a tartaruga e 2 abcessos à cara.
E pronto, foi o resumo de uma semana altamente poliglota e rica em mensagens subliminares que terminou.

segunda-feira, novembro 03, 2008

IlustraDouro - a fauna

Esboços de corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo). Grafite e aguarela.
Esboços de andorinha-das-rochas (Ptyonoprogne rupestris) e dáurica (Hirundo daurica) feitos na fraga do Puio. Grafite.
Alguém identificou este grilo (família Tettigoniidae?)? Grafite.
Ainda há esboços de outros bichos mas ficaram muito foleirotes. Foram alguns exemplos do que foi possível produzir em 2 + 1/2 dias. Quando é a próxima ilustroExpedição?

IlustraDouro - a vegetação

Folhas de amendoeira. Marcador preto com pincel de água.
Cogumelo (eu sei que não é uma planta!!!). Lápis de cor em papel colorido.

Yuck! Uma exótica qualquer (quando me disseram que não era autóctone o desenho ficou por aqui). Gouache.
Pormenor de zimbro. Aguarela.
Folhas e bolota de carvalho (Quercus faginea). Aguarela.
Nota: infelizmente, as couves dominaram este projecto. É óbvio que ao frio e à chuva, qualquer bicho inteligente (excepto os ilustradores, que são uma espécie diferente e se deixavam ficar) se raspava para o quente da sua toca ou ninho. Excepto as plantas, que não se mexem. Ou estou a ser demasiado tendencioso?

IlustraDouro - as paisagens

Pormenor da paisagem perto de Ribeira de Mosteiro. Lápis pastel

Vista do rio Douro em S. João das Arribas. Grafite aguarelável

domingo, novembro 02, 2008

De regresso ao Douro

Após uma ausência de alguns dias, eis-me regressado das arribas do Douro e do Planalto Mirandês, desta vez sem andar atrás dos pássaros, sem burros nem gaitas de foles, mas a acompanhar o grupo dos ilustradores-seniores. Muito se poderia contar sobre 4 curtíssimos dias mas ficam algumas considerações:
É sempre bom passar por novas experiências, nomeadamente ter um furo na auto-estrada a 140 km/h, de noite, no meio de nenhures, com um frio de rachar, camiões a passar a razar, o c***ão do macaco defeituoso, a mudança criativa de pneu (nem vou entrar em pormenores) e fazer os restantes 400 km a 80 à hora. Só tenho a agradecer o trabalho de equipa da Morcega e dos nossos dois compinchas, que quase me viram transformar em Dr. Veneno, a deitar chispas dos olhos e tudo!
Apesar dos autóctones dizerem o contrário, já faz muito frio na região. Não tanto como naquela passagem de ano em que só faltou beber anti-congelante. Mas frio. Nem quero pensar quando lá voltar em Dezembro - já me estou a afiambrar à casa nova dos nossos anfitriões! Foi realmente pena o tempo não ajudar mas proporcionou alguns momentos marcantes como desenhar à chuva e entrar em modo R e pintar 4586 espécies diferentes de cogumelos numa tarde.
A desculpa dos desenhos para voltar à região e ver algumas paisagens - incluindo sítios novos, como o Penedo Durão e a ribeira de Mosteiro - de forma mais contemplativa e poder rever amigos. Ainda deu para ver uns passarões, rever os burros e comprar rifas para ganhar... uma gaita-de-fole! Afinal a trilogia pássaros-burros-gaitas afinal sempre esteve presente.
Inevitavelmente, a gastronomia: postas de vitela e bacalhau, alheiras e perninhas... de rã!! No jantar que ficou conhecido como "O meu primeiro Anfíbio". Agora só faltar passar perto de Mértola para provar as gambas típicas e marcar uma cruzinha nos Répteis. Paradoxalmente, descobri que consigo manter-me vivo um dia inteiro só com uma sandes de panado.
As pérolas que se viram e ouviram durante estes dias. Desde os pinguins do Laos que vivem na margem do rio Douro, os pedidos encarecidos do chefe para não me rir - ou, pelo menos, rir baixo, o passeio de barco-foguete, os bandos de origamis das arribas e a gincana para aceder à net Sábado à noite.
Como sempre, muito fica por relatar mas fica o desejo de regressar em breve. Seguem-se alguns dos desenhos produzidos.

terça-feira, outubro 28, 2008

E finalmente, o 100!

Ontem no Samouco as espécies que mais se viram foram o vento e a castanha assada (que foi uma excelente ideia para as noites de Inverno que se aproximam). Mas entre os pouco exemplares, emplumados, saiu-me este:
Gaivota-d'asa-escura (Larus fuscus)
Até podia ter sido outra coisa, para marcar o número 100, um bufo-real, uma boneli, uma Porzana - até a palerma da agricola podia ter esperado um pouco - mas saiu-me uma gaivota. Paciência, parece que vou ter de abrir os cordões à bolsa ou pedir um patrocínio à Sagres para cumprir uma certa promessa...

segunda-feira, outubro 27, 2008

Os vampiros contra-atacam Aveiro

Ao regressar a Aveiro para formar uma nova fornada de vampiros-mirins, esperava que a a viagem fosse muito mais tranquila; afinal, estava praticamente tudo preparado e a postos para um fim de semana de sangria e cabidelas várias. Ledo engano. A ligação Lisboa-Coimbra-Brasfemes foi feita a sapar, tanto quanto o meu carro permitia, para ir buscar algum material e admirar a magnífica obra de engenharia galinácea no quintal do Pqt. Ao fazer-me à estrada para Aveiro, o depósito quase seco, fez-me parar numa estação de serviço quase só com umas gotinhas e o carro a mover-se pela energia dos berros e palavrões. O stress da viagem só terminou quando me encontrei com 2 compinchas na "Nau" para um óptimo almoço de rojões. Depois de uma tarde de blá-blá-blá, festa de aniversário em Ermesinde para enfardar leitão e empadas várias.
De noite , não sei bem porquê, sonhei que estava a ser assado vivo - obrigado, Sócio, por teres ligado o aquecimento do quarto nos 50º C, eu sei que faz frio no Porto. Regresso a Aveiro, para a preparação da cabidela e fim dos trabalhos. Chegou-se à conclusão que para dar alguma credibilidade ao curso, há que começar a chumbar pessoas; portanto, o senhor que andou a dar conversa ao presidente, a navegar na net e a requisitar bocados de esferovite, olha, temos pena...
Almoço no "Augusto" e pânico! - quem é que aparece a tocar violino? Acreditem que a música ainda era a mesma, sapatada incluída - e regresso a Lisboa para dizer Saludos à Pintinhas, que veio a terras Lusas.
Agora, é tempo de dizer: ainda bem que começou a semana para poder descansar...

sexta-feira, outubro 24, 2008

Para desenjoar...

Não estão já fartos de ver posts sobre passarada e passaralhos por estas bandas? Pois, para quebrar um pouco a monotonia - não ainda não vou dissertar sobre fantasias sexuais, erotismos de trazer por casa e as várias vertentes da pornografia - mas sim de um grupo muito particular de organismos. Também não são clamídias, gonorreias ou doenças herpéticas sexualmente transmissíveis, mas sim de um grupo de Répteis diápsides do Mesozóico. (Oohh... poderão alguns suspirar de decepção mas este blog nasceu nerd e há-de morrer completamente science-geek).
Pois tenho eu por hábito ter sempre um bloco ao lado do pc onde vou rabiscando qualquer coisa, ora enquanto leio pdfs de artigos, ora para desviar os olhos do ecrã. Ao fim de vários momentos de rabiscanço após alguns dias, tinha feito isto, que não é mais do que um retrato de família do grupo (Ordem?) Avicephala do período Pérmico-Triássico:

Apesar de ser um pequeno grupo (estão descritas umas 8 espécies) de pequenos Répteis (os maiores não deviam ultrapassar os 25-30 cms de comprimento), reuniam uma série de características muito particulares e, se ainda existissem hoje, iam certamente ser o maior sucesso nos terrários por esse mundo fora.

Ora os Avicephala dividiam-se em 2 famílias distintas: os Coelurosauravidae, do final do Pérmico e os Drepanosauridae, do Triássico. Um género, Longisquama spp, encontrado em rochas triássicas do Kyrguizistão (é assim que se escreve?), que aparece no canto superior esquerdo, terá maiores afinidades com a primeira família. A principal característica distintiva eram as estruturas em forma de folha, que foram alvo de inúmeras interpretações quanto à sua origem (proto-penas? escamas? folhas de plantas?), localização (paralelas ao longo dos flancos? em fiada ao longo do dorso?) e função (orgão planador? camuflagem? comunicação intra-específica?). Até hoje, ninguém se entendeu e apesar de tudo, a forma como aparece aqui representado, como Réptil planador, apesar de mais fixe, pensa-se não ser a mais exacta. Uma série de características anatómicas levou ainda a pensar-se que Longisquama estivesse próximo do ramo que terá dado origem aos Pterosauros ou mesmo às Aves (lá viemos cá parar novamente), mas hoje sabe-se que tal não está correcto.

Na família Coelurosauravidae incluem-se vários géneros de Répteis planadores do período Pérmico: Weigeltiosaurus de Madagáscar, Rautiania da Rússia e Coelurosauravus da Alemanha (em segundo plano, no canto inferior esquerdo), havendo quem refira que correspondem todos ao mesmo organismo. Ao contrário dos agamídeos do género Draco, actualmente existentes no Sudeste Asiático, que planam de árvore em árvore suportados por uma membrana estendida entre projecções das costelas, os Coelurosauravideos desenvolveram uma estrutura única mas convergente com a primeira: a membrana planadora era suportada por ossículos dérmicos alongados sem qualquer relação com as costelas.

A família Drepanosauridae engloba, de longe, as espécies mais interessantes. Ao longo dos anos, estes Répteis foram repetidamente interpretados como animais aquáticos, mas sabe-se hoje que as suas adaptações apontam todas para hábitos arborícolas, sendo frequentemente referidos como Simiosauria ou lagartos-macacos.

Megalancosaurus spp. foi encontrado em rochas no Norte de Itália e apresenta as especializações típicas do grupo: cabeça alongada quase projectando-se num bico, corpo lateralmente comprimido, dedos oponíveis, cauda comprimida lateralmente, preênsil e com um conjunto de vértebras fundidas na sua extremidade distal que funcionaria como um gancho, e processos espinhosos das primeiras vértebras torácicas extraordinariamente desenvolvidos. Esta última característica permitiria a inserção de músculos cervicais desenvolvidos de forma a permitir a projecção do pescoço e cabeça para capturar as presas (à semelhança do que os camaleões fazem hoje com a língua). Curiosamente, apenas alguns indivíduos possuiam polegares oponíveis nos membros posteriores, podendo sugerir algum grau de dimorfismo sexual.

De maiores dimensões, Drepanosaurus spp. também provém do Norte de Itália e apesar de o seu crânio ser desconhecido, a sua característica mais distintiva era a estrutura dos membros anteriores, muito robustos, com uma ulna desenvolvida e em forma de crescente e o dedo II com uma unha extraordinariamente desenvolvida. Supõe-se que estas características sejam convergentes como o membro anterior dos papa-formigas-sedosos (Cyclopes didactylus) e que este animal tivesse usado os seus membros para escavar os troncos em busca de insectos e larvas. Aparece no centro do rascunho.

Bastante mais pequeno que os anteriores mas também italiano, Vallesaurus spp. é o único género em que juntamente com os fósseis, foram encontradas impressões de pele, de textura granular. Aparece ao lado do Drepanosaurus spp.

Mudando para o continente americano, temos o género Dolabrasaurus spp, semelhante a Megalancosaurus spp, e Hypuronector spp., que aparece no canto inferior direito. Ao contrário dos restantes membros da família, a sua cauda não era preênsil mas muito alta e comprimida lateralmente, podendo ter sido utilizada como orgão de comunicação intra-específica. As reconstruções deste género são muito especulativas, já que grande parte do crânio e as patas nunca foram encontrados.

E por hoje, já chega de cromice. Mas digam lá se não ficavam espetaculares num dos meus terrários???

quinta-feira, outubro 23, 2008

Procura-se

Ficedula parva


Está a ocorrer uma invasão de parvos em Portugal (como se precisássemos de mais) e esta semana já foram apanhados em Coimbra e no Algarve. Como é, pessoal? Nós que estamos no meio vamos-nos deixar ficar?

terça-feira, outubro 21, 2008

Que classe...

Depois de uma manhã perfeitamente caótica com a capacidade de improviso a roçar o surreal, parei num Mac para comer qualquer coisa. Estava eu a sentar-me quando de uma mesa próxima, ocupada por um bando de pitas-sucedâneas-dos-morangos-com-açucar que já tinham chamado a atenção pela guincharia, se ouve um sonoro: "F***-se! Tinhas as mãos na c**a e agora levas à boca! Porca do C*****o!". Não é que me choquem os palavrões, em algumas situações de trânsito (e hoje de manhã também) sai-me o reportório completo. Mas ouvir da boca de miúdas que no Verão passado deviam estar a brincar com Barbies é outra coisa. Não fosse pelo almoço tipicamente corrosivo até diria que a azia foi resultado da banda sonora. Este país está perdido!

Exclusivo

Na sequência dos 2 posts anteriores (t-shirts + falta de juízo) pensei em algo exclusivo para mim e mais a ver comigo. Tcharam:

Se fosse eu a mandar, a anilhagem era muito mais divertida, com marcação de espécies de Aves tão variadas como Dromornis, Confunciosornis, Archaeopteryx, Hesperornis e Terópodes não identificados. Ou pensavam que era só el presidente que tem direito a t-shirts catitas?

Por encomenda

O presidente pede e os rascunhos surgem:



Era mais ou menos isto que querias ter ao peito, pqt? O resto do pessoal não fique demasiado invejoso, depois havemos de pensar em maneiras de me subornarem para ter um t-shirt fixe como esta ou então, formas de uma certa associação me presentear com oferendas.

domingo, outubro 19, 2008

É oficial:

2008 será lembrado como o ano em que TODA a gente perdeu o juízo!

Os vampiros atacam Aveiro

Ta ta ta-ra-ra ta ta ra-ra-ta (pás!)...
Como era mesmo a música que o cigano estava a tocar com o seu violino desengonçado? Felizmente, já consegui tirá-la da cabeça. No entanto, fica na memória a rota Lisboa-Fernão Ferro-Alverca-Tornada-Coimbra-Aveiro (perfeitamente normal...) para chegar ao local de mais um curso de formação de vampiros-mirins, a caça ao pombo na Tornada, o excelente almoço de queijo e chanfana em casa do pqt (ainda agora, cada vez que penso no queijo deixo escorrer um fiozinho de baba), o raio do comando manual de slides que estava avariado, o jantar de bacalhaus de outros planetas (eu avisei que esta tirada dava direito a aparecer aqui...), a estranha fauna nocturna de Aveiro, as novas técnicas de recolha de sangue por projecção dos passarinhos contra as paredes, o almoço (menos bom) de chocos panados - com arroz branco? iech!... - e o reencontro de algum pessoal porreiro- mais uns mesitos e fazíamos um encontro de gaiteiros. Ah! E diz que o curso também foi fixe...

sábado, outubro 18, 2008

Nova definição de Insectos

Os Insectos são bichinhos ou coisinhas com cabeça, tronco e membros e 4 patas. Às vezes, com mais uma ou outra. (o Linneu deve estar aos pontapés na cova!).
É 6ª feira!!!!

Onde anda a FRONHAS?

Começo a achar que trabalho num local super-cool quando a mim, sósia de actor de novela da TVI, me perguntam "sabe onde está aquele seu colega que é a cara chapada do André Sardet?" . É que... dasse! Antes ser o gajo do preço certo, como já dizia o outro, do que cantores neo-pimbas-monos.

Técnicas de gestão de tempo

Acho que começo a exagerar e a fazer gestões de tempo excessivamente criativas quando, para entregar uns artigos dentro do prazo, andava a fazer contas aos fusos horários entre Portugal e os Estates para ganhar umas horas e acabar a escrita. Tudo entregue mas... não tentem isto em casa, crianças!

quarta-feira, outubro 15, 2008

Ó Murphy e se fosses para o c*****o??

Acordar com as costas feitas num oito depois de uma longa noite a lutar contra o tempo para acabar 3 artigos (e ainda falta um). Sair atrasado com um trânsito infernal a começar quase à porta de casa, que me fez desistir e deixar o carro estacionado uns 300 m à frente. Entrar no metro e ter as máquinas de venda de bilhetes todas avariadas e entrar na carruagem sem título válido. A complicação para me deixarem sair na estação de destino, com o funcionário do metropolitano desconfiado da história da avaria (mas toma! fiz uma viagem sem pagar bilhete, c***ão!). A reunião de bruxas no local de trabalho. Percorrer não sei quantas papelarias para não encontrar o que precisava e acharem-me maluquinho (dasse! É muito estranho um caderno pautado?). Estar na fila do continente e o multibanco avariar com a velha que estava à minha frente.
Digam-me que a partir daqui o dia só pode melhorar!

terça-feira, outubro 14, 2008

Ainda não foi desta!

Mais uma incursão nocturna ao Samouco e voltei a deixar escapar o 100 (por um lado, ainda bem, não acho grande graça àqueles passarinhos castanhos e de bico comprido que por lá andam). Desta vez, consegui beber café, não fui picado por mosquitos e voltei a aperceber-me do fenómeno espaço-temporal que ocorre naqueles lados, em que o tempo dilata e as 3h da manhã rapidamente passam a 4h30.
Uma constatação: depois dos 200 e tal pitos da última sessão, as expectativas ficaram muito altas.

Momento surreal do dia

Ontem atingi o apogeu da minha vida, quando fui informado que sou o sósia de um actor da novela da TVI. O que me deixou deveras preocupado...

sexta-feira, outubro 10, 2008

Desabafo

Ainda agora as aulas começaram e já há uma turma de calhaus que apela aos meus mais profundos instintos de Dr. Veneno. É que o deserto mental que reina naquelas horas é de tal maneira desesperante que até ao ano acabar devo ir mais depressa parar ao divã do psiquiatra do que aquela gente chumbar toda com notas negativas.

domingo, outubro 05, 2008

passarinhos fofinhos

Enquanto que uns dizem que os passarinhos têm penas fofinhas ou que são gorduchinhos (esta é mais antiga, alguém se lembra?) eu fui severa e impiedosamente criticado por dizer que as penas de determinada espécie eram sedosas. A conversa foi parar aos papa-moscas-sedosos, que aqui apresento em minha defesa.
Família Ptilogonatidae
Os papa-moscas-sedosos constituem uma pequena família de 4 espécies de distribuição maioritariamente mesoamericana, embora uma delas chegue até ao Sul dos Estado Unidos. São aves omnívoras, alimentando-se de Insectos que capturam em vôo à semelhança dos papa-moscas do Velho Mundo (daí parte do nome), mas também estão dependentes de bagas e outros frutos. Recentemente, análises de biologia molecular têm sugerido que estas 4 espécies de plumagem com um brilho e toque característicos (daí o resto do nome), embora próximas dos tagarelas (Família Bombycillidae) devam ser separadas destes. Desta vez, não tenho muitos factos obscuros para escrever sobre este bichos. São eles:

Phainoptila melanoxantha

Phainopepla nitens
Ptilogonys cinereus
Ptilogonys caudatus

Oooohhh!...

Pensavam que ia chegar aos 100 cromos e oferecer uma rodada aos demais presentes? Fica para a próxima sessão. De qualquer modo, o dedo do pé cristalizado e o estômago feito peneira (depois das doses cavalares de anti-inflamatórios), não iam permitir que pudesse acompanhar no brinde - e ia ficar a olhar ver o pessoal beber, não?
Foi o fim de semana de encerramento da campanha de Santo André, recheada de frio, toneladas de migas, patos zarolhos, atascanços vários, coletes voadores, poucas horas de sono e ataques de narcolépsia, mas com excelente companhia (depois digam que só sei dizer mal) e excelente disposição. Apesar das poucas aves - e tudo saberá a pouco depois do Douro e da última tainada de limícolas - ainda rendeu uns tantos cromos novos a alguns dos presentes.
Até à próxima sessão!

99...

Estorninho-malhado
(Sturnus vulgaris)

98...

Rola-turca
(Streptopelia decaoto)

quarta-feira, outubro 01, 2008

terça-feira, setembro 30, 2008

APAA - TPC

Vejam lá se não sou um gajo aplicado (pelo menos para a galhofa) e como atendo prontamente os pedidos que me fazem (mais rapidamente os que me interessam)?. Apesar de ainda serem rascunhos, qual ou quais é que gostavam de ter ao peito na próxima reunião da APAA?

Opção 1 "Ring 'till die"


Opção 2 "Eu levei um'anilha"

Opção 3 (e a minha preferida) "Ringer's most Wanted"

Encontros imediatos de III grau

Mais uma prova que o mundo é um penico.
Entrei hoje no metro, ainda a recuperar das 8 horas de aulas e 3 de lidas clínicas da véspera e a preparar-me para uma sessão de contabilidade - mas sempre orientada pela contabilista mais fixe do universo e arredores (não me vá ela lixar o IRS) - quando reparo num gajo a folhear um guia de campo de aves.
Vá lá, compreendam, estava cansado e acabrunhado, o veneno deve ter sido mais forte que a carne - finalmente, conseguiram que interiorizasse este alterego tão simpático que é o Dr. Veneno (a verdade é que me permite mais algumas liberdades literario-criativas) - e não pude deixar de pensar:
Daaasssee! Mas quem é o cromo que lê isto no metro? Deixa ver se o conheço.
Querem saber? Era o PeF regressado dos estates! De certeza que não deve ter levado a mal este pensamento trocista doutro bird-nerd! Realmente, qual seria a probabilidade e conjunto de efeitos-borboleta e teorias do caos para o encontrar naquele local e aquela hora?

domingo, setembro 28, 2008

Operação Limícolas Norte-Sul

Ontem a noite começou com jantar no Barrete Verde e a congregação Norte-Sul, com serviço um pouco mais demorado do que é costume mas com o polvo à lagareiro afinado, como é habitual. Infelizmente a refeição deixou alguns convivas na mesa com uma grande azia - e não foi da sobremesa - e, no meu caso, com um torcicolo no pescoço de estar a ver as desgraças que se passavam na televisão.
A operação começou realmente quando as quase duas dezenas de pessoas presentes abriram os quase 354 Kms de rede que o Dr. Salinas tinha distribuído pelas salinas. Das 23h de Sábado até às 9h de Domingo, bateram-se novos records de privação de sono, de disparates e de 201 bichos capturados, alguns provenientes de paragens tão distantes como Bruxelas, Estocolmo ou Londres. Podia ficar por aqui, falando do sucesso da campanha, deambulando entre descrições de espécies, enaltecendo as suas plumagens albas salpicadas aqui e ali de lodo mas na verdade, isso não interessa nada. Deve haver umas quantas alminhas mortinhas para me verem a mudar para o modo "Dr. Veneno" e dar a minha visão particular das coisas. Sempre pautada pelos princípios da verdade e da imparcialidade. Pois aqui vai:
Descobri (como se não soubesse já) que os anilhadores são seres competitivos. Sempre dentro dos limites do razoável... mas eu já tenho os cromos #95, #96 e #97. Incha!!!! E teria chegado ao 99, não fosse terem aproveitado a minha ausência para dar conta de umas Limosas e de uns Calidris alba. Mas hádem cá vir pedir dopping para os pombos que eu mando-vos a um sítio.
#95 Calidris minuta

#96 Charadrius hiaticula

#97 Sterna hirundo

Não me deram descanso esta noite e à minha caixa de curandeiro; eram Limosas sentadas, Pluvialis encharcadas, Calidris com dói-dóis na asa e por aí fora. Nem uns pobres bichos escaparam de serem violentados para pesquisa da gripe dos pitos.

Assisti a verdadeiros bicos. As pobres das Sternas vão precisar de acompanhamento psiquiátrico e uma até ficou a modos que petrificada.

Voltei das salinas com os ouvidos a tilintar. E não, não eram os bichos que faziam muito barulho...

Pois é, imagino que, como sempre - e fazem-me pior do que sou - estavam todos à espera que viesse aqui dizer coisas feias mas já deviam estar fartos de saber como gosto de sessões tão concorridas e com tão ilustres visitantes. Resta-me agradecer a companhia e os lindos livros oferecidos pelo nosso autarca (era a hora da graxa institucional) e que possamos reunir em breve.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Passatempo Guia de Campo

Os meninos e meninas que já tinham saudades dos famosíssimos passatempos aqui do sítio ponham o dedo no ar! (isto sou eu já a treinar o ar professoral) Viva! Ontem entregaram-me esta pena para identificar a que espécie pertencia. Eu consegui! E vocês, conseguem?



Vá, eu dou uma ajuda, é de uma Ave não extinta (o que reduz para cerca de 10.000 hipóteses). E também têm de me dizer de que parte do corpo é que a pena caiu/foi arrancada. O primeiro a acertar ganha um prémio, que obviamente é surpresa.
Vamos lá a animar este espaço e pôr o site meter a deitar fumo com tantos comentários!

Eu e os hamburgueres-gourmet

Ontem fomos comer numa fast-food chique no Picoas Plazza e a escolha do que comer avizinhava-se difícil, tendo em vista as fotografias de uns hamburgueres e saladas com alguns ingredientes com nomes impronunciáveis. Optando por um ménu (hamburguer+batatas fritas+sumo natural) sai-me o senhor do balcão com este diálogo:
-E para beber?
(Eu)-Que sumos tem?
-Temos morango com manjericão, pera com redução de moscatel e (qualquer coisa que nem lembrava ao diabo) com canela.
-Yack! E sumos normais não tem? (enquanto pensava naquele desfile de mixórdias)
-Temos de laranja... (aqui tornou-se visível o ar de desconsolo na cara do senhor)
-Ufa, isso é normal que chegue! pode ser.
-Mas olhe que o de morango com manjericão é um ex-libris da casa... (ainda tentou ele)
-Pois, fica para a próxima!
Chamem-me insensível, se calhar não sou o gourmet que achavam que era mas morango com manjericão soa tão deliciosamente bem como arroz doce com oregãos! E tanta sofisticação para os hamburgueres estarem frios...
Para a próxima vamos à roulotte das bifanas, sim????

94 e a contar!!!

Cotovia-de-poupa (Galerida cristata)

quarta-feira, setembro 24, 2008

Às vezes não dá vontade?

Cyanide and Happiness, a daily webcomic
Cyanide & Happiness @ Explosm.net

Pois, hoje é dia de Nenuco...

terça-feira, setembro 23, 2008

Drácula pós-moderno


No passado fim de semana, tal como referido, a estreia de Sábado à noite não foi só o noitibó. As redes também tinham um morcego-anão (Pipistrellus pipistrellus) para retirar, que aparece na foto ao lado inteirinho. E para, efeitos do que se vai escrever a seguir, faz de conta que tinha umas luvas calçadas.
Toda a gente está careca de saber algumas características dos Quirópteros, voam, orientam-se por eco-locação, a maioria das espécies é nocturna, etc., etc. Também são mais do que conhecidos alguns mitos que rodeiam estes bichos, que se emaranham nos cabelos, todas as histórias de vampiros, condes Dráculas, blá, blá, blá. Mas, provavelmente bastante pior do que senhores feudais da Transilvânia por aí a voar e a morder pescoços alheios, é a caixinha de surpresas que um morcego pode ser.
Na Europa, a par das raposas e de outros carnívoros silvestres, os morcegos são o principal reservatório silvático da raiva. Na verdade, uma única espécie, o morcego-hortelão (Eptesicus serotinus) é responsável por cerca de 95% dos casos de exposição a Lyssavirus na Europa. No Sul da península Ibérica, as populações desta espécie foram recentemente reclassificadas como E. isabellinus, que também está presente no Norte de África e o seu papel na epidemiologia destes vírus foi investigado. Concluiu-se que cerca de 20% dos indivíduos das colónias amostradas em Huelva, Sevilha e Granada apresentavam ou anticorpos anti-EBLV (European Bat Lyssavirus) ou presença de RNA na saliva ou outros tecidos. [Vázquez-Morón 2008]
Repararam nas localidades? Tanto quanto se sabe, os morcegos desconhecem o conceito de fronteiras e é bastante provável que do lado de cá também haja alguns morcegos (e quiçá outros seres) raivosos. Enquanto as autoridades acharem que é suficiente só vacinar os cães domésticos como peça fundamental do plano nacional de luta contra a raiva, nunca se vai chegar a saber exactamente qual a situação desta e de outras doenças no país. Por enquanto, continua a existir um bocado a política "o que não sei, não existe".
Mas há muito mais. No Sudeste asiático, dois Henipavírus, semelhantes a Paramyxovirus (que causam varíola e outras coisas giras), o vírus Nipah e o vírus Hendra (responsáveis por meningoencefalite no Homem), têm sido detectados anticorpos em cerca de 50 % dos indivíduos das colónias de raposas-voadoras (Pteropus spp.) estudadas. [Wild 2008]
Para além disso, diversas espécies de morcegos têm sido implicados como reservatório de vírus Marburg [Swanepoel 2007], de Ebola [Wong 2007] e de Coronavirus muito semelhantes ao que foi responsável pela epidemia de SARS. [Cui 2007]
Isto tudo para dizer que após este contacto imediato de III grau e de alguns morcegos orfãos qu passaram por casa, já tenho desculpa pela fama (imerecida) de mau feitio ocasional. É que são os vírus na cabeça...

And the winner is...



Há muito tempo que não via um filme tão mau como este, tão mau que consegue ser pior que o Bewoulf e a sua Angelina Jolie com saltos imbutidos ou como aquele filme em que a Catherina Zeta-Jones era chefe de cozinha. Mais uma vez, não fui eu que escolhi a peça e a única coisa que dá para tirar de positivo é que de certeza que qualquer coisa que veja daqui para a frente vai parecer uma obra-prima.
E porque é que, perguntam vocês, torna esta película tão má, ao ponto de deixar o Júlio Verne aos pontapés na cova?
Não será certamente pelos passarinhos cavernícolas fluorescentes que existem desde há 150 milhões de anos. Nem pelas trilobites terrestres. Nem pelos plesiosauros com pescoço bamboleante. Nem pelas plantas carnívoras que assobiam e vão atrás das pessoas. Nem pelas rochas magnéticas flutuantes. Nem pelos outros 232092 disparates pseudo-científicos que quase me deixaram com uma apoplexia.
É porque o filme é simplesmente MUITO mau...

domingo, setembro 21, 2008

O som dos noitibós

Os noitibós são aves insectívoras de hábitos nocturnos que, apesar de se encontrarem por todo o mundo, sobretudo nos trópicos, são relativamente pouco conhecidas. Em Portugal ocorrem 2 espécies: o noitibó-europeu (Caprimulgus europaeus), que tive a oportunidade de anilhar esta fêmea juvenil na foto este fim de semana (ver post anterior) e o noitibó-de-nuca-vermelha (C. ruficollis), ambos migradores estivais.
Os noitibós são tradicionalmente incluídos na família Caprimulgidae que, juntamente com as famílias Eurostopodidae, Nyctibiidae, Steatornithidae, Batrachostomidae, Podargidae e Aegothelidae, formam a Ordem Caprimulgiformes. Recentemente, toda a filogenia das Aves tem vindo a ser revista e os Aegothelidae parecem estar mais próximos dos andorinhões e inclusivé, vários autores propõem agrupar todas as Aves nocturnas numa única Ordem, juntando assim corujas, mochos, noitibós e famílias aparentadas.
A família Caprimulgidae contém 4 grupos filgeneticamente distintos: um, composto pelo género Chordeiles, outro composto por géneros sul-americanos (Uropsalis, Eleopthreptos, Hydropsalis algumas espécies de Caprimulgus), um terceiro composto por espécies do velho mundo (Caprimulgus e Macrodipteryx) e um último, composto por espécies norte-americanas (Phalaeonoptilus nutalli e Caprimulgus vociferus). Desta forma, o género Caprimulgus é considerado parafilético e provavelmente provenientes de uma expansão de noitibós ancestrais provenientes dos Neotrópicos; em termos correctos, apenas as espécies de África e da Eurásia devem ser incluídas neste grupo. Existem 2 razões para esta confusão na classificação e discordância entre classificações baseadas em características morfológicas e outras baseadas na filogenia: primeiro, ocorre uma retenção de comportamentos anti-predador e de captura de presas em grupos distintos; segundo, em grupos geneticamente próximos, ocorreu uma rápida divergência de outros comportamentos, como os de corte e defesa de território, que levaram por sua vez a uma diferenciação morfológica. [Larsen 2007, Barrowclough 2006]
Todas as espécies têm hábitos nocturnos, plumagem de tonalidades e padrões crípticos, que lhes permitem camuflar-se na vegetação do solo ou em ramos das árvores. O hábito de muitas espécies pousarem longitudinalmente nos troncos, em vez de transversalmente, como a maioria das Aves, permite aumentar esse efeito mimético. Todas as espécies são também insectívoras e alimentam-se em vôo, podendo deslocar-se vários quilómetros numa só noite, orientando-se e localizando as presas através da visão e conseguindo capturá-las com as suas bocas largas rodeadas de vibrissas sensoriais.
Os noitibós são mais frequentemente ouvidos que vistos e, sobretudo os machos, despendem grande energia na defesa do território, entrando em balanço energético negativo e perda de peso em Junho. Pequenas variações dos sons típicos chrrrr permitem identificar até 95% dos indivíduos presentes numa determinada área, tendo sido utilizados para seguir movimentos destas aves e testar a sua fidelidade ao longo dos anos ao mesmo território de reprodução. [Rebbeck 2000]
Apesar da sua presença discreta, os noitibós têm algumas características comportamentais interessantes tais como uma heterotermia diurna. Esta adaptação é comum a várias espécies e parece ser ancestral na Ordem, permitindo aos animais poupar energia durante o dia, quando não estão activos e contam com a sua capacidade mimética para evitar predadores. Em algumas espécies a temperatura cutânea pode descer até aos 20º C, sobretudo no Outono e Primavera. Algumas espécies americanas são também as únicas espécies de Aves a hibernar durante o Inverno.[Lane 2004]
Outro facto curioso é a sincronização dos ciclos reprodutivos com o ciclo lunar. Isto ocorre para que os juvenis, quando saem do ninho (feito no solo) e começam a caçar, aproveitem as noites de lua cheia, quando há mais luminosidade, de maneira a facilitar a obtenção de alimento. [Mills 1986]
Devido ao seu aspecto estranho e desconhecimento da sua biologia, os noitibós também se encontram envoltos em alguns mitos. Um deles, refere que se alimentam de leite de cabras, ideia que terá certamente surgido da observação mais frequente destas aves sobre rebanhos domésticos quando a proveitam a maior concentração de insectos nesses locais para se alimentar. Outro mito refere ainda que os noitibós, quando prturbados, mudam ovos e crias no ninho em vôo mas não existe uma única descrição fiável na literatura. [Jackson 2007]
E... já chega por hoje. Mais cromo-posts em breve!

Os pássaros: o próximo nível

Depois deste fim de semana, tornei-me uno com as penas e os ciclos de muda deixaram de ter segredos para mim.
Claro que continuam a existir as p***a das Cettias e outros bichos do demo com mudas semi-simétricas-imparcialmente-incompletas e outros pormenores e excepções plúmeos. Claro que durante este 1º curso de muda em Passeriformes europeus (a foto do lado é dum pato-real, que não é passeriforme, mas serve para lembrar que as penas até podem ter algum interesse) houve momentos em que os complicómetros de algumas pessoas começaram a carburar a pleno deixando-me a pensar que, subitamente, o curso estava a ser dado em chinês. Claro que muito mais interessante que as penas são as comunidades de ácaros, piolhos e moscas parasitas que lá vivem.
Mas... o saldo foi extremamente positivo, sobretudo porque os mestres zen El Presidente y el Vice, imbuídos de infinita paciência e sapiência, lá foram corrigindo os erros nos cartões de bingo (convém ir mantendo um nível saudável de graxa para continuar a ir a sessões de anilhagem - será que também consigo desconto nas quotas da APAA?). Ainda houve tempo para jantarada onde, mais uma vez, fiquei com imerecida fama de comilão, dormitórios de Motacillas flavas com 170 e tal caminhas e dois cromos novos:
Um noitibó (Caprimulgus europaeus), que elevou a minha quota anilhadeira a 93 cromos - quando chegar ao número 100 acho que mereço um prémio - e que, a seu tempo, vai ter um post exclusivo só para si;
Um Pipistrellus pipistrellus, que obviamente não é um pássaro mas é muito mais fixe que estes (os passarinheiros que me perdoem a heresia), que também vai ter direito a um post só para si e que, a partir de hoje, graças ao meu contacto com este espécime, certamente raivoso, já tenho desculpa médica para o meu suposto mau feitio quando acordo cedo ou estou a trabalhar até tarde (não faço ideia onde é que as pessoas vão inventar estas calúnias...).
Se eu não tive nota 20 no curso foi porque o neurónio já não funciona bem com 3 horas de sono mas esta primeira edição passa com distinção!

sexta-feira, setembro 19, 2008

"Happiness is only real when shared"

É a grande conclusão deste filme que só tive oportunidade de ver esta semana em dvd. Será que havia alguma mensagem subliminar para os meus eclipses nas serras e nos montes? É que... Alasca sim mas só com o restaurante de Palaçoulo ou umas alheiras para assar!

quarta-feira, setembro 17, 2008

30!!!

Na passada sexta-feira alcancei esta provecta e assustadora idade - eu sei que toca a todos mas achamos que nunca chega a nossa vez de no tornarmos oficialmente "cotas" - e, ao contrário dos últimos anos, não passei mais um aniversário no alto de uma montanha ou no fundo de um carvalhal qualquer, sem electricidade, telemóvel ou internet. O, que tenho de dizer, com alguma pena minha (se bem que esta perspectiva não seja bem aceite por algumas pessoas).
Isso poderia explicar o atraso deste post a assinalar o acontecimento. Ou que talvez estivesse em fase de negação. Felizmente, a realidade é bem mais simples: desde sexta à meia-noite que tem ocorrido uma sucessão de festas, almoços e jantares, passando pelas mais diversas localidades e que me tem mantido afastado de manifestações bloguísticas.
A transição dos 20 para os 30 foi assim bastante tranquíla e a presença de muitas pessoas importantes e a capacidade de me conseguirem surpreender com algumas prendas facilitou esse processo. Por isso, obrigado!
Nota: para o ano volto a celebrar o aniversário no monte. Se vier à cidade a cada 10 anos deve chegar, não?

sábado, setembro 13, 2008

Regresso ao Gerês


Ao Douro seguiu-se o Gerês, com um caminho meio atribulado, contrariado por não me deixarem ir à feira do Naso e a apanhar procissões intermináveis. Foi bom regressar à casa de Pitões, comer o bacalhau da praxe no D. Pedro, passar pelo planalto da Mourela, descer até Tourém, falar com caras conhecidas na aldeia e encontrar o rio Salas a correr baixinho com trutas a deslizar entre as pedras.
Mas faltou alguma coisa (e não foram só os pássaros, que para piscos e chapins vou ao jardim ao lado de casa) que tornou este reencontro um nadinha menos bom. E sei que por mais que pense que em certos contextos provavelmente não irei regressar, todas as paisagens de pedra, os carvalhais e os lobos a uivar à noite querem-me fazer crer que estou enganado. É que pode-se tirar um gajo do Gerês mas não tirar o Gerês do gajo.
Mas nem tudo é menos bom, ainda houve direito a um cromo novo. E a certeza que devia ter jogado no Euromilhões quando pedi: "Quero uma Pica!" e tcharam! Tinha uma dessas pegas aos guinchos na mão.

Pega-rabuda (Pica pica). Pormenor da asa.

Regresso ao Douro



A primeira de semana de Setembro foi marcada pelo regresso ao planalto Mirandês, desta vez sem burros nem gaitas-de-fole e em que a paisagem das fragas foi substituída pelos matagais, campos agrícolas e sebes cheias de amoras.
Foi a oportunidade, não só de encher o olho das belas paisagens e o estômago de belos manjares, mas enquadrado em mais uma expedição anilhadeira, encher a caderneta de cromos difíceis. Claro que uma agricola sempre é uma agricola mas estes passarinhos são bem mais giros que um rouxinol castanho, ainda que fora de rota. Mas mais importante que fazer colecções, foi a oportunidade de rever amigos e caras conhecidas destas paragens numa campanha de anilhagem que primou pelo excelente ambiente. Melhor só seria se 2 dias encatrafiado no jipe tivessem permitido a captura de um certo passarão (neste caso, passarona) mas há que ter sempre desculpas para regressar à região. Mais fotografias, só mesmo das cruzinhas novas. E vá, vamos a ver se algumas pessoas não ficam com os alicates verdes de inveja.

Toutinegra-de-bigodes (Sylvia cantillans). Aqui pareciam substituir os pardais, pelas multidões capturadas desta espécie. Parece que as hortas de Atenor são campo de reprodução ou de passagem na sua rota de migração para África.


Toutinegra-real (Sylvia hortensis). Foi sem dúvida, a estrela da semana. A captura de adultos e juvenis ainda sem acumulação de gordura levanta a suspeita que a espécie se reproduza nas imediações. Decididamente a aprofundar as investigações.



Pega-azul (Cyanopica cooki). Eu sei que os bandos que adundam no interior do país a tornam muito comum mas foi dos bichos que mais gostei de anilhar. (pormenor da asa).



Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicuros phoenicuros). Ainda que fosse um juvenil ainda sem a plumagem plenamente desenvolvida foi a prenda de despedida. Mais precisamente, para o Sócio, que deixou anilhas em duas espécies novas. De vez em quando o gajo até merece uns prémios.



domingo, agosto 31, 2008

Hasta la vista

Amanhã volto ao Douro e depois, sigo para o Gerês. Como vou entrar em fase anti-tecnologia e reverter a um estado semi-selvagem, os posts vão ser muito menos frequentes. Até ao meu regresso!

Retorno a Tornada

Para me recompor dos traumas da aldeia dos macacos auto-mediquei-me com uns dias de anilhagem no Paúl de Tornada. Os efeitos secundários incluíram uma espécie nova - um banalíssimo pato-real (Anas platirhynchos) -, o primeiro caso descrito para a ciência de uma carriça com sarna, cafés extra-chávenas, overdoses de andorinhas e estorninhos e, sobretudo, overdoses de informação nova.
Claro que tudo acompanhado pela boa companhia de el Presidente y el Vice-Presidente. De certeza que estavam já a temer um post corrosivo mas, lamento, só tenho a dizer bem da campanha de Tornada.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Aldeia dos Macacos

Ao regressar da Figueira consegui convencer o Rodas a passar pelo festival Bons Sons ao pé de Tomar, que até ficava de caminho. Depois de andarmos perdidos pelas aldeias da zona e da mota dele começar a fazer ruídos pouco saudáveis, lá encontrámos a localidade de Cem Soldos.
E nada nos teria preparado para a visão dantesca que era aquele sítio: parecia que todos os freaks do país, quiçá da Europa, tinham convergido para aquele ponto para uma grande rasta-convention. Posso parecer preconceituoso ou velho jarreta mas não tenho nada contra rastas, colares de missangas ou djambés. Tenho sim, sérios problemas com pessoas sem conceitos de higiene pessoal, que não fazem nada da vida que andar a fazer malabarismos com bolas ou garrafas de vinho e que passam o dia completamente janados. Acreditem que vi cenas que me fizeram perder fé na humanidade e vou precisar de acompanhamento psicológico nos próximos tempos.
Mas até podia pensar que havia ali umas incongruênciazitas com telemóveis e cartões multibanco a fazerem contraste com os cabelos encardidos ou apanhar lixo do chão para comer e que se calhar aqueles meninos e meninas devem demorar o dobro do tempo a fazer as suas toilettes matinais às rastas do que eu demoro de manhã. Mas se calhar estou a ser demasiado cáustico e ainda vêm dizer que tenho maus-fígados (que tendo em conta a noite anterior até nem está muito longe da verdade).
O pior foi mesmo os olhares de fúria do Rodas que só não me abandonou no recinto porque tinha o capacete na mala do meu carro. A coisa só melhorou - e muito - com a actuação dos Roncos do Diabo. As gaitas de fole e o tambor, possuídos pelo demónio, fizeram esquecer os outros pormenores. Foi um bom concerto mas ainda assim, aquém da mítica actuação em Malhadas.
Ao fim do último acorde saímos dali para fora o mais depressa possível e regresso para Lisboa a toda a velocidade.
Um conselho: no futuro, quando vos convidar para um concerto ou festival, desconfiem e vão investigar. Eu vou fazer o mesmo.

Guia de festas

Estou a pensar seriamente mudar o nome do estaminé para "Guia de festas populares". Este fim de semana foi a vez das míticas festas na Sobreira Formosa. Depois de mais um jantar de musaranhos no Sábado, das rondas de ginjinha e aguardente de poejos, das super-caipirinhas e super-cuba livres, de mais rifas e prémios de sonho, de sessões fotográficas com grande potencial para chantagem, foi a minha estreia num concerto do grande Quim Barreiros!!! Foi o delírio ouvir desfilar o vasto reportório musical do artista!!!
Eu que nunca fui à bola com a festarola e farturas acho que nunca fui a tanta festa popular como este ano. E o pior é que está a haver um regresso às bases e acho seriamente que o pessoal começa a gostar mesmo a sério destes eventos. Desistam de nos ajudar, estamos além de qualquer salvação.
O Domingo, obviamente, passou-se na praia fluvial da Fróia a comer tostas mistas e hamburgueres até ser hora de regresso.
Nota: era mesmo um cartaxo! Alguma vez aquilo é um pardal???

sexta-feira, agosto 22, 2008

Work in progress

As aulas de ilustração terminaram mas as ideias e projectos fictícios continuam a bom ritmo (apesar das limitações tésicas e afins dos últimos dias). Como já é habitual, só há esboços e desenhos incompletos mas como não postava bonecada há algum tempo aqui vai uma amostra do que se vai fazendo nos intervalos:



Estudo para Pelobates cultripes, grafite e lápis de cor

Estudos de peixes abissais para uma ideia maluca, marcadores Sakura

Milvus migrans, aguarela e gouache em papel colorido

Neophron percnopterus, gouache em papel colorido