sexta-feira, junho 19, 2009

Oh não! MAIS um post sobre dinosaurios...

Limusaurus inextricabilis
(Sacrilégio! Um pequeno Terópode reconstruído sem os revestimentos de penas que andam tão na moda...)

Pois é, à primeira vista este dinossaurio do Jurássico da China não parece ter nada de extraordinário. Pequeno e esguio, membros posteriores longos, anteriores pequenos e com uma acentuada redução de dedos (também nada de novo se pensarmos nos Tiranosauróides), pescoço longo e flexível, maxilas sem dentes e cobertas por um bico córneo... Só que, primeira surpresa, este é um Ceratosaurídeo, parente de Ceratosaurus, Carnotaurus ou mais chegado mesmo a Deltadromeus. Esta linhagem reunia dinosaurios carnívoros de médio a grande porte, com bocas cheias de dentes e, frequentemente com adornos meio esquisitos na cabeça.
Grande coisa... se pensarmos nos Therizinosaurios, não é a primeira vez que um grupo de dinosaurios herbívoros evolui a partir de antepassados terópodes carnívoros.
O que torna este fóssil mesmo muito interessante é a estrutura da mão; ao longo da evolução dos Terópodes sempre houve uma tendência para a redução dos dígitos. O Limusaurus possuia mãos com 4 dedos, tendo o dedo V (o mais lateral) ido completamente à vida. O dedo I (o mais medial) era composto por apenas um metacarpo, os dedos II e III estavam normalmente desenvolvidos e o dedo IV era composto apenas por um metacarpo e uma falange. Esta organização de dedamens sugere que o dedo II estaria a tentar substituir o dedo I, em franca redução, acabando por vir a fazer as vezes de um pseudo-polegar.
Apesar de não sabermos o que é que o Limusaurus faria com aquelas mãozinhas, este pequeno grande pormenor, que em alguns grupos de Terópodes, as mãos seriam compostas pelos dedos II, III e IV em vez dos dedos I, II e III, pode servir para refutar o único argumento que parece comprometer a teoria da evolução das Aves a partir de dinosaurios carnívoros. Dizem alguns entendidos que nas Aves, a asa é suportada pelos dedos II, III e IV e tendo os Terópodes mãos com os dedos I, II e III, estes nunca poderiam ser os seus antepassados. É verdade que é um argumento contra dúzias de outros a suportar a ligação filogenética entre os 2 grupos mas este fóssil levanta a questão: e se na verdade, alguns Terópodes tinham era mãos com dedos II, III e IV?
Pensem nisso... para saber mais, vão aqui e desfrutem de um grande momento geek. Assim como eu fiz.

Oreochromis niloticus


Por que será que hoje fiquei a conhecer tão bem estes peixes?

Sua majestade, o rei dos xoninhas

Depois da tarde de hoje, nunca mais chamo mono a ninguém. Dassssssssssseeeeee!

quinta-feira, junho 18, 2009

Desenho do dia

Entre trabalho, dúvidas existenciais sobre portfolios e outras tantas coisas, finalmente comecei a despachar algumas tarefas que estavam a ficar acumuladas. Entretanto, ainda houve tempo para começar a fazer um retrato de um sargo (Diplodus vulgaris), aqui um adulto a lembrar os juvenis que fotografei nas poças da baixa-mar da costa vicentina.
Afinal, começo a achar alguma piada a este caderno. Afinal, os lápis de cor até são bem fixes. Afinal, o que eu queria mesmo era estar na praia a mergulhar e a desenhar peixinhos (ou outra coisa qualquer).

quarta-feira, junho 17, 2009

Dispersão

Ao fim de quase 3 anos a olhar para as mesmas páginas do Guia de Campo, achei que estava na hora de lhe mudar um pouco os ares e vai de carregar um novo design. Grande asneira! Ao fim de algum tempo já estava a arrancar cabelos, a dar cabeçadas no PC e a mandar o blogger para o c****ho pela tarefa infernal que foi mudar tudo e mais alguma coisa. Ainda não está como eu queria mas deixa-m estar sossegado.
Claro que mudanças de visual bloggístico, pesquisas ictiológicas do rio Negros, flickradas e revisões sobre cardiomiopatias dilatadas em furões só serviram para engonhar antes de ganhar fôlego e começar a tratar de 1001 coisas pendentes/adiadas/suspensas/soltas que tenho para despachar.
Mas perdido por 100, perdido por 1000 e toma lá mais uma página no caderno de folhas manhosas para recordar que já não vou para o campo há 2 dias, que os papa-figos são mesmo fixes e para recordar o Douro, que se tudo correr de feição, é para marcar presença no fim de Julho para mais uma edição do Burro i l Gueiteiro.

segunda-feira, junho 15, 2009

Mas...

... para provar que não passei 5 dias em coma deitado na toalha de praia ligado a um jarro de sangria - até porque, pelos vistos, o meu cérebro só para lá para cima no Douro, aqui ficam as provas que mesmo em férias até vou fazendo alguma coisa:Desenho inaugural das férias, ainda completamente catarinoado. Tinta da china e ecoline azul no Moleskine de papel manhoso.

Apesar de as gralhas-de-nuca-cinzenta (Corvus monedula) serem para lá de abundantes naquelas bandas, estes foram os únicos esboços (a grafite) dos bichos.

Mais uma vez, o meu obrigado ao Rodas por continuar a patrocinar grandes expedições sub-aquáticas com a sua underwater-maquineta, que me torrou o juízo por não conseguir atinar com as macros, focagens e zooms. Por isso, apesar de desfocado dá para ver que isto é um Parablennius sanguinolentus (será?).
Mais passarinhos a grafite. Desta vez, andorinhas-das-chaminés (Hirundo rustica) esboçadas a grafite a partir de uma esplanada qualquer.
Mais peixes infernais, que não param quietos e que são virtualmente impossíveis de identificar. Mesmo depois do trabalho de edição feito pela Flicts, continuo sem saber exactamente que espécie de Pomatoschistus é este.

domingo, junho 14, 2009

Regresso à realidade

Estes 5 curtíssimos dias pela costa vicentina souberam-me simultaneamente pela vida mas também a muito pouco. Quer pela companhia, quer pela praia (Engª Saramuga, desta vez não se descaia) e pela casa que foram um achado, quer pelas longas horas a esplanar e pelo desfilar de caracóis, ameijoas, camarões, L-colesterol, coisas com alma e outras iguarias, quer por conhecer esses vultos da música popular que são a Dª Fatinha e o Sr. Vivaldo. Só foi uma pena não ter fotografado, desenhado, snorklado e lido mais mas com tantos escaldões, frisbeeadas, jump-sessions à beira das falésias (por vezes acompanhadas de gritos de pânico de algumas pessoas), tops das estrelas e passeatas não sobrou tempo para muito mais.

terça-feira, junho 09, 2009

Escapadela

Quem adivinha que praia é esta?

A partir de amanhã e até Domingo corto contacto com o resto do mundo.

sábado, junho 06, 2009

Osmose

Coisa curiosa esta, a facilidade com que nos deixamos contaminar por tipos de registo e estilos gráficos e as folhas dos cadernos de campo ora vão aparecendo Salgadas, PeFadas, Marcoadas ou, mais recente e intensamente, Catarinoadas. Sem contar com as osmoses de influência estrangeira.
Mas quando é que começam a surgir páginas clara e distintamente Fuzhongadas?

Concerto

Hoje foi noite de concerto de Norberto Lobo na casa do alentejo. A chegada à sala, tipicamente alentejana, dizia a Flicts, com lustres no tecto, talha dourada nos cantos e um palco que só faltava a azinheira, mesmo em cima do início da actuação parecia prever qualquer coisa harmoniosa mas vagamente repetitiva. Mas, senhores, há ali uns rasgos que ficamos "hã?" e quase nem ligamos a uma gaja que não se cala. Se há coisas que dão vontade de partir para o extermínio total com direito a decapitações e uso de lança-chamas é pessoal que não pára quieto e não se cala em concertos, especialmente este, em que se quer atenção a toda a nota que sai ora da guitarra, ora de outros instrumentos de cordas.
Bom. Tanto que, coisa rara, comprei o cd.

quinta-feira, junho 04, 2009

Caderno Berlengueiro

O regresso às Berlengas não foi feito nas melhores condições. É verdade, ao fim deste tempo todo, os super-poderes falharam e o cansaço acumulado do Douro, dos dias anteriores alucinados em Lisboa e 2 horas de sono mal dormidas na véspera do embarque fizeram-se sentir. Resultado: os 2 primeiros dias quase literalmente passados sem me mexer, alternado entre longas horas de sono e curtas horas de vegetanço. Só ao terceiro dia é que comecei a acordar e afazer qualquer coisa de jeito.
Mas nem tudo é mau, 2 dias passados a dormir equivaleram a 2 dias sem comer e as sestas dentro da tenda equivaleram a umas sessões de sauna e sempre preciso de perder uns quilos. E fica sempre a desculpa para voltar mais tarde. Porque esta soube manifestamente a pouco.

sexta-feira, maio 29, 2009

Caderno transmontano

Apesar de correr o rumor de que por terras de Miranda o cérebro fica vazio, ainda se consegue fazer umas coisicas por lá. Como nem só de pássaros vive o Homem (pelo menos, eu), nos intervalos da laboração foi possível rabiscar umas coisas no caderno de folhas manhosas:

É inevitável a presença da fauna, quer sejam chapins, cobras-de-ferradura (que tive o cuidado de não expor aqui o desenho a bem de alguns leitores mais impressionáveis), águias de braço ao peito (ou, juntamente com a velhinha a quem demos boleia, as boas acções para os próximos 2 meses) - nem aqui me livro do meu trabalho convencional.

Lá, os dias parecem dilatar, tantas são as coisas que se consegue fazer (ou talvez porque se corte forte e feio nas horas de sono). Quando regresso, parece que foi um instante que passou. Regressar a Lisboa na hora de ponta também não ajuda nada à re-adaptação ao meio urbano. Blherque!

Toda esta actividade foi sempre intercalada com mini-sestas no banco reclinado do QI ou deitado na manta a comer a bela da talhada de melão enquanto se admira o porte de alguns sobreiros (a cadela Mora é um castro laboreiro para ter noção da escala).

Felizmente, o próximo capítulo é já o "Caderno Berlengueiro"!

quinta-feira, maio 28, 2009

Era uma vez...

... 3 reis magos que rumaram ao Nordeste Transmontano para ir conhecer o mais novo ornitólogo português. Enquanto que um seguiu por Sul, salvando vários exemplares da fauna autóctone de morrerem esborrachados na estrada ao mesmo tempo que ia coleccionando ofídios engarrafados, os outros 2 seguiram por Norte, passando pelo Hotel da reunião anual dos diabéticos anónimos, onde apanharam 4 Ptyonoprogne rupestris (bois...).
Lá se encontraram na aldeia de Atenor, onde o menino realmente apareceu por volta da meia noite e, embora tivesse sido muito fácil arranjar por essas paragens um burro e uma vaca, a imagem da natividade foi completada por gatos e cães, enquanto se acendia a lareira - sim, em Maio - e se assavam umas alheiras.
Nos restantes dias, entre a bela da paisagem mirandesa e montando vários acampamentos índios, passareiros e amigos deram bastante ao alicate e este vosso caríssimo regressou com 3 cromos novos. Ora contemplai:

Merops apiaster

Oriolus oriolus

Miliaria calandra

Com esta história tão palerma não pretendi recriar o presépio versão mirandesa até porque virgens marias e imaculadas concepções... yeah right! No entanto, as referências natalícias fora de época eram tantas que não deu para evitar a comparação. Até porque andava toda a gente com um sorriso estampado na cara porque tinham recebido mesmo um grande presente.

Bem vindo, FFJ!

quinta-feira, maio 21, 2009

De uma assentada, toda a palavra do Senhor

Ontem foi noite de teatro e hoje ainda me doia a barriga e os masséteres de tanta gargalhada alarve. Se calhar as pessoas da fila da frente também ficaram com os ouvidos a tilintar mas atrás de nós havia uma senhora com uma risada ultrasónica que, simultaneamente foi responsável pela Engª Saramuga ficar a ouvir zumbidos e pela minha gargalhada suprema, já na rua.
Se ainda não tinha lugar garantido no inferno por outras coisas, passei a ter depois de ver esta peça a transbordar de heresias. E de finíssimo humor.

terça-feira, maio 19, 2009

Em repeat

"Elephant Gun" é apenas a ponta de um iceberg chamado Beirut, com cada música melhor que a anterior. Haverá melhor banda sonora para desenhar anuros endémicos de ilhas do Golfo da Guiné? Ou para desenhar o que quer que seja?

Work in progress


Enquanto espero pelas sugestões do Sócio, decido avançar com a ideia das Sylvias. Paralelamente com as víboras às pintinhas, killies incompletos à espera de serem terminados, psitacídeos emigrantes, anfíbios endémicos insulares e procedimentos cirúrgicos passo-a-passo. E porquê esta sofreguidão desenhadeira quando em toda a vida devo ter terminado meia dúzia de desenhos?

segunda-feira, maio 18, 2009

Gosto

Banda sonora do fim de semana.
"Blood" de Sufjan Stevens, versão original dos Castanets, integrada na colectânea "Dark was the night".

"Desolha, ó!"

Feira do Livro. Gelados e farturas. Secas da Dra. Pulha. Sardinha assada. Museu do Chiado. Concerto de Lula Pena. Bzzz bzzz flash bzzz. Exposição dengosa de pintura da Roménia. Copos na Bica. Falar de música e cinema, claro. Longa caminhada até aos carros. Brunch. Melhor pão do planeta e croissants do careca. Dormir a sesta e desviar-me de frisbees assassinos em Belém. Museu de Etnologia. Exposição de Pinturas Cantadas. Concerto de Yesterday. Dificuldade em processar os falsetes. Concerto de Noiserv. Muito bom. Mais lanche. Decadência a acabar a noite a ver excertos dos Globos de Ouro e italianos possuídos pelo demónio.
Tudo isto num fim de semana abençoado pela Fatinha. E também pela Senhora da Afogada que cumprimentou os seus seguidores com um "Oie carinõ..."
Às vezes sabe muito bem deixar os pássaros e as lagartixas lá nos sítios onde vivem. Só tive pena de não andar com o caderno de campo e a caneta.

quarta-feira, maio 13, 2009

Contagens decrescentes

Ainda este mês regresso aqui:

E depois aqui:

Animal do Mês de Maio

Uca tangier

Decididamente e por razões óbvias, o escolhido desta rubrica mensal é mesmo o caranguejo-violinista ou boca. Se calhar estavam à espera que escolhesse o camaleão (Chamaeleo chamaeleon) mas diverti-me muito mais a fazer esboços de um animal que, apesar de invertebrado, dá um toque de clima tropical às salinas e margens da ria Formosa.
Este exemplar, que como é habitual está incompleto, teve camadas sucessivas de lápis azul, canetas sakura, aguarelas e marcador branco.