segunda-feira, junho 15, 2009

Mas...

... para provar que não passei 5 dias em coma deitado na toalha de praia ligado a um jarro de sangria - até porque, pelos vistos, o meu cérebro só para lá para cima no Douro, aqui ficam as provas que mesmo em férias até vou fazendo alguma coisa:Desenho inaugural das férias, ainda completamente catarinoado. Tinta da china e ecoline azul no Moleskine de papel manhoso.

Apesar de as gralhas-de-nuca-cinzenta (Corvus monedula) serem para lá de abundantes naquelas bandas, estes foram os únicos esboços (a grafite) dos bichos.

Mais uma vez, o meu obrigado ao Rodas por continuar a patrocinar grandes expedições sub-aquáticas com a sua underwater-maquineta, que me torrou o juízo por não conseguir atinar com as macros, focagens e zooms. Por isso, apesar de desfocado dá para ver que isto é um Parablennius sanguinolentus (será?).
Mais passarinhos a grafite. Desta vez, andorinhas-das-chaminés (Hirundo rustica) esboçadas a grafite a partir de uma esplanada qualquer.
Mais peixes infernais, que não param quietos e que são virtualmente impossíveis de identificar. Mesmo depois do trabalho de edição feito pela Flicts, continuo sem saber exactamente que espécie de Pomatoschistus é este.

domingo, junho 14, 2009

Regresso à realidade

Estes 5 curtíssimos dias pela costa vicentina souberam-me simultaneamente pela vida mas também a muito pouco. Quer pela companhia, quer pela praia (Engª Saramuga, desta vez não se descaia) e pela casa que foram um achado, quer pelas longas horas a esplanar e pelo desfilar de caracóis, ameijoas, camarões, L-colesterol, coisas com alma e outras iguarias, quer por conhecer esses vultos da música popular que são a Dª Fatinha e o Sr. Vivaldo. Só foi uma pena não ter fotografado, desenhado, snorklado e lido mais mas com tantos escaldões, frisbeeadas, jump-sessions à beira das falésias (por vezes acompanhadas de gritos de pânico de algumas pessoas), tops das estrelas e passeatas não sobrou tempo para muito mais.

terça-feira, junho 09, 2009

Escapadela

Quem adivinha que praia é esta?

A partir de amanhã e até Domingo corto contacto com o resto do mundo.

sábado, junho 06, 2009

Osmose

Coisa curiosa esta, a facilidade com que nos deixamos contaminar por tipos de registo e estilos gráficos e as folhas dos cadernos de campo ora vão aparecendo Salgadas, PeFadas, Marcoadas ou, mais recente e intensamente, Catarinoadas. Sem contar com as osmoses de influência estrangeira.
Mas quando é que começam a surgir páginas clara e distintamente Fuzhongadas?

Concerto

Hoje foi noite de concerto de Norberto Lobo na casa do alentejo. A chegada à sala, tipicamente alentejana, dizia a Flicts, com lustres no tecto, talha dourada nos cantos e um palco que só faltava a azinheira, mesmo em cima do início da actuação parecia prever qualquer coisa harmoniosa mas vagamente repetitiva. Mas, senhores, há ali uns rasgos que ficamos "hã?" e quase nem ligamos a uma gaja que não se cala. Se há coisas que dão vontade de partir para o extermínio total com direito a decapitações e uso de lança-chamas é pessoal que não pára quieto e não se cala em concertos, especialmente este, em que se quer atenção a toda a nota que sai ora da guitarra, ora de outros instrumentos de cordas.
Bom. Tanto que, coisa rara, comprei o cd.

quinta-feira, junho 04, 2009

Caderno Berlengueiro

O regresso às Berlengas não foi feito nas melhores condições. É verdade, ao fim deste tempo todo, os super-poderes falharam e o cansaço acumulado do Douro, dos dias anteriores alucinados em Lisboa e 2 horas de sono mal dormidas na véspera do embarque fizeram-se sentir. Resultado: os 2 primeiros dias quase literalmente passados sem me mexer, alternado entre longas horas de sono e curtas horas de vegetanço. Só ao terceiro dia é que comecei a acordar e afazer qualquer coisa de jeito.
Mas nem tudo é mau, 2 dias passados a dormir equivaleram a 2 dias sem comer e as sestas dentro da tenda equivaleram a umas sessões de sauna e sempre preciso de perder uns quilos. E fica sempre a desculpa para voltar mais tarde. Porque esta soube manifestamente a pouco.

sexta-feira, maio 29, 2009

Caderno transmontano

Apesar de correr o rumor de que por terras de Miranda o cérebro fica vazio, ainda se consegue fazer umas coisicas por lá. Como nem só de pássaros vive o Homem (pelo menos, eu), nos intervalos da laboração foi possível rabiscar umas coisas no caderno de folhas manhosas:

É inevitável a presença da fauna, quer sejam chapins, cobras-de-ferradura (que tive o cuidado de não expor aqui o desenho a bem de alguns leitores mais impressionáveis), águias de braço ao peito (ou, juntamente com a velhinha a quem demos boleia, as boas acções para os próximos 2 meses) - nem aqui me livro do meu trabalho convencional.

Lá, os dias parecem dilatar, tantas são as coisas que se consegue fazer (ou talvez porque se corte forte e feio nas horas de sono). Quando regresso, parece que foi um instante que passou. Regressar a Lisboa na hora de ponta também não ajuda nada à re-adaptação ao meio urbano. Blherque!

Toda esta actividade foi sempre intercalada com mini-sestas no banco reclinado do QI ou deitado na manta a comer a bela da talhada de melão enquanto se admira o porte de alguns sobreiros (a cadela Mora é um castro laboreiro para ter noção da escala).

Felizmente, o próximo capítulo é já o "Caderno Berlengueiro"!

quinta-feira, maio 28, 2009

Era uma vez...

... 3 reis magos que rumaram ao Nordeste Transmontano para ir conhecer o mais novo ornitólogo português. Enquanto que um seguiu por Sul, salvando vários exemplares da fauna autóctone de morrerem esborrachados na estrada ao mesmo tempo que ia coleccionando ofídios engarrafados, os outros 2 seguiram por Norte, passando pelo Hotel da reunião anual dos diabéticos anónimos, onde apanharam 4 Ptyonoprogne rupestris (bois...).
Lá se encontraram na aldeia de Atenor, onde o menino realmente apareceu por volta da meia noite e, embora tivesse sido muito fácil arranjar por essas paragens um burro e uma vaca, a imagem da natividade foi completada por gatos e cães, enquanto se acendia a lareira - sim, em Maio - e se assavam umas alheiras.
Nos restantes dias, entre a bela da paisagem mirandesa e montando vários acampamentos índios, passareiros e amigos deram bastante ao alicate e este vosso caríssimo regressou com 3 cromos novos. Ora contemplai:

Merops apiaster

Oriolus oriolus

Miliaria calandra

Com esta história tão palerma não pretendi recriar o presépio versão mirandesa até porque virgens marias e imaculadas concepções... yeah right! No entanto, as referências natalícias fora de época eram tantas que não deu para evitar a comparação. Até porque andava toda a gente com um sorriso estampado na cara porque tinham recebido mesmo um grande presente.

Bem vindo, FFJ!

quinta-feira, maio 21, 2009

De uma assentada, toda a palavra do Senhor

Ontem foi noite de teatro e hoje ainda me doia a barriga e os masséteres de tanta gargalhada alarve. Se calhar as pessoas da fila da frente também ficaram com os ouvidos a tilintar mas atrás de nós havia uma senhora com uma risada ultrasónica que, simultaneamente foi responsável pela Engª Saramuga ficar a ouvir zumbidos e pela minha gargalhada suprema, já na rua.
Se ainda não tinha lugar garantido no inferno por outras coisas, passei a ter depois de ver esta peça a transbordar de heresias. E de finíssimo humor.

terça-feira, maio 19, 2009

Em repeat

"Elephant Gun" é apenas a ponta de um iceberg chamado Beirut, com cada música melhor que a anterior. Haverá melhor banda sonora para desenhar anuros endémicos de ilhas do Golfo da Guiné? Ou para desenhar o que quer que seja?

Work in progress


Enquanto espero pelas sugestões do Sócio, decido avançar com a ideia das Sylvias. Paralelamente com as víboras às pintinhas, killies incompletos à espera de serem terminados, psitacídeos emigrantes, anfíbios endémicos insulares e procedimentos cirúrgicos passo-a-passo. E porquê esta sofreguidão desenhadeira quando em toda a vida devo ter terminado meia dúzia de desenhos?

segunda-feira, maio 18, 2009

Gosto

Banda sonora do fim de semana.
"Blood" de Sufjan Stevens, versão original dos Castanets, integrada na colectânea "Dark was the night".

"Desolha, ó!"

Feira do Livro. Gelados e farturas. Secas da Dra. Pulha. Sardinha assada. Museu do Chiado. Concerto de Lula Pena. Bzzz bzzz flash bzzz. Exposição dengosa de pintura da Roménia. Copos na Bica. Falar de música e cinema, claro. Longa caminhada até aos carros. Brunch. Melhor pão do planeta e croissants do careca. Dormir a sesta e desviar-me de frisbees assassinos em Belém. Museu de Etnologia. Exposição de Pinturas Cantadas. Concerto de Yesterday. Dificuldade em processar os falsetes. Concerto de Noiserv. Muito bom. Mais lanche. Decadência a acabar a noite a ver excertos dos Globos de Ouro e italianos possuídos pelo demónio.
Tudo isto num fim de semana abençoado pela Fatinha. E também pela Senhora da Afogada que cumprimentou os seus seguidores com um "Oie carinõ..."
Às vezes sabe muito bem deixar os pássaros e as lagartixas lá nos sítios onde vivem. Só tive pena de não andar com o caderno de campo e a caneta.

quarta-feira, maio 13, 2009

Contagens decrescentes

Ainda este mês regresso aqui:

E depois aqui:

Animal do Mês de Maio

Uca tangier

Decididamente e por razões óbvias, o escolhido desta rubrica mensal é mesmo o caranguejo-violinista ou boca. Se calhar estavam à espera que escolhesse o camaleão (Chamaeleo chamaeleon) mas diverti-me muito mais a fazer esboços de um animal que, apesar de invertebrado, dá um toque de clima tropical às salinas e margens da ria Formosa.
Este exemplar, que como é habitual está incompleto, teve camadas sucessivas de lápis azul, canetas sakura, aguarelas e marcador branco.

Pela tardinha

A partir de ontem, as expedições fotográficas pela tardinha passaram a ter o acrescento do moleskine de folhas manhosas. Mesmo assim, dá para me divertir com a tinta-da-china.

sábado, maio 09, 2009

Lagoa e (a)variações

Não sei bem porquê mas depois desta última semana a fúria dos cadernos de campo voltou ao rubro. Por isso, decidi aproveitar um moleskine manhoso que andava perdido numa gaveta com um papel estranho meio hidrófobo e dar-lhe uso.
Hoje na Lagoa apanhou-se passarinhos de manhã e garças bebés à tarde. E muita chuva. Cercados por água por cima e por baixo que mais parecia as monções da Índia, num barco a exceder a lotação esgotada, com pessoal a ficar com água pelo pescoço e trovoadas a fazer pontaria aos remos metálicos dá que pensar um pouco no que se anda ali a fazer.
Por isso tenho muita pena, os institintos de sobrevivência e o pouco bom senso que me resta falaram mais alto, e chega de garças e ovinhos. Que tenho um caderno novo para encher de desenhos.

sexta-feira, maio 08, 2009

Detalhes

Wheck!
A música
Depois da rádio Fóia, existe a rádio Gilão e toda uma nova dimensão de programas radiofónicos e o reportório infernal de música popular portuguesa de um certo leitor de MP3 que fez com que desse a trautear ou a assobiar coisas inomináveis. Felizmente, a viagem de regresso, deu para limpar os ouvidos e a banda sonora desta semana foi, não a "Rata de dos patas" mas sim, "Instant Street" de dEUS.
A comida
Pois é, não podia faltar a crítica gastronómica. 5 estrelas para o melhor restaurante de terras algarvias (a base de operações), onde se comeu e bebeu melhor. Chili, salsichas com couve lobarda, rojões, galo caseiro no forno, sardinha assada, caldeirada e outros petiscos, sempre regados com uma lista de vinhos tintos que perdi a conta.
As expressões
Que medo tive quando ontem ainda fui trabalhar. Porque depois de uma semana a ouvir Wheck!, peguei num búzio e em cima da mesa púzio, o bico ubíquo e outras coisas que diversificaram o meu vocabulário, não me responsabilizo pelo que digo.

A prova!

O desenho foi transportado para uma nova dimensão: a aquática. Quero mais!
Aqui, os agradecimentos vão para o Rodas, que emprestou a máquina para as fotos e para o Dr. Salinas que emprestou a máscara.

Snapshots

Uma ínfima amostra do que se fez pelos reinos dos Algarves:

Estudos de Fulica atra e Egretta garzetta a grafite. E um grande bem-haja ao JP e ao Sócio por terem emprestado o telescópio e o tripé que permitiram fazer as observações.

Recanto do pinhal ao pé da base de operações. Pincel de água com tinta da china.

Uma couve de sapal que agora não me lembra o nome. Grafite e aguarela.

Apesar do elevado grau de fixeza dos camaleões, não me cansei de desenhar Ucas. Esta é uma fêmea esboçada com lápis de cor azul, grafite e aguarela.

Missão cumprida!

A Missão Camaleão, primeira em que participei full-time, foi completada com sucesso. Viu-se e ilustrou-se o camaleão e as Ucas, paisagens de sapal, ria e pinhal, árvores, arbustos, ervas e couves várias, pássaros, passarinhos e passarões, cobras e lagartos e tudo o que passasse pelo pelos vários pares de olhos e mãos da equipa.
No fim, 6 míseros dias souberam a pouco, parece que fui ontem para o Algarve e regressei sem conseguir fazer um risco que fosse. Claro que tudo é relativo e o caderno e 1/3 preenchidos com rabiscos apontam o contrário mas a verdade é que só ao fim de 4 dias é que entrei mesmo no ritmo, depois de ameaças várias de corte de mãos, atirar as folhas à ria e, sobretudo, um grande abanão que (acho) me fez dar um salto no tipo de registo gráfico. A oportunidade de trabalhar com os mestres tem coisas destas.
Ainda fica bastante trabalho pela frente embora o que dê mesmo vontade é refazer o caderno I - ou melhor, regressar à ria Formosa e recomeçar do princípio. Chegar a Lisboa à hora de ponta, enquanto o resto do grupo ainda fica com mais 2 dias para trabalhar, também só aguça a vontade de voltar depressa para o campo que, se o tempo o permitir, é já amanhã.

quinta-feira, abril 30, 2009

Missão Camaleão

Até ao meu regresso daqui a uns dias!

terça-feira, abril 28, 2009

Incoerência é...

... depois da estreia no Indie Lisboa com o documentário "Tyson" - que não gostei e tenho que reclamar que as cadeiras do S. Jorge são muito más para dormir nem dão para encostar a cabeça nem nada - ir beber um copo ao Bairro, onde as hordas de putos e pitas nos passam a mensagem subliminar de que somos uns trintões e mais valia estarmos na Bica a falar de música ou cinema, para no dia seguinte de manhã, com os olhos ainda empapuçados de sono, a senhora do café nos tratar por "menino".
Então, em que é que ficamos?

And the winner is...

Nota 5 para "It's Nick's Birthday", visionado no Indie Lisboa!

sexta-feira, abril 24, 2009

As gaivotas são nossas amigas!

Lembram-se de "Os Pássaros" sem sentir um calafrio de terror a percorrer a espinha? Nas Berlengas pensaram enlouquecer com tanta gaivota aos gritos? Pois eu acho que as gaivotas são os bichos mais fixes e vou institucionalizar uma rubrica intitulada "O Animal do Mês".
P.S. Portem-se bem que ainda acabam por ser cabeça de cartaz um dia destes...

domingo, abril 19, 2009

A lagoa no seu melhor!

Porquê?
Porque o sol esteve presente todo o dia, intercalando dias de chuva e o frio nem se fez sentir assim tanto e o trabalho habitual do PEEC decorreu na maior tranquilidade (inclusivé sem as hordas de motos infernais do costume).
Porque afinal as armadilhas funcionam e apanharam 4 patos. Só falta descobrir o segredo para apanhar as Porzanas e os Botaurus.
Porque os 3 super-anilhadores de Lisboa e Vale do Tejo (onde a partir de hoje tenho uma papelzinho a dizer que sim, sabe-se lá o que passou pela cabeça dos senhores) iniciaram a audaciosa prospecção por ninhos de Ardea cinerea e A. purpurea - sempre apoiados pela equipe de terra - encontraram tantos que até parecia que o coelhinho da Páscoa tinha lá andado a semear ovos kinder.
Porque utilizamos os nossos super-poderes para esse feito: o Dr. Salinas, de capturar garças adultas em vôo através de saltos sobre o caniçal; o Sócio, de conseguir desatascar a embarcação de quaquer banco de lodo, tronco ou mancha de vegetação que se metesse no caminho e eu, de conseguir, simultaneamente, ancorar o barco, comunicar via rádio com a equipe de terra, tirar fotografias, fazer malabarismos com garças bebés e ligar ao PQT a perguntar pormenores técnicos.
Em suma, porque foi um dia bem passado - apesar de estafante e sob efeito constante da privação do sono - num local que é cada vez mais familiar.

quinta-feira, abril 16, 2009

Decididamente, odeio Ratites

Dromaius novaehollandiae

Sim... mais uma espécie nova mas vista mais de perto do que gostaria. Sim... ainda estou inteiro, sem uma única nódoa negra. Sim... às vezes pergunto-me onde estava com a cabeça quando tomo certas decisões.

quarta-feira, abril 15, 2009

Quarterlife Crisis

Finalmente a explicação para passeios sozinhos na neve em vales perdidos no Gerês, indecisões na escolha da próxima pós-graduação sem ter o mestrado terminado, experiências de body-board, mountain-board ou patins, ponderações entre pintar ou operar salamandras e todos os excessos enólogo-gastronómicos.
Depois de ler este texto, identifiquei-me mais do que o desejava com alguns aspectos embora, felizmente, há coisas que não têm mesmo nada a ver. Por outro lado, e talvez contra-argumentando que estamos em crise existencial contínua desde que nascemos, tive a maioria a. Serei normal?

terça-feira, abril 14, 2009

Alguém me explica isto?

Entre Castro Laboreiro e Portos.

Dia 5: Paúis do Baixo Mondego

Já estava a ver a minha vida a andar para trás, quando cravei ao PQT participação numa sessão de marcação de garças e percebi que ia ter de andar no meio de sítios como os da foto ao lado a tentar não me afundar, mesmo com as botas até ao pescoço que me foram prometidas. (in)felizmente esteve a chuviscar toda a manhã e as garças ficaram para outro dia - porque se já é mau ter água a toda a volta, entrar água para dentro das botas ainda é melhor - mas ainda deu para ver Nictycorax nycticorax, que já não via há um ror de anos, não cair em nenhuma das subidas e descidas ao observatório e anilhar Locustella luscinoides, em que já não punha a mão há uns 10 anos. Por isso, um grande bem-haja ao PQT e família por me terem recebido primorosamente, como é costume.
(por isso, sr. presidente, não ligues ao que eu aqui escrevo, eu gosto mesmo é de me queixar um pouco, e lembra-te aqui do amigo quando fores às garças e aos painhos)

Dia 4: Serra d'Arga

Esta área surpreendeu pela positiva. Finalmente, um sítio com percursos marcados, mapas e essas coisas todas que até dão jeito ao viajante. Tinha uns recantos espetactulares, apesar de não se ver nada de transcendente, excepção feita às lesmas gigantes, que estavam por toda a parte. Ainda conheci um certo convento onde há muitos anos houve um certo encontro que tive o bom-sendo de não ter ido. Alguém se lembra???

Dia 3: Corno de Bico e Rio Minho

Nada de transcendente, o Corno de Bico é uma treta, com percursos pedestres sem qualquer tipo de sinalização (deve-se fazer muitas provas de orientação por estes lados) e o transecto em Vilar de Mouros que fiz também não vale um caracól. O dia valeu, sim, pelas personagens. Quer pelo regresso à pizzaria do Michelle, onde as setas continuam óptimas, o tiramisú continua sem palitos la reine, o chefe continua bêbado que nem um cacho e as personagens que compunham a clientela eram do outro mundo.
Do outro mundo também, foi a pensão onde passei a noite. Eu não devia estar aqui a contar estas histórias porque gosto de surpreender os amigos quando sugiro sítios para pernoitarem mas se quiserem um mix casa assombrada-kitsch-david lynch, falem comigo. O clima de assombração naquele sítio era tal que passei a noite a sonhar com percevejos a sugarem-me o sangue, mortos-vivos a correr pelo corredor, cabeças decapitadas a rolarem pelo guarda-fato e cadáveres debaixo da cama. Depois, fiquei com um bocadinho de remorsos de ter querido fugir porta fora porque a família (Adams?) que geria o espaço até era simpática...
Roteiro gastronómico: Sável frito em Monção (não faço publicidade ao sítio porque eram uns cromos de primeira, apesar do peixe ser óptimo)

Dia 2: Serra do Xurex e parte ocidental do Gerês

Depois da caminhada à chuva segue-se a caminhada à neve e aqui, o início da descoberta de novas regiões. A meio do dia já tinha mandado o icêénebê para a puta que pariu mais as suas placas desinformativas, centros de interpretação fechados e percursos pedestres-fantasma e inventei uns quantos caminhos para... tcharam! Espécie nova e cruzinha no guia: casal de cruza-bicos (Loxia curvirostra) e, pasme-se, em comportamento de nidificação. Mais uma cruzinha nova mas na mamofauna, com um musaranho-d'água (Neomys anomalus) - sim, dos venenosos! mas já perto da Junceda. Em todo o caso, esta zona ocidental merece investigação mais aprofundada. A contraparte galega, do Parque Natural do Baixo Limia e Serra do Xurex, curiosamente tem painéis e placas de informação por todo o lado, mapas, sinalização...
Roteiro gastronómico: Posta à Mirandesa na Lurdes Capela.

segunda-feira, abril 13, 2009

Dia 1: zona central do Gerês

Qualquer desculpa serve para regressar à Mata de Albergaria, felizmente apenas chamuscada dos incêndios recentes. A melhor observação de corço (Capreolus capreolus) da vida, a 10 m de distância, tão perto que até arrepiou. Já foram construídas umas pontes xpto para os tenrinhos atravessarem os rios. Para baixo ainda atravessei pelas pedras, feito herói mas no regresso, como vinha a passo acelerado e debaixo de uma carga de água, tive mesmo que atravessar nas pontes. A frustração maior foi que ia fisgado nas fotos da herpetofauna mas a única coisa que vi foram larvas de Salamandra salamandra e uma víbora-de-seoane (Vipera seoanei) esborrachada na estrada. Aliás, a maioria dos anfíbios, ouriços, raposas e outras miudezas eram, infelizmente, da variedade palmatus. Ainda houve tempo para depois da roupa torcida e seca fazer o percurso Pedra Bela-cascata do Arado.
Gastronomia: Rojões à minhota na Adega do Ramalho (muito bons só que tinham uns bocados de tripa pelo meio. Yack!)

Plano Z

As ideias para as férias da Páscoa eram as seguintes:
Plano A: 2 semanas na ilha grega de Antikythira.
Os contactos feitos, guia da Lonely Planet sabido de trás para a frente, as despesas cabimentadas e tudo e tudo para estar muitos dias a dar ao alicate a espécies raras e a deixar roxos de inveja os amigos anilhadeiros. Mas... 2 semanas é muito tempo e devido a movimentações profissionais inesperadas e algumas reunites fiquei só com 1 semana, o que impossibilitou a viagem.
Plano B: 1 semana a percorrer as Canárias.
Vôo e hotel escolhidos, contactos feitos para a agência de viagens, mais um guia da Lonely Planet estudado. Mas... ainda hoje estou à espera da confirmação da puta da agência.
Plano C: 5 dias Madeira.
Encontrado pacote de viagens porreiro, mapas dos percursos pedestres e spots para visitar. Mas... os cabrões dos vôos todos esgotados.
Por isso... e antes que ficasse em casa a olhar para o ar e a fazer fintas às pilhas de coisas que tenho para fazer, terminada a última reunite, ala para o carro e rumo ao Norte! Segue um breve relato da mini-viagem.

segunda-feira, abril 06, 2009

Teaser #2

Vandellia cirrhosa


Até já cantamos:
Candirú...
Diz-me que és mesmo tu...

quarta-feira, abril 01, 2009

Pausa para...

... esquecer vidros estilhaçados. Nada melhor que acordar às 5h00 para ir para a Lagoa e capturar os primeiros Acrocephalus scirpaceus e Rallus aquaticus do ano. Ao fim da manhã o sono era tal que nem um cardume de choco frito, colas e cafés conseguia despertar e o nível de disparates atingiu novos records. Como foi dito, até sair o ar dos rins!

terça-feira, março 31, 2009

Batem leve, levemente...

Que agradável que foi ter a polícia a tocar à porta à meia-noite. Ainda mais divertido foi saber que tinha o vidro traseiro do carro partido. Que alegria foi estar a colar plásticos para tapar o estrago a meio da noite. Euforia foi andar à procura de uma garagem para guardar o carro durante a noite e o êxtase total foi, após 3 horas de sono, ter de tratar das papeladas de seguro e da reparação. Minha cara carroça, este não está a ser um bom ano para ti.
Como nem tudo é mau, e para equilibrar o mau karma desta noite malfadada, não desapareceu nada e não paguei nada na garagem.
Apesar disso, espero do fundo do fígado que os filhos das putas que andaram a jogar ao alvo com o meu carro, potenciais larápios ou meros vândalos, tenham ficado com uns quantos estilhaços espetados nos olhos ou que tenham engolido, sem querer, uns quantos bocadinhos de vidro e que por esta hora, enquanto se esvaem em sangue pelos vasos hemorroidais, estejam amargamente arrependidos de semelhante acto.
Num mundo perfeito... payback's a bitch! Pelo menos, posso sonhar que sim.

domingo, março 29, 2009

Field Sketching

Regresso à praia dos Lagosteiros para uma mini-sessão de desenho de campo. Os ventos ciclónicos dificultaram ter as folhas quietas, qualquer tentativa de desenhar o mar era para esquecer, tal era o número de ondas encrespadas. Tentativas meio furadas de esboçar Morus bassanus, Calonectris diomedea e Phalacrocorax aristotelis pois o raio dos bichos andavam muito ao largo e desenhos de gaivotas, bastou-me as Berlengas. Ainda descobri um ninho de Falco tinnunculus mas os inquilinos deram rapidamente à soleta, assim como as poucas Podarcis carbonelli que apareciam entre as rochas.
Por isso... tive de me virar para as couves, que abundavam por estas encostas. Outro prazer, hoje quase tão grande como desenhar ao ar livre, foi dormir a sesta; primeiro ao sol e depois, à sombra. E depois queixo-me que só enchi 9 folhas com riscos...


Salsaparrilha (Smilax aspera)
grafite, aguarela e lápis de cor

sexta-feira, março 27, 2009

Pérolas do dia

Partir um retro-projector apenas com o poder da mente (pronto, está bem, com ajuda de um cotovelo).
Bater mais um record de preparação de coisas à ultima da hora.
Descobrir que alguns colegas são conhecidos como família Adams, parece que anda morto e que põe base na cara - o que faz pensar um pouco mas nem tanto assim no que os meninos dizem sobre a minha pessoa - apenas coisas elogiosas, certamente.
Aprender uma expressão nova - "carregar a moita" - como sinónimo de apanhar a farda.
Poder baldar-me a uma seca de reunião porque estava a trabalhar.
Ajudar algumas pessoas a cabular e a copiar para um exame de uma pós-graduação (sou tão bonzinho).
E... ver o primeiro Hypoderma bovis adulto.
Hããã... mais um dia emocionante e variado!

quinta-feira, março 26, 2009

Ornito-quizz

Cisticola juncidis

Hoje de manhã muito cedo no Samouco foi esclarecido um dos grandes mistérios do Universo: como distinguir os machos das fêmeas de C. juncidis. Portanto, o exemplar de cima é o quê?

O admirável mundo da tinta-da-china

Aegithalos caudatus

Sempre achei as técnicas de tinta-da-china uma seca de morte e uma boa introdução a comportamentos obcessivo-compulsivos - excepção feita ao scratchboard, obviamente - mas depois de ver uma das mestras em acção, tenho que reconsiderar um pouco. Este e outros esboço rápidos foram feitos em poucos minutos com 2 pinceis de água: um cheio com tinta-china-pura e outro com um mix de aguada de tinta-da-china e aguarela sépia da Windsor. Para trabalhos mais soltos e com um toque meio orientalóide (acho eu) ou para estudos rápidos é uma técnica a aprofundar.

terça-feira, março 24, 2009

Pausa para o lanche

Vista da Peninha com o Guincho lá ao fundo.

Os raids fotográficos continuam à costa de Sintra edesta vez o destino foi a zona da Peninha. Não foi possível encontrar as ferreirinhas-alpinas (Prunella collaris), que já devem ter regressado a paragens mais montanhosas mas para compensar, deu para andar a procurar salamandras e tritões nos tanques. O ponto alto do passeio foi mesmo a cobra-de-escada (Elaphe scalaris) encontrada no meio do caminho que deve ter apanhado o susto da sua vida quando a (flicts) ligou o turbo e accionou os seus super-poderes de teletransporte, indo aparecer a 3 km de distância.

Os meus 3 segundos de fama

Depois de jantar com suas altezas, os reis de Benavente, pude finalmente apreciar a minha incursão no mundo da 7ª arte, num filme que até fez parte da selecção do Fantasporto. É óbvio que não apareço nem sequer como figurante mas deixei a minha marca na película!

sábado, março 21, 2009

Aos pés do King Christ

Qual é coisa, qual é ela que tem 110 m de altura, acromegalia e cardiomiopatia dilatada? Não sabem pois não? Se tivessem ido ao maravilhoso passeio organizado hoje pela (Flicts), baptizado de... (ou mais correctamente, um tiro no pé)

... já iam saber. Modéstia à parte, a nossa Dream-team (Go, team! Go!) acertou nesta e em todas as outras perguntas e no fim do passeio já tinhamos mais de 3000 pontos. Para além do jogo do quizz, havia senhoras de chapéu ridículo, óculos-transformers, cãezinhos religiosos irritantes e todo o tipo de personagens bizarras. Para além do passeio por essa aldeia que é Almada ainda tivemos direito a tomar conhecimento de factos históricos sombrios, 6 minutos para café e gelados, seitas religiosas sinistras e passar pela casa do Dizi. E muito mas mesmo muito controlo gargalhadeiro de minha parte. Ficam algumas fotografias catitas...

... e uma ideia genial minha e da engenheira Saramuga, portanto passe a redundância, de formar... (rufar de tambores)...

A ASSOCIAÇÃO PIMENTA!!

As próximas actividades com inscrições já abertas são "Passeio pos Campolide", "Pelos corredores do Colombo" e "Rotas históricas em Tercena-Barcarena". Sarcasmos à parte, valeu pela companhia, pelo bom tempo e pela abertura oficial da época da sardinha assada!

quarta-feira, março 18, 2009

at the movies

"Watchmen" é uma BD tão boa que nem dá para explicar aqui. Se bem que haja ali algumas nuances que pode dificultar a vida a quem não conhece a graphic novel, terá sido o melhor filme de super-heróis que vi.

terça-feira, março 17, 2009

Direito de resposta

E a telenovela continua... Como neste momento estou a um passo de me tornar o anti-cristo e como estou no direito de escolher quem quero ou não conhecer e ainda penso que tenho alguma autonomia criativa sobre o que aqui se escreve, passo a transcrever a mais recente mensagem da nossa amiga - não censurada mas com os devidos comentários da direcção -, de modo a poderem apreciar a invasão intergaláctica de mensagens alienígenas que se deu nos bastidores durante as últimas semanas:
"Tinha pensado para mim mesma não responder, mas não posso deixar de comentar o que penso sobre ti:"
Tinha sido um descanso para todos não ter enviado uma mensagem sequer. É aqui que devo começar a tremer de medo com o que uma pessoa que não conheço de lado algum vai dizer sobre a minha pessoa. uuhh!
"Os meus 38 anos e experiências de vida, já ultrapassaram a muito os corredores da secundária"
Tenho certas dúvidas já que a atitude "agora vou amuar porque os meninos são maus e não querem brincar comigo" não denota muita maturidade. E creio que é "" do verbo haver.
"Acho que ainda és um puto, mal formado (socialmente)..."
Sempre tentando manter o espírito jovem! E claro que é muito mais normal (socialmente) conhecer pessoas enviando mensagens alucinadas para um blog.
"...e com recalcamentos que envenenam o mais comum dos mortais (mas gostas de ser assim, é uma defesa, certo?)"
Sempre sou o Dr. Veneno, certo? Há uma reputação a manter. Isso chama-se sarcasmo e costuma ser uma defesa mais ou menos eficaz contra pessoas parvas. E sim, adoro ser assim (gargalhada maquiavélica).
"Pois enganei-me, ainda bem que não te conheci mais…. "
Ufa! Demorou quase 3 meses mas por fim chegámos à mesma conclusão! Não deixo, contudo, de achar curioso agora cuspires no pão recheado com queijo e cenas que querias comer...
"Ainda morria por envenenamento"
Estricnina? Dicumarínicos? Batracotoxinas? Penas de Pitohui spp.? Whatever!
Tcharam! Esperem só um bocadinho enquanto vou ali chorar um bocadinho de remorsos. E foi este, espero, o capítulo final deste folhetim. Uma última coisa:
Get over it!

segunda-feira, março 16, 2009

Adivinha

Eu sei que sou previsível mas... o que é isto?


Todos juntos: é um PATO-VAPOR!!! (Tachyeres spp.).


Se quiserem saber mais, especialmente os ornito-incultos que me fizeram quase cuspir pelo nariz a massa com camarão do António de tanto rir, é favor ler isto.