segunda-feira, agosto 03, 2009

Domingos de Desenho

E a saga continua! Desta vez, o destino foi o jardim do Museu do Traje e diga-se de passagem, a merecer muito mais o título de jardim botânico do que o seu homónimo, quer fosse pela organização, pelo aspecto mais cuidado, pelas inúmeras fontes, lagos e cascatas e pela maior diversidade de objectos de desenho. Na verdade, o mais importante foi, como pessoas decentes que somos, não termos pago entrada, darem-nos lanche sob a forma de belas e sumarentas maçãs e haver uma bela esplanada a meio do percurso. Por isso, recebe o título de melhor jardim de Lisboa. Quando dermos a volta a todos os espaços verdes da capital, este vai ser o primeiro a repetir.

quinta-feira, julho 30, 2009

segunda-feira, julho 27, 2009

urban-sketching

Decididamente, parece que as tardes de Domingo estão a ficar destinadas ao desenho urbano da bela cidade alfacinha, embora sempre em busca dos seus elementos naturais, quer seja por mais um painel (devem estar na moda aqui) com fotografias de cones de cicas, quer pelo início dos treinos desenhísticos amazónicos no jardim botânico. Desta vez, acompanhado da Erica e da nossa Produtora, também membras da direcção do Clube de Fãs do Grupo do Risco. Depois do jardim, jolas e colas no miradouro da Graça, para descer mais tarde à mouraria e à casa do Aziz para moamba e chacuti (é assim que se escreve?) e acabar o Domingo em grande (digestão).

motmot-style

quinta-feira, julho 23, 2009

42 horas em Tornada

Então foi assim: dormitórios de andorinhas, fintas ao sono, bombardeamentos de mensagens do Pqt e do seu discípulo (e tentativas de manter a compostura e evitar gargalhar), empaturrar-me no Pinheiro e no Cortiço, convenções informais de bird-nerds, pólens e plasmodiuns, chuva, fazer magias e tirar Ixobrychus do casaco, mais um cromo na caderneta e arroz de egagrópilos. E sim, também se trabalhou.

segunda-feira, julho 20, 2009

Até para o ano, PEEC do Samouco!

Se alguém duvida que as Aves evoluíram a partir de Dinossáurios Terópodes carnívoros devia ter um Lanius senator, mesmo que puto imberbe, a bicar-lhe os dedos ou uma parte mais querida da sua anatomia. Antes da captura dos gémeos do mal, que o diga a Dra. Camarinha, foi também observado um Coracias garrulus a descrever tangentes às redes e a fazer piretes ao pessoal cá em baixo.
Portanto, uma manhã recheada de cromos. Como não bastasse de actividade e para regressar ao modo "estica-prazos" habitual ainda houve tempo de montar um portfolio quase de raíz à hora de almoço e ir a voar para uma entrevista.
Não vou aparecer nas notícias mas espero notícias lá para Setembro.
No Samouco, só há PEEC para o ano que vem mas espera-se que as actividades avícolas continuem o rsto do ano.

Lisbon stories

Nem só de passarinhos e dinossáurios (passe a redundância) vive um caderno de campo. Lisboa oferece uma infinidade de coisas para esboçar embora, mesmo quando o tema é arquitectónico, há uma clara referência a elementos naturais. É mais forte que eu.
Só não foi possível fazer mais porque entre a história estarrecedora de uma amiga que andou a fazer de slot machine no eixo Norte-Sul e que, felizmente escapou apenas com uns hematomas e material para alguns pesadelos, aniversários de elogio à gula e respectiva ressaca, prova dos (nem por isso) melhores caracóis de Lisboa e despedida da Flicts que partiu para o Sudeste Asiático, faltou o tempo e inspiração.

quinta-feira, julho 16, 2009

Missão cumprida

12 desenhos terminados, digitalizados e editados - recorrendo aos meus vastíssimos conhecimentos de edição de imagem e a softwares de ponta - e, pasme-se! A dois dias de terminar o prazo de entrega.
Agora, os dados estão lançados e vamos ver como corre esta nova aventura pós-graduada. A esperança não é muita e, talvez por isso, estes 12 bonecos só vão ver a luz do dia bloguístico lá para Setembro. Também para não estragar a surpresa de algumas pessoas.

quarta-feira, julho 15, 2009

Teaser spoiler

Erithacus rubecula desenhados até ao enjôo.

Apesar da intensa actividade desenhadeira dos últimos dias, o caderno de campo só foi aberto para desenhar um pimento mas o modelo acabou nas brasas, fatiado e degustado juntamente com as sardinhas no Sábado passado.
No entanto, o caderno de estudos, que às vezes também vai passear ao campo, tem muitas páginas novas.

terça-feira, julho 14, 2009

Fim da digestão

Domingo foi um dia muito difícil e laborioso: depois do desfilar durante todo a tarde de chamuças, rissóis, saladas, entrecostos e febras, pudins, tartes e outras sobremesas, camarões, queijos vários e leitão, a digestão não podia ser fácil. Tanto, que obrigou a mudar das minis para a água castelo e deu direito a desapertar o botão das calças - mas por aquela hora, já não era o único - e se pensarmos que esta batalha foi travada sob um calor sufocante, a puxar pela sesta pós-prandial, não obstante o encharcar em cafés, dá para chegar a 2 conclusões inequívocas:
  1. até gosto de (alguns) baptizados;

  2. foi virtualmente impossível escrever uma única linha;
Sim, porque apesar de ter perdido os melhores caracóis do mundo, algures na Bica, entre conversas sobre música ou cinema, a sessão de PEEC na lagoa foi memorável porque, para além do enxame de andorinhas que fez tombar as redes, capturou-se um cromo novo, que o Sócio teve o prazer de marcar mantendo os dedos todos, e terminou-se os trabalhos da melhor maneira possível: com uma arca cheia de minis e uma pilha de sardinhas assadas e o insuperável pão de alfarim, quase mas quase tão bom como a bela da sardinha.


Quer-me parecer que as sessões de anilhagem do Sul estão a ganhar uns pontos às de outras paragens... Não vos parece?

Cochothraustes cochothraustes, ávida de esmagar umas cabeças de dedos.

quinta-feira, julho 09, 2009

Henkelotherium guimarotae

Que estranho, estarão alguns a pensar, um desenho completo. Mesmo que não o pareça, é mesmo para ficar assim. Aliás, nos próximos dias a produção de artes finais vai ter um pico e alguns leitores mais assíduos vão estranhar encontrar aqui coisas sem serem esboços ou caricaturas saídas do caderno do campo.


E porquê? Porque na verdade eu gostava era que um dia o Guia de Campo aparecesse nos Scienceblogs e porque de vez em quando tenho estes devaneios nerd. Nada de novo, portanto.


Mas porquê este bicho? Para começar, Henkelotherium guimarotae é um mamífero Driolestóide antigo, de pequenas dimensões (o comprimento da cabeça e corpo não ultrapassava uns 6-7 cm de comprimento), viveu no final do Jurássico e como se pode ver pelo cladograma ao lado (Ji 2002), ocupa uma posição evolutiva intermédia entre mamíferos ancestrais, como Morganucodon, e outros mais modernos. Felizmente, foram encontrados esqueletos praticamente completos e foi possível estudar bem a fundo a sua anatomia. Simultaneamente, estão presentes características anatómicas modernas, como a presença de uma fossa supra-espinhosa na escápula ou um colo do fémur bem definido, e outras, como a presença de côndilos assimétricos no fémur, consideradas primitivas (embora estejam presentes em algumas famílias de mamíferos modernos como tupaias e marsupiais didelfídeos) (Vazquez-Molinero 2008).
Para além disso, a coluna dorsal flexível, a cauda longa e falanges compridas sugerem adaptações a um estilo de vida arborícola ou, pelo menos, adaptado à locomoção num meio ambiente tridimensional. Todas estas características sugerem ainda um tipo de mobilidade moderna (mobilidade da escápula, abdução/adução dos membros, etc.)
Recentemente, os seus ossos do ouvido foram submetidos a exames de TAC e, novamente, foram detectadas características consideradas primitivas e outras mais derivadas, que permitiam detectar sons de alta frequência, tal como fazem os mamíferos modernos (Ruf 2009).
Finalmente, os fósseis desta espécie foram encontrados em Guimarota, perto de Leiria, colocando Portugal no mapa do estudo da evolução dos mamíferos mesozóicos (os fósseis de Haldanodon, outro mamífero jurássico basal também são tugas). Na altura, a região teria um ecossistema semelhante às Everglades, alternando zonas pantanosas com zonas de vegetação densa, habitat onde um mamífero de pequenas dimensões e arborícola se poderia movimentar com facilidade.
Mas a grande questão deve ser mesmo: porquê esta urgência em acabar desenhos? A ver vamos.

sábado, julho 04, 2009

Sterna nilotica

Ligeiramente mais bem disposto. Regresso ao Caia para terminar a marcação da colónia de gaivinas-de-bico-preto, niloticas para os amigos, almoçar no Mónaco e fazer um esboço rápido a guache a partir das fotos tiradas com a mega-máquina.

sexta-feira, julho 03, 2009

Pesadelo

Decididamente, ontem foi um daqueles dias em que devia ter ficado trancado em casa, com o ar condicionado ligado, a escrever projectos ou a corrigir certas coisas. Mas como ler calinadas de primeiro grau como "quidados" também faz mal à saúde, achei que lidar com mosquitos, carraças, variações térmicas de 20º C e morte por afogamento em barcos furados era bem mais simpático.
Portanto, era dia de ir à lagoa. Último dia do PEEC, garças e a rambóia do costume. Mas sobretudo, assistir a um certo episódio ofídico.
Às 5h15 já tinha saído de casa e uns 15 minutos depois estava no centro de Lisboa à espera de uma colega para lhe dar boleia. Quando rodo a chave na ignição, o QI faz um som vindo das entranhas que me fez gelar o coração, as luzes do tablier piscam e apagam-se e nada de arrancar. A cada vez que repetia a operação o resultado era o mesmo: uns gorgolejos e imobilidade.
Primeira ideia genial: o carro estava parado no meio da rua. Vamos fazê-lo recuar um pouco.
Pormenor: a rua tem uma suave inclinação e, apesar do carro ter ficado mais ou menos estacionado, foi muito divertido andar a fazer manobras sem direcção assistida. Mas pelo menos, assim não estorvava o trânsito.
Segunda ideia genial: o carro ficou parado num espaço de descargas de uma loja Modelo. Ainda estava a recuperar o fôlego e a ligar para o reboque quando estaciona um camião monstro para, pareceu-nos, largar hortaliças e peixe - que tinha um odor muito pouco saudável - tendo ficado a bloquear a rua. A partir daí, tenho a memória turva: estava a amanhecer, carros a buzinar, outros a fazer manobras suicidas, munícipes a gritar, as ambulâncias do INEM a querer sair, os chorrilhos de palavrões que larguei. Felizmente, chegou o reboque que, depois de largar uns parafusos (wtf?!) e ter içado o carro de uma maneira muito original me levou dali para fora, antes de ser linchado pela população ou que os funcionários do modelo começassem a atirar-me com fruta podre.
Depois do carro ficar na oficina veio a pior parte: o telefonema com o orçamento da reparação. Alternador, correia de distribuição, fusíveis, blá, blá,...
E é assim que vos escrevo, do leito do hospital, onde fui parar depois de ouvir um valor "assim por alto que falta o IVA" e ter tido três apoplexias. Tudo isto para dizer que nos próximos dias tenho mobilidade reduzida e que o estado de humor está a uns 10% daquela história do cinto em S. Tomé (os que assistiram devem estar a tremer de medo mas são uns exagerados). Portanto, tratem-me bem e tenham muita paciência comigo.

quarta-feira, julho 01, 2009

Globalização é...

Receber mails de colegas paquistaneses - por segundos ainda pensei que fosse uma mensagem-bomba ou qualquer artefacto terrorista mas quaisquer devaneios preconceituosos desvaneceram-se depois de uma rápida pesquisa no Google - a indagar coisas sobre um artigo de minha autoria publicado a semana passada nas américas. As voltas que as transfusões sanguíneas dão ao planeta!

Uma manhã... incipiente*

* Eu sei que sou previsível mas não resisti!


Pardais, melanocephalas, Cisticolas e melros resumiram a manhã que, apesar da monotonia ornitológica, deve ter batido records numéricos no PEEC deste ano. Também digno de nota foi a estreia de 2 maçaricas no maravilhoso mundo da anilhagem.
Estreia também da minha fantástica máquina fotográfica nova que, com o seu zoom telescópico, quase que tira fotos de minha casa para os bichos das salinas.

segunda-feira, junho 29, 2009

Próximas paragens

Lago Annsjon, Suécia. Já em Agosto.


Amazónia brasileira e rio Negro. Dezembro.

Com os bilhetes comprados, começa oficialmente a contagem decrescente para as viagens do ano.

domingo, junho 28, 2009

A jóia da coroa

Ninho de cegonha-negra (Cicconia nigra) com 3 crias em montado.

Paínho, está descansado que continuas com o título de animal do mês. Mas, há qualquer coisa diferente em entrar num montado algures no Alentejo com as lebres a correr ao fundo do campo e estar a uns escassos centímetros desta espécie e marcá-la, fazendo o devido jogo de cintura para escapar às suas bicadas e jactos cloacais. Foi o final de uma semana de ornitologia de campo praticamente imbatível, quer pelas espécies com que trabalhei, quer pelos locais e pronto, vá lá, pelo pessoal que foi fazendo companhia.

Field Ornithology

Estava eu a queixar-me, coisa rara dizem-me, no outro dia, que já não ia para o campo há uma eternidade. Claro que o sentido de tempo é relativo, especialmente, para quem já tenha estado em S. Tomé, e nesta caso, o tempo eterno resumia-se a 2 semanas. Realmente, os últimos dias, a começar nos paúis do Baixo Mondego, serviram mesmo para re-oxigenar o cérebro, impedindo-me de ter motivos de queixa para os próximos tempos. Se bem que a pesar nas curtas horas de sono e no acumular de trabalho mas, como sempre, trata-se de uma questão de prioridades.
Posto isto, depois de uma breve passagem pelo Samouco e de uma tarde de trabalho na Sexta, rumou-se ao Alentejo profundo para mais uma mega-operação, desta vez na terra, água e ar. A juntar à colecção, um cromo novo, Sterna nilotica.
O tagaz, que à partida, não parece nada mais que qualquer outra andorinha-do-mar de patas compridas, revelou-se numa espécie cheia de pormenores interessantes, desde ao relativamente longo período até alcançar a idade reprodutora, a dispersão meio nómada pelas ilhas de lagos e barragens do interior, a biologia reprodutora e a dinâmica das colónias, a dieta meio surpreendente (Alburnus, rãs-verdes, grilos e gafanhotos) e, sobretudo, o aparato e logística envolvidas para a sua marcação. Uma manhã muito bem passada, em boa companhia e com direito a uma jola fresquinha seguida de um mergulho no Caia.

quinta-feira, junho 25, 2009

Animal do mês de Junho

Ainda custou a decidir, mas é inequívoco que quem ganha este mês é o paínho (Hydrobates pelagicus), mesmo com uns esboços básicos feitos a partir de fotos manhosas e com 2 horas de sono.

Eles andem aí!

Ah! Ah! E os super-poderes regressaram numa sessão quase contínua de 16 horas de anilhagem. Primeiro, no paúl do Taipal a retirar dúzias de andorinhas e 2 Plecotus auritus das redes. Depois, no cabo Mondego, numa mega-operação envolvendo anilho-mobiles, colunas de discoteca e... Tcharam! uma captura de Hydrobates pelagicus com anilha estrangeira. Finalmente, paúl da Madriz para uma sessão de PEEC, onde, para olhos leigos e ingénuos, pareceu que estive a dormir 2 horas no anilho-mobile e a ser devorado pelos mosquitos da região centro. Na verdade, estava a meditar profundamente sobre como é fixe voltar para o campo e conseguir fazer tanta coisa em menos de 24 horas.

Paúl do Taipal, a transbordar de Plataleas alba e Ardeas purpurea.

Raiva? Qual raiva? Quem é que pensa nisso quando se tem na mão o morcego mais fixe de toda a nossa quiroptofauna? Plecotus auritus.

Claro que a estrela da noite foi mesmo o Hydrobates pelagicus. Segurar albatrozes (ou mais correctamente, Procelariformes, que vai dar no mesmo) miniatura na mão foi o ponto alto da expedição.

E finalmente, um grande bem-haja ao meu cicerone pelo Baixo Mondego, Pqt. Só é de lamentar que os seus formandos sejam uns tenrinhos e não terem aparecido. Ah! E tal, tenho teses e jogos com a académica...

terça-feira, junho 23, 2009

Bite ranking

No outro dia vi um programa bastante idiota no canal Discovery ou similar sobre dentadas de animais em que tinham uns modelos mecânicos bastante estúpidos para exemplificar coisas bastante óbvias e depois até organizavam combates altamente inverosímeis entre os vários modelos. Ontem, depois de o meu polegar ter tido um encontro de 3º grau com a boca de uma Pogona vitticeps, pensei que beijinhos de tubarões-brancos e pumas não são nada, comparadas com o meu top3 (pois é, não foram assim tantas) de dentadas:
3º Lugar: Meriones unguiculatus. Apesar de ser pequenino e fofinho, quando temos aqueles dentes espetados até ao osso de um dedo, o difícil é controlar a saída de palavrões e atirar o c***ão do rato contra a parede.
2º Lugar: Pteroglossus castanotis. O pormenos do bico serrilhado é altamente sugestivo.

1º Lugar: Iguana iguana. E era uma vez a cabeça do meu dedo, que foi recolocada no lugar com um bocado de adesivo. Esta, senhores, doeu a valer.

domingo, junho 21, 2009

Os vampiros atacam de novo...

... e este fim de semana perdi anos de vida. Meus amigos (vocês sabem quem são), vou pedir indeminizações avultadas a uma certa associação por danos e traumas psicológicos e uns quantos cabelos brancos.
Em alternativa, podem começar a compensar estes momentos de stress dos quais ainda estou a recuperar com convites para jantares, copos, passeios e cromos novos para a colecção. Querem sugestões?

sexta-feira, junho 19, 2009

Oh não! MAIS um post sobre dinosaurios...

Limusaurus inextricabilis
(Sacrilégio! Um pequeno Terópode reconstruído sem os revestimentos de penas que andam tão na moda...)

Pois é, à primeira vista este dinossaurio do Jurássico da China não parece ter nada de extraordinário. Pequeno e esguio, membros posteriores longos, anteriores pequenos e com uma acentuada redução de dedos (também nada de novo se pensarmos nos Tiranosauróides), pescoço longo e flexível, maxilas sem dentes e cobertas por um bico córneo... Só que, primeira surpresa, este é um Ceratosaurídeo, parente de Ceratosaurus, Carnotaurus ou mais chegado mesmo a Deltadromeus. Esta linhagem reunia dinosaurios carnívoros de médio a grande porte, com bocas cheias de dentes e, frequentemente com adornos meio esquisitos na cabeça.
Grande coisa... se pensarmos nos Therizinosaurios, não é a primeira vez que um grupo de dinosaurios herbívoros evolui a partir de antepassados terópodes carnívoros.
O que torna este fóssil mesmo muito interessante é a estrutura da mão; ao longo da evolução dos Terópodes sempre houve uma tendência para a redução dos dígitos. O Limusaurus possuia mãos com 4 dedos, tendo o dedo V (o mais lateral) ido completamente à vida. O dedo I (o mais medial) era composto por apenas um metacarpo, os dedos II e III estavam normalmente desenvolvidos e o dedo IV era composto apenas por um metacarpo e uma falange. Esta organização de dedamens sugere que o dedo II estaria a tentar substituir o dedo I, em franca redução, acabando por vir a fazer as vezes de um pseudo-polegar.
Apesar de não sabermos o que é que o Limusaurus faria com aquelas mãozinhas, este pequeno grande pormenor, que em alguns grupos de Terópodes, as mãos seriam compostas pelos dedos II, III e IV em vez dos dedos I, II e III, pode servir para refutar o único argumento que parece comprometer a teoria da evolução das Aves a partir de dinosaurios carnívoros. Dizem alguns entendidos que nas Aves, a asa é suportada pelos dedos II, III e IV e tendo os Terópodes mãos com os dedos I, II e III, estes nunca poderiam ser os seus antepassados. É verdade que é um argumento contra dúzias de outros a suportar a ligação filogenética entre os 2 grupos mas este fóssil levanta a questão: e se na verdade, alguns Terópodes tinham era mãos com dedos II, III e IV?
Pensem nisso... para saber mais, vão aqui e desfrutem de um grande momento geek. Assim como eu fiz.

Oreochromis niloticus


Por que será que hoje fiquei a conhecer tão bem estes peixes?

Sua majestade, o rei dos xoninhas

Depois da tarde de hoje, nunca mais chamo mono a ninguém. Dassssssssssseeeeee!

quinta-feira, junho 18, 2009

Desenho do dia

Entre trabalho, dúvidas existenciais sobre portfolios e outras tantas coisas, finalmente comecei a despachar algumas tarefas que estavam a ficar acumuladas. Entretanto, ainda houve tempo para começar a fazer um retrato de um sargo (Diplodus vulgaris), aqui um adulto a lembrar os juvenis que fotografei nas poças da baixa-mar da costa vicentina.
Afinal, começo a achar alguma piada a este caderno. Afinal, os lápis de cor até são bem fixes. Afinal, o que eu queria mesmo era estar na praia a mergulhar e a desenhar peixinhos (ou outra coisa qualquer).

quarta-feira, junho 17, 2009

Dispersão

Ao fim de quase 3 anos a olhar para as mesmas páginas do Guia de Campo, achei que estava na hora de lhe mudar um pouco os ares e vai de carregar um novo design. Grande asneira! Ao fim de algum tempo já estava a arrancar cabelos, a dar cabeçadas no PC e a mandar o blogger para o c****ho pela tarefa infernal que foi mudar tudo e mais alguma coisa. Ainda não está como eu queria mas deixa-m estar sossegado.
Claro que mudanças de visual bloggístico, pesquisas ictiológicas do rio Negros, flickradas e revisões sobre cardiomiopatias dilatadas em furões só serviram para engonhar antes de ganhar fôlego e começar a tratar de 1001 coisas pendentes/adiadas/suspensas/soltas que tenho para despachar.
Mas perdido por 100, perdido por 1000 e toma lá mais uma página no caderno de folhas manhosas para recordar que já não vou para o campo há 2 dias, que os papa-figos são mesmo fixes e para recordar o Douro, que se tudo correr de feição, é para marcar presença no fim de Julho para mais uma edição do Burro i l Gueiteiro.

segunda-feira, junho 15, 2009

Mas...

... para provar que não passei 5 dias em coma deitado na toalha de praia ligado a um jarro de sangria - até porque, pelos vistos, o meu cérebro só para lá para cima no Douro, aqui ficam as provas que mesmo em férias até vou fazendo alguma coisa:Desenho inaugural das férias, ainda completamente catarinoado. Tinta da china e ecoline azul no Moleskine de papel manhoso.

Apesar de as gralhas-de-nuca-cinzenta (Corvus monedula) serem para lá de abundantes naquelas bandas, estes foram os únicos esboços (a grafite) dos bichos.

Mais uma vez, o meu obrigado ao Rodas por continuar a patrocinar grandes expedições sub-aquáticas com a sua underwater-maquineta, que me torrou o juízo por não conseguir atinar com as macros, focagens e zooms. Por isso, apesar de desfocado dá para ver que isto é um Parablennius sanguinolentus (será?).
Mais passarinhos a grafite. Desta vez, andorinhas-das-chaminés (Hirundo rustica) esboçadas a grafite a partir de uma esplanada qualquer.
Mais peixes infernais, que não param quietos e que são virtualmente impossíveis de identificar. Mesmo depois do trabalho de edição feito pela Flicts, continuo sem saber exactamente que espécie de Pomatoschistus é este.

domingo, junho 14, 2009

Regresso à realidade

Estes 5 curtíssimos dias pela costa vicentina souberam-me simultaneamente pela vida mas também a muito pouco. Quer pela companhia, quer pela praia (Engª Saramuga, desta vez não se descaia) e pela casa que foram um achado, quer pelas longas horas a esplanar e pelo desfilar de caracóis, ameijoas, camarões, L-colesterol, coisas com alma e outras iguarias, quer por conhecer esses vultos da música popular que são a Dª Fatinha e o Sr. Vivaldo. Só foi uma pena não ter fotografado, desenhado, snorklado e lido mais mas com tantos escaldões, frisbeeadas, jump-sessions à beira das falésias (por vezes acompanhadas de gritos de pânico de algumas pessoas), tops das estrelas e passeatas não sobrou tempo para muito mais.

terça-feira, junho 09, 2009

Escapadela

Quem adivinha que praia é esta?

A partir de amanhã e até Domingo corto contacto com o resto do mundo.

sábado, junho 06, 2009

Osmose

Coisa curiosa esta, a facilidade com que nos deixamos contaminar por tipos de registo e estilos gráficos e as folhas dos cadernos de campo ora vão aparecendo Salgadas, PeFadas, Marcoadas ou, mais recente e intensamente, Catarinoadas. Sem contar com as osmoses de influência estrangeira.
Mas quando é que começam a surgir páginas clara e distintamente Fuzhongadas?

Concerto

Hoje foi noite de concerto de Norberto Lobo na casa do alentejo. A chegada à sala, tipicamente alentejana, dizia a Flicts, com lustres no tecto, talha dourada nos cantos e um palco que só faltava a azinheira, mesmo em cima do início da actuação parecia prever qualquer coisa harmoniosa mas vagamente repetitiva. Mas, senhores, há ali uns rasgos que ficamos "hã?" e quase nem ligamos a uma gaja que não se cala. Se há coisas que dão vontade de partir para o extermínio total com direito a decapitações e uso de lança-chamas é pessoal que não pára quieto e não se cala em concertos, especialmente este, em que se quer atenção a toda a nota que sai ora da guitarra, ora de outros instrumentos de cordas.
Bom. Tanto que, coisa rara, comprei o cd.

quinta-feira, junho 04, 2009

Caderno Berlengueiro

O regresso às Berlengas não foi feito nas melhores condições. É verdade, ao fim deste tempo todo, os super-poderes falharam e o cansaço acumulado do Douro, dos dias anteriores alucinados em Lisboa e 2 horas de sono mal dormidas na véspera do embarque fizeram-se sentir. Resultado: os 2 primeiros dias quase literalmente passados sem me mexer, alternado entre longas horas de sono e curtas horas de vegetanço. Só ao terceiro dia é que comecei a acordar e afazer qualquer coisa de jeito.
Mas nem tudo é mau, 2 dias passados a dormir equivaleram a 2 dias sem comer e as sestas dentro da tenda equivaleram a umas sessões de sauna e sempre preciso de perder uns quilos. E fica sempre a desculpa para voltar mais tarde. Porque esta soube manifestamente a pouco.

sexta-feira, maio 29, 2009

Caderno transmontano

Apesar de correr o rumor de que por terras de Miranda o cérebro fica vazio, ainda se consegue fazer umas coisicas por lá. Como nem só de pássaros vive o Homem (pelo menos, eu), nos intervalos da laboração foi possível rabiscar umas coisas no caderno de folhas manhosas:

É inevitável a presença da fauna, quer sejam chapins, cobras-de-ferradura (que tive o cuidado de não expor aqui o desenho a bem de alguns leitores mais impressionáveis), águias de braço ao peito (ou, juntamente com a velhinha a quem demos boleia, as boas acções para os próximos 2 meses) - nem aqui me livro do meu trabalho convencional.

Lá, os dias parecem dilatar, tantas são as coisas que se consegue fazer (ou talvez porque se corte forte e feio nas horas de sono). Quando regresso, parece que foi um instante que passou. Regressar a Lisboa na hora de ponta também não ajuda nada à re-adaptação ao meio urbano. Blherque!

Toda esta actividade foi sempre intercalada com mini-sestas no banco reclinado do QI ou deitado na manta a comer a bela da talhada de melão enquanto se admira o porte de alguns sobreiros (a cadela Mora é um castro laboreiro para ter noção da escala).

Felizmente, o próximo capítulo é já o "Caderno Berlengueiro"!

quinta-feira, maio 28, 2009

Era uma vez...

... 3 reis magos que rumaram ao Nordeste Transmontano para ir conhecer o mais novo ornitólogo português. Enquanto que um seguiu por Sul, salvando vários exemplares da fauna autóctone de morrerem esborrachados na estrada ao mesmo tempo que ia coleccionando ofídios engarrafados, os outros 2 seguiram por Norte, passando pelo Hotel da reunião anual dos diabéticos anónimos, onde apanharam 4 Ptyonoprogne rupestris (bois...).
Lá se encontraram na aldeia de Atenor, onde o menino realmente apareceu por volta da meia noite e, embora tivesse sido muito fácil arranjar por essas paragens um burro e uma vaca, a imagem da natividade foi completada por gatos e cães, enquanto se acendia a lareira - sim, em Maio - e se assavam umas alheiras.
Nos restantes dias, entre a bela da paisagem mirandesa e montando vários acampamentos índios, passareiros e amigos deram bastante ao alicate e este vosso caríssimo regressou com 3 cromos novos. Ora contemplai:

Merops apiaster

Oriolus oriolus

Miliaria calandra

Com esta história tão palerma não pretendi recriar o presépio versão mirandesa até porque virgens marias e imaculadas concepções... yeah right! No entanto, as referências natalícias fora de época eram tantas que não deu para evitar a comparação. Até porque andava toda a gente com um sorriso estampado na cara porque tinham recebido mesmo um grande presente.

Bem vindo, FFJ!

quinta-feira, maio 21, 2009

De uma assentada, toda a palavra do Senhor

Ontem foi noite de teatro e hoje ainda me doia a barriga e os masséteres de tanta gargalhada alarve. Se calhar as pessoas da fila da frente também ficaram com os ouvidos a tilintar mas atrás de nós havia uma senhora com uma risada ultrasónica que, simultaneamente foi responsável pela Engª Saramuga ficar a ouvir zumbidos e pela minha gargalhada suprema, já na rua.
Se ainda não tinha lugar garantido no inferno por outras coisas, passei a ter depois de ver esta peça a transbordar de heresias. E de finíssimo humor.

terça-feira, maio 19, 2009

Em repeat

"Elephant Gun" é apenas a ponta de um iceberg chamado Beirut, com cada música melhor que a anterior. Haverá melhor banda sonora para desenhar anuros endémicos de ilhas do Golfo da Guiné? Ou para desenhar o que quer que seja?

Work in progress


Enquanto espero pelas sugestões do Sócio, decido avançar com a ideia das Sylvias. Paralelamente com as víboras às pintinhas, killies incompletos à espera de serem terminados, psitacídeos emigrantes, anfíbios endémicos insulares e procedimentos cirúrgicos passo-a-passo. E porquê esta sofreguidão desenhadeira quando em toda a vida devo ter terminado meia dúzia de desenhos?

segunda-feira, maio 18, 2009

Gosto

Banda sonora do fim de semana.
"Blood" de Sufjan Stevens, versão original dos Castanets, integrada na colectânea "Dark was the night".

"Desolha, ó!"

Feira do Livro. Gelados e farturas. Secas da Dra. Pulha. Sardinha assada. Museu do Chiado. Concerto de Lula Pena. Bzzz bzzz flash bzzz. Exposição dengosa de pintura da Roménia. Copos na Bica. Falar de música e cinema, claro. Longa caminhada até aos carros. Brunch. Melhor pão do planeta e croissants do careca. Dormir a sesta e desviar-me de frisbees assassinos em Belém. Museu de Etnologia. Exposição de Pinturas Cantadas. Concerto de Yesterday. Dificuldade em processar os falsetes. Concerto de Noiserv. Muito bom. Mais lanche. Decadência a acabar a noite a ver excertos dos Globos de Ouro e italianos possuídos pelo demónio.
Tudo isto num fim de semana abençoado pela Fatinha. E também pela Senhora da Afogada que cumprimentou os seus seguidores com um "Oie carinõ..."
Às vezes sabe muito bem deixar os pássaros e as lagartixas lá nos sítios onde vivem. Só tive pena de não andar com o caderno de campo e a caneta.

quarta-feira, maio 13, 2009

Contagens decrescentes

Ainda este mês regresso aqui:

E depois aqui:

Animal do Mês de Maio

Uca tangier

Decididamente e por razões óbvias, o escolhido desta rubrica mensal é mesmo o caranguejo-violinista ou boca. Se calhar estavam à espera que escolhesse o camaleão (Chamaeleo chamaeleon) mas diverti-me muito mais a fazer esboços de um animal que, apesar de invertebrado, dá um toque de clima tropical às salinas e margens da ria Formosa.
Este exemplar, que como é habitual está incompleto, teve camadas sucessivas de lápis azul, canetas sakura, aguarelas e marcador branco.

Pela tardinha

A partir de ontem, as expedições fotográficas pela tardinha passaram a ter o acrescento do moleskine de folhas manhosas. Mesmo assim, dá para me divertir com a tinta-da-china.

sábado, maio 09, 2009

Lagoa e (a)variações

Não sei bem porquê mas depois desta última semana a fúria dos cadernos de campo voltou ao rubro. Por isso, decidi aproveitar um moleskine manhoso que andava perdido numa gaveta com um papel estranho meio hidrófobo e dar-lhe uso.
Hoje na Lagoa apanhou-se passarinhos de manhã e garças bebés à tarde. E muita chuva. Cercados por água por cima e por baixo que mais parecia as monções da Índia, num barco a exceder a lotação esgotada, com pessoal a ficar com água pelo pescoço e trovoadas a fazer pontaria aos remos metálicos dá que pensar um pouco no que se anda ali a fazer.
Por isso tenho muita pena, os institintos de sobrevivência e o pouco bom senso que me resta falaram mais alto, e chega de garças e ovinhos. Que tenho um caderno novo para encher de desenhos.