segunda-feira, agosto 17, 2009

Guia de Campo Sueco (parte III) - o caderno de campo

Como sempre, nesta viagem esteve presente a trilogia Natureza-desenhos-gastronomia. Embora tivesse ficado aquém das minhas expectativas (nem acabei um caderno), também se riscou pela Suécia, mesmo com chuva, vento e mosquitos. Aqui fica uma ínfima parte dos esboços produzidos:
Amoras-do-árctico (Rubus chamaemorus). Dizem eles que estas amoras grandes, globosas e laranjas são uma especialidade. Eu achei uma bodega e só mesmo em compotas é que eram comestíveis.

Nas traseiras da casa havia um casal de grous e seu descendente que permitiram muitas horas de desenho.
As sessões de anilhagem também permitiram algum trabalho, aqui com pintarroxos (Carduelis flammea)...

... e aqui com rabirruivos (Phoenicurus phoenicurus), em que depois foi possível experimentar 2 materiais, aguarela e guache.

sábado, agosto 15, 2009

Guia de Campo Sueco (parte II) - as cadernetas de cromos

Parece-me que há aqui uns senhores ques estavam à espera era deste assunto. Pelo menos, tenho impressão que alguém me vai pagar umas jolas em Mértola... Temos então:


Caderneta das espécies novas observadas:
Rana temporaria (ou acham que andei só de olho nos pitos?)

Alces alces - fêmea e cria;
Rangifer tarandus - uma manada lá no alto da montanha;
Castor fiber

Gavia stellata
Gavia arctica
Bucephala clangula
Mergus serrator
Cygnus cygnus
Calidris temminckii
Phalaropus lobatus
Sterna paradisaea
Sterna caspia
Picoides tridactylus
Parus montanus
Lanius excubitor - atenção que cá temos é o L. meridionalis!
Hippolais icterina
Carduelis flammea

Mas também houve observações excelentes de grous, açores, brigas entre esquilos, chapins e trepadeiras e muito mais.


Caderneta das espécies novas anilhadas:

Gallinago gallinago
Calidris temminckii
Turdus pilaris
Turdus iliacus
Phoenicurus phoenicurus
Hippolais icterina
Sylvia curruca
Fringilla montifringilla
Carduelis flammea

(já repararam que foi preciso ir quase ao Pólo Norte para ter na mão alguns destes bichos? É sinal que algumas pessoas por cá não estão a trabalhar bem...)



Vá, identifiquem vocês os bichos que conseguem. E porque é uma trabalheira estar a pôr legendas em tudo. Para além destes, assim mais xpto, houve fartura de Luscinia svecica, Carduelis spinus, Phylloscopus trochillus (yack!) e Emberiza schoeniclus, tendo sido possível aprender e discutir muita informação sobre os mais variadíssimos aspectos dos bichos (incluindo aquele mistério insondável, perdoa-me HRC, que é a muda dos passeriformes. Mas isso é uma história para outro post).

Guia de Campo Sueco (parte I) - o contexto

Eis-me finalmente à pátria regressado, depois da expedição ao Norte da Suécia. Devido à grande extensão e complexidade dos temas que irei tratar, vou ter de preparar vários posts sobre diferentes tópicos (e assim, escuso de inventar assunto de conversa para os próximos dias). Infelizmente para alguns, terão de ouvir durante longas e penosas semanas frases como "Na Suécia era assim...", "Na Suécia era assado..." e "As suecas não sei quantos...".
Mas estejam descansados, em especial aqueles que tiveram o prazer de falar comigo quando cheguei, a fase de cuspir labaredas de fogo e esguichar sangue pelos olhos já terminou, depois de 36 horas virtualmente sem dormir em comboios periclitantes e aviões com criancinhas em birra contínua. A partir daqui, é só falar de paisagens maravilhosas e passarinhos a cantar nas árvores.

Uma breve passagem pelas ruas de Estocolmo (inédito! Eu a visitar uma cidade!).

Um dos locais de trabalho, no delta do rio Are (falta a bolinha em cima do A), com o lago Annsjön lá ao fundo. Bastante horrível, não é? E já disse que tínhamos de ir para lá de barco, a descer o rio, rodeados de mergansos, mobelhas e cisnes?

O outro local de trabalho ficava aqui, no meio de florestas de vidoeiros e árvores de Natal. O rio que vêem, onde andavam Bucephalas clangulas e castores é igualmente o rio Are.

Acham mesmo que atravessei isto??? Mas... devo dizer que dei uns passos na ponte-baloiço-do suicídio. Aqueles lá ao fundo eram colegas meus mas como apareceu um urso no outro lado da ponte, eu tive de cortar as cordas para me safar e poder escrever estas linhas. Eles foram cascata abaixo.

Mas... fiz outras idiotices, como subir até à base desta montanha, a Storsnassen, sozinho, sem mapas, telemóvel e outras coisas lógicas. Infelizmente, começou a chover torrencialmente e tive que regressar sem ver lagópodes ou moleiros-rabilongos. Mas vi renas! (Repararam no pormenor de termos uma montanha com neve, 8º C e chuvas diluvianas em Agosto? É assim o Verão na Suécia...)

Já estoirararam de inveja ou ainda aguentam mais uns posts?

terça-feira, agosto 11, 2009

Update II

Hoje esteve a amena temperatura de 11 graus, andei com 2 polares e impermeável vestidos e a meio da manhã tivemos que interromper os trabalhos porque comecou a chover. Agosto na Suécia! Mas hoje também, um castor passou à minha frente no rio e o casal de grous da traseira da casa comecou a ensinar a cria a voar.
Entretanto, fui promovido a chefe, depois do bacalhau com natas desta noite (não era bem bacalhau e também não eram bem natas). Mas também há quem diga que sou o waders expert e moulting expert, que são as coisas que mais detesto, portanto é melhor não dar muito crédito...
Só é pena estar quase no fim.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Update

Consegui arranjar um tempinho para dizer que estou vivo, ainda não sucumbi à hipotermia nem às hordas de mosquitos que por aqui andam. Já vi alces e renas (e também já os comi), estou um expert em navegacao fluvial, de tanto viajar no delta do rio Åre, com mobelhas e mergansos a sobrevoar-nos, já tenho muitos cromos novos na coleccão, ainda não sei falar uma palavra de sueco e a casa parece uma versão ornitológica da residencia espanhola, tantas são as nacionalidades que aqui param. E, sobretudo, continuo deslumbrado com a beleza do Norte da Suécia.
Seguem-se mais actualizacões (se não estiver a fugir de um alce ou de um urso)

segunda-feira, agosto 03, 2009

Próxima paragem:

Suécia!

Domingos de Desenho

E a saga continua! Desta vez, o destino foi o jardim do Museu do Traje e diga-se de passagem, a merecer muito mais o título de jardim botânico do que o seu homónimo, quer fosse pela organização, pelo aspecto mais cuidado, pelas inúmeras fontes, lagos e cascatas e pela maior diversidade de objectos de desenho. Na verdade, o mais importante foi, como pessoas decentes que somos, não termos pago entrada, darem-nos lanche sob a forma de belas e sumarentas maçãs e haver uma bela esplanada a meio do percurso. Por isso, recebe o título de melhor jardim de Lisboa. Quando dermos a volta a todos os espaços verdes da capital, este vai ser o primeiro a repetir.

quinta-feira, julho 30, 2009

segunda-feira, julho 27, 2009

urban-sketching

Decididamente, parece que as tardes de Domingo estão a ficar destinadas ao desenho urbano da bela cidade alfacinha, embora sempre em busca dos seus elementos naturais, quer seja por mais um painel (devem estar na moda aqui) com fotografias de cones de cicas, quer pelo início dos treinos desenhísticos amazónicos no jardim botânico. Desta vez, acompanhado da Erica e da nossa Produtora, também membras da direcção do Clube de Fãs do Grupo do Risco. Depois do jardim, jolas e colas no miradouro da Graça, para descer mais tarde à mouraria e à casa do Aziz para moamba e chacuti (é assim que se escreve?) e acabar o Domingo em grande (digestão).

motmot-style

quinta-feira, julho 23, 2009

42 horas em Tornada

Então foi assim: dormitórios de andorinhas, fintas ao sono, bombardeamentos de mensagens do Pqt e do seu discípulo (e tentativas de manter a compostura e evitar gargalhar), empaturrar-me no Pinheiro e no Cortiço, convenções informais de bird-nerds, pólens e plasmodiuns, chuva, fazer magias e tirar Ixobrychus do casaco, mais um cromo na caderneta e arroz de egagrópilos. E sim, também se trabalhou.

segunda-feira, julho 20, 2009

Até para o ano, PEEC do Samouco!

Se alguém duvida que as Aves evoluíram a partir de Dinossáurios Terópodes carnívoros devia ter um Lanius senator, mesmo que puto imberbe, a bicar-lhe os dedos ou uma parte mais querida da sua anatomia. Antes da captura dos gémeos do mal, que o diga a Dra. Camarinha, foi também observado um Coracias garrulus a descrever tangentes às redes e a fazer piretes ao pessoal cá em baixo.
Portanto, uma manhã recheada de cromos. Como não bastasse de actividade e para regressar ao modo "estica-prazos" habitual ainda houve tempo de montar um portfolio quase de raíz à hora de almoço e ir a voar para uma entrevista.
Não vou aparecer nas notícias mas espero notícias lá para Setembro.
No Samouco, só há PEEC para o ano que vem mas espera-se que as actividades avícolas continuem o rsto do ano.

Lisbon stories

Nem só de passarinhos e dinossáurios (passe a redundância) vive um caderno de campo. Lisboa oferece uma infinidade de coisas para esboçar embora, mesmo quando o tema é arquitectónico, há uma clara referência a elementos naturais. É mais forte que eu.
Só não foi possível fazer mais porque entre a história estarrecedora de uma amiga que andou a fazer de slot machine no eixo Norte-Sul e que, felizmente escapou apenas com uns hematomas e material para alguns pesadelos, aniversários de elogio à gula e respectiva ressaca, prova dos (nem por isso) melhores caracóis de Lisboa e despedida da Flicts que partiu para o Sudeste Asiático, faltou o tempo e inspiração.

quinta-feira, julho 16, 2009

Missão cumprida

12 desenhos terminados, digitalizados e editados - recorrendo aos meus vastíssimos conhecimentos de edição de imagem e a softwares de ponta - e, pasme-se! A dois dias de terminar o prazo de entrega.
Agora, os dados estão lançados e vamos ver como corre esta nova aventura pós-graduada. A esperança não é muita e, talvez por isso, estes 12 bonecos só vão ver a luz do dia bloguístico lá para Setembro. Também para não estragar a surpresa de algumas pessoas.

quarta-feira, julho 15, 2009

Teaser spoiler

Erithacus rubecula desenhados até ao enjôo.

Apesar da intensa actividade desenhadeira dos últimos dias, o caderno de campo só foi aberto para desenhar um pimento mas o modelo acabou nas brasas, fatiado e degustado juntamente com as sardinhas no Sábado passado.
No entanto, o caderno de estudos, que às vezes também vai passear ao campo, tem muitas páginas novas.

terça-feira, julho 14, 2009

Fim da digestão

Domingo foi um dia muito difícil e laborioso: depois do desfilar durante todo a tarde de chamuças, rissóis, saladas, entrecostos e febras, pudins, tartes e outras sobremesas, camarões, queijos vários e leitão, a digestão não podia ser fácil. Tanto, que obrigou a mudar das minis para a água castelo e deu direito a desapertar o botão das calças - mas por aquela hora, já não era o único - e se pensarmos que esta batalha foi travada sob um calor sufocante, a puxar pela sesta pós-prandial, não obstante o encharcar em cafés, dá para chegar a 2 conclusões inequívocas:
  1. até gosto de (alguns) baptizados;

  2. foi virtualmente impossível escrever uma única linha;
Sim, porque apesar de ter perdido os melhores caracóis do mundo, algures na Bica, entre conversas sobre música ou cinema, a sessão de PEEC na lagoa foi memorável porque, para além do enxame de andorinhas que fez tombar as redes, capturou-se um cromo novo, que o Sócio teve o prazer de marcar mantendo os dedos todos, e terminou-se os trabalhos da melhor maneira possível: com uma arca cheia de minis e uma pilha de sardinhas assadas e o insuperável pão de alfarim, quase mas quase tão bom como a bela da sardinha.


Quer-me parecer que as sessões de anilhagem do Sul estão a ganhar uns pontos às de outras paragens... Não vos parece?

Cochothraustes cochothraustes, ávida de esmagar umas cabeças de dedos.

quinta-feira, julho 09, 2009

Henkelotherium guimarotae

Que estranho, estarão alguns a pensar, um desenho completo. Mesmo que não o pareça, é mesmo para ficar assim. Aliás, nos próximos dias a produção de artes finais vai ter um pico e alguns leitores mais assíduos vão estranhar encontrar aqui coisas sem serem esboços ou caricaturas saídas do caderno do campo.


E porquê? Porque na verdade eu gostava era que um dia o Guia de Campo aparecesse nos Scienceblogs e porque de vez em quando tenho estes devaneios nerd. Nada de novo, portanto.


Mas porquê este bicho? Para começar, Henkelotherium guimarotae é um mamífero Driolestóide antigo, de pequenas dimensões (o comprimento da cabeça e corpo não ultrapassava uns 6-7 cm de comprimento), viveu no final do Jurássico e como se pode ver pelo cladograma ao lado (Ji 2002), ocupa uma posição evolutiva intermédia entre mamíferos ancestrais, como Morganucodon, e outros mais modernos. Felizmente, foram encontrados esqueletos praticamente completos e foi possível estudar bem a fundo a sua anatomia. Simultaneamente, estão presentes características anatómicas modernas, como a presença de uma fossa supra-espinhosa na escápula ou um colo do fémur bem definido, e outras, como a presença de côndilos assimétricos no fémur, consideradas primitivas (embora estejam presentes em algumas famílias de mamíferos modernos como tupaias e marsupiais didelfídeos) (Vazquez-Molinero 2008).
Para além disso, a coluna dorsal flexível, a cauda longa e falanges compridas sugerem adaptações a um estilo de vida arborícola ou, pelo menos, adaptado à locomoção num meio ambiente tridimensional. Todas estas características sugerem ainda um tipo de mobilidade moderna (mobilidade da escápula, abdução/adução dos membros, etc.)
Recentemente, os seus ossos do ouvido foram submetidos a exames de TAC e, novamente, foram detectadas características consideradas primitivas e outras mais derivadas, que permitiam detectar sons de alta frequência, tal como fazem os mamíferos modernos (Ruf 2009).
Finalmente, os fósseis desta espécie foram encontrados em Guimarota, perto de Leiria, colocando Portugal no mapa do estudo da evolução dos mamíferos mesozóicos (os fósseis de Haldanodon, outro mamífero jurássico basal também são tugas). Na altura, a região teria um ecossistema semelhante às Everglades, alternando zonas pantanosas com zonas de vegetação densa, habitat onde um mamífero de pequenas dimensões e arborícola se poderia movimentar com facilidade.
Mas a grande questão deve ser mesmo: porquê esta urgência em acabar desenhos? A ver vamos.

sábado, julho 04, 2009

Sterna nilotica

Ligeiramente mais bem disposto. Regresso ao Caia para terminar a marcação da colónia de gaivinas-de-bico-preto, niloticas para os amigos, almoçar no Mónaco e fazer um esboço rápido a guache a partir das fotos tiradas com a mega-máquina.

sexta-feira, julho 03, 2009

Pesadelo

Decididamente, ontem foi um daqueles dias em que devia ter ficado trancado em casa, com o ar condicionado ligado, a escrever projectos ou a corrigir certas coisas. Mas como ler calinadas de primeiro grau como "quidados" também faz mal à saúde, achei que lidar com mosquitos, carraças, variações térmicas de 20º C e morte por afogamento em barcos furados era bem mais simpático.
Portanto, era dia de ir à lagoa. Último dia do PEEC, garças e a rambóia do costume. Mas sobretudo, assistir a um certo episódio ofídico.
Às 5h15 já tinha saído de casa e uns 15 minutos depois estava no centro de Lisboa à espera de uma colega para lhe dar boleia. Quando rodo a chave na ignição, o QI faz um som vindo das entranhas que me fez gelar o coração, as luzes do tablier piscam e apagam-se e nada de arrancar. A cada vez que repetia a operação o resultado era o mesmo: uns gorgolejos e imobilidade.
Primeira ideia genial: o carro estava parado no meio da rua. Vamos fazê-lo recuar um pouco.
Pormenor: a rua tem uma suave inclinação e, apesar do carro ter ficado mais ou menos estacionado, foi muito divertido andar a fazer manobras sem direcção assistida. Mas pelo menos, assim não estorvava o trânsito.
Segunda ideia genial: o carro ficou parado num espaço de descargas de uma loja Modelo. Ainda estava a recuperar o fôlego e a ligar para o reboque quando estaciona um camião monstro para, pareceu-nos, largar hortaliças e peixe - que tinha um odor muito pouco saudável - tendo ficado a bloquear a rua. A partir daí, tenho a memória turva: estava a amanhecer, carros a buzinar, outros a fazer manobras suicidas, munícipes a gritar, as ambulâncias do INEM a querer sair, os chorrilhos de palavrões que larguei. Felizmente, chegou o reboque que, depois de largar uns parafusos (wtf?!) e ter içado o carro de uma maneira muito original me levou dali para fora, antes de ser linchado pela população ou que os funcionários do modelo começassem a atirar-me com fruta podre.
Depois do carro ficar na oficina veio a pior parte: o telefonema com o orçamento da reparação. Alternador, correia de distribuição, fusíveis, blá, blá,...
E é assim que vos escrevo, do leito do hospital, onde fui parar depois de ouvir um valor "assim por alto que falta o IVA" e ter tido três apoplexias. Tudo isto para dizer que nos próximos dias tenho mobilidade reduzida e que o estado de humor está a uns 10% daquela história do cinto em S. Tomé (os que assistiram devem estar a tremer de medo mas são uns exagerados). Portanto, tratem-me bem e tenham muita paciência comigo.

quarta-feira, julho 01, 2009

Globalização é...

Receber mails de colegas paquistaneses - por segundos ainda pensei que fosse uma mensagem-bomba ou qualquer artefacto terrorista mas quaisquer devaneios preconceituosos desvaneceram-se depois de uma rápida pesquisa no Google - a indagar coisas sobre um artigo de minha autoria publicado a semana passada nas américas. As voltas que as transfusões sanguíneas dão ao planeta!

Uma manhã... incipiente*

* Eu sei que sou previsível mas não resisti!


Pardais, melanocephalas, Cisticolas e melros resumiram a manhã que, apesar da monotonia ornitológica, deve ter batido records numéricos no PEEC deste ano. Também digno de nota foi a estreia de 2 maçaricas no maravilhoso mundo da anilhagem.
Estreia também da minha fantástica máquina fotográfica nova que, com o seu zoom telescópico, quase que tira fotos de minha casa para os bichos das salinas.

segunda-feira, junho 29, 2009

Próximas paragens

Lago Annsjon, Suécia. Já em Agosto.


Amazónia brasileira e rio Negro. Dezembro.

Com os bilhetes comprados, começa oficialmente a contagem decrescente para as viagens do ano.

domingo, junho 28, 2009

A jóia da coroa

Ninho de cegonha-negra (Cicconia nigra) com 3 crias em montado.

Paínho, está descansado que continuas com o título de animal do mês. Mas, há qualquer coisa diferente em entrar num montado algures no Alentejo com as lebres a correr ao fundo do campo e estar a uns escassos centímetros desta espécie e marcá-la, fazendo o devido jogo de cintura para escapar às suas bicadas e jactos cloacais. Foi o final de uma semana de ornitologia de campo praticamente imbatível, quer pelas espécies com que trabalhei, quer pelos locais e pronto, vá lá, pelo pessoal que foi fazendo companhia.

Field Ornithology

Estava eu a queixar-me, coisa rara dizem-me, no outro dia, que já não ia para o campo há uma eternidade. Claro que o sentido de tempo é relativo, especialmente, para quem já tenha estado em S. Tomé, e nesta caso, o tempo eterno resumia-se a 2 semanas. Realmente, os últimos dias, a começar nos paúis do Baixo Mondego, serviram mesmo para re-oxigenar o cérebro, impedindo-me de ter motivos de queixa para os próximos tempos. Se bem que a pesar nas curtas horas de sono e no acumular de trabalho mas, como sempre, trata-se de uma questão de prioridades.
Posto isto, depois de uma breve passagem pelo Samouco e de uma tarde de trabalho na Sexta, rumou-se ao Alentejo profundo para mais uma mega-operação, desta vez na terra, água e ar. A juntar à colecção, um cromo novo, Sterna nilotica.
O tagaz, que à partida, não parece nada mais que qualquer outra andorinha-do-mar de patas compridas, revelou-se numa espécie cheia de pormenores interessantes, desde ao relativamente longo período até alcançar a idade reprodutora, a dispersão meio nómada pelas ilhas de lagos e barragens do interior, a biologia reprodutora e a dinâmica das colónias, a dieta meio surpreendente (Alburnus, rãs-verdes, grilos e gafanhotos) e, sobretudo, o aparato e logística envolvidas para a sua marcação. Uma manhã muito bem passada, em boa companhia e com direito a uma jola fresquinha seguida de um mergulho no Caia.

quinta-feira, junho 25, 2009

Animal do mês de Junho

Ainda custou a decidir, mas é inequívoco que quem ganha este mês é o paínho (Hydrobates pelagicus), mesmo com uns esboços básicos feitos a partir de fotos manhosas e com 2 horas de sono.

Eles andem aí!

Ah! Ah! E os super-poderes regressaram numa sessão quase contínua de 16 horas de anilhagem. Primeiro, no paúl do Taipal a retirar dúzias de andorinhas e 2 Plecotus auritus das redes. Depois, no cabo Mondego, numa mega-operação envolvendo anilho-mobiles, colunas de discoteca e... Tcharam! uma captura de Hydrobates pelagicus com anilha estrangeira. Finalmente, paúl da Madriz para uma sessão de PEEC, onde, para olhos leigos e ingénuos, pareceu que estive a dormir 2 horas no anilho-mobile e a ser devorado pelos mosquitos da região centro. Na verdade, estava a meditar profundamente sobre como é fixe voltar para o campo e conseguir fazer tanta coisa em menos de 24 horas.

Paúl do Taipal, a transbordar de Plataleas alba e Ardeas purpurea.

Raiva? Qual raiva? Quem é que pensa nisso quando se tem na mão o morcego mais fixe de toda a nossa quiroptofauna? Plecotus auritus.

Claro que a estrela da noite foi mesmo o Hydrobates pelagicus. Segurar albatrozes (ou mais correctamente, Procelariformes, que vai dar no mesmo) miniatura na mão foi o ponto alto da expedição.

E finalmente, um grande bem-haja ao meu cicerone pelo Baixo Mondego, Pqt. Só é de lamentar que os seus formandos sejam uns tenrinhos e não terem aparecido. Ah! E tal, tenho teses e jogos com a académica...

terça-feira, junho 23, 2009

Bite ranking

No outro dia vi um programa bastante idiota no canal Discovery ou similar sobre dentadas de animais em que tinham uns modelos mecânicos bastante estúpidos para exemplificar coisas bastante óbvias e depois até organizavam combates altamente inverosímeis entre os vários modelos. Ontem, depois de o meu polegar ter tido um encontro de 3º grau com a boca de uma Pogona vitticeps, pensei que beijinhos de tubarões-brancos e pumas não são nada, comparadas com o meu top3 (pois é, não foram assim tantas) de dentadas:
3º Lugar: Meriones unguiculatus. Apesar de ser pequenino e fofinho, quando temos aqueles dentes espetados até ao osso de um dedo, o difícil é controlar a saída de palavrões e atirar o c***ão do rato contra a parede.
2º Lugar: Pteroglossus castanotis. O pormenos do bico serrilhado é altamente sugestivo.

1º Lugar: Iguana iguana. E era uma vez a cabeça do meu dedo, que foi recolocada no lugar com um bocado de adesivo. Esta, senhores, doeu a valer.

domingo, junho 21, 2009

Os vampiros atacam de novo...

... e este fim de semana perdi anos de vida. Meus amigos (vocês sabem quem são), vou pedir indeminizações avultadas a uma certa associação por danos e traumas psicológicos e uns quantos cabelos brancos.
Em alternativa, podem começar a compensar estes momentos de stress dos quais ainda estou a recuperar com convites para jantares, copos, passeios e cromos novos para a colecção. Querem sugestões?

sexta-feira, junho 19, 2009

Oh não! MAIS um post sobre dinosaurios...

Limusaurus inextricabilis
(Sacrilégio! Um pequeno Terópode reconstruído sem os revestimentos de penas que andam tão na moda...)

Pois é, à primeira vista este dinossaurio do Jurássico da China não parece ter nada de extraordinário. Pequeno e esguio, membros posteriores longos, anteriores pequenos e com uma acentuada redução de dedos (também nada de novo se pensarmos nos Tiranosauróides), pescoço longo e flexível, maxilas sem dentes e cobertas por um bico córneo... Só que, primeira surpresa, este é um Ceratosaurídeo, parente de Ceratosaurus, Carnotaurus ou mais chegado mesmo a Deltadromeus. Esta linhagem reunia dinosaurios carnívoros de médio a grande porte, com bocas cheias de dentes e, frequentemente com adornos meio esquisitos na cabeça.
Grande coisa... se pensarmos nos Therizinosaurios, não é a primeira vez que um grupo de dinosaurios herbívoros evolui a partir de antepassados terópodes carnívoros.
O que torna este fóssil mesmo muito interessante é a estrutura da mão; ao longo da evolução dos Terópodes sempre houve uma tendência para a redução dos dígitos. O Limusaurus possuia mãos com 4 dedos, tendo o dedo V (o mais lateral) ido completamente à vida. O dedo I (o mais medial) era composto por apenas um metacarpo, os dedos II e III estavam normalmente desenvolvidos e o dedo IV era composto apenas por um metacarpo e uma falange. Esta organização de dedamens sugere que o dedo II estaria a tentar substituir o dedo I, em franca redução, acabando por vir a fazer as vezes de um pseudo-polegar.
Apesar de não sabermos o que é que o Limusaurus faria com aquelas mãozinhas, este pequeno grande pormenor, que em alguns grupos de Terópodes, as mãos seriam compostas pelos dedos II, III e IV em vez dos dedos I, II e III, pode servir para refutar o único argumento que parece comprometer a teoria da evolução das Aves a partir de dinosaurios carnívoros. Dizem alguns entendidos que nas Aves, a asa é suportada pelos dedos II, III e IV e tendo os Terópodes mãos com os dedos I, II e III, estes nunca poderiam ser os seus antepassados. É verdade que é um argumento contra dúzias de outros a suportar a ligação filogenética entre os 2 grupos mas este fóssil levanta a questão: e se na verdade, alguns Terópodes tinham era mãos com dedos II, III e IV?
Pensem nisso... para saber mais, vão aqui e desfrutem de um grande momento geek. Assim como eu fiz.

Oreochromis niloticus


Por que será que hoje fiquei a conhecer tão bem estes peixes?

Sua majestade, o rei dos xoninhas

Depois da tarde de hoje, nunca mais chamo mono a ninguém. Dassssssssssseeeeee!

quinta-feira, junho 18, 2009

Desenho do dia

Entre trabalho, dúvidas existenciais sobre portfolios e outras tantas coisas, finalmente comecei a despachar algumas tarefas que estavam a ficar acumuladas. Entretanto, ainda houve tempo para começar a fazer um retrato de um sargo (Diplodus vulgaris), aqui um adulto a lembrar os juvenis que fotografei nas poças da baixa-mar da costa vicentina.
Afinal, começo a achar alguma piada a este caderno. Afinal, os lápis de cor até são bem fixes. Afinal, o que eu queria mesmo era estar na praia a mergulhar e a desenhar peixinhos (ou outra coisa qualquer).

quarta-feira, junho 17, 2009

Dispersão

Ao fim de quase 3 anos a olhar para as mesmas páginas do Guia de Campo, achei que estava na hora de lhe mudar um pouco os ares e vai de carregar um novo design. Grande asneira! Ao fim de algum tempo já estava a arrancar cabelos, a dar cabeçadas no PC e a mandar o blogger para o c****ho pela tarefa infernal que foi mudar tudo e mais alguma coisa. Ainda não está como eu queria mas deixa-m estar sossegado.
Claro que mudanças de visual bloggístico, pesquisas ictiológicas do rio Negros, flickradas e revisões sobre cardiomiopatias dilatadas em furões só serviram para engonhar antes de ganhar fôlego e começar a tratar de 1001 coisas pendentes/adiadas/suspensas/soltas que tenho para despachar.
Mas perdido por 100, perdido por 1000 e toma lá mais uma página no caderno de folhas manhosas para recordar que já não vou para o campo há 2 dias, que os papa-figos são mesmo fixes e para recordar o Douro, que se tudo correr de feição, é para marcar presença no fim de Julho para mais uma edição do Burro i l Gueiteiro.

segunda-feira, junho 15, 2009

Mas...

... para provar que não passei 5 dias em coma deitado na toalha de praia ligado a um jarro de sangria - até porque, pelos vistos, o meu cérebro só para lá para cima no Douro, aqui ficam as provas que mesmo em férias até vou fazendo alguma coisa:Desenho inaugural das férias, ainda completamente catarinoado. Tinta da china e ecoline azul no Moleskine de papel manhoso.

Apesar de as gralhas-de-nuca-cinzenta (Corvus monedula) serem para lá de abundantes naquelas bandas, estes foram os únicos esboços (a grafite) dos bichos.

Mais uma vez, o meu obrigado ao Rodas por continuar a patrocinar grandes expedições sub-aquáticas com a sua underwater-maquineta, que me torrou o juízo por não conseguir atinar com as macros, focagens e zooms. Por isso, apesar de desfocado dá para ver que isto é um Parablennius sanguinolentus (será?).
Mais passarinhos a grafite. Desta vez, andorinhas-das-chaminés (Hirundo rustica) esboçadas a grafite a partir de uma esplanada qualquer.
Mais peixes infernais, que não param quietos e que são virtualmente impossíveis de identificar. Mesmo depois do trabalho de edição feito pela Flicts, continuo sem saber exactamente que espécie de Pomatoschistus é este.

domingo, junho 14, 2009

Regresso à realidade

Estes 5 curtíssimos dias pela costa vicentina souberam-me simultaneamente pela vida mas também a muito pouco. Quer pela companhia, quer pela praia (Engª Saramuga, desta vez não se descaia) e pela casa que foram um achado, quer pelas longas horas a esplanar e pelo desfilar de caracóis, ameijoas, camarões, L-colesterol, coisas com alma e outras iguarias, quer por conhecer esses vultos da música popular que são a Dª Fatinha e o Sr. Vivaldo. Só foi uma pena não ter fotografado, desenhado, snorklado e lido mais mas com tantos escaldões, frisbeeadas, jump-sessions à beira das falésias (por vezes acompanhadas de gritos de pânico de algumas pessoas), tops das estrelas e passeatas não sobrou tempo para muito mais.