sexta-feira, julho 04, 2008

Maratona ornitológica

Até hoje, achava que tinha perdido um bocado a pedalada para noitadas e directas de trabalho mas ao fim de estar acordado umas 31 horas seguidas, das quais mais de metade foram passadas no campo, chego à conclusão que não estou velho nem acabado. E que comparada com esta, a maratona olímpica é uma volta no parque para meninos.
A prova começou com um rally entre Lisboa e Alcochete, e volta a Lisboa e regresso a Alcochete, em virtude do esquecimento de um pequeno pormenor -diz que dá jeito na anilhagem ter assim umas cenas metálicas com uns números para pôr nas patas dos bichos. Apesar das fracas comparências, ainda deu para marcar um cromo novo - um Charadrius alexandrinus - e ter um flash nostálgico do tempo das colecções de cromos do He-man ou dos aviões das pastilhas gorila.
Sem ter caído uma única vez ou ficado atascado nas salinas, a jornada continuou no campo de tiro de Alcochete, aqui mudando o habitat das salinas para montado e o objecto de estudo das limícolas para corujas-das-torres.
Sempre de olho nos touros ou num qualquer foguete perdido lá se andou de ninho em ninho a marcar e a recolher amostras dos bichos. E obviamente, deixando um Tyto alba marcado na base de dados com as minhas singelas iniciais.
A repetir a prova, embora não necessariamente nesta sequência. Agora, cadê a medalha de ouro?

quinta-feira, julho 03, 2008

Excuse me?

O que pensar quando a namorada diz "Tu havias de gostar de conhecer Goa, lá é que se come alarvemente"? Eu tomei como elogio. De certeza que estava a enaltecer o meu lado gourmet.

Fuzhong, grande caçador de pernilongos

Mais um dia, mais um cromo para a caderneta. Na verdade, foram 4 que levaram umas pulseiras novas e na verdade, não foram caçados pois foram posteriormente libertados inteiros. É só mesmo para dar dramatismo à coisa.
O dia foi porreiro, não fosse 2 pormenores:
  1. O temor que pairou sobre mim todo o dia, como uma ave de mau agoiro, de que o telemóvel, desaparecido, podia ter caído num qualquer arrozal. Felizmente estava à minha espera em casa, obviamente a estoirar de mensagens e chamadas não atendidas. Tirei 2 conclusões: 1) os dias sem telecomunicações são muito mais tranquilos; 2) mesmo sem telemóvel, encontramos as pessoas com que precisamos falar.
  2. A outra ave de mau agoiro ou, simplesmente, a hiper-super-mega-chata-comá-ferrugem-que-não-tarda-está-a-levar-uma-bolachada que nos acompanhou. Desde outra frase repetida até à exaustão "põe a mãozinha por baixo", ao lobby-anti-jugular-preferimos-ter-o-bicho-a-espernear-dez-minutos-enquanto-lhe-furamos-a-asa, passando por "estou a ver que gostas dos passarinhos" e outras tantas que me fizeram revirar os olhos até quase saltarem das órbitas. Há maneiras de dizer as coisas, sem paternalismos, e não negue à partida uma jugular que desconhece. E estou a ser mau. Mas WTF! Não há pachorra para cromos destes! Na categoria do Dr. Pírula (ver post antigo)

terça-feira, julho 01, 2008

At the movies

Sabiam que a praça de touros do Campo Pequeno agora tem cinemas? até ontem eu não sabia e se calhar é um sinal de que ando demasiado (apesar de nunca ser demais) tempo no campo.
Ontem, para variar um pouco, foi dia de programa normal a dois, que não envolvesse perseguições a animais selvagens, quedas de falésias ou travessias de rios selvagens. Até se podia dizer que havia algum tipo de convergência de temas com a tela.
Apesar de por um par de vezes, o enredo ameaçar descambar, este é um grande filme de entretenimento. Também àquela hora já não conseguíamos digerir nada mais complexo e a aparente amálgama de coisas como a guerra fria, as pesquisas paranormais dos russos, a influência de seres extra-terrenos em culturas pré-colombianas, bombas atómicas a caça às bruxas do McCarthismo e outros pormenores até fizeram sentido e caracterizam de forma engraçada alguns aspectos da década de 50. E delirámos mesmo e rímos que nem uns perdidos (estão a ver o impacto na sala...) com as cenas na Amazónia e as projecções para a eventual expedição Morcego's in Amazónia 2010.
Recomenda-se, especialmente se forem fãs da série como eu e se aos 8 anos sabiam de cor as falas e as cenas dos primeiros filmes. Senão, ide e diverti-vos na mesma mas tenham com cuidado com as cadeiras daquela sala para não ficarem de pernas para o ar.

domingo, junho 29, 2008

Instantâneos no Zoo

Hoje foi dia de mais uma saída dos Morcegos e após 10 horas passadas no Zoo de Lisboa estes foram alguns dos 18 esboços produzidos:
Oryx gazella, grafite e marcador preto aguarelável
Artocephalus spp., grafite

Aceros plicatus, aguarela


Bycanistes buccinator, grafite



Pauxi pauxi, grafite e lápis de cor

Podiamos ficar por aqui com estes instantâneos da visita mas houve outros muito mais interessantes que, infelizmente, não dão para desenhar:

  1. A visita relâmpago à papelaria Fernandes do Colombo para comprar um caderno de campo novo. Um pouco a medo, já que os senhores raramente têm as coisas que preciso. Acabei por ficar infinitamente aquém dos meus objectivos megalómanos, que eram preencher o caderno inteiro. Com 18 bonecos fiquei-me por um terço das páginas...;
  2. Uma certa pergunta repetida até à exaustão durante o dia inteiro;
  3. A quantidade de baboseiras ouvidas durante o show dos répteis;
  4. Abanar árvores de frutos exóticos para estes caírem em cima das pessoas;
  5. O almoço mais desenxabido dos últimos tempos;
  6. O terror de andar pendurado no teleférico acentuado por alguém umas cabinas à frente que não parava de abanar a geringonça toda;
  7. A quantidade de coisas que caíram dentro dos recintos dos animais, desde desenhos a óculos de sol, tendo estes últimos voado até ao sítio dos "Bambis" (o revirar de olhos e os "veados" sibilados por mim foram perfeitamente inocentes);
  8. Não chegar a tempo de impedir uma pessoa de beber água de uma garrafa lambida por um esquilo.
Ao fim do dia, cansado mas muito satisfeito. Só que para a próxima levo mesmo a zarabatana e os dardos.

sábado, junho 28, 2008

Por fim, abrandar

Neste último mês acho que andei mesmo a testar os limites - não só os meus mas os de algumas pessoas que me rodeiam - e, apesar de ainda achar que consigo alcançar o Santo António, agora vai saber bem parar um pouco.
Esta última semana passou-se entre trabalho, pequenas escapadelas à beira-rio que sabem sempre a pouco, uma excelente introdução à gravura na Associação Água-Forte (e um grande bem-haja à Fátima por ter tido a paciência para nos aturar uma tarde inteira), o regresso a Elvas ou, se calhar mais correctamente a descida ao inferno de 5000º C à sombra (só aplacado ao fim de um longo e cansativo dia de trabalho campesino com umas rodadas de mines), a última aula de IC antes das férias e mais uma noite em claro a fazer powerpoints para uma palestra dada hoje de manhã.
Poder-se-ia dizer que não aprendi nada com o último mês mas não é verdade. Aprendi que, por mais que tente organizar-me, a minha gestão (ou seja lá o que se possa chamar) do tempo é mesmo assim e que, apesar das facadas nas horas de sono, consigo ir estando um pouco com toda a gente e em quase todos os sítios. A amizade e outros sentimentos prestam-se a estes sacrifícios.
Às vezes acho que tenho um coração tão grande mas tão grande que devo ter uma bruta cardiomiopatia dilatada.
Nota: a saída no zoo, as capturas de limícolas e as vampiragens a corujas e pernilongos já marcadas para esta semana, entre outros programas mirambolantes que entretanto surjam, atestam que não aprendi mesmo nada nas últimas semanas. Ou será mesmo assim?

segunda-feira, junho 23, 2008

Globetrotter #6 - Lagoa de Albufeira

Já a abrandar o passo e depois do primeiro jantar de sardinha assada do ano, onde me apercebi que nunca mais me livro da fama de comilão (obrigado Joana...), acordar às horas do costume para dar um pouco mais ao alicate. Depois de uma manhã recheada de cromos, sem motas, o primeiro Dendrocopus, almoço no Mequinhus, tarde na praia e caracolada ao fim do dia que mais se pode querer? A companhia que se teve, evidente ;)

Globetrotter #5 - Coimbra

Depois de um dia e meio em Lisboa, ala para Coimbra para mais um curso de formação de vampiros. Uma garrafa de tinto Palhacanas para mostrar às gentes do Norte as coisas boas que se fazem pelo Sul e a exaustão para as cordas vocais das horas de paleio no Choupal de Coimbra.

Globetrotter #4 - Elvas

Chegar do Gerês e 2 horas depois partir para Elvas para trabalho de campo. Mudança total e completa de paisagem, pensar como é bom ser pago para passear e ver passarinhos e criar danos psicológicos graves aos meus sócios que ficaram a precisar de urgentemente de terapia do sono.

Globetrotter #3 - Gerês

Devo estar mesmo a perder qualidades porque depois de despedir-me dos Morcegos e deixar Peniche para trás tive mesmo de parar para dormir a meio da viagem para o Gerês. Fraquinho... Mais uns dias de anilhagem, na companhia do pessoal do costume, excepto algumas ausências de nota, desta vez sem uma única refeição de massa, as mesmas paisagens deslumbrantes, o escritório com melhor vista, lobos, cabras, noitibós, pica-paus, uma passagem por Braga e um reencontro, a travessia de serra até à Vila do Gerês e o regresso chuvoso a Lisboa.

Globetrotter #2 - Berlengas

Ao chegar a Portugal vindo das américas ainda tentei convencer o piloto do avião a deixar-me saltar de para-quedas para as ditas ilhas (o cenário impossível de verem-me a saltar de para-quedas de onde quer que seja só serve para acentuar o dramatismo) mas os senhores não me deixaram e apertaram-me o cinto do assento. Portanto tive mesmo que apanhar o barco no dia a seguir e reunir-me ao resto dos Morcegos.

Paisagens deslumbrantes, gaivotas até enjoar, algumas cagarras e de noite, uns roquinhos a chamar lá ao longe a boa disposição que já é costume. Deu para produzir algum material e ficou a ideia de lá voltar novamente para ver as ilhas de outra perspectiva.

Globetrotter #1 - Califórnia


Como já devem ter percebido, dei um saltinho à Califórnia para participar num congresso de bird-nerds. Foi oportunidade de rever amigos, conhecer uns quantos cromos (obviamente que toda a população americana é croma per se mas vamos considerar que o termo cromo é aqui aplicado como um elogio), assistir a cenas perfeitamente surreais (devo referir a título de exemplo, as palestras em que os palestrantes cantavam e os alás ao fish-man god), tantas que davam um blog só por si e botar faladura no último dia de congresso, quando o pessoal queria era encher a mula.

Os dias seguintes foram passados a passear por Los Angeles e arredores, que deixaram dividido entre o piroso e o medonho, continuando o espírito geek e a visitar sítios como o zoo de LA, o Aquarium of the Pacific, outro aquário de que não me lembro do nome, o IBRRC, museus de história natural, La Brea, quase sempre com a possibilidade de visitar os bastidores (aqui fui adepto incondicional da cunha) sem pagar um tusto e alimentar os poucos neurónios que sobram.

Acabei inevitavelmente por fazer de turista mais convencional e passar por sítios como Long Beach, Orange County, Rodeo Drive, Beverly Hills, Hollywood e comprovar que afinal, existem mesmo mas que se calhar as dezenas de sem-abrigo e cenas que ultrapassam o limite do bom gosto fazem um pouco de contraste com a imagem que temos de alguns desses locais.
Outra parte boa foi rir-me, gargalhar por dentro com os cromos dos americanos e, por vezes, confesso, gozar um bocadinho com as situações. Pronto, um bocado.
Fica tanta coisa por falar, a cirurgia ao computador, as conversas de spanglish, a Borrelia que trouxe, sessões estonteantes de birdwatching, rinocerontes sem chifres, frascos com larvas de mosca, hordas de criancinhas infernais, peixes instantâneos e tanto, que se quiserem saber alguma coisa, perguntem!

I'm back!

Sosseguem corações desalentados, ao fim de quase um mês de silêncio bloguístico, e de uma tourné intercontinental estou de regresso... pelo menos até à próxima viagem. Se por vezes, com pequenas aventuras de um dia já é difícil comprimir todas as histórias, é praticamente impossível fazê-lo quando as viagens de sucederam a um ritmo estontante. Para mais, houve uma outra viagem que começou na mesma altura e que foi transversal a todas as outras. Mas há que manter uma aura de mistério para manter o público interessado. E, bem vistas as coisas, vocês querem é mesmo saber é dos momentos non-sense, das palermices e apreciações gastro-científicas ilustradas não é mesmo?

terça-feira, junho 03, 2008

Ainda estou vivo!

Aproveito este intervalo para informar que estou bem e de saude, quica com mais um quilo, mais sabio, com o cabo do computador cortado, sem pasta de dentes, umas trezentas fotos, muitos cromos na caderneta (uns americanos, outros com penas), incluindo um Gymnogyps californianus e muitas historias para contar quando regressar. Por isso, vao ter de me ouvir por muitas e longas horas quando regressar.
P.S. So gostava mesmo que os PCs por aqui tivessem acentos. enfim...

terça-feira, maio 27, 2008

So long, farewell, auf wiedersen, goodbye

Vou só ali à Califórnia e já venho. Sempre que possível e se justificar, seguem-se boletins informativos.

domingo, maio 25, 2008

Sudoeste Surf Trip

Foram 2 dias passados para os lados de Vila Nova de Mil Fontes. Alguma chuva mas sempre fora das horas de praia, escaldões nas mais variadas formas e localizações, o portátil que foi apanhar ar sem ter tido sequer um dedo a carregar numa tecla e a excelente companhia que faz parte destas andanças. Ainda deu tempo para gastar mais algumas páginas do caderno com alguns bonecos:
Praia de Aivados


Praia das Furnas

quinta-feira, maio 22, 2008

Guia de mar

Um dia de faina


Desde já faço o aviso: não estou na posse total das minhas capacidades mentais - que, já no estado normal, são o que são - porque o dia foi cheio e só dormi meia hora. Se o post ficar demasiado longo, sem nexo ou com uma percentagem de erros ortográficos excessivamente elevada, dêm o devido desconto mas tenho receio que se deixar esta crónica para amanhã possa perder algumas impressões e imagens importantes.
Por oposição às saídas de campo, hoje tive a minha primeira saída de mar; Apesar do mau tempo e da chuva que teimava em nos fustigar, toda a experiência foi excelente, sobretudo pela companhia e acabou por ter o seu quê de iniciático.
Tudo começou, ainda em Lisboa, numa ceia estupenda às 2h30 da manhã. A noite começou ou continuou mais cedo para 2 amigas, que vieram directas de um concerto - finalmente! Alguém que me compreende e também sofre do síndrome de ubiquidade de Santo António.
Às 4h30 já estávamos em Setúbal a embarcar na traineira "Belo Sado" - era assim que se chamava? havia alguém suficientemente desperto para ler o que quer que fosse? O grupo, composto por 10 pescadores, mais ou menos experientes fez-se então às águas para pescar ao largo da Comporta.
Imagino que haja pessoas neste momento a interrogar-se sobre uma questão de suma importância e a resposta é: não enjoei nem gregoriei um único mililitro de suco gástrico- apesar daquele copito de aguardente de medronho a seguir ao almoço tenha tido o efeito de bomba atómica no estômago. É verdade que tomei 1 primpéram e 1 vomidrin antes de embarcar mas houve quem tivesse tomado 4 vezes mais, sem surtir qualquer efeito e acabou por fornecer litros de engodo - o que foi um desperdício das tartes deliciosas que comemos à ceia. Sem me querer deleitar com a desgraça alheia, devo referir que ainda consegui injectar anti-eméticos em dois marinheiros desesperados por pôr o ouvido interno no sítio.
Mais jeito, menos jeito lá consegui pescar uns quantos peixitos, entre cavalas, choupas e sargos, que para além de constarem da ementa de amanhã, foram já exaustivamente fotografados e serão objecto de mais uns quantos desenhos. Ainda consegui espetar um anzol num dedo, que ninguém me viu a tirar - deve ter sido a tal parte da iniciação, dormir uma sesta depois de almoço e delirar com o movimento do barco entre as vagas de 2 a 4 metros que nos embalavam - mas se calhar este conceito de diversão não é partilhado por todos.
Havia ainda tanto para contar mas como descrever 14 horas de diversão quando o nível de consciência a bordo era mínimo? Coisas como as super-puseiras-anti-sol, a pesca de cenouras-do-mar e bisnagas de Carnaval, os rascassos desfigurados, a experiência única e transcendente de fazer xixi a bordo, os assentos de ameijoa e tantas outras vão ter de ficar mesmo só para nós.
Apesar do regresso a causa de olhar esgazeado, com olheiras até ao queixo, desgrenhado e a cheirar a Choupa nº 5, só me apetece voltar rapidamente para o mar. Quem alinha?

quarta-feira, maio 21, 2008

Mais brinquedos novos

E a crise de meia-idade antecipada continua... agora patrocinada pela Decathlon.

terça-feira, maio 20, 2008

Num cinema perto de si

Mas que raio de filme é este? Mas está tudo doido? Ainda bem que sou só figurante!

Desligado da realidade

Hoje esqueci-me do telemóvel em casa e tive dos dias mais tranquilos de que há memória. Apesar de ter andado a rodar as capelinhas todas (Hospital, Benavente, aulas e novamente Hospital) quase parecia que estava no planalto da Mourela, onde só há um pauzinho de rede naquela curva da estrada. Até o arroz de tamboril e o piri-piri do almoço me souberam melhor.
O pior foi mesmo chegar a casa e ter o telemóvel a rebentar pelas costuras com chamadas e mensagens recebidas durante o dia...

Os 5 no museu

Mudança de cenário. Passar da paludícola Tornada para a zona ribeirinha de Lisboa. Mas continuam as alusões ao vampirismo, já que havia programa com mais alguns morcegos.
O local: Museu do Oriente.
O drama: a fila de 300 Kms de gente à espera de entrar e o ar lampeiro como passei à frente de todos. Só consegui visitar a sala das máscaras mas a galhofa foi tal que só me lembro de umas carantonhas de olhos esbugalhados a deitar a língua de fora. Mas isso se calhar até eram as pessoas sérias e os guias a olharem para nós, completos arruaceiros. Acho que para a próxima nos barram a entrada.
O pânico e a explicação do mistério das meias grossas: o João devia ter um plano secreto para pôr uns patins nos amigos e atirá-los ao rio. Não fosse termos sobrevivido todos (apesar de uma pessoa com tantos hematomas devido às quedas que deve ter precisado de um enxerto de pele) eu diria que ele queria mesmo ver-se livre de nós.
O final: chez Joana naquela varanda de sonho sobre o rio a conversar, a beber chá e a comer uma massa de improviso, que são sempre as melhores.
Prólogo: grato pelo fim de tarde bem passado, confesso que a cidade até é uma alternativa de saída interessante (apesar de ninguém ter pegado num lápis).

1º Curso de Vampiros

Finalmente, a crónica do fim de semana transacto. De certeza que há algumas pessoas a estoirar de curiosidade para saber a minha visão, sempre particular, dos acontecimentos. Pois então diz que se passou o seguinte, mais coisa menos coisa:
Nestes dias estive a dar um curso de formação a aspirantes a vampiros para aprenderem como recolher correctamente sangue para preparar belas cabidelas. Depois de juntar os 4 sobrinhos do pato Donald, o Sócio e o Dr. Salinas, rumou-se a Tornada, aquela bela localidade. Ainda houve tempo de fazer umas anilhadices mas o dever chamou mais alto e tive mesmo que ir dar as aulas. Que acabou por ser o menos interessante. Afinal o que interessa nisto tudo?
Interessa que almocei o belo polvo à lagareiro no "Pinheiro",
Que a seguir ao curso fomos estagiar nas mines e tramoço antes de passar ao bacalhau à cortiço no estabelecimento do mesmo nome,
Que mais tarde, já a cabecear de sono, ainda houve conversa noite fora, com alguém sempre a fazer considerações perfeitamente alucinadas e desligadas da realidade sobre gaivotas, cavalos e Puffinus - há sempre com cada cromo nestas actividades,
Que os beliches onde dormi despoletariam uma completa reacção de pânico em qualquer doente com claustrofobia ou uma ou duas hérnias discais,
Que ainda não se descobriu quem roncou feito um porco a noite inteira,
Que ainda consegui desenhar um Buteo, um Circus aeruginosus e uns coelhos que por lá andavam,
Que iam-me caindo os tomates ao chão quando vi que faltava uma coisa fundamental no material para as aulas práticas - digamos que num curso de vampirismo é muito mau faltarem os caninos afiados,
Que a arte de desenrascanço à la tuga continua a ser uma instituição admirável, se bem que tenha tido suores frios e perdido uns anos de vida enquanto esperava a encomenda de dentes vampirescos,
Que ainda houve tempo para ir comer churrasco de javali ao almoço,
Que estas actividades ultrapassam sempre o âmbito do mero curso e que o saldo é sempre positivo, sobretudo pela troca de experiências profissionais. Nada mau para a primeira edição Sr. Presidente e demais apaas presentes!

sexta-feira, maio 16, 2008

Pânico de última hora

Provavelmente, não é surpresa para algumas pessoas que às vezes faço uma gestão criativa do tempo (leia-se, deixar tudo para última da hora) e que trabalho melhor sob pressão (leia-se, o pânico dos prazos a caírem estimula-me a escrita). Também tenho ideia que já devo ter escrito uma meia dúzia de posts sobre este tema e que o mais certo é que, enquanto durar este blog, devo abordá-lo mais umas quantas vezes.
Entre terminar a minha primeira comunicação congresseira internacional, terminar a formação para um curso que vou dar este fim de semana - faço aqui um aparte para alguns interessados para dizer que está tudo sob controle - e escrever a m***a da fita para a minha irmã, passei o dia a auto-flagelar-me mentalmente para não repetir a proeza.
Também não ajuda nada quando uma encomenda que era suposta chegar hoje ainda estava no armazém. E se não me tivesse lembrado de ligar e cuspir bolas de fogo ao telefone com a senhora telefonista ainda para a semana estava à espera. Mas tudo se resolve, ainda consegui ir a voar a outro labratório comprar tudo o que precisava, explicar à senhora da recepção que APAA não quer dizer Associação Portuguesa dos Amigos dos Animais e o que significa "anilhar". Por isso, sr. Murphy, para a próxima fique quieto.
Ainda tenho trabalho à minha espera às 21h e ir buscar os sobrinhos do pato Donald à margem Sul. E a noite promete ser longa.
Este dia nunca mais acaba. Prometo que aprendi a lição. Para a próxima faço tudo a tempo.
Pois...

quarta-feira, maio 14, 2008

Despedida

Esta semana, a Irmandade da Esteva vai-se ver subtraída de um dos seus membros fundadores. A Pintinhas ganhou juízo, despediu-se da empresa esclavagista onde penava, quase sem ver a luz do dia e vai trabalhar uns meses para Barcelona para depois regressar triunfante a terras Lusas. Apesar da perda e de estes meses terem uma aparente carga de eternidade, o tempo vai passar depressa, não só porque Barcelona é Barcelona mas também porque vai ter a casa sempre cheia de amigos a visitá-la. Boa viagem e até já!

segunda-feira, maio 12, 2008

Finalmente...

... Já pus alguns dos desenhos de Mértola aqui. Enquanto esperam os convites para a exposição podem ver uma selecção do meu caderno de campo.

Rasteira

Podia pegar em dezenas de metáforas sobre o sentido da vida, há filmes, livros e frases bem mais eloquentes do que qualquer post que aqui escrevesse. Há inúmeras referências bem mais interessantes sobre o modo como esta nos apanha de surpresa e como, por vezes, nos dá um toque no ombro e sussurra um "pst" quase impercetível, que nos traz de volta à realidade. Por vezes, é mais uma rasteira ou um puxar de tapete sob os pés. Mesmo não tendo acontecido comigo, quando é um amigo que tropeça, não posso deixar de parar para reflectir um pouco. E ajudar a aparar a queda.
Meu amigo, tal como no Sábado, ainda continuo sem saber o que dizer para ajudar a minorar a perda que sofreste.

Época de caça

Apesar da acção furtiva na esplanada do café Guadiana, foi ontem que abriu oficialmente a época de caça ao caracol. Com alho e oregãos, acompanhados de uma mine. E para sobremesa, ver o Sporting a ganhar e o benfica ficar em 4º na tabela.

domingo, maio 11, 2008

De regresso à lagoa

Não à lagoa azul, mas à de Albufeira. Hoje de madrugada, Estevídeos e Morcegos encontraram-se para mais uma sessão de anilhagem, interrompida por breves aguaceiros. Observaram-se e anilharam-se ainda umas quantas espécies, que espero que tenham sido de agrado de miúdos e graúdos, mas fico com receio que o pessoal novo fique com uma ideia deturpada da anilhagem.
É que não é de todo normal apanharmos passarões de 2 patas que se deslocam, não pela própria asa, mas de moto ou moto-quatro, a fazer dezenas de infracções à lei. Também não é habitual o pessoal disparar armado de cajados pronto a rachar um qualquer capacete ou a espatifar raios de rodas de motociclos. Também não é costume chamar a GNR para identificar meliantes motorizados.
Pretende-se que esta seja uma prática calma e relaxante e não um qualquer episódio de série policial ou cowboyada. Por isso, para a próxima não vale a pena trazerem sacos de pipocas que o filme deve ser bem mais calmo. Mas podem trazer tábuas com pregos ou fios de nylon que são capazes de dar jeito.
Para acalmar os ânimos e os estômagos, nada melhor que uma pratada de choco frito capaz de alimentar a população da Somália durante 1 semana. Desenhos, nem um para a mostra. Mas é compreensível, hoje a manhã foi recheada de distracções. Portanto, para as próximas sessões, os Morcegos (eu incluído) têm mesmo de voltar a marcar presença e restaurar a sua reputação de ilustradores compulsivos.

sábado, maio 10, 2008

Jantar #435124

Ontem houve bat-jantar, desta vez com alusões à cozinha brasileira. A comida estava irrepreensível, a feijoada foi a raínha da festa mas a entrada de húmus marcou muitos pontos. Boa selecção vinícola (Terras de Pó, Monsaraz e Chaminé, assim por esta ordem) e a excelente companhia dos morcegos, como já é costume.
Contudo, vive-se e aprende-se. E ontem aprendi 2 coisas sobre os MACs:
  • Os MACs são jardineiros criativos;
  • Os MACs são seres sociáveis, ao demorarem mais de 3 horas a a gravar um DVD - que acabou por não ficar gravado, promovem o convívio entre as pessoas.
E pronto, foi só uma repetição de piadolas de ontem à noite. E o próximo jantar, pode ser de peixe fresco nas Berlengas?

Passa ao outro e não ao mesmo!

Já cá faltava o blog-passatempo, desta vez conhecido por six word memoir. Obrigado ao S.C. pelo petisco encomendado. Eis então a minha memória de 6 palavras:
Dr. Wade, He is a Freak!

Quando estive da primeira vez nos estados unidos fui definido por uma colega com esta frase. Alguns, conhecem a história (até porque tive a triste ideia de a contar cá). Agora que vou retornar lá no fim deste mês nem sei o que esperar...
Mas como não vou penar sozinho, passo a batata quente a:
Os outros agradeçam por não terem blog.

quinta-feira, maio 08, 2008

Perdiz-vermelha (Alectoris rufa)

No já mítico fim de semana passado, vimos, ouvimos, comemos (em escabeche e em açorda) e desenhámos perdizes. Elas corriam à nossa frente, voavam por cima de nós, viajaram na mala do meu carro e sentaram-se à nossa mesa. Por isso, nada mais justo que fazer as primeiras experiências com gouache tendo uma perdiz como modelo. E devo dizer que gostei da técnica.

Crise de meia idade antecipada resolvida (ou talvez não...)

E um muito obrigado ao Estúpido. Os tímpanos dos vizinhos que se cuidem!

terça-feira, maio 06, 2008

Mértola 2008 - as ilustrações

Para não perturbar o (por vezes) normal funcionamento deste blog e de maneira a poupar a troca de impropérios e demais chatices, o material produzido no fim de semana passado pode ser visto aqui.

Mértola 2008 - As fotos

Uma pequena amostra do fim de semana passado. Já perceberam porque é que estando o corpo em Lisboa a mente ficou lá pelo Baixo Alentejo?

segunda-feira, maio 05, 2008

Concurso "Quem quer ser internado?"

Ahhh! Aposto que já tinham todos saudades dos passatempos com marca registada "Guia de Campo"... Apesar deste ser uma private joke para o pessoal da expedição Mértola 2008, todos os outros são convidados a participar (até para terem noção dos momentos de pura insanidade mental). A ideia é fazer corresponder pessoas a situações, no mínimo... desligadas da realidade. Aqui vai:
  1. Atravessar o rio Guadiana em pura fúria de águas no Pulo do Lobo através de um tronco espetado entre 2 rochas;
  2. Apanhar cobras para depois confirmar na mão se é uma víbora ou outra coisa qualquer;
  3. Batalhas campais de azeitonas que deixaram o restaurante num estado deplorável e adolescentes de 13 anos atónitos com os amigos da mãe;
  4. Atirar garrafões de 5 L cheios de sunquick pelo ar de uma ponta da mesa para a outra;
  5. Levar os carros (o meu não, bendita a hora que estava na ribeira) para sítios perfeitamente loucos, não conseguir regressar e ponderar seriamente ter de passar a noite ao relento;
  6. Subir de canoa cascatas para, 2 segundos depois e tal como se estava à espera, cair na água;
  7. Tirar migalhas de formigas e mais outra cena qualquer com um mosquito que não percebi;
  8. Andar a recolher coisas mortas do chão que incluíam uma perdiz, uma rã mumificada e um esqueleto completo de ovelha;
  9. Ter contactos demasiado directos com dedaleiras, plantas reconhecidamente tóxicas;
  10. Fazer a saudação do Sol e naribigos.

E, já agora, qual vos parece o momento mais alucinado? Estou a esquecer-me de algum?

De regresso à realidade

Se na semana passada, quando regressei do Gerês, andei como que se a flutuar nos dias de trabalho seguintes, agora que cheguei de Mértola devo estar a funcionar numa frequência completamente diferente. Assim, sem querer, nestes 4 dias consegui conjugar uma série de coisas que gosto mesmo muito de fazer. Se, a somar a isto, juntarmos um grupo de pessoas de que gosto cada vez mais, a expedição Mértola 2008 torna-se inesquecível:
Regressar ao campo. Monte do Vento. Pulo do Lobo. Vale do Guadiana. Ribeira de Terges e Cobre. Andar. Trepar às rochas. Descer os rios de pedra em pedra. Sujar-me de pó. Apanhar escaldões. Cromos novos (Chlidonias niger, Callandrela brachydactyla, Cercotrichas galactotes). Fotografar. Não me cansar de ver a planície alentejana.
Desenhar. Quase do nascer ao pôr do Sol (às vezes, até depois), com pausas para tudo o resto. Experimentar materiais, temas e fontes de inspiração novos. Quase encher um caderno de campo.
Canoagem. Subir e descer parte do rio Guadiana. Parar na margem para dar um mergulho. Sulcar o rio com a canoa. (Nota para o pessoal scalabitano: este rio merece uma exploração séria).
Last but not least, comer e beber. Perdiz de escabeche. Javali estufado. Açorda de perdiz. Migas de espargos. Torrão real. Lombinhos de porco preto. O melhor presunto do mundo. Arroz de pato. Sopa de cação. Saladas. Tintos Esteva e Chaminé. Garrafões de tinto da casa.

segunda-feira, abril 28, 2008

No regresso do Gerês

Há 12 anos atrás - apesar do cliché, parece mesmo que foi ontem - foi feita uma curta viagem ao Gerês mas que, apesar dos poucos dias, deixou histórias e memórias que ainda hoje se recorda. A primeira visita a esta região (para mim, a primeira de muitas passagens), as primeiras caminhadas, as primeiras bebedeiras, os primeiros amores e desamores.
Nos últimos dias, foi um grupo, infelizmente mais pequeno, já que faltavam algumas pessoas presentes na primeira viagem que repetiu alguns desses passeios. Sem qualquer onda nostálgica ou pelo menos, sem o sentido negativo que possa ter, voltámos a atravessar a fenda da Calcedónia e subir à Pedra Bela mas também descobrir alguns caminhos novos pela mata de Albergaria e as cascatas do rio Arado perto de Fafião. E não me consigo lembrar de melhor companhia para o fazer.
Ainda vinha a pensar num texto mais elaborado para aqui mas é mesmo deixar as fotografias dizerem de sua justiça:

quinta-feira, abril 24, 2008

Hasta la vista!

Hoje rumo ao Gerês. Regresso na próxima semana para me despedir antes de ir para Mértola.

Foto antiga, perto da cascata do Arado, tirada na primeira de muitas visitas a esta região.

segunda-feira, abril 21, 2008

Fica para a posteridade

O dia 20 de Abril vai ser um marco histórico. Só o facto de brindarmos com aguardente de poejos é um bom presságio!

Contra todas as previsões...

... Este fim de semana que agora terminou acabou por ser muito interessante. Apesar da ausência a uma cerimónia de entrega de um postal na sexta, uma saída de campo adiada pelo mau tempo e um jantar de inauguração da Pikasa ambos no Sábado, foi possível dar a volta às coisas. Como?
No Sábado à noite com 2 kg de arroz de marisco e bolos de chocolate com chantilly, hamsters fumadores, revistas de pesca, novas maneiras de usar phones e de ler o jornal, Borba branco, Padre Pedro tinto de 2002 e o regresso das mines, fondue ao almoço e leite creme para sobremesa. Tudo na companhia das gentes ribatejanas de Benavente. Domingo à tarde, sessão de desenhos chez Joana na companhia de alguns morcegos e lanche com uma vista soberba para o rio Tejo.
E agora é altura de começar a pensar no regresso ao Gerês já no próximo fim de semana.

segunda-feira, abril 14, 2008

Definição de catástrofe


Uma catástrofe não é o aquecimento global, nem este nosso governo Sócrates, nem a subida do preço dos combustíveis, nem a presidência Bush na guerra contra o terrorismo, nem a série de barragens que se vão construir, nem o abate da floresta da Amazónia, nem as desigualdades sociais que grassam por esse mundo fora...
Uma catástrofe é TER PERDIDO A P**A DA TESE NUM ERRO QUALQUER DE GRAVAÇÃO NO DISCO EXTERNO!
(in)felizmente, ainda não tinha escrito assim tanto mas tive de refazer/rescrever tooooda a parte de estatística já feita. Mesmo assim, evitem falar comigo; os instintos homicidas estão ao rubro.

Arte Moderna (ou WTF??)

Ontem, a propósito de uma sessão fotográfica na Gulbenkian (história comprida...), fui a modos que compelido (leia-se arrastado) a ir ver uma exposição temporária no Centro de Arte Moderna da dita fundação. Felizmente, a entrada era gratuita e a coisa resumia-se a uma única sala o que fez com que as obras de arte fossem vistas em cerca de 12 segundos.
Depois de ver coisas maravilhosas como um cabo de uma espingarda pendurado do teto, uma fita métrica que ia do chão ao teto e outras coisas que tais que nem percebi o que eram, pensei para comigo "WTF?!". Ah! É verdade, deve ser arte conceptual. Só seres de uma sensibilidade artística extrema é que devem conseguir perceber a profundidade da mensagem que estava a tentar ser transmitida.
Chamem-me calhau mas tirei duas conclusões, obras de arte destas também eu consigo fazer (a fórmula é simples, junta-se uma data de lixarada e diz-se que é conceptual) e os jardins com patos e pardais e carpas conseguem ser infinitas vezes mais uma interessantes que palermices destas.
Felizmente, ainda houve direito a macacadas, desde o Xico a querer mexer numa geringonça da exposição na tentativa de perceber o que era, a sessão de circo no átrio, com pessoal a deitar água do mar pelo nariz e um míssil-criancinha que deu uma cabeçada no muro que se deve ter ouvido a 3 kms. Ouch!

sábado, abril 12, 2008

Mais um dia, mais um cromo

Depois de resolvido o mistério do Acrocephalus scirpaceus com um gosto especial por joalharia, de descobrir que o meu nome consta de uma lista negra, de uma semi-cegonha-negra sobrevoar-nos e de uma Cettia cetti com madeixas, a Lagoa de Albufeira forneceu mais um cromo novo, um Actitis hypoleucos, que levou umas alicatadas na pata.
Os loucos de serviço presentes foram a Pintinhas, o Sócio e aqui o je. Uns e outros, mais ajuizados, ou ficaram a dormir, ou rebentou-lhes o apêndice ou embarcaram num cruzeiro de 20 dias de vomitado.

Tcharam! Actitis hypoleucos

(não digam a ninguém mas o Sócio colou com cuspo uma pena que apanhou do chão na asa desta Cettia)

segunda-feira, abril 07, 2008

Pelas margens do rio Nabão

Ontem foi um grupo de 4 ilustradores que rumou à região de Ourém para um passeio organizado por uma conhecida ONG. Foi com um suspiro de alívio que percebemos que a alarvidade de quilómetros do passeio ia ser parcialmente feita de carro.
Tenho de confessar que estava um pouco de pé atrás com o programa, devido a anteriores encontros imediatos do 3º grau com integrantes dessa ONG, mas provavelmente isso seria de estar com os sonos trocados - tínhamos que estar em Ourém às 9hoo portanto façam as contas às horas que acordamos... No entanto, só tenho a dizer bem. A zona tem um património natural riquíssimo, que desconhecia por completo. Tanto, que quase não desenhámos. Fomos extremamente bem recebidos - inicialmente com os olhos arregalados, tipo "estes loucos vêm de Lisboa??" e tivémos uma impressionante introdução à botânica.
É curioso como, graças sobretudo à ilustração, tenho vindo a reparar em muitos mais aspectos da ciência; o que dantes era um campo com árvores ou couves, começa a tomar uma maior complexidade. E continuo a surpreender-me com o mundo e a gostar de aprender coisas novas. Especialmente quando tivémos um orador tão entusiasta. Foi uma overdose de informação sobre os vegetais. Se bem que continuamos a olhar as orquídeas com outros olhos...
A repetir.
(eu só dispensava mesmo o activismo político bloquista...)

sábado, abril 05, 2008

Noitada

A cena de regressar a casa num Sábado às 7 da manhã, com os olhos empapuçados e ramelosos de estar acordado há várias horas, passar pelos cafés a abrir enquanto se luta para vencer o sono e não adormecer ao volante, só desejando estar rapidamente deitado na cama parece familiar não? Nem por isso. A não ser que se pertença ao pequeno grupo de loucos que se reuniu ontem no Samouco para uma sessão nocturna de anilhagem. Louco mas não tanto, pelo menos não me meto nestas andanças com uma apendicite em risco de estoirar, como alguns.
Lembram-se dos "Pássaros"? Ontem lembrei-me do filme, só que em vez de os bichos invadirem a casa em bandos esvoaçantes, chegavam em sacos e caixas. Por vária vezes pedi, implorei até, para o Dr. Salinas fechar as redes, já tinhas as mãos a escorrer sangue de tanto dar ao alicate, mas não, com um ar alucinado só dizia "hoje chegamos às 100!". Ainda houve quem caísse às salinas. Os mosquitos nucleares continuaram os seus ataques. O costume.
A grande novidade da noite foi mesmo a caderneta de cromos internacional que estava presente. "And you can collect blood from here" diziam eles. "I prefer the jugular" retorquia eu. Dejá vu desta conversa? "And you can sex birds from a blood sample!!" anunciavam eles. "Oh really???!!!" pensava eu para mim, cinicamente. Agora percebo para que serviam as estacas de madeira. Qual fixar nassas, qual carapuça! Era mesmo para espetar no coração dos vampiros. Ou se calhar era mesmo de mim, que estava rabugento com o sono e tinha estado a ver, horas antes, canários com as tripas a saírem pelas costas (not!).
Mas foi foleiro à ganância darem de fuga cedinho, deixando eu e a Pintinhas sozinhos com umas dezenas de bichos à espera. Hiperactivos, o c***lho! Pelo menos, ficámos especialistas em limícolas e anilhei, pela primeira vez, um destes:

Pluvialis squatarola, a Ave que se alimenta pelos olhos.


Mas pronto, já recuperei umas horas de sono, já fui endoscopiar durante a tarde e já estou em plena posse das minhas capacidades (ou não).

quinta-feira, abril 03, 2008

1001 noites

Continuando a sua viagem pelo mundo sentados à mesa, os Morcegos foram ontem jantar a um restaurante de inspiração marroquina conhecido pelo "Pedro das Arábias", na Rua da Atalaia. Como da fama de comilão já não me livro, cá vai a crónica gastronómica da noite:
O sítio é simpático, as entradas diferentes: azeitonas atómicas com picante nuclear, pratinhos de lentilhas, pimentos e cenoura com muitas especiarias à mistura. O melhor foi mesmo a beringela com iogurte. Os pratos, todos com nomes que já não me lembro de tão arábicos que eram, variavam entre a galinha e o borrego e acompanhados de cuscus. A comida era simples, boa mas soube-me pouco exótico. Nem mesmo o cuscus-super-afrodisíaco, que não fez efeito nenhum. Como se come bem, bebe-se melhor e, depois de esgotar o stock de Esporão reserva, passou-se para Monte velho - e claro está, não há nada a dizer sobre estes dois vinhos.
A sobremesa é que foi o estouro, tal era a bomba calórica de leite condensado, ovos, moscatel e frutos secos. Nos entretantos ainda se comeu uns besouros e umas joaninhas.
O prato principal foi mesmo o convívio e a galhofa, que valeram por 1001 noites de folia e que, certamente fariam corar qualquer Sherazade; desde o festival de gargalhadas, a combinação de saídas de campo à Comporta, Mértola, ao Fluviário, ao Pico e à Amazónia, o destruir da inocência de um livro infantil e os projectos do erotismo na Natureza, só contribuíram para elevar ainda mais a fasquia que já tinha sido colocada lá bem no alto depois do jantar no mexicano. Pelo menos, não havia toalhas de papel.
Só um senão: com tanta paródia, hoje deixei-me dormir e atrasei-me para uma tripla-intervenção-cirúrgica (mas desta vez correu tudo às 1000 maravilhas)

terça-feira, abril 01, 2008

Update

O fim de semana passado deixou-me KO com tanta actividade e tão pouca hora de sono. Aqui fica para a posteridade as apreciações gerais:
Sexta: jantar no "Paladares" com a malta do secundário para celebrar mais um trintão. Restaurante a atirar para o pretensiosozito, com pratos gigantes e comida excessivamente fashion e cheia de tiques. Os sabores irrepreensíveis mas irrita-me profundamente este tipo de cozinha (ou será que estou a fidelizar-me na tasca ou restaurante típico?) e, embora sabendo que os olhos também comem, os géneros e os sabores deviam valer por si mesmos. Para mais, podíamos ter ido jantar bifanas ou ido comer castanhas ali à esquina, que a animação tinha sido a mesma pois o fundamental são as pessoas. Ah, e o serviço é leeeeeeennnnntttttoooooo!
Sábado: intenso dia de desenho com os morcegos (agora auto-intitulados de 7 magníficos) mas sem o seu mestre. Manhã na Peninha, com o nevoeiro a toldar a paisagem mas com a descoberta das Asphodelus a desabrochar no campo. Almoço na Estalagem de Colares à lareira a comer panados de linguado e - pecado metabólico! um copo de vinho tinto do Douro, Duas Quintas, muito bom, especialmente depois de respirar uns minutos no copo. Fim de tarde na Adraga, a fazer mais desenhos e a desejar ardentemente que a plateia de dúzias de criancinhas irritantes fosse levada pelo mar revolto. O dia só acabou mesmo no bar do Moinho, já perto de Cascais.
Domingo: inauguração da EEC da Lagoa, temporada de 2008 e minha estreia com um Rallus aquaticus. Matar saudades de anilhar à chuva e espantar cavalos e ciclistas do local - acho que se devia apostar nas tábuas com pregos - e almoçar no Mequinhus. A tarde passou-se a por o sono em dia.
Uf!