domingo, setembro 20, 2009

Domingo de Desenho

É um desconsolo só estar a conseguir colocar posts semanais mas como o que não tem faltado são outras coisas para fazer, o Guia vai entrando um pouco no desmazelo. Mas adiante.
Desta vez, a habitual rubrica semanal domingueira, teve uma ligeira inovação pois os 3 gatos pingados do costume que se arrastavam pelos jardins da capital enquanto riscavam os seus cadernos, em jeito de cura para ressacas, privações de sono e outras maleitas, viram-se rodeados pelo colectivo de diários gráficos e outros amigos numa iniciativa muito interessante de urban sketching.
É verdade que geralmente para mim, desenhar paisagens e casas é um bocado suplício mas Lisboa tem muitos recantos e pormenores engraçados. Por isso, apesar de sentir a falta dos amigos patos, ficam alguns exemplos do que se fez hoje à tarde pela Avenida da Liberdade. Não só foi uma oportunidade para contemplar aspectos da cidade em que geralmente não reparo mas também de constatar que anda muita gente chalupa pelos passeios.
Curioso também foi conhecer alguns bloggers e identificar as pessoas por de trás dos blogs através dos seus traços e estilos. Em suma, um dia bem passado, que terminou, depois de uma sequência de paralisias cerebrais - que a bem de algumas reputações não vou aqui falar - como é costume, na Graça, a comer belas tostas no Café do Monte.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Domingos de Desenho


Cairina moschata - o fundo verde não era relva, era mesmo a água do lago, que tinha um tom verde-ranho-radioactivo muito pouco saudável

Já com alguns dias fora de prazo, mas sem faltar à chamada, desta vez rumámos ao Jardim Botânico Tropical para levar sermões sobre tabaco e hipertensão à entrada, ver insectos em caixinhas e, mais uma vez, desenhar patos. Vamos acabar a volta pelos jardins de Lisboa transformados em eminentes patólogos. A sessão acabou, como seria de esperar, a enfardar pastéis de Belém. Que já foram bem melhores.

Parabéns para mim

E no outro dia passou um bando de 31 pardais...
Yay!

sábado, setembro 12, 2009

Concerto

Um registo muito diferente no caderno de campo. Porque já era tarde e muitos pormenores ficaram pelo caminho.
Depois dos melhores kebabs de Lisboa (segundo dizem) e das meninas que levam 1 hora a beber imperiais e que fizeram com que as senhas para a Incrível Tasca Móvel acabassem à nossa frente, tivemos um belo concerto de Oquestrada na praça de Martim Moniz, a confirmar que, não só em termos musicais, mas também em termos cénicos e de dinâmica de palco, é uma banda a prestar muita atenção. Mesmo quando o quadro eléctrico estoira.
Só foi pena ter estado 3 horas de pé e não ter direito a ginjinha (nem gosto muito mas era grátis para quem tivesse senha). Fora isso, muito bom!

sexta-feira, setembro 11, 2009

@ Samouco, outra vez

Hoje foi um dia rico em cromos, o único de jeito e novo para mim foi este, logo de manhã cedo, capturado no Samouco - quem o identifica?

quarta-feira, setembro 09, 2009

@ Samouco



As Limosas chegaram em força às Salinas e os alfaiates também andam por lá. E afinal não servem só para pôr anilhas nas patas.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Selecção alentejana

Como a selecção nacional foi a desgraça que foi, nem vale a pena fazer o balanço futebolístico do fim de semana. Ficamos então pelas selecções desenhadeiras:



O pesadelo das paisagens, que ficam sempre por acabar...

A zona de conforto, ou neste caso, o milagre da ressuscitação.

Bastantes mais coisas foram feitas pelo Alentejo mas para já, ficam aqui estes dois desenhos. Até porque há um que vai ter direito a um post exclusivo...

domingo, setembro 06, 2009

Todos os caminhos levam a Mértola

O que é que o Baixo Alentejo poderá ter a ver com a Amazónia? Ora, tudo. Pelo menos, para as 16 pessoas, riscadores entre outros tantos ofícios, que passaram estes 3 dias reunidos na Amendoeira da Serra.
3 dias para deambular pela planície alentejana, pagaiar no rio Guadiana - e 16 km, com paragem a meio para imperiais, deram para matar saudades da canoagem - fotografar, desenhar tudo e mais alguma coisa, comer bem e beber melhor (as minis reinaram novamente, com paragens para provar queijinhos, saladas de polvo e ovas, sopa de cação e feijoada brasileira), apanhas escaldões nas canelas, destilar à torreira do Sol, tomar banho no pulo do Lobo, filosofar sobre borregos abandonados e máquinas de costura, mas, sobretudo, criar dinâmicas de grupo e preparar a hiper-mega-viagem que aí vem.
E se semi-cerrarmos os olhos, o montado parece mesmo a floresta amazónica e o Guadiana parece mesmo o Amazonas.

A planície alentejana (não muito plana, na verdade) a perder de vista

Querem saber onde fica este sítio?

Não faltaram passarinhos...

Quantos queres? Tenho para a troca

segunda-feira, agosto 31, 2009

This is the life

Após uma breve incursão à base da Serra da Estrela, chego mais uma vez rapidamente à conclusão que era capaz de me adaptar a um estilo de vida mais calmo, passado em piscinas com vista para a serra, a mergulhar em ribeiras de água gelada, a dormir até altas horas, a comer refeições infinitas e a bater records de minis. Alguns destes pormenores eram capazes de não fazer muito bem à saúde, mas a boa companhia destes 2 dias era capaz de ajudar a ultrapassar eventuais crises gotosas e outras maleitas.
E, mesmo à distância, consegui honrar o compromisso do desenho de Domingo. Só que como o calor era tanto e como a piscina falava mais alto, ficou uma bela bodega.




Rana iberica

quarta-feira, agosto 26, 2009

Calidris temminckii

Enquanto não houver novas histórias para contar, continua a haver o caderno da Suécia para ocupar estes espaços em branco. Estes esboços de Calidris temminckii (que não é mais que um C. minuta com patas verdes) são uma indicação que regressei mesmo viciado nos papéis coloridos. Sempre me podia dar para uma coisa pior.

domingo, agosto 23, 2009

Domingos de desenho

Depois de um interregno de algumas semanas, esta nossa iniciativa foi retomada. Mas com uma ressaca generalizada, tornou-se difícil fazer alguma coisa de jeito. Sobretudo porque os relvados à sombra na Gulbenkian eram muito mais apelativos. Chegou-se ao seguinte saldo:


2 de 3 riscadores dormiram a sesta;
1 de 3 riscadores andou à procura de um cágado;
3 de 3 riscadores desejaram empurrar turistas idiotas para o lago;
3 de 3 riscadores agradeceram que a velhinha do inferno não fosse sua avó.


Pelo menos, ao fim da tarde lá aparecera umas galinhas-d'água mas a preguiça não permitiu fazer mais que isto.

Lisboa by night

Há já algum tempo que não eram aqui feitas críticas gastronómico-sociais nem posts a destilar veneno e toxinas. Curiosamente, a noite passada conseguiu unir estes dois aspectos.
A noite parecera começar bem, com um jantar de aniversário num restaurante de que até gosto bastante e costumo frequentar, com belas entradas, ricas açordas de gambas, suculentos nacos na pedra e bons vinhos. Ontem, tinham também um prato novo no menú, que era pato verde (nota: não estamos a falar de molhos nem guarnições).
Depois de uma paragem para uns copos num bar de Santos (até posso fazer menção ao Left, que foi o único sítio que não decepcionou), 8 convivas decidiram rumar a outro sítio. Grande asneira!
Há agora um sítio da moda, que passemos a referir como Urban Bitch, por razões que irão certamente compreender, que fica ali numa zona muito bonita de Lisboa, atrás de uns armazéns abandonados, virado para o rio Tejo com as habituais cardumes de taínhas-de-esgoto e, que orignais que somos, com um extenso areal (razão talvez para o nome original) artificial. À entrada do estabelecimento tivemos um deja-vu conjunto e um momento nostálgico dos nossos 15 anos, quando nos barraram a entrada, meninos e meninas. E desta vez por razões diversas, já que só vimos entrar pitalhada, elas na versão putéfia, eles na versão boiola. Obviamente que nós, jovens adultos responsáveis, vestidos de forma casual mas normal e com excelente ar, estranhamos, especialmente quando o sr. funcionário se justificou com um:
"Hoje é só para clientes habituais"
wtf?! Pois é, acabaram por perder 8 potenciais clientes habituais... Bica, definitivamente!

quinta-feira, agosto 20, 2009

Guia de Campo Sueco (parte V) - Nonsense in Sweden

Last but not least, o último capítulo da saga escandinava: os disparates, as ausências mentais e todas aquelas pequenas histórias, que são o sal de cada viagem.


"Allt är mögligt"


E foi este o grande lema da aventura Birding in Sweden. Querem saber o que quer dizer não querem? Foi das poucas coisas que aprendi daquela língua de trapos, para além do básico (embora me tivessem escapado os palavrões).


*Jämtland é o nome da região onde eu estive.

Torna-se difícil referir tanta coisa e os pormenores vão-se esbatendo mas não dá para esquecer as paisagens incríveis, a profusão de bagas comestíveis (pelo menos, as que eu comi) e as fintas aos cogumelos manhosos e duvidosos que um italiano louco teimava em apanhar. Felizmente, os únicos encontros perigosos com fauna que tive foram com os enxames de mosquitos, que mesmo completamente encharcado em repelente, teimavam em esvoaçar no nariz e nos olhos, dificultando assim algum trabalho de campo.
Houve ainda momentos de grande iluminação e de auto-preservação, em que evitei pontes suspensas, especialidades culinárias checas gregoriantes e sobretudo, não ter ido andar de barco no dia em que regressava. É que o motor avariou no meio do rio e por esta hora ainda lá devia estar a dar aos remos...
Portanto, um saldo muito positivo, em que, em 2 semanas só houve uma erupção do alter-ego Dr. Veneno porque não há pachorra para lerdices e monguices quando se trabalha com fauna selvagem. Mas sempre mantendo a postura profissional para não causar nenhum incidente diplomático com a República Checa.

terça-feira, agosto 18, 2009

Guia de Campo Sueco (parte IV) - a gastronomia

Mais do que uma degustação da gastronomia sueca, como estavam presentes várias pessoas de diferentes nacionalidades a preparar jantares, assistiu-se mais a uma saudável competição entre diferentes cozinhas europeias. Atentem nas ementas e depois digam-me lá qual o país que definitivamente ganhou (e qual aquele que vai dar pesadelos ao meu palato durante uns tempos):
Suécia:
Almôndegas com puré de batata e molho de umas bagas (groselhas?) - se conhecem as do IKEA, sabem do que estou a falar;
Carne de rena e alce assados - :-)
Burritos - sim, na Escandinávia.
Inglaterra:
Tarte de ruibarbo - boa, quando o cozinheiro não troca o açucar por sal;
Pão de cenoura e azeitonas;
Porridge (papas de aveia).
Portugal:
Bacalhau com natas;
Perna de borrego assada;
Frango estufado com arroz de cenoura.
República Checa:
Lentilhas espapaçadas com ovos fritos estorricados;
Esparguete com ketchup (sim, só!);
Arroz doce (uma mistela feita com arroz cozido, açucar e bagas apanhadas nas traseiras da casa)
Já perceberam o meu sofrimento com algumas refeições? Ou estou a ser muito tendencioso?

segunda-feira, agosto 17, 2009

Guia de Campo Sueco (parte III) - o caderno de campo

Como sempre, nesta viagem esteve presente a trilogia Natureza-desenhos-gastronomia. Embora tivesse ficado aquém das minhas expectativas (nem acabei um caderno), também se riscou pela Suécia, mesmo com chuva, vento e mosquitos. Aqui fica uma ínfima parte dos esboços produzidos:
Amoras-do-árctico (Rubus chamaemorus). Dizem eles que estas amoras grandes, globosas e laranjas são uma especialidade. Eu achei uma bodega e só mesmo em compotas é que eram comestíveis.

Nas traseiras da casa havia um casal de grous e seu descendente que permitiram muitas horas de desenho.
As sessões de anilhagem também permitiram algum trabalho, aqui com pintarroxos (Carduelis flammea)...

... e aqui com rabirruivos (Phoenicurus phoenicurus), em que depois foi possível experimentar 2 materiais, aguarela e guache.

sábado, agosto 15, 2009

Guia de Campo Sueco (parte II) - as cadernetas de cromos

Parece-me que há aqui uns senhores ques estavam à espera era deste assunto. Pelo menos, tenho impressão que alguém me vai pagar umas jolas em Mértola... Temos então:


Caderneta das espécies novas observadas:
Rana temporaria (ou acham que andei só de olho nos pitos?)

Alces alces - fêmea e cria;
Rangifer tarandus - uma manada lá no alto da montanha;
Castor fiber

Gavia stellata
Gavia arctica
Bucephala clangula
Mergus serrator
Cygnus cygnus
Calidris temminckii
Phalaropus lobatus
Sterna paradisaea
Sterna caspia
Picoides tridactylus
Parus montanus
Lanius excubitor - atenção que cá temos é o L. meridionalis!
Hippolais icterina
Carduelis flammea

Mas também houve observações excelentes de grous, açores, brigas entre esquilos, chapins e trepadeiras e muito mais.


Caderneta das espécies novas anilhadas:

Gallinago gallinago
Calidris temminckii
Turdus pilaris
Turdus iliacus
Phoenicurus phoenicurus
Hippolais icterina
Sylvia curruca
Fringilla montifringilla
Carduelis flammea

(já repararam que foi preciso ir quase ao Pólo Norte para ter na mão alguns destes bichos? É sinal que algumas pessoas por cá não estão a trabalhar bem...)



Vá, identifiquem vocês os bichos que conseguem. E porque é uma trabalheira estar a pôr legendas em tudo. Para além destes, assim mais xpto, houve fartura de Luscinia svecica, Carduelis spinus, Phylloscopus trochillus (yack!) e Emberiza schoeniclus, tendo sido possível aprender e discutir muita informação sobre os mais variadíssimos aspectos dos bichos (incluindo aquele mistério insondável, perdoa-me HRC, que é a muda dos passeriformes. Mas isso é uma história para outro post).

Guia de Campo Sueco (parte I) - o contexto

Eis-me finalmente à pátria regressado, depois da expedição ao Norte da Suécia. Devido à grande extensão e complexidade dos temas que irei tratar, vou ter de preparar vários posts sobre diferentes tópicos (e assim, escuso de inventar assunto de conversa para os próximos dias). Infelizmente para alguns, terão de ouvir durante longas e penosas semanas frases como "Na Suécia era assim...", "Na Suécia era assado..." e "As suecas não sei quantos...".
Mas estejam descansados, em especial aqueles que tiveram o prazer de falar comigo quando cheguei, a fase de cuspir labaredas de fogo e esguichar sangue pelos olhos já terminou, depois de 36 horas virtualmente sem dormir em comboios periclitantes e aviões com criancinhas em birra contínua. A partir daqui, é só falar de paisagens maravilhosas e passarinhos a cantar nas árvores.

Uma breve passagem pelas ruas de Estocolmo (inédito! Eu a visitar uma cidade!).

Um dos locais de trabalho, no delta do rio Are (falta a bolinha em cima do A), com o lago Annsjön lá ao fundo. Bastante horrível, não é? E já disse que tínhamos de ir para lá de barco, a descer o rio, rodeados de mergansos, mobelhas e cisnes?

O outro local de trabalho ficava aqui, no meio de florestas de vidoeiros e árvores de Natal. O rio que vêem, onde andavam Bucephalas clangulas e castores é igualmente o rio Are.

Acham mesmo que atravessei isto??? Mas... devo dizer que dei uns passos na ponte-baloiço-do suicídio. Aqueles lá ao fundo eram colegas meus mas como apareceu um urso no outro lado da ponte, eu tive de cortar as cordas para me safar e poder escrever estas linhas. Eles foram cascata abaixo.

Mas... fiz outras idiotices, como subir até à base desta montanha, a Storsnassen, sozinho, sem mapas, telemóvel e outras coisas lógicas. Infelizmente, começou a chover torrencialmente e tive que regressar sem ver lagópodes ou moleiros-rabilongos. Mas vi renas! (Repararam no pormenor de termos uma montanha com neve, 8º C e chuvas diluvianas em Agosto? É assim o Verão na Suécia...)

Já estoirararam de inveja ou ainda aguentam mais uns posts?

terça-feira, agosto 11, 2009

Update II

Hoje esteve a amena temperatura de 11 graus, andei com 2 polares e impermeável vestidos e a meio da manhã tivemos que interromper os trabalhos porque comecou a chover. Agosto na Suécia! Mas hoje também, um castor passou à minha frente no rio e o casal de grous da traseira da casa comecou a ensinar a cria a voar.
Entretanto, fui promovido a chefe, depois do bacalhau com natas desta noite (não era bem bacalhau e também não eram bem natas). Mas também há quem diga que sou o waders expert e moulting expert, que são as coisas que mais detesto, portanto é melhor não dar muito crédito...
Só é pena estar quase no fim.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Update

Consegui arranjar um tempinho para dizer que estou vivo, ainda não sucumbi à hipotermia nem às hordas de mosquitos que por aqui andam. Já vi alces e renas (e também já os comi), estou um expert em navegacao fluvial, de tanto viajar no delta do rio Åre, com mobelhas e mergansos a sobrevoar-nos, já tenho muitos cromos novos na coleccão, ainda não sei falar uma palavra de sueco e a casa parece uma versão ornitológica da residencia espanhola, tantas são as nacionalidades que aqui param. E, sobretudo, continuo deslumbrado com a beleza do Norte da Suécia.
Seguem-se mais actualizacões (se não estiver a fugir de um alce ou de um urso)

segunda-feira, agosto 03, 2009

Próxima paragem:

Suécia!

Domingos de Desenho

E a saga continua! Desta vez, o destino foi o jardim do Museu do Traje e diga-se de passagem, a merecer muito mais o título de jardim botânico do que o seu homónimo, quer fosse pela organização, pelo aspecto mais cuidado, pelas inúmeras fontes, lagos e cascatas e pela maior diversidade de objectos de desenho. Na verdade, o mais importante foi, como pessoas decentes que somos, não termos pago entrada, darem-nos lanche sob a forma de belas e sumarentas maçãs e haver uma bela esplanada a meio do percurso. Por isso, recebe o título de melhor jardim de Lisboa. Quando dermos a volta a todos os espaços verdes da capital, este vai ser o primeiro a repetir.

quinta-feira, julho 30, 2009

segunda-feira, julho 27, 2009

urban-sketching

Decididamente, parece que as tardes de Domingo estão a ficar destinadas ao desenho urbano da bela cidade alfacinha, embora sempre em busca dos seus elementos naturais, quer seja por mais um painel (devem estar na moda aqui) com fotografias de cones de cicas, quer pelo início dos treinos desenhísticos amazónicos no jardim botânico. Desta vez, acompanhado da Erica e da nossa Produtora, também membras da direcção do Clube de Fãs do Grupo do Risco. Depois do jardim, jolas e colas no miradouro da Graça, para descer mais tarde à mouraria e à casa do Aziz para moamba e chacuti (é assim que se escreve?) e acabar o Domingo em grande (digestão).

motmot-style

quinta-feira, julho 23, 2009

42 horas em Tornada

Então foi assim: dormitórios de andorinhas, fintas ao sono, bombardeamentos de mensagens do Pqt e do seu discípulo (e tentativas de manter a compostura e evitar gargalhar), empaturrar-me no Pinheiro e no Cortiço, convenções informais de bird-nerds, pólens e plasmodiuns, chuva, fazer magias e tirar Ixobrychus do casaco, mais um cromo na caderneta e arroz de egagrópilos. E sim, também se trabalhou.

segunda-feira, julho 20, 2009

Até para o ano, PEEC do Samouco!

Se alguém duvida que as Aves evoluíram a partir de Dinossáurios Terópodes carnívoros devia ter um Lanius senator, mesmo que puto imberbe, a bicar-lhe os dedos ou uma parte mais querida da sua anatomia. Antes da captura dos gémeos do mal, que o diga a Dra. Camarinha, foi também observado um Coracias garrulus a descrever tangentes às redes e a fazer piretes ao pessoal cá em baixo.
Portanto, uma manhã recheada de cromos. Como não bastasse de actividade e para regressar ao modo "estica-prazos" habitual ainda houve tempo de montar um portfolio quase de raíz à hora de almoço e ir a voar para uma entrevista.
Não vou aparecer nas notícias mas espero notícias lá para Setembro.
No Samouco, só há PEEC para o ano que vem mas espera-se que as actividades avícolas continuem o rsto do ano.

Lisbon stories

Nem só de passarinhos e dinossáurios (passe a redundância) vive um caderno de campo. Lisboa oferece uma infinidade de coisas para esboçar embora, mesmo quando o tema é arquitectónico, há uma clara referência a elementos naturais. É mais forte que eu.
Só não foi possível fazer mais porque entre a história estarrecedora de uma amiga que andou a fazer de slot machine no eixo Norte-Sul e que, felizmente escapou apenas com uns hematomas e material para alguns pesadelos, aniversários de elogio à gula e respectiva ressaca, prova dos (nem por isso) melhores caracóis de Lisboa e despedida da Flicts que partiu para o Sudeste Asiático, faltou o tempo e inspiração.

quinta-feira, julho 16, 2009

Missão cumprida

12 desenhos terminados, digitalizados e editados - recorrendo aos meus vastíssimos conhecimentos de edição de imagem e a softwares de ponta - e, pasme-se! A dois dias de terminar o prazo de entrega.
Agora, os dados estão lançados e vamos ver como corre esta nova aventura pós-graduada. A esperança não é muita e, talvez por isso, estes 12 bonecos só vão ver a luz do dia bloguístico lá para Setembro. Também para não estragar a surpresa de algumas pessoas.

quarta-feira, julho 15, 2009

Teaser spoiler

Erithacus rubecula desenhados até ao enjôo.

Apesar da intensa actividade desenhadeira dos últimos dias, o caderno de campo só foi aberto para desenhar um pimento mas o modelo acabou nas brasas, fatiado e degustado juntamente com as sardinhas no Sábado passado.
No entanto, o caderno de estudos, que às vezes também vai passear ao campo, tem muitas páginas novas.

terça-feira, julho 14, 2009

Fim da digestão

Domingo foi um dia muito difícil e laborioso: depois do desfilar durante todo a tarde de chamuças, rissóis, saladas, entrecostos e febras, pudins, tartes e outras sobremesas, camarões, queijos vários e leitão, a digestão não podia ser fácil. Tanto, que obrigou a mudar das minis para a água castelo e deu direito a desapertar o botão das calças - mas por aquela hora, já não era o único - e se pensarmos que esta batalha foi travada sob um calor sufocante, a puxar pela sesta pós-prandial, não obstante o encharcar em cafés, dá para chegar a 2 conclusões inequívocas:
  1. até gosto de (alguns) baptizados;

  2. foi virtualmente impossível escrever uma única linha;
Sim, porque apesar de ter perdido os melhores caracóis do mundo, algures na Bica, entre conversas sobre música ou cinema, a sessão de PEEC na lagoa foi memorável porque, para além do enxame de andorinhas que fez tombar as redes, capturou-se um cromo novo, que o Sócio teve o prazer de marcar mantendo os dedos todos, e terminou-se os trabalhos da melhor maneira possível: com uma arca cheia de minis e uma pilha de sardinhas assadas e o insuperável pão de alfarim, quase mas quase tão bom como a bela da sardinha.


Quer-me parecer que as sessões de anilhagem do Sul estão a ganhar uns pontos às de outras paragens... Não vos parece?

Cochothraustes cochothraustes, ávida de esmagar umas cabeças de dedos.

quinta-feira, julho 09, 2009

Henkelotherium guimarotae

Que estranho, estarão alguns a pensar, um desenho completo. Mesmo que não o pareça, é mesmo para ficar assim. Aliás, nos próximos dias a produção de artes finais vai ter um pico e alguns leitores mais assíduos vão estranhar encontrar aqui coisas sem serem esboços ou caricaturas saídas do caderno do campo.


E porquê? Porque na verdade eu gostava era que um dia o Guia de Campo aparecesse nos Scienceblogs e porque de vez em quando tenho estes devaneios nerd. Nada de novo, portanto.


Mas porquê este bicho? Para começar, Henkelotherium guimarotae é um mamífero Driolestóide antigo, de pequenas dimensões (o comprimento da cabeça e corpo não ultrapassava uns 6-7 cm de comprimento), viveu no final do Jurássico e como se pode ver pelo cladograma ao lado (Ji 2002), ocupa uma posição evolutiva intermédia entre mamíferos ancestrais, como Morganucodon, e outros mais modernos. Felizmente, foram encontrados esqueletos praticamente completos e foi possível estudar bem a fundo a sua anatomia. Simultaneamente, estão presentes características anatómicas modernas, como a presença de uma fossa supra-espinhosa na escápula ou um colo do fémur bem definido, e outras, como a presença de côndilos assimétricos no fémur, consideradas primitivas (embora estejam presentes em algumas famílias de mamíferos modernos como tupaias e marsupiais didelfídeos) (Vazquez-Molinero 2008).
Para além disso, a coluna dorsal flexível, a cauda longa e falanges compridas sugerem adaptações a um estilo de vida arborícola ou, pelo menos, adaptado à locomoção num meio ambiente tridimensional. Todas estas características sugerem ainda um tipo de mobilidade moderna (mobilidade da escápula, abdução/adução dos membros, etc.)
Recentemente, os seus ossos do ouvido foram submetidos a exames de TAC e, novamente, foram detectadas características consideradas primitivas e outras mais derivadas, que permitiam detectar sons de alta frequência, tal como fazem os mamíferos modernos (Ruf 2009).
Finalmente, os fósseis desta espécie foram encontrados em Guimarota, perto de Leiria, colocando Portugal no mapa do estudo da evolução dos mamíferos mesozóicos (os fósseis de Haldanodon, outro mamífero jurássico basal também são tugas). Na altura, a região teria um ecossistema semelhante às Everglades, alternando zonas pantanosas com zonas de vegetação densa, habitat onde um mamífero de pequenas dimensões e arborícola se poderia movimentar com facilidade.
Mas a grande questão deve ser mesmo: porquê esta urgência em acabar desenhos? A ver vamos.

sábado, julho 04, 2009

Sterna nilotica

Ligeiramente mais bem disposto. Regresso ao Caia para terminar a marcação da colónia de gaivinas-de-bico-preto, niloticas para os amigos, almoçar no Mónaco e fazer um esboço rápido a guache a partir das fotos tiradas com a mega-máquina.

sexta-feira, julho 03, 2009

Pesadelo

Decididamente, ontem foi um daqueles dias em que devia ter ficado trancado em casa, com o ar condicionado ligado, a escrever projectos ou a corrigir certas coisas. Mas como ler calinadas de primeiro grau como "quidados" também faz mal à saúde, achei que lidar com mosquitos, carraças, variações térmicas de 20º C e morte por afogamento em barcos furados era bem mais simpático.
Portanto, era dia de ir à lagoa. Último dia do PEEC, garças e a rambóia do costume. Mas sobretudo, assistir a um certo episódio ofídico.
Às 5h15 já tinha saído de casa e uns 15 minutos depois estava no centro de Lisboa à espera de uma colega para lhe dar boleia. Quando rodo a chave na ignição, o QI faz um som vindo das entranhas que me fez gelar o coração, as luzes do tablier piscam e apagam-se e nada de arrancar. A cada vez que repetia a operação o resultado era o mesmo: uns gorgolejos e imobilidade.
Primeira ideia genial: o carro estava parado no meio da rua. Vamos fazê-lo recuar um pouco.
Pormenor: a rua tem uma suave inclinação e, apesar do carro ter ficado mais ou menos estacionado, foi muito divertido andar a fazer manobras sem direcção assistida. Mas pelo menos, assim não estorvava o trânsito.
Segunda ideia genial: o carro ficou parado num espaço de descargas de uma loja Modelo. Ainda estava a recuperar o fôlego e a ligar para o reboque quando estaciona um camião monstro para, pareceu-nos, largar hortaliças e peixe - que tinha um odor muito pouco saudável - tendo ficado a bloquear a rua. A partir daí, tenho a memória turva: estava a amanhecer, carros a buzinar, outros a fazer manobras suicidas, munícipes a gritar, as ambulâncias do INEM a querer sair, os chorrilhos de palavrões que larguei. Felizmente, chegou o reboque que, depois de largar uns parafusos (wtf?!) e ter içado o carro de uma maneira muito original me levou dali para fora, antes de ser linchado pela população ou que os funcionários do modelo começassem a atirar-me com fruta podre.
Depois do carro ficar na oficina veio a pior parte: o telefonema com o orçamento da reparação. Alternador, correia de distribuição, fusíveis, blá, blá,...
E é assim que vos escrevo, do leito do hospital, onde fui parar depois de ouvir um valor "assim por alto que falta o IVA" e ter tido três apoplexias. Tudo isto para dizer que nos próximos dias tenho mobilidade reduzida e que o estado de humor está a uns 10% daquela história do cinto em S. Tomé (os que assistiram devem estar a tremer de medo mas são uns exagerados). Portanto, tratem-me bem e tenham muita paciência comigo.

quarta-feira, julho 01, 2009

Globalização é...

Receber mails de colegas paquistaneses - por segundos ainda pensei que fosse uma mensagem-bomba ou qualquer artefacto terrorista mas quaisquer devaneios preconceituosos desvaneceram-se depois de uma rápida pesquisa no Google - a indagar coisas sobre um artigo de minha autoria publicado a semana passada nas américas. As voltas que as transfusões sanguíneas dão ao planeta!

Uma manhã... incipiente*

* Eu sei que sou previsível mas não resisti!


Pardais, melanocephalas, Cisticolas e melros resumiram a manhã que, apesar da monotonia ornitológica, deve ter batido records numéricos no PEEC deste ano. Também digno de nota foi a estreia de 2 maçaricas no maravilhoso mundo da anilhagem.
Estreia também da minha fantástica máquina fotográfica nova que, com o seu zoom telescópico, quase que tira fotos de minha casa para os bichos das salinas.