sábado, novembro 18, 2006

A minha vida dava um filme...

Ou talvez não... se calhar, um documentário da National Geographic ou na melhor das hipóteses, qualquer coisa tipo "Garden State" só que sem a Natalie Portman. Na pior das hipóteses, tenho alguns episódios ao nível da mais rasca telenovela sul-americana.
Ainda no outro dia fui protagonista de um desses folhetins. Felizmente, era uma mera personagem secundária cujo único papel era observar as duas personagens principais aos gritos e guinchos, aos pontapés às portas e murros nas paredes (por momento pensei tratar-se de um filme de Kung Fu ou de uma comédia foleira), enquanto iam desenrolando os seus papéis. É bastante mau assistir a este filme no local de trabalho. Bastante pior saber que as personagens estavam a ser interpretadas pelo patrão e sua cônjugue. A parte boa foi ter sido visto por alguns outros espectadores como o herói da película (só que sem capa ou super-poderes), enquanto desmascarava a vilã, uma qualquer aspirante a Maga Patalógika esquizofrénica.
Felizmente, fui salvo pela Carmen Miranda e o seu pronventrículo dilatado e pude sair da sala, entre o incrédulo e o prestes a libertar uma sequência de gargalhadas, pelo ridículo da situação.
Resta-me a esperança de ter assistido à cena de "volte-face", que irá mudar o rumo deste filme. Caso contrário, tenho mesmo de mudar de argumentista... Confusos? Não percam as cenas dos próximos capítulos...

terça-feira, novembro 14, 2006

Ahhh!... Férias

Pois é, como devem ter percebido pela pista anfíbia cá deixada há uns posts atrás, acabo de regressar de São Tomé.
Muito podia ser dito sobre o reino do leve-leve, das aventuras da princesa Maria Amélia e do seu séquito na floresta do Obó, do segundo melhor fruto à face da terra, do omnipresente peixe-fumo, dos tecelões gigantes, dos conóbias, das deliciosas mas potencialmente salmonélicas santolas, de plocos a passear nas ruas, de comer banana a todas as refeições, de cheirar folhas de canela, de ouvir "docedocedoce" a cada curva, de jogar scrabble com gafanhotos à luz de velas, de usar tanques de guerra como pacíficos estendais e chegar a casa e ter a mochila inundada de um cheiro a café forte e telúrico como uma ilha.
Mas palavras para quê? Uma imagem vale mesmo por muitas dessas...

quarta-feira, novembro 01, 2006

Quentes e boas!

Apesar do clima semi-tropical que estamos a viver (quem é que se lembra de andar de manga curta em Novembro?), ontem foram oficialmente abertas as hostilidades do consumo de castanha assada, como manda a época outonal.
Estava então ontem em casa de amigos em amena cavaqueira e a preparar a logística para a viagem quando veio uma segunda dose de castanhas como manda a lei, quentes e boas. inclusivé, as várias fornadas vinham para a mesa num saco de pano com o mesmo slogan bordado.
No preciso momento em que nos estavam a falar do serviço de catering de feijão frade entregue via bicicleta, ouviu-se um estouro "POFF!" e a sala ficou com uma nuvem de fumo.
Não, não era um ataque da Al-qaeda nem ninguém tinha comido castanhas a mais. O que se passou foi bem mais surreal, pois constatámos, enquanto afastávamos o fumo, que uma castanha tinha literadamente explodido à nossa frente. Passado o choque inicial e, enquanto tirávamos bocados de castanha estorricada da cabeça, seguiu-se novo estoiro, este agora das nossas gargalhadas. Penso até que terei batido novo record decibélico que, bem vistas as horas, não terá sido muito apreciado pelos vizinhos.
Conclusão: aquele corte que se faz às castanhas antes de as por a assar não é por acaso, nem para enfeitar. Simplesmente, serve para as impedir de nos atacar. Claro que mentes maquiavélicas podem ver outras aplicações ruins para este facto (Bwah-ah-ah!). Quem quer castanhas? Agora o slogan é quentes e explosivas!

domingo, outubro 29, 2006

Devia era já estar a dormir mas enfim...

Decerto conhecem aquela máxima, que homem que é homem deve plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um livro. Nada portanto a ter que ver com o cromossoma Y, comprimentos de certas partes da anatomia masculina ou quantas babes se consegue papar numa festa. De qualquer modo, e invadido por uma onda de introspecção decidi avaliar a minha situação:
Árvore- as sementes que trouxe do monte vinham estragadas pois a única coisa que ganhou raíz foi bolor por toda a parte. Só uma mísera uva-de-cão é que vingou, mas não passa de uma trepadeira. Mas agora me recordo que no secundário plantei um cedro num canteiro qualquer na escola. Está certo que era para um trabalho de TLB, mas menos mal. Checked!
Livro- para além de artigos científicos completamente revolucinários (dois deles até vêm indexados no PubMed. Ah pois é!), está na forja algo mais. Vou ter que esperar alguns meses para poder por um checked neste tópico.
Filho- até ao momento e por meu conhecimento as únicas crias (adoptivas) aos meus cuidados têm 2 cm de comprimento, são cabeçudos, respiram por um sifão e têm patinhas a crescer. Ainda bem que saem aos pais biológicos. UNchecked
Portanto cumpri 1/3 da minha masculinidade (abençoado cedro), o que não deixa de ser manifestamente pouco (se bem que ainda não quero criancinhas à minha roda; a propagação da espécie fica para mais tarde). Para afogar as mágoas e ver as coisas de uma outra perspectiva, quiçá mais turva mas saudável, é que se começou a combinar hoje à noite na esplanada do café um daqueles nostálgicos fins de semana à antiga com o pessoal. Espero bem que sim, já tenho saudades de 48 h de excessos alcoólicos e gastronómicos, nuvens de fumo ilícitas e a desresponsabilização completa e total dos meus actos (estou cansado de ser certinho). Mas isso só depois das férias! Até lá tenho uma internacionalização e vários estágios pelo caminho

sábado, outubro 28, 2006

Estou-te a ver!

Never ending story

E para compensar o deserto de escrita que foram os últimos dias cá vai mais um post.
Não é que me considere uma pessoa excessivamente negativa, mas há uma série de coisas que me irritam profundamente e que despertam o Mr. Hyde que há em mim. Hoje de manhã, enquanto trabalhava (pois é, hoje é sábado e aqui o mouro esteve de serviço... como todos os sábados), tive de gramar com algumas delas e, azar dos azares, tive que manter o sorriso pepsodent número 32 como convém a qualquer pessoal extremamente profissional. Mas isto levou-me a pensar: "que mais coisas me deixam fodido?". É certo que a lista é grande (daí o título do post) e sempre crescente mas mesmo assim não me deixei intimidar por tamanha tarefa. Eis a LISTA DE COISAS QUE ME DEIXAM FODIDO!!
  1. Excesso de informação. Pode variar, desde alguém que entra na sala e dizer "Bom dia! Eu sou médico/a e tenho uma filha asmática", passando por "como não comia, mastiguei a comida e dei-lhe à boca" até senhoras gordas e anafadas, com idade para serem minha mãe, que levantam a camisola para mostrar as banhas arranhadas pelo seu parceiro sexual. O facto de estarmos a falar de um periquito, de uma iguana e de um coelho, respectivamente faz-me pensar que ando a ser exposto a doses muito pouco saudáveis de surrealismo.
  2. Falta de educação. Pronto, confesso que também digo umas caralhadas e que quando conduzo não sou um exemplo de boas maneiras mas antes de entrar costumo bater à porta, por exemplo. Nem que seja para evitar que bandos de pássaros esvoacem porta fora. Havia um senhor que fazia isso (mais exactamente, batia à porta e de seguida, escancarava-a) mas desde que deparou com 2 dinossauros à solta na sala até lhe saltou o bigode! Meus amigos: por isso não é nada saudável ter este irritante hábito, especialmente quando estou eu dentro da divisão... nunca se sabe que animal peçonhento vos posso soltar em cima.
  3. Interferências sonoras. É muito desagradável estar a trabalhar tendo como ruído de fundo motores de carros fórmula 1, senhores neozelandeses envolvidos em rituais Maori ou casamentos hablados en coño. Especialmente se a algazarra é toda emitida por um certo e determinado computador quando certa e determinada pessoa, em vez de estar a fazer coisas mais produtivas, lhe carrega as teclas. Sem esquecer que há pessoas alheias a isso tudo e que podem achar, não sei... estranho? entrarem na sala e ouvirem tudo isso.
  4. Famílias numerosas. Eu bem tentei fazer o meu local de trabalho pequenino para limitar a entrada desses enxames que, a toda a hora, me entram dentro da sala aos guinchos e saltos e a mexer em tudo o que lhes apareça à frente. Não tenho nada contra crianças, especialmente as bem comportadas, mas não tenho propriamente ar de educador de infância para meninos-queques-mal-comportados. Geralmente tenho que esperar que os progenitores ponham ordem na prole mas o que me apetecia mesmo era pô-los todos em fila (incluido os paizinhos) e trás-trás-trás! distribuição de chapadas!

Como vêm, tudo isso só numa única mísera manhã de sábado, em que eu podia era estar noutro lado qualquer (provavelmente a roncar na cama). Prometo ir completando esta lista (o que não falta no meu dia-a-dia são episódios destes a toda a hora). Também aceito contribuições do público (e já agora, podem ser em dinheiro ou cheque pois, para variar, só devo receber lá para meio do mês).

Pistas...

Os observadores mais perspicazes poderão adivinhar para onde vou dentro de 1 semana se identificarem as seguintes espécies:

Bastante fácil, não? (é verdade, foi aqui o artista que fez os bonecos. Nem sei onde vou parar com tantas qualidades...)

Countdown

Por esta altura em que as minhas inúmeras legiões de ávidos leitores imaginários se indagam sobre o meu paradeiro nos últimos dias, eis que retorno após várias semanas de dura labuta em que consegui levar a cabo as seguintes hercúleas tarefas:
1º foi com os dedos em sangue de tanto escrever e com os nervos ópticos gastos de tanto olhar para o ecrã do PC que terminei mais uns capítulos desse que será o futuro best-seller da literatura portuguesa do século XXI;
2º ganhei uma tendinite de tanto pipetar amostras no instituto no âmbito do meu trabalho-de-tese-de-mestrado-quase-prémio-nóbel e inclusivé, poderei ter descoberto o primeiro positivo para Microsporideas... Bwah-ah-ah (riso maléfico) cuidado, anilhadores incautos! Eles "andem" aí;
3º Os meus 2 neurónios trabalharam árduamente para destrinçar casos clínicos obscuros e salvaram as vidas de inúmeros inocentes;
4º Mais reuniões de trabalho para essa obra da consultoria e gestão ambiental que será o projecto que temos em mãos;
5º superei estoicamente a dura prova de não ter conseguido bilhetes para o concerto de Muse (esgotadíssimo há mais de 1 mês); inclusivé tive de atender chamadas de amigos que perguntavam "então não vais?" e azar dos azares, tive de passar perto do Campo Pequeno no precido instante em que os felizes espectadores saíam do concerto. É claro que tive de compensar este trauma ouvindo todos os albúns nas minhas inúmeras viagens de carro a um nível decibelmente intolerável para alguns dos meus amigos;
6º Consegui ir a Sagres ver os imigrantes (aqueles com penas e que não fazem fila à porta do SEF) em passagem para... África! O que me leva à questão de fundo:
Dentro de 1 semana já estou de férias num novo continente e país! Vai ser a manhã na selva, a tarde na praia e à noite... logo se vê. Daí a contagem decrescente. Daí na próxima semana eu estar completamente "ausente" pois as pessoas e os sons vão-me parecer como o hiperespaço na guerra das estrelas à medida que caminho para 6ª feira. Não que esta ausêcia faça muita diferença... às vezes parece que trabalho noutro planeta qualquer (um em que equanto trabalho se ouve em ruído de fundo alguém a ver jogos ou corridas de fórmula 1 no PC).

sexta-feira, outubro 13, 2006

quanto mais as coisas mudam, mais ficam na mesma...

A realidade atingiu-me como se tivesse levado com a serra do Gerês inteira na cabeça (mais calhau menos calhau)... quando retornei à civilização constatei (já sem surpresa) que ainda não tinha recebido. O devidos euricos lá acabaram por entrar no dia 12, o que já se está a tornar uma triste rotina desde Junho.
Com coisas destas lá se foi toda a veia poético-bucólica do post anterior; ou melhor, estas coisas começam a passar ao lado e a vincar-me algum traço de cinismo, apesar de garantidamente não me acomodar. Isto acaba por se entranhar dentro de mim como um ninho de invertebrados com muitas patas num burado no tronco de uma árvore(o nome do bicho começa por P...) e tornar-me a saliva mais cáustica. E eu até nem desgosto do sarcasmo...
Daqui para a frente a canção que a xana canta enquanto salta alegremente de flor em flor a chamar pelos lobos vai-se tornar numa hino de guerra gritado por um gnomo de cara bexigosa enquanto piso cogumelos venenosos a conduzir uma matilha de cães raivosos.
Mas o problema deve ser meu... até porque se calhar para muita gente o m~es só deve começar ao dia 12...

segunda-feira, outubro 09, 2006

Na companhia das Xanas, Bitxos bravos e ratos flamejantes

É incrível como uma semana passa depressa, especialmente se estou envolvido em actividades que me dão prazer. É verdade... a semana de férias terminou e resigno-me a trocar a floresta de carvalhos pela floresta de betão e em vez dos badalos das vacas num lameiro lá longe ou da chuva a cair vou passar a ouvir as buzinas dos automóveis que passam na minha rua.
Quantas coisas cabem numa semana? Quantos pássaros cabem na minha mão enquanto outros teimam em voar? Quantas histórias consigo ouvir antes de adormecer? Quantas paisagens de montes e fragas podem os meus olhos ver? Quantos trilhos e caminhos posso percorrer (a pé ou a carro, não interessa)? Não tenho raízes ou história nesta terra mas de cada vez que lá passo, é uma experiência avassaladora para os sentidos. Não me canso de olhar, ouvir e provar (sim, porque à parte da massa, é sempre uma boa semana gastronómica) e lá, realmente faz sentido tapar os ouvidos com as mãos para não ver. Ou subir o rio na expectativa de encontrar algo novo na próxima curva. Ou justificar com projectos de fotografia ou desenho o voltar à infância e apanhar rãs num charco qualquer.
Tudo faz mais sentido e as coisas parecem estar no seu devido lugar: a hera a trepar por um carvalho, o uivar de um lobo no meio do nevoeiro, espécies reaparecidas no alto de uma fraga; conversas ou jogos da sueca (cuidado...) à lareira na companhia dos ratinhos. Mesmo a chuva que teimou em marcar presença e outras coisas menos boas fazem muito mais sentido. Não é melancolia que me assola (embora aconteça por vezes), é um sentido de comunhão com a terra. Se acreditasse numa religião, provavelmente seria um culto pagão (embora não numa taberna pseudo-celta). É então assim, de alma serena, que retorno ao trabalho. Vamos a ver se todas as canções das Xanas que trouxe comigo me dão paz de espírito para aturar as próximas semanas.
E é um facto, as sementes que trouxe comigo hão-de germinar e dar fruto.

sábado, setembro 30, 2006

tagliateli afrodisíaco com grelo

Quando pensava que me tinha transformado numa personagem de uma sequela da Noite dos Mortos Vivos, eis que consegui arrastar-me (sim, continuo a conduzir de olhos fechados) até ao Gordini do Estoril na passada 5ª feira para um jantar regado com muita sangria, o tal prato de massa, doces incestuosos e notícias de que, pelo menos para uma amiga, avizinham-se tempos profissionais melhores. Inclusivé, o jantar foi finalizado com uma bela cereja em cima do bolo, ou para ser mais exacto, um floco de neve de papel retornado à bandeja (vês, mestre, como aprendi bem os teus maléficos ensinamentos?)
Em seguida, rumámos até ao casino do Estoril, não para jogarmos nas slot machines ou roleta, mas porque havia um presente musical à espera. No meio da multidão suspensa num céu de espelhos e neons e embalados por ondas radiofónicas AM-FM, fui subitamente chamado à realidade quando uma filha da puta que me conhecia cumprimentou-me com um sonoro "Ah! estás mais gordo!".
Depois desta foi mesmo voltar a desligar, por a coruja-das-neves a trabalhar (o mais provável é voltar com ar e vento nas garras) e voltar em piloto automático para casa.
Se algum dos eventuais presentes neste evento passar os olhos por esta crónica e acharem que a sanidade mental deste vosso amigo se está a esvair, não se apoquentem. Acabei de terminar e enviar mais um trabalho para o mestrado. Por isso, é natural que esteja em curto-circuito.
Agora só interessa mesmo uma coisa: daqui a 12h e 29m estou oficialmente de férias, desligo todos os telemóveis e zarpo para o fim do mundo durante uma semana.

domingo, setembro 24, 2006

Guia de campo revisitado

Ao fim de longos e obscuros meses (desde Junho... que é tempo mais que suficiente para parecer uma eternidade) lá finalmente consegui tirar o guia de campo e binóculos da prateleira e levá-los a apanhar um pouco de ar estuarino. Um pouco mais tarde que o habitual que ontem foi noite de copos no bairro alto e como o pessoal "apanhou todo a bata" foi necessário ficar mais umas horitas a repousar os (já escassos) neurónios.
E foi assim que, com mais 2 estimados birdwatchers, passei uma bela manhã com os olhos colados aos binóculos só a ouvir os tecelões e um carro ocasional que teimava em passar. Não descobrimos nenhuma espécie nova, mas quando somos sobrevoados por uma águia-pesqueira com um espécime piscícola nas garras, acabamos de certa forma por fazer as pazes com parte dos problemas que nos apoquentam.
A manhã correu ligeira com um debitar constante de exemplares avícolas e testagem de material óptico e fotográfico (tenho mesmo que fazer um upgrade...) e terminou com a inevitável observação gastronómica. Começamos por ver um bando de bivalves à bulhão pato desaparecer da caçarola, seguido por uns Sepia officinalis fritos e umas postas de Lepidopus caudatus acompanhadas de arroz de pimentos.
Só espero retomar estes passeios numa base regular (a bem da minha sanidade mental) e fechar os olhos para que esta semana passe depressa (o trabalho que se vai acumulando já começa a assustar) para poder ir de férias. Tenho mesmo que mudar de vida...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Espécie a abater

As pessoas que me conhecem sabem que sou uma pessoa pacífica e calma. Mentes menos iluminadas podem dizer que às vezes tenho acessos de mau feitio mas é mentira. Contudo, há situações que realmente me tiram do sério, como esta aqui:

Num dia desta semana, apó estar perto de 14 horas seguidas a trabalhar e ainda sem jantar, foi com grande custo que me arrastei até um daqueles cafés da moda com esplanada, que por uma questão de cortesia não vou referir o nome (mas que começa por K, acaba em A e tem uns Fs pelo meio), para uma ainda breve reunião de trabalho. Como a fome era mais que negra (naquele momento o meu estômago era um buraco negro capaz de tragar o que quer que fosse), encetei este diálogo com o empregado:

"Boa noite. Ainda dá para pedir alguma coisa para comer?"
"Com certeza"
"Então traga-me a lista sff"
(5 minutos)
"Aqui está"
(outros 5 minutos)
"Uma cola e uma tosta mista"
(mais 5 minutos)
"Peço desculpa mas a cozinha fecha às 23h. Pensava que fosse mais cedo"

Foi aí que me passei! O filho da puta não sabe ver as horas? Se não demorasse 15 min a servir ainda era capaz de ter comido qualquer coisa. Mas não... Os amigos que estavam na mesa comigo dizem até que fiquei com os olhos raiados de sangue e a espumar da boca e inclusivé, tiveram que retirar da mesa objectos potencialmente contundentes e oferecer-me um prato de sopa em casa. Em boa verdade o que me apetecia mesmo era meter a cabeça do empregado na tostadeira mas, como disse de início, a minha boa índole impede-me de ter tais pensamentos. Acabei por voltar para casa cansado, com sono e com instintos assassinos mas só vos digo que até me passou a fome...

sexta-feira, setembro 15, 2006

Lindo!...

Depois de ver isto ou isto acho que devo ter enlouquecido porque só vejo coelhinhos brancos. Vocês não?

fim de semana...

Com esta semana quase a chegar ao fim (sem esquecer que todos os sábados ainda tenho que arrastar este corpinho até ao antro de trabalho e debitar sabedoria e salvar vidas e, às vezes pregar umas rasteiras ao ego e tudo e tudo e tudo), cheguei a um estado de cansaço tal que hoje vinha a conduzir (ainda continuo com um médio fundido) de volta para casa, após mais um dia de labuta, e dei por mim a pensar "ahh! como é bom conduzir e fechar os olhos..." Não temais, fiéis leitores, pois consegui empreender a jornada com sucesso, caso contrário não estaria aqui a redigir este manustrito! Podeis sossegar vossos corações angustiados, pois este nobre cavaleiro não ficou com a fronha espetada em nenhum air bag (se bem que ande curioso para experimentar...)
Felizmente já reconheço este primeiro sintoma, que me indica que tenho de desacelerar um pouco. Geralmente, seguem-se outros, eventualmente mais psicóticos e preocupantes para quem me rodeia. No entanto, desta vez, tenho a noção que esta canseira toda é por uma boa causa: eu (e perdoem-me o egocentrismo, acho que foi a primeira vez que manifestei). Estou cansado porque estou a fazer coisas que gosto:
  1. Acabei um artigo que tinha de entregar hoje (acabei-o ontem, inexplicavelmente dentro do prazo);
  2. Vou poder partilhar alguns (poucos) dos meus conhecimentos sobre seres rastejantes e outros;
  3. Melhor, pude passar 2 desses seres rastejantes para o papel (não, não tirei burriés do nariz com um lenço de papel) ;
  4. Nestes 2 últimos pontos tive a oportunidade de trabalhar (ainda que indirectamente) com um amigo podre, que me lançou estas 2 bolas de fogo (vá lá, não levei nenhuma agulha espetada no chefe do estômago);
  5. O meu empreendimento parece correr bem e avizinham-se melhores ventos;
  6. O meu esforço para ser tratado por "mestre" foi recompensado quando suguei umas gotinhas de sangue a algumas das autóctones mais fixes: a cobreira, a boneli...
  7. Como podem ter notado, as érios já tilintaram na minha conta (eu sei que com sentimentos tão elevados, este materialismo destoa um pouco, mas depois não tinha guito para estar aqui a debitar estas maluqueiras)

Como dá para ver, esta lista já me deu para insuflar um pouco o ego e o trabalho que me deu a ultrapassar esta semana, em última análise, compensou (mas que me pode transformar numa ameijoa este fim de semana pois vou baixar o modo de funcionamento para "invertebrado"). Não me custa ter trabalhos ainda mais hercúleos para despachar porque a médio-longo prazo quero dar o grito de ipiranga e dizer a um certo senhor numa terra que começa por C, acaba em S e tem as letras ASCAI aleatoriamente espalhadas no meio: "So long, sucker!"

P.S. Só tenho pena de estar a partilhar isto com um blog e não com uma moçoila que tivesse paciência para aturar estes acessos workaholic, mas não se pode ter tudo...

segunda-feira, setembro 11, 2006

Valha-me dia de S. Receber!

É dia 11 e ainda me falta receber mais de metade do ordenado! Que bom, não é?
Quer dizer que até receber só vou trabalhar meio horário? ou que de futuro só vou trabalhar depois de receber? Será que devo furar os pneus do carro ao chefe? ou colocar 605 forte na água? Tantas questões...

disquedisse

Uma das espécies mais estranhas com que me deparo nas minhas deambulações por este luso ecossistema (muito de sistema, pouco ou nada de eco, mas enfim...) é o "disquedisse". Geralmente, só se deixa ouvir e geralmente, conta-nos das cantigas, histórias ou relatos mais mirambolantes. Para ilustrar esta espécie de quadrilhice hipervitaminada, vejam só este exemplo:
No outro dia estava eu descansado rodeado de alguns amigos, a sorver o belo do cafézito, para manter os níveis de cafeína dentro do normal, quando uma das ditas amigas me disse que a minha irmã tem uma amiga que disse a outra amiga que disse a uma colega desta minha amiga (geralmente o "disquedisse" tem uma longa cadeia de comando, mais parece aquela brincadeira do telefone estragado) que eu tinha aberto negócio no Estoril com mais 2 colegas e que era "100 % certeza". Quem me conhecer sabe qual a área profissional em que deambulo e que efectivamente abri negócio mas há já alguns mesitos, tenho 4 e não dois sócios e graças a Deus, tive a presença de espírito de não me meter no tipo de empreendimento que tinham falado.
Ora isto levanta-me sérias questões: terei efectivamente realizafo tal proeza empresarial? terei um duplo por aí algures, que se apresente com o mesmo nome e apresente esta cara laroca? terei sido raptado por seres alienígenas e aminha existência neste planeta foi apagada durante algumas semanas? Provavelmente, não. Mas que chateia andar a ouvir histórias da carochina sobre coisas que não fiz, chateia! Qualquer dia andam para aí a dizer que sou um terrorista radical que anda a criar salamandras-bomba geneticamente modificadas para ataques suicida a bares à beira-mar (o que, sem sombra de dúvida, era muito mais interessante do que a história relatada).

sexta-feira, setembro 08, 2006

Há pouco, fiquei cheio de remorsos de ter falado mal do meu carro... É que, apesar das luzes fundidas e outros pormenores, é quase a minha segunda casa, à pala do tempo que passo em viagem de um local de trabalho para outro. Qual jipe qual quê! Esta maravilha sobre rodas leva-me a todo o lado, como podem ver. Nesse dia, para além de ver Grous e Abetardas em barda, atravessei esse amazonas para um lado e para o outro e ainda fui a Beja ver uma perdiz... no prato!

Quero estes todos!!!

Terrenae-problemaedae

Apesar de pensar que estava aqui a falar para os meus botões ou para leitores imaginários, afinal tenho um leitor preocupado com o meu estado de saúde. Desde já o meu obrigado, mas à parte da gota que, quando dá sinal, me faz lembrar que devo mudar um pouco os meus hábitos alimentares (felizmente não lhe passo grande cartão), sou um jovem adulto perfeitamente saudável.
E assim, aproveitando o tema "os meus problemas terrenos" (obrigado, meu caro anónimo por me ter fornecido este termo, eis a minha lista (afinal, este é um guia de campo, certo? as coisas vêm organizadas taxonomicamente em famílias e listas). Felizmente, são poucos e pouco graves (não sou adepto do FCP nem tenho um olho na testa), mas ainda assim, não se resolvem com um simples travo de um charro ou um copo de whisky velho com 2 pedras de gelo (se bem que ajudem, mas no dia seguinte tenho uma ressaca do tamanho de Saturno a juntar aos meus problemas terrenos), que são as únicas drogas consumidas social e esporadicamente por este taxonomista. Também tenho outros mecanismos de defesa, nomeadamente, tirar umas piadas das situações
Problema número 1: falta de liquidez. Tenho a agradecer ao meu principal empregador o facto de ser dia 8 e ainda não ter ouvido o som dos "érios" a pingar na minha conta... Mas também coitado, não tem culpa de a instituição bancária de onde me transfere o guito não gostar de mim, porque já é o 3º mês consecutivo em que isto acontece!! Mas pronto, lá vou eu cantando e rindo todos os dias para o meu local de trabalho, como bom empregado que sou... don't worry, be happy! Felizmente, toda esta micro-conjuntura sócio-económica, reflexo da república das bananas em que vivemos, só me estimulou a capacidade de iniciativa própria, aderindo ao tecido empresarial e esperemos que, dentro de alguns meses, mandar o gajo dar uma volta.
Problema número 2: falta de tempo. Devia viver noutro planeta (às vezes acho que sim), cujo dia tivesse pelo menos 48 h, para ter tempo de fazer tudo a que me proponho (provavelmente ia arranjar mais que fazer, mas nesse caso emigrava para outro corpo celeste). Como tenho um polo a gasóleo e devido ao problema nº 1, não posso comprar uma nave espacial, devo ficar por este planetóide durante mais uns tempos...
Problema número 3: o meu espírito aquarófilo foi posto à prova, quando há uns dias, a pior tragédia que pode ocorrer à face deste mundo, ocorreu na minha humilde habitação: um aquário cheio de água (felizmente só com habitantes vegetais, Anubia nana) rachar, começar a verter água e transformar o quarto numa piscina olímpica. Por isso, vou saltar um degrau evolutivo, largar a Classe Pisces e voltar aos meus queridos Amphibia.
Problema número 4: ainda não tenho o selo do carro, tenho um médio fundido e este mês tenho inspecção da viatura. Como tenho o problema nº 1 para resolver primeiro, logo me debruço sobre este.
Como vêm, a lista é reduzida. No entanto, amanhã os problemas terrenos podem ser outros (porque os de hoje podem ser resolvidos ou aparecerem outros piores) e claro está, para além destes tenho os meus problemas metafísicos: de onde vimos? para onde vamos? existe vida em Marte e Europa? etc. e tal. Como se pode constatar, até tenho razões para cantar quando vou a conduzir.