A maldição cinematográfica da Irmandade da Esteva continua; desta vez, enrolados pela conversa da Maria Amélia, sem dúvida incentivado pela Bânia, que esteve momentos antes de decidirmos que filme ver, acabámos por ir ver isto. E isto é muito mau. Mesmo.terça-feira, novembro 27, 2007
Cine-banhada
A maldição cinematográfica da Irmandade da Esteva continua; desta vez, enrolados pela conversa da Maria Amélia, sem dúvida incentivado pela Bânia, que esteve momentos antes de decidirmos que filme ver, acabámos por ir ver isto. E isto é muito mau. Mesmo.Se as lendas dos escandinavos são assim, antes venha a nossa luso-padeira de Aljubarrota, que ainda dava para ver uns coños a levarem nos cornos. O filme parece um jogo de computador, os bonecos parecem de plástico (então as rainhas parecem bonecas insufláveis) e não convecem mesmo ninguém, a Angelina Jolie não tem mamilos e anda de saltos altos (que modernos estes monstros do século V) sobre a água.
Ainda por cima tivemos de pagar mais 1,5 € por uns óculos pirosos porque parece que o filme é em 3D! O que me trouxe à memória traumas antigos de infância quando os meus pais não me deixaram ver "O Monstro da Lagoa Suja" ou lá o que era. Pelo menos neste, o monstro mais o seu fato de borracha assumem logo desde o princípio que são de série Z.
Menos mal, apesar da Maria Amélia ter sido o único (da sala?) a ter gostado desta banhada, ganhamos uns óculos escuros para nos mascararmos no Carnaval.
E já são dois proibidos de escolher mais filmes.
Uff...
Finalmente consegui despachar as aulas da pós-graduação no passado Sábado, que nas semanas anteriores me assombraram o pensamento. Não que estivesse muito ocupado a prepará-las, mas estive sempre muito ocupado em pensar que devia ir prepará-las. O que é uma coisa muito diferente mas ligeiramente mais angustiante. Mas o raciocínio que faço sempre nestas situações é: se vou andar feito zombie a preparar isto, mais vale sofrer durante 2 ou 3 dias intensamente do que durante 2 ou 3 semanas moderadamente. O resultado esteve à vista, que foi ter ficado acordado até às 4h30 da véspera a acabar de fazer os powerpoints.
Isso, a somar, à descoberta que as aulas práticas seriam nesse dia à tarde, fez com que a hora de almoço fosse uma correria a... digamos, juntar uns quantos voluntários para as ditas aulas.
Mas nem tudo foi mau, apesar da minha tagarelice aguda nesse Sábado, que fez com que falasse durante horas a fio sem me cansar, parece que o pessoal gostou e até parece que aprendeu umas coisas. Obviamente, eu também aprendi umas coisas e, como sempre, a concentração de cromos por metro quadrado nestes eventos é extremamente elevada. A saber:
- A rainha dos estrogénios a.k.a. dra. TPM, que teve de ser mandada calar por mim duas vezes com umas indirectas ligeiramente directas quando se punha aos guinchos a reclamar por isto e por aquilo. Falta de tubo da cola...
- O salvador dos animaizinhos que, para além de nos ter dado uma lição sobre reciclagem de material médico, nos ensinou conceitos interessantíssimos sobre a fisiologia gastro-intestinal dos coelhos;
- A desorganização da entidade organizadora;
- Decididamente, não percebo um pentelho de computadores e datashow;
- Foi uma má ideia juntar na mesma sala amigos meus e alunos; parece-me que vou andar a ser gozado durante um bom par de semanas.
Em todo o caso, obrigado à companhia da Maria Amélia e de mais umas amigas que sempre iam fazendo caretas e dizendo palhaçadas durante as aulas. Daqui a 3 semanas há mais (mas só me vou preocupar com isso 2 dias antes).
quarta-feira, novembro 21, 2007
Last minute panic
Era o que estava a precisar para acabar as apresentações para Sábado. Ainda falta tanto...
Não há duas sem três
... que seria caso para dizer que a seguir à amigdalite-gripe-coisa-indefenida seguiu-se uma simpática intolerância à claritromicina, que era o antibiótico que estava a tomar.
Ao fim de 5 dias de secura na boca e ligeiros desarranjos intestinais, seguiu-se o apocalipse no estômago, qual vulcão a cuspir croquetes de magma ácido. Durante 2 dias nem um grão de arroz dava para aguentar no estômago, que não viesse parar cá fora uma horita depois. Apesar dos litros de sucralfato tragados a custo (aquela m***a sabe mal para c*****o) a coisa só acalmou quando mandei a p**a da claritromicina para o lixo.
Como estou a ficar mais adulto, espero ter tirado algum proveito desta situação, que terá sido ter perdido 1 kg ou 2 sem fazer grande coisa, a não ser ir a correr gregoriar-me ou ficar a olhar para o tecto enjoado como uma pescada.
segunda-feira, novembro 19, 2007
Novas contratações
Ontem chegou uma encomenda de livros, para o Guia de Campo ficar ainda mais cromo:


Vou saber isto tudo!! :-)))



Vou saber isto tudo!! :-)))
domingo, novembro 18, 2007
Rói-te de inveja, Costeau!
Hoje de manhã vesti o fato de mergulho e fui fazer fotografia sub-aquática para os lados do Dafundo. Não fosse um bando de putos a fazer gritaria pelos corredores - que pena não haver um tanque com tubarões, famintos de preferência - e os disparates que as pessoas dizem frente aos aquários, a visita tinha sido melhor.
Em todo o caso, deu para tirar um monte de fotos - 70 % das quais desfocadas e já devidamente eliminadas - que, em breve, serão transformadas em ilustrações mais ou menos científicas.
Não digam a ninguém, mas ainda consegui avariar um daqueles painéis luminosos com informações. Mas também ninguém lê mesmo aquilo...
Parabéns Madre Juanita!
Ontem a Madrezita Juanitazita a.k.a. 'Ricinho fez 290 anos e, como manda a tradição, o pessoal reuniu-se no La Rucula para comemorar o acontecimento. Sortuda, até teve direito a uma vela xpto que assobia e tudo.
Surpreendentemente, a Piko não pediu Rondellini de franguini, mas a comprovar que há coisas que continuam na mesma, rapou os pratos de toda a gente, que quase dava para ver o reflexo. Não só os pratos rapados e luzidios, mas a boa disposição continua a mesma.
sábado, novembro 17, 2007
...Dasse!
Ontem, achando-me ligeiramente melhor da gripe-amigdalite-mas-que-também-dá-tosse-puta-da-médica-que-me-atendeu-para-a-próxima-leva-com-um-melro-cheio-de-clamídias-na-tromba, resolvi vestir meia dúzia de casacos, não fosse o diabo tecê-las, e ir ao curso de ilustração científica, o que é sempre uma boa motivação para esquecer por uns momentos os vírus.
À porta da UAL há um cafézito com uma esplanada sossegada e sentei-me lá a beber um café antes da aula. "Hummm! Café... há quantos dias não bebia...". Estava eu em adoração ao café e a compor uma ode à cafeína, quando fui interrompido por uma gorda desdentada desgrenhada que, obviamente, devia ser a maluquinha do bairro (todos os bairros têm um/uma).
"A esplanada é muito agradável não é? blá blá blá blá blá..." e nunca mais desgrudava de frente da mesa. Como sou um cavalheiro, modelo da educação e moderação, ou talvez porque a febre do outro dia me tenha derretido com o centro cerebral da malignidade, fiz uso de todas as indirectas para a mandar embora; eu olhava para o fundo da chávena; eu via as horas; eu soprava; eu revirava os olhos. E a gaja continuava na sua ladainha. Quando estava prestes a disparar um "F***-se!! Mas eu perguntei-lhe alguma coisa?? Baza daqui P**a do c*****o!!!" ela foi-se embora.
Mas porque é que eu nunca sou abordado por loiras (ou morenas, tanto faz) boazonas e ninfomaníacas???
quarta-feira, novembro 14, 2007
"Eu sou uma pessoa doente..."
... de tanto repetir esta frase quando me deparava com a eventualidade de trabalhos mais chatos ou que não me apetecessem fazer, estou agora a ser severamente punido por estes acessos de clarividência.
Ontem acordei com a amena temperatura de 39,9º C que teimava em não descer apesar das overdoses de Paracetamol e Aspegic tomados ao longo desse dia; somando às dores desde a ponta do nariz aos dedos mindinhos dos pés, que mantiveram na cama e à tosse e dores de garganta, foi um dia muito bem passado.
À noite justificava-se ir às urgências e foi lá que, mais uma vez pude admirar o enorme profissionalismo da nossa classe média. A sorte é que os senhores doutores me apanham sempre tão K.O. que não têm a oportunidade de levar uma dose de mau feitio.
Ora então a senhora doutora, depois da triagem, após ter ouvido a lista de queixas - febre, dores musculares, dores de garganta e tosse (o que me fez pensar para que é que servia o raio da triagem pois tive de repetir a mesma lengalenga duas vezes) - pede para dizer "Aaaahh", vê-me as goelas et voilá! Amigdalite diagnosticada!
"Sim, amigdalite, mas causada por quê?" pensei eu. Não houve cá auscultações, zaragatoas nem nada. O pseudo-exame físico baseou-se em deitar a língua de fora à senhora, que se calhar até é a versão feminina do Dr. House e estou eu aqui a difamá-la. Nem quando referi qual a minha área profissional e o contacto frequente com passarinhos clamidiosos a doutora se compadeceu e limitou-se a receitar um antibiótico.
Duas certezas: 1) tivesse eu alguma vez feito uma consulta assim, de certeza que seria insultado e, no mínimo, teria os pneus do carro furados; 2) A vantagem de estar a tomar antibiótico pela terceira vez na vida fez com que ao fim da segunda toma esteja francamente melhor e possa estar aqui a escrever estes disparates.
Para a próxima garanto que vou ser consultado por um dos veterinários que por aqui passa!
segunda-feira, novembro 12, 2007
What the fuck??!!
Alguns de vocês devem certamente lembrar-se daquela história da menina da zaragatoa, dos passarinhos e das fraldinhas. Pois bem, finalmente hoje chegou algo para amostra. Seria de pensar que ao fim de umas 3 semanas de espera viesse um carregamento de 5 quilos de caca mas não... um mísero e solitário cagalhoto no fundo de uma caixinha.
A menina foi peremptória e disse logo "pois, só consegui isto e não foi da maneira como disse para recolher!"
A medo, perguntei: "Ah não? então como é que fez?"
A resposta, foi lançada como uma bomba: "olhe, soltei os passarinhos no quarto e cobri a mobília com papel"
A bomba estoirou e foram as minhas gargalhadas.
dai-me paciência!
A menina foi peremptória e disse logo "pois, só consegui isto e não foi da maneira como disse para recolher!"
A medo, perguntei: "Ah não? então como é que fez?"
A resposta, foi lançada como uma bomba: "olhe, soltei os passarinhos no quarto e cobri a mobília com papel"
A bomba estoirou e foram as minhas gargalhadas.
dai-me paciência!
sábado, novembro 10, 2007
Mais anilhas
Anteontem no Samouco, hoje na Peninha... não, não apanhamos mais Acrocephalus agricola nem outras coisas raras - agora era todos os dias, não? depois ficava mal habituado - mas foi uma manhã agradável, o sol a brilhar, um ou outro passarinho, as p***s das Prunellas modularis que só me apeteceu vazar-lhe os olhinhos ou pintá-los com a caneta de acetato vermelha...
Sim, porque conceitos como "castanho avermelhado-acastanhado" não me parecem propriamente objectivos e foi ver bichos etiquetados com 3 ora com olho verde-azeitona, ora com castanho-avermelhado (pelo menos para mim, que nem sequer pertenço ao clube e se calhar, a juntar à lista enciclopédica de defeitos sou daltónico e que me fez por em causa a qualidade - pelos vistos, fraca - do meu trabalho com o alicate). E novidade das novidades, eis que surgiu o critério da cor do bico, qual rosa milagrosamente caída do regaço da rainha D. Isabel, para dizer se determinado bicho tem direito a cartão jovem ou não, coisa nunca antes ouvida pelos meus ouvidos mas se o senhor Svenson diz que é, é porque é - pelo menos, quando dá jeito. Porque doutras vezes, está ao nível da revista Maria.
Antes que me comecem a chamar de rancoroso, maus-fígados, mandar tomar a vacina da raiva e outras calúnias, não me interessa ganhar nenhuma medalha no concurso euro-anilhas e provar que tenho razão, só acho que critérios como cores (particularmente da pupila, que depende de, entre outros factores, concentrações sanguíneas de hormonas sexuais) e 300 técnicas diferentes de usar uma craveira por 300 pessoas diferentes sejam assim a modos que subjectivozitos... Como dizia a outra: Whatever! Por esta altura deve estar a Prunella com olho castanho-avermelhado-cor-de-burro-quando-foge, toda contente a contar aos seus bisnetos como os senhores simpáticos a chamaram de jovem.
Depois de despejar toda a bílis, ainda houve tempo para rabiscar uns esboços no caderno de campo com o burrico "Parente", descendente de Equus africanus, a fazer de modelo. Houve, porém, uma altura em que me perdi um pouco...
quinta-feira, novembro 08, 2007
Quiz
Hoje foi dia de anilhar no Samouco e, entre coisas mais vulgares, apanhamos isto:

Eu dou uma ajuda e como estou inspirado, vai em forma de verso:
Eu dou uma ajuda e como estou inspirado, vai em forma de verso:
Eu sou agricola muito procurada
raramente observada
por alguém, duas vezes cobiçada
mas nunca anilhada
Douro Road Trip
Mais uma vez, o Guia de Campo é deixado ao abandono devido a um misto de trabalho e lazer. Contudo, aqui vai uma actualização relativa à grande expedição ornitológica à região do Douro Internacional.
No fim de semana (prolongado) passado o planalto mirandês foi o centro do mundo; para além da nossa empresa científica à região - obviamente, a actividade mais importante - houve todo o tipo de eventos: um festival de cinema, o congresso internacional da gaita de foles mirandesa e um curso com os amigos burricos. Como sempre, a Irmandade da Esteva, embora desfalcada de 2 membros (ponham-se finos que ainda perdem direito à inscrição), que foram substiuídos pelo casal de alcochetenses, foi recebida de forma exemplar e hospitaleira pelos seus amigos transmontanos.
Apesar da viagem não ter começado da melhor maneira - as longas 7 horas e tal de caminho que nos fizeram chegar às 4h30 a Atenor, o pânico de conduzir um jipe vintage cuja direcção tinha vontade própria e ter assustado o resto dos viajantes com a cara de morto-vivo algures numa estação de serviço conha, tudo se dissipou no dia seguinte.
Passeios às arribas e a possíveis locais de anilhagem, conhecer a burrica recém-nascida e os terroristas bascos e alambazar-me com as belas alheiras. À noite tive a confirmação que Portugal é mesmo um penico e que toda a gente conhece toda a gente, pois no sítio mais improvável do mundo, no restaurante "O Lagostim", quando me preparava para atacar um javali assado com tomilho, encontrei um amigo de Lisboa.
Os 2 dia seguintes foram de anilhagem. E a primeira coisa que me vem à memória é o frio! O frio que às 7h00 me congelava as orelhas e o nariz e que me anestesiava os dedos e que nem com todos os casacos e polares que levei vestidos passava. Ao longo da manhã era ver-nos a tirar roupa à medida que a temperatura aumentava até chegar a uns confortáveis 2o e tal graus. Uma espécie nova anilhada (Turdus iliacus), uma nova observada (Scolopax rusticola) e um enigma de penas que ainda hoje nos deixa a pensar em que espécie seria e que passaremos a chamar de Turdus atenorensis.
Sábado à noite ainda houve oportunidade, depois de atestarmos bem o depósito com uma jeropiga de estalo, de ir a Miranda do Douro ouvir as gaitas de foles e, pelo menos para mim, ver pela primeira vez uma actuação dos Pauliteiros de Miranda. Esta parte do programa, etnográfica, complementou o restante e tornou muito mais viva a imagem que tenho daquela região.
Domingo ainda deu tempo de ir ver umas reais e bonelis a sobrevoar as arribas, almoçar até estoirar e fazer a viagem de volta de 7 horas e meia.
Um grande bem-haja a quem nos recebeu só sendo de lamentar não ter podido ir o resto do pessoal.
domingo, outubro 28, 2007
E a viagem continua...
... e o Guia de Campo continua a papar kms e a contribuir estoicamente para encher os bolsos à Brisa (não sem chamar todo o reportório de palavrões de cada vez que passo nas portagens). Depois da ida-e-volta a Vila Nova de Gaia na sexta, nada como descer à planície alentejana no sábado.
Este fim de semana decorreu na bela localidade de Mértola um encontro técnico sobre as Trixomonas (como já ouvi alguém dizer) e as águias de boné. Como sempre, oportunidade de rever o pessoal de sempre, apesar de faltarem personagens do Clube Amigos Disney. Oportunidade de, como sempre, aprender montes de coisas, trocar ideias e vir com a cabeça a fervilhar de projectos. Conheci um colega de profissão que tem vindo a trabalhar nas Maurícias com as espécies mais fixes - sem desprimor para as nossa águia de boné - desde pombos-cor-de-rosa (Nesoenas mayeri) a periquitos-das-maurícias (Psittacula echo), passando por programas de reprodução em cativeiro espetaculares e investigações super interessantes (para cromos como nós).
Inevitavelmente, qualquer actividade profissional ou lúdica nunca estaria completa sem a componente gastronómica. Desta vez foram as empadas e pastéis de nata consumidos nos intervalos da reunião (há que fazer chegar glicose aos neurónios), as migas de espargos, a sopa de cação, o bacalhau assado e a estupenda açorda de perdiz - que, evidentemente, não foram consumidos de uma assentada mas espaçadamente ao longo destes 2 dias. A acompanhar, uns tintos da região (eram da casa, não perguntem os nomes) e a bela da mine ao fim do dia de trabalho de sábado. O jantar de sábado ainda soube melhor porque não o paguei.
Voltar ao Clube Náutico para dormir e, de manhã, ficar indeciso entre tomar duche com água "fria" ou "gelada". Isso e maravilhosas (NOT!) sandes de queijo no núcleo sportinguista foram, apesar de tudo, as partes menos boas.
A repetir. O sítio. O tema (isso vai ser já em breve). A companhia (alguma também será dentro de pouco tempo). A comida.
sexta-feira, outubro 26, 2007
Viagem relâmpago
Como sou um gajo porreiro (leia-se, não sei dizer que não) estive esta semana toda a preparar uma apresentação sobre a gripe dos pitos, a pedido de uma professora minha do mestrado. A semana toda é capaz de ser exagero... foi mais 90 % a pensar que tinha de fazê-la e 10 % a ler artigos e relatórios da OMS a um ritmo louco para depois passar algumas ideias-chave para o powerpoint.
Correu tudo bem blá blá blá mas o importante foi o tratamento VIP que tive (e leiam muito bem as próximas linhas quando me cravarem para ir falar sobre isto ou aquilo... é que agora a fasquia foi um pouco aumentada). Como os senhores da organização devem ter descoberto que não consigo estar parado um segundo, decidiram contribuir para mais uma viagem-relâmpago, neste caso, ir e vir a Vila Nova de Gaia no mesmo dia. Até aí nada de mais.
Realmente fiquei com a pulga atrás da orelha quando troquei mails nos dias anteriores com a minha "assistente logística das jornadas", que me veio felicitar pela minha "honrosa participação no encontro". Depois, recebi os bilhetes de comboio (primeira classe, claro!) por correio azul. Quando cheguei a Devesas tinha uma senhora à minha espera com uma placa com o meu nome. "senhor doutor isto", "senhor doutor fez boa viagem", carro com motorista à porta da estação. Almoço pago, garrafa de vinho do porto de 10 anos para a viagem e "muito obrigado pela excelente comunicação", palminhas e votos de boa viagem (necessariamente, de carro com motorista e comboio de primeira classe).
Tudo muito bonito e se este post ficasse por aqui de certeza que tinha já 5 comentários na próxima hora a chamar-me de caganeiroso.
Mas... como seria de esperar, os acontecimentos surreais continuam a perseguir-me, de maneira a alimentar estes relatos digitais.
Primeiro, cheguei a casa há coisa de 2 horas e ainda não percebi para quem estive a falar. Eles eram engenheiros de estradas, bombeiros, médicos e outras coisas mais. Depois, eu e os meus professores (eramos um trio que saiu e voltou a Lisboa no mesmo dia) reparámos na grande percentagem de pessoas esquizofrénicas na sala. Era o senhor amnésico, era o senhor ciborgue que ao ajustar o microfone no iníco da minha faladura ia deixando cair a mão artificial à minha frente.
Mas, sem dúvida nenhuma, a rainha do Prozac foi uma menina que brindou cada uma das nossas apresentações com participações indizíveis: primeira apresentação, do professor, interrompeu para dizer "eu estou muito feliz por aqui estar apesar de achar que sou uma cobaia"; segunda apresentação, da professora, desatou a chorar convulsivamente. Claro que o melhor ficou para o fim e, não conseguindo interromper o meu discurso porque levou logo com um "perguntas é no fim" rosnado por mim, começou a puxar longas e viscosas tiras de ranho e outras mucosidades das suas narinas enquanto recomeçava a chorar baixinho.
Que quererá isto dizer? Amanhã vou para Mértola para mais um workshop e nem quero pensar no que me espera...
quarta-feira, outubro 24, 2007
M-E-D-O!!!
Esta semana temos uma coleguinha nova lá no laboratório. Estava eu ao microscópio já com os olhos em bico de ver tanta lâmina, levantei-me para ir buscar mais uma dita na minha infindável procura por maleitas e miasmas quando entra a Mary Lou com a coleguinha nova."Olha, esta é a Cátia Vanessa [nome fictício] que vem para cá fazer a tese dela com cocó de gato. Vocês não se conhecem? Fizeram o mesmo mestrado e são colegas de profissão."
"Ah Olá! Pois... agora assim de repente não me estou a lembrar" disse eu, com um nó na cabeça e a fazer listas mentais de pessoas, qual uma slot-machine de fotografias tipo passe, a ver se me lembrava da moça.
"Ah e tal, eu sou de um ano antes do teu e ia às cenas do grupo Fone (como a tia Lucy lhe chamava)" tornou ela, só para fazer a slot-machine ainda girar mais depressa.
"Pois, não me lembro mesmo... desculpa lá!" enquanto pensava da necessidade em fazer suplementos de magnésio e ginseng para o Tico e Teco - pequeno aparte e aparente contradição: eu, que há uns tempos estive a almoçar e mantendo uma conversa fluida com uma gaja durante meia hora sem saber quem ela era, sou chamado de "freak" por saber um ou outro nome duma espécie qualquer!
"Ah deixa lá, eu conheço a tua vida toda!" foi nesse momento que comecei a ouvir a banda sonora do psycho e juro que lhe vi um volume por baixo da bata que de certeza era um picador do gelo (e não, ela não tem nada a ver com a Sharon Stone). Saí de fininho o mais depressa que pude.
sábado, outubro 20, 2007
Sábado de manhã...
Finalmente, ao fim de mais de 4 anos de quase escravidão ao início do fim de semana, qual foi a primeira coisa que acham que fiz com o primeiro fim de semana completamente livre? Dormir até ao meio-dia ou ficar a ver desenhos animados ou os maravilhosos programas televisivos de sábado à tarde, qual vegetal virado para um sol quadrado e às cores. Errado!
Naturalmente, acordei às 6h00 para ir para o Samouco, para ser devorado por hordas de mosquitos canibais (que deita por terra a minha teoria que estes monstros só se bamboleiam de noite) que, decerto contribuíram alguns vírus de West Nile e outras coisas porreiras para a minha corrente sanguínea, derreter sob um sol escaldante (alguém reparou que estamos a meio de Outubro??), passar fome de cão e andar atrás de pitos até às 3 da tarde.
Naturalmente estas foram as coisas não-muito-fixes, como diria o Leve-leve sobre o paludismo, mas a verdade é que após almoçar... digo, lanchar um polvo à lagareiro e regressar a casa num fim de tarde soalheiro depois de largar os pombos tricomónicos na Quinta, só tenho a enviar um grande bem-haja aos anfitirões deste dia e companheiros de alicate!
Iupi!
Peço desculpa pela interjeição meio infantil de alegria, mas ontem comecei o curso de ilustração científica na UAL com o super-mestre Pedro Salgado. Portanto, e dada a dose paquidérmica de estímulo, motivação e etc., 3 avisos:
- Vou andar ainda mais contente. Se o "sorriso-de-orelha-a-orelha" avança mais 1 cm que seja, descai-me o crânio para a nuca e fico a parecer-me com um boneco dos marretas;
- Vou andar com os cadernos, lapiseiras e aguarelas atrás de mim quando for para o campo (portanto, vou trabalhar menos pois vou estar em estado de contemplação criativa);
- Prevê-se nova vaga de proporções tsunâmicas daqueles desenhos lindos de dinosauros e animais alternativos de dimensões paralelas.
Em suma, mais difícil de aturar mas com muito menos mau-feitio (ou preferiam a versão anterior e inversa?)
sexta-feira, outubro 19, 2007
Pepe le Pew
Venho por este meio informar uma sub-população de leitores deste blog que há por aí um novo animal de companhia, exótico é evidente, com que se podem deparar no vosso dia-a-dia. Hoje tive um desses encontros imediatos do 3º grau com uma mofeta (Mephitis mephitis) e até lhe estive a fazer festinhas na cabeça. Soube também que há mais 9 por lares deste nosso país.

Sim, até é simpático (lembram-dos desenhos da WarnerBros?) mas qual será a nova moda seguinte? Morcegos-da-fruta (Pteropus spp.), Fanecos (Fennecus zerda), Suricatas (Suricata suricata), Tegús (Tupinambis spp.) ou kingajus (Potos flavus)? Divido-me entre o fascínio por novas espécies e o pânico de não saber lidar com elas (vão ver o que é cada um desse exemplos e depois vão perceber do que falo).
Nota para aqueles que acham que passei a manhã a tomar banho e a perfurmar-me: as famosas glândulas destes bichos já foram removidas cirurgicamente!
segunda-feira, outubro 15, 2007
Contou-me um passarinho...
... não o pombo do post anterior, que, como sabeis, não é pássaro e neste momento deve estar mais preocupado em apresentar queixa à Sociedade Protectora dos Animais por ter sido violado por uma zaragatoa.
- Mas senhor juíz, foi tudo em nome da ciência! E até humedeci cuidadosamente a ponta de algodão da zaragatoa com soro para não magoar o bicho - diria eu em minha defesa.
Mas voltando à questão inicial, veio um passarinho segredar-me ao ouvido que sou uma pessoa horrível (a sério?), um péssino profissional (Não!...), que era o ex-chefe que me resolvia os casos todos (neste momento atirei-me ao chão agarrado ao estômago a rir) and so on and so on. Já perceberam que este passarinho veio a voar dos lados de Cascais? Apesar destas acusações terem sido proferidas pela mulher esquizofrénica do chefe, já se sabe o que a casa gasta (devia gastar mais em medicação anti-psicótica).
Pessoal, ficam já a saber que sou o novo Anti-Cristo!!! Cuidado comigo!
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