
Ontem consegui escapulir-me do local de trabalho 1 hora mais cedo (o que não foi assim tão cedo) e rumar ao parque Tejo para uma noite que viria a ser memorável em termos musicais. Após deixar o carro estacionado para lá do sol posto, entrar no recinto pela via verde e finalmente encontrar a dra. Pink e a amiga (ainda não deu para inventar um nome fictício), comecei a contagem decrescente para o grande concerto. Entretanto, fica aqui a apreciação musical (e não só) do evento:
Klaxons
Estavam a tocar quando entrei no recinto e não prestei atenção nenhuma à música, embora tenha reconhecido uma canção. Foi por esta altura que decidimos ir buscar uma pizza para a janta e que a dra. Pink ia dando um valente encontrão no Miguel Ângelo, o que não seria necessariamente mau, especialmente se isso impedisse os Delfins de fazer mais discos.
The Magic Numbers
Durante o jantar de pizza, foi necessário por diversas vezes, parar de enfardar e ficar a ouvir o que se passava. Este concerto foi uma agradável surpresa e a banda londrina de 2 pares de irmãos merece uma investigação profunda. Altamente recomendável. Por esta altura encontrei, ou mais exactamente fui encontrado, por mais amigos e fui severamente censurado por alguém presente por encontrar gente conhecida em toda a parte.
Bloc Party
"Bloc party não é com k?" perguntava insistentemente um festivaleiro, ébrio e queimado, ao nosso lado. Durante a actuação da banda conseguimo-nos separar todos uns dos outros e ficámos reduzidos a um trio. A ver pelas reacções de algum pessoal, que parecia possuído por espíritos malignos, foi um grande concerto, mas eu achei as músicas todas parecidas e não puxou muito por mim. No fim da actuação, a dra. Pink teve a brilhante ideia de ir comprar pin's, ficando nós a acreditar que a íamos perder para sempre no meio dos magotes de gente, e perdeu o momento surreal da noite, sob a forma de um "triálogo", que passo a descrever:
gaja nortenha: Olha, és capaz de segurar no copo enquanto tiro os cigarros da mala?
eu: Humm... está bem (enquanto pensava se lhe bebia a imperial ou cuspia uma escarreta para dentro do copo).
gaja nortenha (sacando o telemóvel da mala): Onde estás carago?... f***-se, à frente... à frente está toda a gente carago... and so on and so on, fazendo desfilar um chorrilho de palavrões.
amiga: Então e os cigarros?
eu e amiga: gargalhadas incoercíveis.
gaja nortenha (desligando o telemóvel): Homens...
eu: Por acaso foi um homem que te segurou no copo, sem sequer cuspir lá para dentro, mas está bem...
gaja nortenha: Eu sei, obrigada. (virando-se para a amiga): mas nunca deixes de acreditar!
Entretanto, chega a dra. Pink, toda contente por ter comprado 3 pin's da Mafalda (?!), mas sem perceber do que nos estávamos a rir, explicando que nos tinha encontrado no meio da multidão por ter seguido qualquer pista no chão. Fizemos que sim e furámos um bocado mais para a frente até ficarmos num bom sítio.
Arcade Fire

Decididamente, O concerto da minha vida até ao momento, destronando momentos míticos como a versão de "
Where is my mind?" tocada pelos Placebo há uns anos no coliseu ou o derradeiro concerto de Smashing Pumpkins no Restelo. Nem a chuva, que teimava em ir caindo, nem um copo de imperial a voar e a respingar cerveja por todos os lados, conseguiram macular esta prestação da banda canadiana. As músicas criteriosamente escolhidas (só faltou mesmo "
Crown of Love"), soberbamente interpretadas por uma quase orquestra, todos os aspectos cénicos, a multidão a entoar em coro referões ou a acompanhar o solo de violino de "
Rebellion", os pormenores do tambor a voar pelo palco ou das 2 tubas a tocar de frente uma para a outra e tudo mais fizeram deste o melhor momento musical ao vivo que já presenciei.
Hoje, estou cansado, rouco, com sono mas a trautear todas as músicas da véspera.