terça-feira, agosto 14, 2007

Ser mau compensa...

Hoje precisei de ir levantar aos correios da loja do cidadão 2 cartas registadas para a empresa. Após uma longa espera entre magotes de gente, fruto de pessoas complicadas e de avózinhas a contar a história das suas vidas aos funcionários dos CTTs, quando chegou a minha vez já eu bufava de impaciência. Até porque, sendo hora de almoço, já se ouvia um eco vindo do fundo vazio do meu estômago, que mais parecia um buraco negro.

Tendo entregue as folhas para levantar as cartas, o BI e mais umas resmas de documentos que eram necessários, o empregado virou-se para mim e disse: "Ah e tal são precisas 2 assinaturas para levantar isto e o camandro. Não lhe posso entregar as cartas".

"O QUÊÊÊÊ???" Foi nesse momento que se levantou um mar de chamas atrás de mim, reviraram-se-me os olhos até se ver o branco da esclera, começaram-se a alongar os caninos, vampirescos e julgo, até, uns chifres demoníacos começaram a aflorar na minha fornte. Foi com uma voz aterradora, enquanto deixava escapar a minha língua bífida, que referi a impossibilidade da segunda assinatura e que se tratava do último dia para levantar a correspondência.

Ante tal visão do inferno e semelhante metamorfose para lá de kafkiana, o senhor, apavorado, tendo deixado uma poça de urina no assento, pediu desculpa e foi buscar as cartas.

Resultado: consegui o que queria sendo um monstro. Recomendo a prática a todos, especialmente em balcões de atendimento público. Obviamente, algumas partes desta narrativa são treta, mas digam lá se não se tornou uma história mais interessante?

Ora toma!




Your Power Bird is an Eagle



You are spiritual and able to soar to great heights.

You are a true inspiration, and many people look to you for guidance.

And you are quite demanding in relationships... but you're worth it.

People know that you will become even greater than you imagine.

Devo dizer que estes blog-tests são um vício...

R.I.P.

Gadus morhua
Nota: não fui o autor da ilustração - as minhas costumam ser bem mais estranhas, não sei se já tinham reparado. Eu sei que não é muito convenia - aliás, nada neste blog é - , mas a expressão óleo de fígado de bacalhau passa a ter outro signifcado a partir de hoje.

Pause

Este fim de semana soube bem fazer programa de gente (quase) normal, para variar. Dormir a sesta Sábado à tarde - sim, porque as manhãs de Sábado parecem estar eternamente destinadas a trabalhar - , ir beber um copo com os amigos à noite numa esplanada à beira rio, dormir até tarde Domingo, ir à praia - se bem que a água tivesse descongelado na véspera, o tempo invernal não ajudasse e a as conversas nas toalhas próximas fossem de alto nível, com as frases mais soft serem uns femininos e incisivos "foda-se ó amor..." e "ó estúpido do caralho!..." (e devo dizer que não me choca nada uma mulher proferir palavrões, mas há que fazê-lo com classe e nessa tarde, acho que aquelas interlocutoras nem a quarta classe tinham) - , comer gelados ao fim da tarde. Coisas triviais mas que já me faziam bastante falta.
Claro que hoje fui trabalhar e foi-se a magia.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Bem vinda de volta

A Irmandade da Esteva recupera um dos seus ilustres membros que andou pela Estónia, Letónia, Lituânia, Rússia e Finlândia. Bem vinda de volta Pintinhas! Aguardamos avidamente pelas fotos e pelas prendas que, certamente, nos terás comprado por essas longínquas paragens.

O problema deve ser meu...

Hoje o chefe resolveu não ir trabalhar porque, e passo a citar, "Ah e tal estou muito stressado e preciso de relaxar e o camandro". Obviamente, teve a vergonha de não mo dizer na cara e chefe é chefe e faz o que quer (principalmente, levar empresas à falência) mas ainda assim... alguém acha isto normal (pergunta retórica)??? Pelo menos, deixa-me de consciência tranquila pelos dias de "mestrado" em que hei-de ir andar a laurear a pevide. Ou quando, para a semana, precisar de ir de-stressar uns dias para a praia ou ir fazer canoagem.
Nota: obviamente, para meu mal e para sorte do gajo, ainda não tenho a distinta lata de me baldar assim à descarada. Mas já faltou muito mais...

Grandes dúvidas

O que será pior: o carro ficar sem bateria, com 40º graus à sombra, quando está estacionado em segundo fila em frente a uma garagem, com outros carros a querer sair (como aconteceu hoje a uma colega minha) OU o radiador do carro, e com ele o resto do motor, entrar em completa e irreversível fusão no meio do Alentejo à 1h da manhã e com -1º C (como já aconteceu a mim, na última viagem com o saudoso citroen)?

Moluscos Gastrópodes

Raras são as vezes que temos olhos para os pequenos pormenores que nos rodeiam e frequentemente, não nos apercebemos como a vida fervilha por todos os recantos, exibindo padrões de geometria espantosos. Já repararam no detalhe de uma concha de um simples caracol e como se encontra beleza em seres tão singelos? Agora imaginem pratadas com miríades destes pequenos e mucosos seres a fumegar, banhados num molho apurado de alho, cebola e oregãos. Muito melhor!!
Finalmente, senhoras e senhores, consegui abrir a época de caça ao belo do petisco e o resultado foi uma chacina, um genocídio de milhares de pequenos, mas deliciosos seres invertebrados, que certamente morreram felizes ao ser lentamente cozidos vivos no seu próprio muco, sabendo que momentos mais tarde iriam satisfazer a gula alarve de uma mesa muito bem composta por mim e uma excelente selecção de amigos.
Os carcóis foram intercalados com bifanas suculentas, afogadas em rios de mostarda, tirinhas de pica-pau (antes prefiro este que o críptico pico nigro dos Pirenéus) e um sortido de belos enchidos grelhados. Tudo iguarias para fazer as artérias chiarem e estalarem tal deve ser o colestrol a entrar no sistema. Mas de certeza que irão chiar de satisfação ao serem tão bem nutridas. No fundo, ninguém quer saber do colestrol e dessas merdas. Porque melhor que o petisco é toda a animação e boa disposição que o envolve.
Ainda houve tempo para ir conhecer a maison de um casal amigo, resolver todos os quebra-cabeças metálicos e finalmente conhecer personagens singulares como o sr. Vítor Cerqueira, a Lena e a Lu e o Palhaço Pimpolho... Medo! Não os queiram encontrar.
Volto assim satisfeitíssimo, quer de estômago, quer de espírito e principalmente porque acho que me livrei da leve neura dos últimos 2 dias. O que vale é que passam depressa. Deste modo, a verborreia que tem distinguido este blog pode ter continuidade, para meu e vosso deleite!

terça-feira, agosto 07, 2007

Retrato de família

Ora temos então da esquerda para a direita os seguintes antepassados :
1. A tia Lucy, Australopithecus aferensis (crânio) existente há cerca de 3-4 milhões de anos atrás, no que é hoje o Vale do Rift em África e um dos primeiros hominídeos capaz de adoptar uma verdadeira postura bípede. Consta que foi baptizada no seguimento da música "Lucy in the Sky of Diamonds", que devia estar a bombar nas rádios quando os seus restos fósseis foram desenterrados. Por sua vez, diz-se por aí que esta música foi inspirada no LSD (Lucy Sky Diamonds) e se por acaso ouvirem a música, vão concordar que é mesmo muuuuito alucinada.
2. Cynognathus, Réptil Terapsídeo Cinodonte do início do Triássico da África do Sul. Houve uma altura em que era difícil distinguir Réptil de Mamífero e o facto desta espécie e muitas outras apresentarem o corpo coberto por pelos, terem graus variáveis de metabolismo endotérmico e provavelmente amamentarem as crias com secreções de glândulas sebáceas modificadas, dificultava o trabalho.
3. Acanthostega, um dos primeiros Tetrápodes, encontrado em rochas do Devónico tardio na Gronelândia. Mais um fóssil de transição, desta vez entre Peixes e Anfíbios. Repararam que os membros têm 8 dedos e que aninda possui uma berbatana caudal?
4. Eusthenopternon, Peixe de barbatanas lobadas ou um Osteolepiforme Tristicopterídeo, também proveniente do Devónico tardio, mas do Canadá e cuja morfologia devia ser semelhante aos antepassados de Acanthostega.
5. Moi même, Homo sapiens sapiens, versão Perry Bible Fellowship comics e sem as próteses oculares para não dar um ar tão geek e exponte máximo de milhões de anos de evolução. Se quiserem, podem colar a vossa cara por cima.
6. Megazostrodon, um dos primeiros Mamíferos conhecidos, que terá vivido no final do Triássico na África austral. Apesar ser um verdadeiro mamaliforme, com as principais características que distinguem a classe, ainda apresentava uma articulação mandibular primitiva do tipo reptiliano.
7. Hylonomus, Réptil Cotylosauro e um dos mais antigos a libertar-se completamente do meio aquático para se reproduzir, tendo para isso inventado essa maravilha que é o ovo (com todas as ramificações no presente, como a Páscoa).
8. Purgatorius, um dos primeiros Primatas (ou pelo menos Primatiforme), do final do Cretácio da América do Norte e com eles, visão binocular, polegares oponíveis, unhas em vez de garras e um cérebro com potencial para se desenvolver.
9. Pikaia, dos mares do Câmbriano inferior e um dos primeiros Cordados. Possuia um notocórdio, onde se inseriam músculos segmentados e um cordão nervoso suportado, pela estrutura anterior, com uma dilatação anterior, que milhões de anos mais tarde se iria tornar no cérebro que se lembra de criar posts estranhos como este.

Eles existem mesmo!

Ainda a propósito dos pirilampos, não quis deixar de partilhar esta foto tirada nos Pirenéus, embora não muito brilhante (piadinha fácill...). Quando já na última noite reparo numas coisas verde-fluorescentes no chão ao pé da tenda, eis que me deparo com uma pirilampa (espécie desconhecida) com o rabo alçado para cima a mandar sinais claros e inequívocos aos pirilampos pretendentes de que se encontra interessada em coiso e tal. Enquanto fui procurar máquina para captar o momento, não pude deixar de pensar que é uma pena que na maioria das espécies animais em geral, numa em particular, o sexo feminino não dá sinais inequívocas de nada. Acho que era mais feliz, embora dispensasse os glúteos a brilharem no escuro. Felizmente, deitei-me pouco depois e não pensei mais nisso.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Acanthisittidae

Como se não fosse suficiente estar o dia inteiro rodeado de animais, ainda me dá na cabeça vir para aqui escrever sobre eles. E ainda por cima numa sexta-feira à noite, quando me preparo para ir roncar, graças à brilhante conjugação do facto de amanhã trabalhar e estar perfeitamente derradeado. A minha esperança, confesso, é um dia o Guia de Campo estar à altura dos lindos blogs que aparecem em Science Blogs e ser reconhecido como instotuição de reconhecida utilidade pública, graças à inesgotável sapiência do seu escriba (cof... cof...). Até lá, serão vocês a aturar-me, enquanto se questionam de onde vou eu buscar estes temas esquizóides.
A Nova Zelândia não é só aquele sítio nos nossos antípodas, onde o Senhor dos Anéis foi filmado, pleno de paisagens espantosas. Obviamente, a sua fauna é extremamente particular, ou não estaríamos aqui a falar dela (das plantas que falem outros). Infelizmente, a maioria dos seus representantes não resistiu às ondas de invasões de polinésios e, mais tarde, inglesas e todas as hordas de ratos, porcos, raposas, veados e outras bichezas que fizeram uma razia a tudo quanto era fauna autóctone. Assim, só é possível montar os ecossistemas completos do arquipélago graças aos vários fósseis e outros vestígios que chegaram aos nossos dias. E é provável que uma terra que outrora albergara seres como as maiores aves à face da terra (moas), a maior águia (Harpagornis sp.), osgas gigantes, grilos predadores, papagaios ápteros e uma colecção de outras criaturas nos reserve várias surpresas.
À primeira vista, as carriças-neozelandesas (Acanthisittidae), uma das 3 famílias de Passeriformes endémicas na ilha, passariam despercebidas ao observador casual. Pássaros insectívoros de pequenas dimensões, bico estreito e fino, cauda reduzida e plumagem inconspícua em laivos de verde e castanho. Sobreviveram até aos dias de hoje 2 espécies mas outras 2 não tiveram a mesma sorte.
A carriça-da-nova-zelândia (Acanthisitta chloris) é a ave endémica de menores dimensões das ilhas e a mais abundante das 4 espécies conhecidas. É um fraco voador, alimenta-se de insectos capturados em troncos ou na vegetação e usa esquemas de cuidados aloparentais, fornecidos por juvenis de ninhadas anteriores ou adultos, geralmente machos, para ajudar a criar as crias.
A carriça-das-rochas (Xenicus gilviventris) habita zonas rochosas alpinas e sub-alpinas na ilha do Sul, onde se alimenta de insectos. É capaz de sobreviver à neve abrigando-se em buracos no solo.
O dia da descoberta para a ciência da carriça-da-ilha-stephen (Xenicus lyalli) coincidiu com o dia em que foi dada como extinta, em 1894. Pouco se sabe sobre a biologia e hábitos desta espécie, já que apenas foram observados 2 indivíduos em vida, mas pensa-se que tenha sido o equivalente ecológico dos pequenos roedores. Tinha a particularidade de ser o único passeriforme incapaz de voar.
As 3 subespécies da carriça-do-mato (Xenicus longipes), que habitavam a ilha do Norte, ilha do Sul e ilha Stewart desapareceram, respectivamente, em 1955, 1968 e 1964, não resistindo à pressão exercida pelos ratos e ratazanas introduzidos. A introdução acidental de roedores na ilha Stewart na década de 60 foi um dos piores desastres ecológicos de que há memória, embora pouco conhecido, tendo levado à extinção de várias espécies de Aves e de um morcego, todos endémicos.


Desde a sua descoberta, que se sabia serem Passeriformes basais e após as análises moleculares de Sibley e Monroe chegou-se à conclusão que esta família estava na base da radiação da Ordem. Eis então o que se pensa ter passado: por volta de uns 85 milhões de anos atrás, quando a Nova Zelândia se separou do resto de Gondwana arrastou consigo, entre outros, os antepassados das carriças-neozelandesas. Os outros 2 grandes de Passeriformes, Sub-oscines e Oscines só se terão separado mais tarde, tendo a sua origem no Hemisfério Sul e provavelmente tendo de competir com os Enanthiornithes, provenientes do Hemisfério Norte.

Talvez alguns dos ilustres doutores da biologia que por aqui passam possam contribuir com algum do seu conhecimento para elucidar sobre os mistérios desta família. Outro mistério é porque é que me lembro de escrever posts destes?

quinta-feira, agosto 02, 2007

2º grande passatempo Guia de Campo

Iupi! Devem estar vocês a gritar em coro, enquanto dão saltinhos pela sala. Mais um concurso completamente geek! Quem é amigo? Vão então a correr chamar os vossos amigos geeks e tentar acertar o quizz. É que já reparei que quando cheira a passatempos e ao ténue vislumbre de prémios vem logo toda a gente a correr aqui ao estaminé (da outra vez, bateu-se o pico de comentários e estou a precisar de insuflar um bocadinho o ego). Obviamente o prémio para o vencedor é segredo. Para não estragar a surpresa, claro! Então isto é muito simples: só têm de adivinhar a espécie (nome científico obrigatório) a que corresponde cada fotografia herpetológica do paleártico ocidental:
Foto #1

Foto #2

Foto #3

Foto #4

Foto #5

Foto #6

Foto #7

Foto #8

Boa sorte! Só ganha quem acertar TODAS as fotos de uma só vez.

iscas de cebolada

Após ter diagnosticado uma peritonite biliar, ver vesículas a literalmente explodir e bílis a esguichar até ao teto da sala, nunca mais acuso alguém de ter MAUS FÍGADOS!
P.S.: para quem conhece a história, o paciente está óptimo. Modéstia à parte, pode agradecer aqui ao je...

quarta-feira, agosto 01, 2007

Conholândia Road Trip

Finalmente podem dormir descansados e parar de roer as unhas de ansiedade pois após uns dias de ausência para férias pelo Norte de Espanha, o Guia de Campo está de volta, cheio de cromos novos. Como reparei que nestas últimas semanas a blogosfera está repleta de relatos de férias, deixo aqui a minha contribuição, até porque seria conveniente ficarem a conhecer a minha versão (obviamente, a verdadeira) de alguns acontecimentos antes que algumas vozes caluniosas apareçam aí a dizer mentiras ou meias-verdades. Eis então o que se passou:
Dia 1
Marquei presença no casamento do sr engº e da sua Maria, só tendo a lamentar ter saído tão cedo. Fui um tenrinho e durante o dia inteiro só bebi uma amêndoa amarga. Pelo contrário, a minha mesa, que reuniu os convidados mais ilustres, foi a que se portou pior, com o chavascal feito só comparável à diversão reinante. Ao fim do dia lá fui ter com o Sócio e a Maria Amélia, pegámos na Brigite (ou BB, para os amigos) e rumámos ao Porto.
Dia 2
Fazer o trajecto Porto-Somiedo. Chegar a uma bela paisagem montanhosa e encontrar postos de turismo, delegações do parque, associações dos ursos (e ursas ;-)) abertos a um Domingo à tarde (!), para fazer um bocadinho de contraste com o funcionamento dessas coisas do lado de cá da fronteira. Grande momento de ausência no restaurante Urogalo, onde a empregada que nos atendeu, momentos antes estava a tirar macacos do nariz com o dedame. Voltar a acampar foi bom, embora dispensasse a chuva que teimou em cair toda a noite.

Dia 3
Voltas de carro por alguns trajectos do parque. Frio. Vento. Polares vestidos em Julho. Percurso a pé numa zona ocidental de Somiedo para ver as primeiras camurças e alguns veados. Ursos, só mesmo os que iam comigo (esta e outras piadas foram levadas até à exaustão). Jantar noutro restaurante, substituindo os macacos da véspera por um pudim de queijo excelente. Voltar ao parque e descobrir que uns tugas tinham estacionado o carro quase em cima da nossa tenda. O facto do resto do parque estar praticamente vazio foi um pouco desconcertante...

Dia 4
Grande percurso a pé para ir ver um maravilhoso lago natural (NOT!) e andar por carreiros inimagináveis com 5 cm de largura, ora bloqueados por vacas, ora cobertos por plantas carnívoras e espinhosas, ora à beira de precipícios. Mas bem fixe! Menos fixe foi ter descoberto a resposta à seguinte equação:

hiperuricémia + desidratação + não tomar alopurinol = gota!

O meu ácido úrico já é internacional! Durante uns dias andei a fazer de saci pelas montanhas a sofrer agruras, não tanto pelo incómodo do pé, já que me atolei em anti-inflamatórios, mas pelo gozar constante dos 2 ursos que vinham comigo. Fui acusado de explosões de mau feitio e frases proferidas por mim foram distorcidas até à exaustão. Já ganhei o meu lugarzinho no céu...

Dia 5
Viagem de carro de Somiedo para os Pirenéus. Já começa a fazer um calorzinho e o parque de campismo de Gavin é excelente.

Dia 6
Ainda a arrastar-me, lá fazemos uns percursos em Bujaruelo para deleite da minha parte herpetológica, dada a quantidade de espécies novas. Enquanto fotografávamos um Calotriton asper e uns girinos de Rana pyrenaica, passou uma coña por nós a rosnar "No se los puede cojer. Es por eso que ya no los hay" ou qualquer coisa do género. O facto de dizer isto ao filho enquanto este dava pauladas aos girinos não fez muito sentido. Puta! Por esta altura já estamos todos viciados em coca-cola. Paragem à tarde frente a um penhasco impressionante sobrevoado por alguns quebra-ossos. O facto de não termos encontrado a estrada para esse percurso terá sido devido ao facto de o mapa do sócio ter uns 15 anos??? Regressar ao parque para o primeiro mergulho na piscina.

Dia 7
Por esta altura as doses mastodônticas de drogas permitem-me andar apesar de o estômago se começar a ressentir. Mas tinha de ser pois íamos para Ordesa. Rumar vale acima até Cola del Caballo, ver marmotas e alguns pitos novos. O Sócio bem chamava pelo Pico nigro mas nada, apesar de a Maria Amélia ter visto uns espécimes semelhantes. Fazer a viagem de volta na camioneta com a família mais disfuncional que já vi.

Dia 8
Regresso a Portugal, com direito a paragem no Douro. Passear pelas arribas com a Maria Amélia mais Maria Amélia que nunca, a queixar-se dos riscos na pintura da BB e o camandro. Rever amigos e burros, jantar excelente, café excelentíssimo para esquecer a aguadilha que nos servem em Espanha, assistir ao reencontro do Batman com o Robin. O resto da noite foi meio surreal, dado o sono, mas lembro-me de ter andado por uma quinta com mais burros, cães e gatos, dar boleia a uma mula e de ter parado no Macdrive dos abutres (cenário dantesco).

Dia 9
Despedidas e regresso a Lisboa, passando por incêncios e temperaturas de 43º C. Acabaram-se as férias. Mais só em Setembro!
Em resumo, espécies novas (observações de jeito e confirmadas):
Calotriton asper
Alytes obstetricans
Iberolacerta monticola cantabrica
Iberolacerta bonnali
Podarcis muralis
Podarcis hispanica
Certhia familiaris
Parus palustris
Serinus citrinella
Rupicapra rupicapra
Marmota marmota

sábado, julho 21, 2007

Vou de FÉRIAS!!!!!!

Para aqui. Diz que é bonito.
Somiedo

quinta-feira, julho 19, 2007

Sushi

Ontem decorreu mais um jantar de (quase) mestres, desta vez num restaurante japonês, para um estudo em que seremos as próprias cobaias sobre a anisakíase (Anisakis ao lado... ou pensavam que era algum prato de massa?). Entre sushi, sahimi, tempura, raviolis grelhados, gelado de feijão e um chá que sabia a serradura, conversou-se até altas horas, só lamentando a ausência de algumas pessoas.
Se entretanto, aparecerem com algum destes sintomas: dor abdominal, vómitos, quadros de obstrução intestinal ou reacções alérgicas (causadas por hipersensibilidade aos antigénios das larvas), que podem ir desde a urticária, angioedema ou artralgias, lembrem-se deste post e pensem em tomar Albendazol. É verdade que na maioria dos casos estas lombrigas não se conseguem adaptar ao nosso organismo, mas também basta uma para causar chatices e ficarem com os olhos em bico.
Resto de boa semana... se conseguirem!

Os 5 segredos das Tartarugas Ninja

A pedido de um novo (e espero que futuramente assíduo) leitor, hoje apetece-me falar de tartarugas (lá chegaremos às ninjas) e de alguns dos seus super-poderes. Até pode parecer que não se tem passado nada digno de nota mas o relato da noite de ontem demonstra o contrário e como vou de FÉRIAS para a semana, deixo-vos um último texto assim a atirar para o pseudo-científico-intelectualóide para ficarem cheios de saudades da minha escrita.

Bom, só para situar um pouco... as tartarugas são Répteis (Ordem Chelonia ou Testudines) e a sua característica mais distintiva é a sua carapaça (a carapaça propriamente dita e o plastron) formada por placas ósseas cobertas de pele e suportadas pelas costelas. Existem cerca de 307 espécies, distribuídas por várias famílias e por todos os continentes (excepto a Antártida), em habitats terrestres, dulçaquícolas e marinhos. Podem encontrar mais informação aqui. Apesar de serem animais bastante familiares para o públigo em geral, graças a disparates como a tartaruga touché e coisas afins, desvendo aqui alguns dos seus segredos, que me foram confiados pela super-tartaruga-ninja durante um período de estágio nos esgotos de Nova Iorque:

O primeiro fóssil de uma tartaruga, Proganochelys, provém do final do Triássico (há 200 milhões e tal de anos atrás), quando começavam a surgir os primeiros Dinossáurios e primeiros Mamíferos, de regiões que são hoje a Europa Central e Sudeste asiático. Apesar desta antiga ancestralidade, Proganochelys possui praticamente todas as características morfológicas da Ordem, sugerindo que esta terá divergido dos restantes Répteis bastante mais cedo. Por essa altura as tartarugas já se encontravam separadas em 2 grandes grupos, Cryptodira e Pleurodira, que se distinguiam então pelo modo como a bacia se articula com a carapaça. Só mais tarde é que cada um desses grupos desenvolveu os diferentes mecanismos de recolher o pescoço no interior da carapaça, principal característica que os separa actualmente (os Cryptodira recolhem o pescoço ventro-dorsalmente enquanto que os Pleurodira lateralmente). Os quelónios fazem parte de um grupo de Répteis designado Anapsida, que não possui aberturas pós-orbitais no crânio e que não tem mais nenhum representante actual. Ainda é um mistério qual o grupo antepassado das tartarugas; foram avançadas diversas hipóteses de ancestrais, incluindo Pareiasaurios, Placodontes, Procolofonídeos ou Captorrinídeos, mas nenhuma ganhou concenso entre as pessoas que ligam a estas coisas.

Os Placodontes, um dos supostos antepassados ou parentes dos Quelónios, são exemplo de uma evolução mais ou menos convergente com as tartarugas. Estes Répteis aquáticos surgiram no início do Triássico, tendo desaparecido no final desse período e ao longo da sua curta história no planeta mostraram uma tendência para desenvolver uma carapaça dorsal a partir de placas ósseas. Na verdade, 2 famílias deste grupo, Placochelydae e Henodontidae (Henodus ao lado), mostram grandes semelhanças superficiais com as tartarugas. Actualmente pensa-se que os Placodontes, especialmente as formas mais tardias como Henodus, Placochelys e Psephoderma, mais do que constituirem uma segunda onda de répteis tartarugóides, seriam a resposta evolutiva dos Répteis às raias que se alimentam de organismos bênticos.

Uma espécie actual, Platysternon megalocephalum, do Sudeste asiático, surpreende pela sua agilidade e capacidade de trepar às árvores (ou pensavam que as tartarugas ficam assim feitas monas no fundo dos lagos?), graças aos seus membros desenvolvidos, à cabeça de grandes dimensões, que desloca o centro de gravidade do corpo para a frente, e pela cauda, longa e robusta, capaz de suportar a tartaruga quando esta trepa pelos troncos acima.

A apropriadamente baptizada tartaruga-panqueca (Malacochersus tornieri), da África Equatorial, contraria a ideia de que as tartarugas terrestres (Testudinidae) têm carapaças altas e abobadas e que são animais lentos. Esta espécie vive em habitats rochosos e a sua carapaça espalmada e fracamente mineralizada (e portanto, bastante flexível) permite-lhe enfiar-se em fendas estreitas nas rochas, mais ou menos encaixando entre as 2 superfícies; mais, ao firmar as patas contra as rochas, que possuem unhas e escamas robustas, são praticamente impossíveis de retirar. Para além disso, deslocam-se extremamente depressa, ultrapassando facilmente um ser humano em terreno horizontal. No habitat natural, utilizam essa agilidade para se esconderem rapidamente.

Uma família de Cryptodira, que terá evoluído no que era a então Gondwana (super-continente composto pela América do Sul, Antártida e Austrália) no final do Cretácio, chamada Meiolaniidae, terá subsistido na Austrália e Indo-pacífico até há bem pouco tempo (2000 anos atrás), contrariando um pouco a ideia de que a fauna de tartarugas australianas actuais é apenas composta por Pleurodira. Os membros desta família eram herbívoros, terrestres, atingiam grandes dimensões e a carapaça, cabeça e cauda eram adornadas por nódulos e espinhos, provavelmente usados como defesa contra os predadores malignos que habitavam o continente australiano nessa altura. O género Meiolania (esqueleto à esquerda), com 2,5 m de comprimento, é dos mais bem conhecidos, tendo aparecido no Oligoceno e sobrevivido na ilha de Lord Howe até há bem pouco tempo. Curiosamente, várias espécies colonizaram ilhas do Pacífico Sul, chegando até às ilhas Fiji e comprovando que as grandes tartarugas terrestres são bons colonizadores insulares, tal como já se tinha verificado nas ilhas Galápagos, Canárias (exemplares sub-fósseis) e ilhas do Índico (Seycheles e Mascarenhas). Uma espécie fóssil, Ninjemys owenii, do Pleistoceno da Austrália era a verdadeira tartaruga-ninja, com longos espinhos transversais na cabeça. Afinal há ou não há tartarugas ninja??
Muito mais se podia dizer sobre as capacidades paranormais de algumas tartarugas marinhas conseguirem comer esponjas, de algumas espécies conseguirem (por exemplo, Lissemys punctata) efectuar trocas gasosas através da pele e cloaca, conseguindo permanecer submersas durante horas, de as tartarugas-das-galápagos (Geochelone elephantopus) atingirem a provecta idade de 150 anos e por aí fora mas fiquem-se com a tartaruga ninja!


crânio de Ninjemys owenii

quarta-feira, julho 18, 2007

Zero a comportamento

"É docinho" comentou a Maria Amélia, quando chupava o pauzinho. Obviamente, que esta situação está descontextualizada, mas era só para atrair a atenção e a ver se tenho mais alguns comentários a este post. Na verdade, que comentários fazer ao comportamento de uma certa mesa ontem à noite no Tuareg de Telheiras? Desde gozar descaradamente com a empregada (que devia ser a primeira noite de trabalho, mas que também não devia nada à inteligência "Duh..."), a guerras de almofadas, empurrões, rasteiras, conversas badalhocas elevadas à nona potência, sessões de strip forçado (só os sapatos) no chão do bar, atirar peças de roupa ás árvores, etc., etc. É que nem a presença de ilustres desaparecidos como a workaholic Vanda...ou Bânia? ou a presença do Batman que veio em missão de salvamento a uma boneli, fizeram com que o comportamento do grupo fosse minimamente aceitável.
Para agravar ainda mais, a média de idades dos clientes no bar rondava os 17,4 anos e portavam-se impecavelmente. MONOS! Só mesmo nós, cotas com quase 30, é que nos sabemos divertir!

segunda-feira, julho 16, 2007

5 coisas que desconhecia sobre pirilampos


Quem pensava que ia falar do pirilampo mágico, aqueles bonecos que mais parecem bolas de cotão estrábicas, desengana-se; hoje apetece-me é mesmo escrever sobre pirilampos, que na verdade são Insectos (Ordem Coleoptara, Família Lampyridae). No fim de contas, este blog chama-se Guia de Campo e não Guia da Solidariedade. Também espero que no fim, achem estes pirilampos (os verdadeiros) bem mais interessantes e mágicos que os outros.
No outro dia, a falar com o Xefe fiquei a saber que houve há bem pouco tempo em Portugal uma Convenção internacional sobre os pirilampos (!) e que reuniu lá para os lados do Porto cerca de 50 profissionais (!!), entre biólogos, bioquímicos e etólogos, que se dedicam única e exclusivamente ao estudo dos diferentes aspectos da vida destes bichos. Como eu achava que os pirilampos eram basicamente uma meia dúzia de espécies de insectos que iluminava as árvores durante as noites de Verão na terra da minha avó, fiquei surpreendido com o conhecimento que existe sobre eles. Como por esta hora já deito toxoplasmas e projectos pelos olhos, resolvi fazer uma pausa, mudar de tema e partilhar o pouco que fiquei a saber sobre estes bichos. Afinal, até é um post bonzinho, sobre partilha (escusam de agracecer).
  1. Afinal existem um pouco mais de meia dúzia de espécies; ao todo, há cerca de 2000 espécies de pirilampos espalhados por esse mundo fora. Os adultos possuem orgãos luminescentes na parte posterior do abdómen, mas não possuem o exclusivo da luz; há espécies cujas larvas e mesmo os ovos são bioluminescentes. Também a família em que estão incluídos (Lampyridae) não detém esse exclusivo, já que outras famílias de Coleópteros (Elateridae, Phengodidae) também são capazes de produzir luz. A bioluminescência também foi desenvolvida por outros grupos animais (várias famílias de Peixes Teleósteos, Anelídeos, Cefalópodes e outros) e através de diferentes processos biológicos.
  2. A bioluminscência nos pirilampos adultos tem 2 finalidades principais: A primeira, mais conhecida, é utilizada como forma de comunicação intra-específica entre machos e fêmeas, durante o período de acasalamento. Os machos tendem a emitir padrões típicos de luz, geralmente de locais altos ou em vôo, que as fêmeas respondem, geralmente do solo, com outro padrão característico. Pensa-se que a bioluminescência tenha evoluído inicialmente nas larvas, para afastarem potenciais predadores. Contudo, esta capacidade é utilizada com outros fins, bem menos simpáticos que a procura do parceiro para dar umas pinadas e propagar a espécie. As fêmeas de algumas espécies simulam os padrões de luz de outras espécies de pirilampos de modo a atrairem os machos, que acabam por ser devorados (as putas!). Outras espécies também fazem o mesmo tipo de simulação para atrair pirilampos e apropriarem-se de substâncias repelentes de predadores que estas contém.
  3. O processo bioquímico (nem acredito que estou a escrever esta palavra) da bioluminescência ocorre em células especializadas (fotócitos) e assenta na presença, numa primeira fase, de uma enzima, Luciferase e de ATP, que juntas produzem Pirofosfato e Luciferil-adenilato-luciferase; este último, quando em presença de Oxigénio, produz Oxiluciferina, Luciferase, AMP e Luz! o controlo da produção de luz, de modo a serem produzidos os padrões característicos de cada espécie, são controlados por um sistema de enervação própria do abdómen e pela inibição do consumo de oxigénio nas mitocôndrias, sistema complexo controlado por Óxido Nítrico (que entre outras coisas, também serve para manter a nossa pressão sanguínea, eliminar bactérias fagocitadas no interior de macrófagos e é um dos principais factores no controlo da erecção do pénis- sim, o Viagra mexe no sistema de Óxido Nítrico).
  4. O processo de bioluminescência é extremamente rentável, sendo produzida virtualmente 100 % de luz com esta reacção química, ao contrário de uma lâmpada incandescente, em que são produzidos 10 % de luz e 90 % de calor.
  5. Para variar, as populações de pirilampos estão em fase de regressão, que pelo uso de pesticidas que têm um efeito letal directo, quer pela perda de habitat adequado, quer pela "poluição luminosa" criada pelo Homem, que interfere na comunicação entre os animais. O que é uma pena, pois algumas moléculas que participam no ciclo de produção de luz têm potencial para serem utilizadas no tratamento de alguns tipos de cancro.

Alguma asneira ou correcção?

domingo, julho 15, 2007

Noite normal

Ontem foi noite de rambóia. De vez em quando, desço à terra e deixo as andorinhas de louça e as sardaniscas lá no seu sítio e consigo fazer programas de gente normal. A verdade é que gosto muito das faroladas e saídas vertente-fauna, mas também não prescindo de uma noite de copos. Só é pena que as 2 coisas não sejam exactamente conjugáveis. Mas adiante...
Então para comemorar o aniversário de um colega encheu-se o restaurante. O sr. Reis, atrás do balcão, já estava completamente alcoolizado ainda nem eram 20h30. Oportunidade de rever amigos, muitos dos quais já não punha os olhos em cima há anos. Uns juntos, outros separados, uns com filhos, outras grávidas, ex-namoradas, pessoas que não se falam bem. Tudo bem regado. A comida estava boa. Diz que havia lombo de porco e bacalhau (batatas) com natas. Havia também uns quadros assustadores com retratos da mulher barbuda do circo. Música ao vivo versão feira popular mas ainda mais surreal. À saída a percepção da realidade já estava meio distorcida e andou-se a flutuar pelas ruas do Bairro Alto, apinhadas de gente, só que não faziam qualquer diferença. Tal como o andar, a conversa correu fluida, só acho que ninguém se lembra exactamente sobre quê. O que me lembro foi de uma noite muito bem passada.