segunda-feira, novembro 12, 2007

What the fuck??!!

Alguns de vocês devem certamente lembrar-se daquela história da menina da zaragatoa, dos passarinhos e das fraldinhas. Pois bem, finalmente hoje chegou algo para amostra. Seria de pensar que ao fim de umas 3 semanas de espera viesse um carregamento de 5 quilos de caca mas não... um mísero e solitário cagalhoto no fundo de uma caixinha.

A menina foi peremptória e disse logo "pois, só consegui isto e não foi da maneira como disse para recolher!"

A medo, perguntei: "Ah não? então como é que fez?"

A resposta, foi lançada como uma bomba: "olhe, soltei os passarinhos no quarto e cobri a mobília com papel"

A bomba estoirou e foram as minhas gargalhadas.

dai-me paciência!

sábado, novembro 10, 2007

Mais anilhas

Anteontem no Samouco, hoje na Peninha... não, não apanhamos mais Acrocephalus agricola nem outras coisas raras - agora era todos os dias, não? depois ficava mal habituado - mas foi uma manhã agradável, o sol a brilhar, um ou outro passarinho, as p***s das Prunellas modularis que só me apeteceu vazar-lhe os olhinhos ou pintá-los com a caneta de acetato vermelha...
Sim, porque conceitos como "castanho avermelhado-acastanhado" não me parecem propriamente objectivos e foi ver bichos etiquetados com 3 ora com olho verde-azeitona, ora com castanho-avermelhado (pelo menos para mim, que nem sequer pertenço ao clube e se calhar, a juntar à lista enciclopédica de defeitos sou daltónico e que me fez por em causa a qualidade - pelos vistos, fraca - do meu trabalho com o alicate). E novidade das novidades, eis que surgiu o critério da cor do bico, qual rosa milagrosamente caída do regaço da rainha D. Isabel, para dizer se determinado bicho tem direito a cartão jovem ou não, coisa nunca antes ouvida pelos meus ouvidos mas se o senhor Svenson diz que é, é porque é - pelo menos, quando dá jeito. Porque doutras vezes, está ao nível da revista Maria.
Antes que me comecem a chamar de rancoroso, maus-fígados, mandar tomar a vacina da raiva e outras calúnias, não me interessa ganhar nenhuma medalha no concurso euro-anilhas e provar que tenho razão, só acho que critérios como cores (particularmente da pupila, que depende de, entre outros factores, concentrações sanguíneas de hormonas sexuais) e 300 técnicas diferentes de usar uma craveira por 300 pessoas diferentes sejam assim a modos que subjectivozitos... Como dizia a outra: Whatever! Por esta altura deve estar a Prunella com olho castanho-avermelhado-cor-de-burro-quando-foge, toda contente a contar aos seus bisnetos como os senhores simpáticos a chamaram de jovem.
Depois de despejar toda a bílis, ainda houve tempo para rabiscar uns esboços no caderno de campo com o burrico "Parente", descendente de Equus africanus, a fazer de modelo. Houve, porém, uma altura em que me perdi um pouco...

quinta-feira, novembro 08, 2007

Quiz

Hoje foi dia de anilhar no Samouco e, entre coisas mais vulgares, apanhamos isto:


Eu dou uma ajuda e como estou inspirado, vai em forma de verso:

Eu sou agricola muito procurada
raramente observada
por alguém, duas vezes cobiçada
mas nunca anilhada

Douro Road Trip

Mais uma vez, o Guia de Campo é deixado ao abandono devido a um misto de trabalho e lazer. Contudo, aqui vai uma actualização relativa à grande expedição ornitológica à região do Douro Internacional.
No fim de semana (prolongado) passado o planalto mirandês foi o centro do mundo; para além da nossa empresa científica à região - obviamente, a actividade mais importante - houve todo o tipo de eventos: um festival de cinema, o congresso internacional da gaita de foles mirandesa e um curso com os amigos burricos. Como sempre, a Irmandade da Esteva, embora desfalcada de 2 membros (ponham-se finos que ainda perdem direito à inscrição), que foram substiuídos pelo casal de alcochetenses, foi recebida de forma exemplar e hospitaleira pelos seus amigos transmontanos.
Apesar da viagem não ter começado da melhor maneira - as longas 7 horas e tal de caminho que nos fizeram chegar às 4h30 a Atenor, o pânico de conduzir um jipe vintage cuja direcção tinha vontade própria e ter assustado o resto dos viajantes com a cara de morto-vivo algures numa estação de serviço conha, tudo se dissipou no dia seguinte.
Passeios às arribas e a possíveis locais de anilhagem, conhecer a burrica recém-nascida e os terroristas bascos e alambazar-me com as belas alheiras. À noite tive a confirmação que Portugal é mesmo um penico e que toda a gente conhece toda a gente, pois no sítio mais improvável do mundo, no restaurante "O Lagostim", quando me preparava para atacar um javali assado com tomilho, encontrei um amigo de Lisboa.
Os 2 dia seguintes foram de anilhagem. E a primeira coisa que me vem à memória é o frio! O frio que às 7h00 me congelava as orelhas e o nariz e que me anestesiava os dedos e que nem com todos os casacos e polares que levei vestidos passava. Ao longo da manhã era ver-nos a tirar roupa à medida que a temperatura aumentava até chegar a uns confortáveis 2o e tal graus. Uma espécie nova anilhada (Turdus iliacus), uma nova observada (Scolopax rusticola) e um enigma de penas que ainda hoje nos deixa a pensar em que espécie seria e que passaremos a chamar de Turdus atenorensis.
Sábado à noite ainda houve oportunidade, depois de atestarmos bem o depósito com uma jeropiga de estalo, de ir a Miranda do Douro ouvir as gaitas de foles e, pelo menos para mim, ver pela primeira vez uma actuação dos Pauliteiros de Miranda. Esta parte do programa, etnográfica, complementou o restante e tornou muito mais viva a imagem que tenho daquela região.
Domingo ainda deu tempo de ir ver umas reais e bonelis a sobrevoar as arribas, almoçar até estoirar e fazer a viagem de volta de 7 horas e meia.
Um grande bem-haja a quem nos recebeu só sendo de lamentar não ter podido ir o resto do pessoal.

domingo, outubro 28, 2007

E a viagem continua...

... e o Guia de Campo continua a papar kms e a contribuir estoicamente para encher os bolsos à Brisa (não sem chamar todo o reportório de palavrões de cada vez que passo nas portagens). Depois da ida-e-volta a Vila Nova de Gaia na sexta, nada como descer à planície alentejana no sábado.
Este fim de semana decorreu na bela localidade de Mértola um encontro técnico sobre as Trixomonas (como já ouvi alguém dizer) e as águias de boné. Como sempre, oportunidade de rever o pessoal de sempre, apesar de faltarem personagens do Clube Amigos Disney. Oportunidade de, como sempre, aprender montes de coisas, trocar ideias e vir com a cabeça a fervilhar de projectos. Conheci um colega de profissão que tem vindo a trabalhar nas Maurícias com as espécies mais fixes - sem desprimor para as nossa águia de boné - desde pombos-cor-de-rosa (Nesoenas mayeri) a periquitos-das-maurícias (Psittacula echo), passando por programas de reprodução em cativeiro espetaculares e investigações super interessantes (para cromos como nós).
Inevitavelmente, qualquer actividade profissional ou lúdica nunca estaria completa sem a componente gastronómica. Desta vez foram as empadas e pastéis de nata consumidos nos intervalos da reunião (há que fazer chegar glicose aos neurónios), as migas de espargos, a sopa de cação, o bacalhau assado e a estupenda açorda de perdiz - que, evidentemente, não foram consumidos de uma assentada mas espaçadamente ao longo destes 2 dias. A acompanhar, uns tintos da região (eram da casa, não perguntem os nomes) e a bela da mine ao fim do dia de trabalho de sábado. O jantar de sábado ainda soube melhor porque não o paguei.
Voltar ao Clube Náutico para dormir e, de manhã, ficar indeciso entre tomar duche com água "fria" ou "gelada". Isso e maravilhosas (NOT!) sandes de queijo no núcleo sportinguista foram, apesar de tudo, as partes menos boas.
A repetir. O sítio. O tema (isso vai ser já em breve). A companhia (alguma também será dentro de pouco tempo). A comida.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Viagem relâmpago

Como sou um gajo porreiro (leia-se, não sei dizer que não) estive esta semana toda a preparar uma apresentação sobre a gripe dos pitos, a pedido de uma professora minha do mestrado. A semana toda é capaz de ser exagero... foi mais 90 % a pensar que tinha de fazê-la e 10 % a ler artigos e relatórios da OMS a um ritmo louco para depois passar algumas ideias-chave para o powerpoint.
Correu tudo bem blá blá blá mas o importante foi o tratamento VIP que tive (e leiam muito bem as próximas linhas quando me cravarem para ir falar sobre isto ou aquilo... é que agora a fasquia foi um pouco aumentada). Como os senhores da organização devem ter descoberto que não consigo estar parado um segundo, decidiram contribuir para mais uma viagem-relâmpago, neste caso, ir e vir a Vila Nova de Gaia no mesmo dia. Até aí nada de mais.
Realmente fiquei com a pulga atrás da orelha quando troquei mails nos dias anteriores com a minha "assistente logística das jornadas", que me veio felicitar pela minha "honrosa participação no encontro". Depois, recebi os bilhetes de comboio (primeira classe, claro!) por correio azul. Quando cheguei a Devesas tinha uma senhora à minha espera com uma placa com o meu nome. "senhor doutor isto", "senhor doutor fez boa viagem", carro com motorista à porta da estação. Almoço pago, garrafa de vinho do porto de 10 anos para a viagem e "muito obrigado pela excelente comunicação", palminhas e votos de boa viagem (necessariamente, de carro com motorista e comboio de primeira classe).
Tudo muito bonito e se este post ficasse por aqui de certeza que tinha já 5 comentários na próxima hora a chamar-me de caganeiroso.
Mas... como seria de esperar, os acontecimentos surreais continuam a perseguir-me, de maneira a alimentar estes relatos digitais.
Primeiro, cheguei a casa há coisa de 2 horas e ainda não percebi para quem estive a falar. Eles eram engenheiros de estradas, bombeiros, médicos e outras coisas mais. Depois, eu e os meus professores (eramos um trio que saiu e voltou a Lisboa no mesmo dia) reparámos na grande percentagem de pessoas esquizofrénicas na sala. Era o senhor amnésico, era o senhor ciborgue que ao ajustar o microfone no iníco da minha faladura ia deixando cair a mão artificial à minha frente.
Mas, sem dúvida nenhuma, a rainha do Prozac foi uma menina que brindou cada uma das nossas apresentações com participações indizíveis: primeira apresentação, do professor, interrompeu para dizer "eu estou muito feliz por aqui estar apesar de achar que sou uma cobaia"; segunda apresentação, da professora, desatou a chorar convulsivamente. Claro que o melhor ficou para o fim e, não conseguindo interromper o meu discurso porque levou logo com um "perguntas é no fim" rosnado por mim, começou a puxar longas e viscosas tiras de ranho e outras mucosidades das suas narinas enquanto recomeçava a chorar baixinho.
Que quererá isto dizer? Amanhã vou para Mértola para mais um workshop e nem quero pensar no que me espera...

quarta-feira, outubro 24, 2007

M-E-D-O!!!

Esta semana temos uma coleguinha nova lá no laboratório. Estava eu ao microscópio já com os olhos em bico de ver tanta lâmina, levantei-me para ir buscar mais uma dita na minha infindável procura por maleitas e miasmas quando entra a Mary Lou com a coleguinha nova.
"Olha, esta é a Cátia Vanessa [nome fictício] que vem para cá fazer a tese dela com cocó de gato. Vocês não se conhecem? Fizeram o mesmo mestrado e são colegas de profissão."
"Ah Olá! Pois... agora assim de repente não me estou a lembrar" disse eu, com um nó na cabeça e a fazer listas mentais de pessoas, qual uma slot-machine de fotografias tipo passe, a ver se me lembrava da moça.
"Ah e tal, eu sou de um ano antes do teu e ia às cenas do grupo Fone (como a tia Lucy lhe chamava)" tornou ela, só para fazer a slot-machine ainda girar mais depressa.
"Pois, não me lembro mesmo... desculpa lá!" enquanto pensava da necessidade em fazer suplementos de magnésio e ginseng para o Tico e Teco - pequeno aparte e aparente contradição: eu, que há uns tempos estive a almoçar e mantendo uma conversa fluida com uma gaja durante meia hora sem saber quem ela era, sou chamado de "freak" por saber um ou outro nome duma espécie qualquer!
"Ah deixa lá, eu conheço a tua vida toda!" foi nesse momento que comecei a ouvir a banda sonora do psycho e juro que lhe vi um volume por baixo da bata que de certeza era um picador do gelo (e não, ela não tem nada a ver com a Sharon Stone). Saí de fininho o mais depressa que pude.

sábado, outubro 20, 2007

Sábado de manhã...

Finalmente, ao fim de mais de 4 anos de quase escravidão ao início do fim de semana, qual foi a primeira coisa que acham que fiz com o primeiro fim de semana completamente livre? Dormir até ao meio-dia ou ficar a ver desenhos animados ou os maravilhosos programas televisivos de sábado à tarde, qual vegetal virado para um sol quadrado e às cores. Errado!
Naturalmente, acordei às 6h00 para ir para o Samouco, para ser devorado por hordas de mosquitos canibais (que deita por terra a minha teoria que estes monstros só se bamboleiam de noite) que, decerto contribuíram alguns vírus de West Nile e outras coisas porreiras para a minha corrente sanguínea, derreter sob um sol escaldante (alguém reparou que estamos a meio de Outubro??), passar fome de cão e andar atrás de pitos até às 3 da tarde.

Naturalmente estas foram as coisas não-muito-fixes, como diria o Leve-leve sobre o paludismo, mas a verdade é que após almoçar... digo, lanchar um polvo à lagareiro e regressar a casa num fim de tarde soalheiro depois de largar os pombos tricomónicos na Quinta, só tenho a enviar um grande bem-haja aos anfitirões deste dia e companheiros de alicate!

Iupi!

Peço desculpa pela interjeição meio infantil de alegria, mas ontem comecei o curso de ilustração científica na UAL com o super-mestre Pedro Salgado. Portanto, e dada a dose paquidérmica de estímulo, motivação e etc., 3 avisos:
  1. Vou andar ainda mais contente. Se o "sorriso-de-orelha-a-orelha" avança mais 1 cm que seja, descai-me o crânio para a nuca e fico a parecer-me com um boneco dos marretas;
  2. Vou andar com os cadernos, lapiseiras e aguarelas atrás de mim quando for para o campo (portanto, vou trabalhar menos pois vou estar em estado de contemplação criativa);
  3. Prevê-se nova vaga de proporções tsunâmicas daqueles desenhos lindos de dinosauros e animais alternativos de dimensões paralelas.

Em suma, mais difícil de aturar mas com muito menos mau-feitio (ou preferiam a versão anterior e inversa?)

sexta-feira, outubro 19, 2007

Pepe le Pew

Venho por este meio informar uma sub-população de leitores deste blog que há por aí um novo animal de companhia, exótico é evidente, com que se podem deparar no vosso dia-a-dia. Hoje tive um desses encontros imediatos do 3º grau com uma mofeta (Mephitis mephitis) e até lhe estive a fazer festinhas na cabeça. Soube também que há mais 9 por lares deste nosso país.


Sim, até é simpático (lembram-dos desenhos da WarnerBros?) mas qual será a nova moda seguinte? Morcegos-da-fruta (Pteropus spp.), Fanecos (Fennecus zerda), Suricatas (Suricata suricata), Tegús (Tupinambis spp.) ou kingajus (Potos flavus)? Divido-me entre o fascínio por novas espécies e o pânico de não saber lidar com elas (vão ver o que é cada um desse exemplos e depois vão perceber do que falo).
Nota para aqueles que acham que passei a manhã a tomar banho e a perfurmar-me: as famosas glândulas destes bichos já foram removidas cirurgicamente!

segunda-feira, outubro 15, 2007

Contou-me um passarinho...

... não o pombo do post anterior, que, como sabeis, não é pássaro e neste momento deve estar mais preocupado em apresentar queixa à Sociedade Protectora dos Animais por ter sido violado por uma zaragatoa.
- Mas senhor juíz, foi tudo em nome da ciência! E até humedeci cuidadosamente a ponta de algodão da zaragatoa com soro para não magoar o bicho - diria eu em minha defesa.
Mas voltando à questão inicial, veio um passarinho segredar-me ao ouvido que sou uma pessoa horrível (a sério?), um péssino profissional (Não!...), que era o ex-chefe que me resolvia os casos todos (neste momento atirei-me ao chão agarrado ao estômago a rir) and so on and so on. Já perceberam que este passarinho veio a voar dos lados de Cascais? Apesar destas acusações terem sido proferidas pela mulher esquizofrénica do chefe, já se sabe o que a casa gasta (devia gastar mais em medicação anti-psicótica).
Pessoal, ficam já a saber que sou o novo Anti-Cristo!!! Cuidado comigo!

Hoje quase ganhei o dia...

...quando ouvi alguém dizer "Que fixe! É o primeiro animal que vemos aqui". E estamos a falar de um pombo!
Depois ia-me escangalhando a rir (sim, daquelas gargalhadas very typical) quando, ao introduzir uma zaragatoa - de modo firme mas gentil - na cloaca do dito columbídeo e ouvi "Oh! Coitadinho!!!" ao mesmo tempo que alguém fez um profundo esgar de dor e repulsa.
Isto promete... Cheira-me que o Monstro vai ter muita matéria prima.

domingo, outubro 14, 2007

Encontro Nacional de Centros de Recuperação

Após um breve interregno de escrita por estes lados, devido a 3 dias de palestras e muita conversa, eis-me regressado para fazer o balanço deste encontro.
Obviamente que não estamos a falar de recuperação de edifícios ou de fisioterapia para acidentados no trabalho (embora haja algumas pessoas que devem ser verdadeiros acidentes profissionais mas isso é outra história).
Obviamente que este tipo de reuniões, carinhosamente apelidadas por mim de Clube Amigos Disney - porque somos quase sempre o mesmo grupo de habituées e, sinceramente, acho que somos verdadeiras personagens (alguns mais cartoonescos que outros) - me estimula e me dá imenso prazer. Não tanto pelas palestras, algumas muito boas, outras nem por isso (aquela da gripe aviária... WTF?!), mas pelo reencontrar e conhecer amigos e colegas e por tudo o que se passa pelos bastidores.
Não se trata de nenhuma teoria da conspiração e como os tais acontecimentos dos corredores não aparecem no livro de comunicações, vou levantar uma ponta do véu. Até porque sinceramente, passado uns tempos ninguém se lembra da comunicação A ou B, mas sim da palhaçada C ou do cromo D.
Antes de mais, foi curioso finalmente conhecer pessoalmente colegas com que já comunicava via electrónica há bastante tempo. Ainda ganhei um hemoclip improvisado e nos intervalos deliciei-me com belos pratos de pastéis de nata e queques. Para além do fluxo constante de cafés, que deve dar para manter acordada a população de uma aldeia média transmontana durante uns meses. Jantar de sábado animado para ficar com a pulga atrás da orelha, entre outras coisas, do pica-miolos. Uma comunicação hoje à tarde que esteve quase a necessitar de distribuição de luvas de boxe e uma visão do inferno do Jabba the Hut a ter orgasmos múltiplos atrás de golfinhos (!). Também foi muito agradável rever (NOT!) o projecto de Lara Croft à portuguesa (quem esteve na companhia dos lobos há uns anos sabe de quem falo) que ora punha ora tirava um cachecol muito curioso ( o Sócio elaborou a sua teoria).
Mas o que vai ficar mesmo na memória, e pelas piores razões possíveis, foi o almoço de sábado e o coleguinha que ficou à minha frente. Entre um nariz empinado que quase lhe batia na nuca, um ego que batia no tecto da sala e saídas geniais como:
"não se pode negar um cigarro a um gajo com tuberculose" - quando este anda a escarrar bacilos pelos corredores hospitalares, como vi durante 1 ano de mestrado;
"não sei se sabes o que é bumblefoot..." - frase que ecoou propositadamente mais tarde na sala;
"estes colegas novos..." - confesso que nesse momento deixei de ouvir que disparates saíam do Tico e do Teco (vêm? uma referência Disney)
... fizeram com que quase ganhasse uma faca espetada na testa. Só quem esteve naquele canto da mesa é que entende a dificuldade que foi conter o vómito com aquela conversa e o Sócio e uma quase-aluna já reviravam os olhos, embora temessem pelo homicídio, perfeitamente justificado, daquele calhau. Não ganhei um exemplar da bíblia da medicina de rapinas do século XVII, mas em compensação tive o enorme prazer de fazer uma careta à frente do gajo que, sinceramente espero que a tenha visto. E não me importar um c*****o com isso!

quarta-feira, outubro 10, 2007

Update

Eu sei que já faz 2 semanas que o Guia de Campo não é actualizado e que todos vocês sofrem nos vossos lares, na expectativa de novos posts, mas aqueles que têm seguido as últimas páginas do Guia ou que têm participado directamente nos seus capítulos, sabem que estes últimos dias têm sido ricos em acontecimentos que têm absorvido a minha atenção. Por outro lado, especulo que acontecimentos afortunados como estes últimos não sejam tão inspiradores para blogar (reparei que grande percentagem de posts são verdadeiras verborreias de maus fígados), mas como alguns de vós me acusam, injusta e caluniosamente, de ter sempre um quê de mau feitio (que mentes iluminadas designariam por sarcasmo...), acho que rapidamente vou encontrar alvos para algumas farpas.
Então só para actualizar e organizar cronologicamente as cenas dos últimos capítulos:
  1. Depois da bomba lançada ao agora ex-chefe, rumei novamente ao Porto para uma reunião no Sábado. Havia ainda trabalho para fazer Domingo, mas este ficou irremediavelmente comprometido com um desfile de caipirinhas, whisky e finos (que é o que os meus amigos tripeiros chamam às imperiais) na noite anterior. O que é realmente importante referir é que ainda continuamos em grande forma! Foi uma noite de copos à antiga, excelente companhia e galhofa noite fora. Ressaca? Nada que 2 pratadas de arroz de cabidela no dia seguinte não resolva... Pessoal da Inbicta: fica combinado para futuras visitas, aí ou na capital alfacinha, igual tratamento VIP.
  2. Nos últimos dias no antigo emprego foi difícil evitar as longas trombas do ex-chefe espalhadas por todo o lado. Paciência! Hoje tive a noção que o ressabiamento está elevado à nona potência mas quero lá saber. O chato é que ainda tenho de lá passar para ir buscar alguns pertences e o difícil vai ser parar de rir
  3. Breve passagem por Santo André no fim de semana e anilhagem de cromos novos: Jynx torquilla, Acrocephalus schonobaenus, Luscinia svecica e Cisticola juncidis. Oportunidade de conhecer outros cromos, como o inglês-hiperactivo. Só foi pena não ter ido o resto da pandilha.
  4. E finalmente, começar no emprego novo esta segunda. Devo dizer que ainda estou em estado de graça, nem que seja pelos horários maravilhosos, por ter tempo para terminar o mestrado, inscrever-me no curso de ilustração científica da UAL e uma infinidade de outras pequenas coisas que agora me vai ser permitido fazer. Ainda é cedo para fazer mais juízos de valor mas desenganem-se aqueles que me queriam transformar em sucedâneos do Meireles, do Homer Simpson ou do Taveira.

Em suma, não tenho conseguido tirar este sorriso idiota da fronha!! :)

quinta-feira, setembro 27, 2007

A notícia caiu como uma bomba!!

VOU MUDAR DE EMPREGO!
(O actual chefe é que não achou muita piada...)

terça-feira, setembro 25, 2007

Guia de Campo agora com música

Quem é amigo, quem é? Agora têm mais uma razão para vir aqui (como se fosse preciso...) , que é o produto das minhas viciantes deambulações pela Last FM, o que faz com que a playlist esteja bastante actualizada e é outra maneira, súbtil é certo, de saberem o que se vai passando comigo. Agora, música!

A espera impacienta-me

Eu sei que a paciência é uma virtude mas não me sinto particularmente virtuoso esta semana.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Death Cab for Cutie - I will follow you into the dark

Próxima banda preferida? Mais da Last FM

The Killers Bones

From Last FM. Parece que o vídeo foi realizado pelo Tim Burton

2 Novos vícios

Couchsurfing
(ainda não me inscrevi mas antevejo um mundo de oportunidades)

Last FM
(overdose musical. Vejam a minha selecção em Fuzhong)

domingo, setembro 23, 2007

Tardes de Domingo

Mais uma tarde a beber "mines" (não muitas que ainda tinha de voltar direito para casa) e a comer, desta vez em Sintra. Há já algum tempo que não estava junto com este pessoal, a falar de pequenas e grandes coisas, pondo basicamente a conversa em dia como se tivesse sido mesmo na véspera que estivessemos estado a descer o rio Zêzere de canoa ou a beber imperiais numa tasca qualquer.
A casa estava repleta de catraios, poder-se-ia dizer que a lembrar-me do meu encalhanço crónico, mas também a mostrar-me que até gosto de crianças, desde que os decibéis estejam dentro das normas da CE. Tanto mudou nas nossas vidas mas continuamos os mesmos.
Para finalizar, um chá, uns travesseiros de Sintra e estes pensamentos sobre uma pacata e relaxante tarde de Domingo.

sábado, setembro 22, 2007

Ciclo Chinês

Ontem começou um novo ciclo cinéfilo-gastronómico com o grupo do costume, desta vez em casa do Xico. Ainda a recuperar de um super-buffet de comida chinesa com a Irmandade da Esteva na noite anterior, repetir nova dose da mesma cozinha era capaz de me deixar com os olhos em bico mas até agora, a parte digestiva ainda não se queixou.
Apesar de ter descoberto logo no início uma surpresa narrativa fundamental, de me ter deixado dormir pelo meio e do leitor de DVD ter encravado, o filme é muito bom. Claro que as cenas a brincar aos dentistas quase que fizeram o chau-min saltar cá para fora mas de resto, quase que parecia que estávamos no topo dos Himalaias. Quase...

Expedição à Peninha

Devido a uma semana repleta de algumas novidades e de um sem fim de coisas para fazer só me foi possível actualizar o blog neste fim de sábado. A bem da minha sanidade mental a lista de coisas a fazer não inclui só trabalho e por isso 4ª e 5ª de manhã consegui escapulir-me às minhas tarefas para poder ir anilhar para Sintra. E este é um daqueles trabalhos que é sempre um prazer fazer.
A zona da Peninha tem uma paisagem de cortar a respiração sobre o Guincho e, em dias limpos é possível ver a linha de costa quase até ao infinito. E é onde a serra de Sintra mergulha no mar, entre matagais de giesta e murta, a lembrar como seria outrora uma paisagem mediterrânica, que temos o estaminé montado e é difícil pensar em melhor local de trabalho que este. Sortudos dos burros que passam o dia a pastar e a olhar para o mar.

Quarta-feira estava o (quase) pânico instalado na estação, com uma passagem em massa de Phylloscopus trochillus, que faziam com que não fosse possível libertar mais depressa os pássaros do que a velocidade com que caiam nas redes. O meu pânico foi reencotrar o suiço(ida) que, não tendo uma falésia por perto, optou por andar a subir às árvores. Distância dele, não queria repetir a dose de Dezembro passado (ver post de então). Ainda houve tempo de almoçar uma massada de bacalhau óptima e ser condecorado com uma dúzia de medalhas de molho, o que fez com que entrasse no local de trabalho de casaco vestido.

Quinta-feira a manhã foi bem mais soft e deu para começar a perceber a confusão que é determinar sexos e idades de Sylvia melanocephala. Apesar do curto percurso, foi óptimo subir a serra e beber água fresca de uma fonte secular enquanto se conversava, sempre sem conseguir deixar de admirar toda a paisagem.

Por isso, um grande bem-haja ao cicerone João Paulo e todo o pessoal que acompanhou durante estes dias, que souberam que nem ginjas para escapar à rotina.

terça-feira, setembro 18, 2007

"Welcome to the dark side..."

Pois é, passei-me para o outro lado. Sou um vendido. Ah! Ah! Ah! :)))))

domingo, setembro 16, 2007

Fim de semana-relâmpago

Litoral a Norte de Espinho visto da carruagem em andamento


E foi com um enorme prazer que ontem à tarde lá embarquei na estação de Santa Apolónia rumo ao Porto para uma reunião-relâmpago de trabalho, mas evidentemente, desculpa para rever amigos. Já quase me tinha esquecido do enorme prazer que é viajar de comboio e, por momentos, esqueci-me completamente quando o sr. passageiro à minha frente passou a primeira hora de viagem a puxar grossas e mucosas escarretas, ao que logo após as tragava com um trajeito de prazer. Quando toda a carruagem, incluindo o Sérgio Godinho que viajava atrás de mim, já se encontrava perfeitamente agoniada e repudiada ante tal hino às doenças infecto-contagiosas e ao catarro, o sr. escarreta lá adormeceu. Quando estávamos quase a chegar a Campanhã lá despertou e entre mais 2 escarros balbuciou-me qualquer coisa a que respondi com uma careta.
Antes de trabalhar e visto que cheguei à hora de jantar, foi de vital importância nutrir o corpo com uma grande, rechonchuda e deliciosa francesinha a nadar em molhanga no Paquete. Para além do outro Sócio, o Abtúrsio e a Caracol acompanharam na jantarada a que se seguiu sessão de trabalho (3 em simultâneo!) até às 2h30, intercalanda com alguns momentos de profundo debate filosófico entre o Sócio e a Caracol que só eles...
Ainda tempo para assistir, antes da estreia mundial, à comunicação que a Caracol deve apresentar em terras inglesas esta semana. (Nota: o facto de ter adormecido deveu-se, para além do enorme cansaço, de uma simulaçãozinha pois é sabido que em congressos há sempre alguém a dormir enquanto se apresenta as coisas).
Hoje, acordar, tragar uma excelente sopa de peixe e 2 pratadas de feijoada em casa da avó do sócio (só dispensado partes menos reconhecíveis da anatomia intestinal animal- aquelas coisas chamadas "tripas" que se comem lá em cima) e chegar à conclusão que 90% dos meus posts metem descrições gastronómicas.
Amanhã promete ser um dia bem interessante, especialmente por volta do meio dia. Provavelmente estou a iludir-me e a depositar excessivas esperanças mas já não sentia este arrepio no estômago (e sem ter nada a ver com o festival de feijões que devorei ao almoço) desde os últimos exames na faculdade. A ver vamos.

sexta-feira, setembro 14, 2007

O dia em que o porco do Hugo foi capado

Que é uma maneira mais mediática de dizer que um Cavia porcellus de nome Corisco, pertencente a esse senhor, perdeu os ditos.

Parabéns para mim!

Ontem completei 29 primaveras. Yay.

quarta-feira, setembro 12, 2007

:-)

Melhor do que ir de férias é regressar e ter boas notícias à espera na caixa de correio .

Kaput!

Ao fim de exactamente oito longos anos com inúmeras espécies a passarem-lhes pelas objectivas os meus binóculos deram o peido mestre. As oculares já andavam meio periclitantes desde Somiedo e os prismas desregulados foram a sua sentença de morte.
Já vos disse que faço anos amanhã?
Não sabem o que me vão oferecer?
Pensem nisso...

Gerês Parte III - Os momentos de ausência

Eis o que todos aguardavam ansiosamente. Quais pássaros, qual anilhagem, toda a gente que saber é das situações galhofeiras e momentos "duh", indissociáveis de todo este processo e que ficaram marcados para toda a posteridade no Guia de Campo.
Como também tem sido hábito, uma grande percentagem dessas bacoradas foram vividas ou produzidas pela minha humilde pessoa. Portanto, as narrativas aqui expostas servem para contrariar um pouco algumas vozes caluniosas que têm apelidado este espaço de "monstro" e que têm pensado duas vezes antes de dizer qualquer coisa na minha presença. Que culpa tenho eu que os meus amigos sejam pródigos em dizer disparates, que são posteriormente aqui reproduzidos?! Descontextualizados, por vezes. Ligeiramente distorcidos, talvez. Mas sempre para vosso (e meu) deleite.
Os enxames de lobos- Mais uma vez, o Batman e o Robin encontraram-se na Mourela, acompanhados das suas respectivas bat-girls em uma mais implacável perseguição a lobos. Já alguém reparou que é sempre esta dupla que os encontra?... Eles, certamente dirão que será devido às suas apuradas técnicas de campo, sorte ou à eficácia dos bat-radares. Eu começo a achar suspeito... alucinações devido à falta de horas de sono? contrato de exclusividade com os bichos? ou simplesmente, andaram nas provas de aguardente pelas aldeias da região?
O contacto com a natureza- mais giro que ficar atascado nas salinas, é ficar atascado nas turfeiras. Naquele momento em que vi os meus pés serem tragados pela terra quis lá saber se aquilo era habitat de conservação prioritária! Era drenar e queimar aquela merda toda! Quando finalmente, consegui sair para terreno firme, já a imaginar o meu corpo fossilizado vir a ser descoberto daí a uns milhares de anos e a ser estudado pelos arqueólogos da altura, lá voltei a achar que aquela amálgama de vegetação e água sempre serve às narcejas e outros bichos. Contudo, evitei voltar àquele sítio em especial...
Os fantasmas da Mourela- durante a semana passada (e imagino que por esta hora) a noite fria do planalto foi cortada pelo uivo lacinante de almas penadas "Uuuuhhh", seguido por um coro de gargalhadas abafadas, que afastavam qualquer hipótese de observação de fauna nocturna. No meu caso em particular, tive direito a ser imaginado de mortalha branca e a arrastar correntes.
As pescarias nocturnas- O Sócio quase que apanhava um coelho e quase que esborrachava um Athene noctua com o seu camaroeiro. Faltou-lhe só um danoninho. Os Otus scops nem davam hipótese de por o pé fora do carro. Mas deu para rir, especialmente com a finta que o coelho fez.
O mistério intestinal esclarecido- Nos anos anteriores, ir para o Gerês era sinónimo para mim de cólicas, timpanismo, borborigmos e outros ruídos corporais, que tentava disfarçar tossindo ou assim se em presença de outras pessoas. Seria dos panics mistos de Salmonellas e E. colli ingeridos de manhã ao pequeno almoço? Ou das belas e carnudas amoras, veículos de Cryptosporidium, que enfeitavam as sebes dos caminhos? Era a água senhores! Esta semana quase só bebi água engarrafada e estive impecável. Um conselho: mantenham-se afastados da água fresca das fontes.
A amiga Nelsa e a sua cozinha variada- Como não podia deixar de ser, massa e simpatia foram as palavras-chave à hora de almoço.
A frase da semana- "Ick! Já tenho langonha a escorrer pelas costas!" VanVan, eu avisei que isto ia ser descontextualizado...
O momento da semana- foi indubitavelmente meu. Por volta de sexta-feira fui acometido de grave alergia, constipação ou gripe aviária. Os olhos, chorosos, mal consegui manter abertos e do nariz escorriam rios de muco, que tentava não deixar pingar para cima dos pássaros. Nessa noite, recorri à minha farmácia portátil, que tantos necessitado tem ajudado e tomei um Nimed e um anti-histamínico de nome Ceftrisina. No dia seguinte, alegria, estava como novo. À hora de almoço, compadecido com uma colega que sofria do mesmo mal, ia-lhe a dar as mesmas drogas quando me apercebi que na véspera tinha tomado não Ceftrisina, o anti-histamínico, mas sim Ceftrisil. Que é, nada mais, nada menos, que daquelas pastilhas de cloro para desinfectar a água! O que é certo é que funcionou e devo ter ficado todo desinfectado por dentro.
Mais algum momento assim digno de nota?

segunda-feira, setembro 10, 2007

Gerês Parte II - A Ciência

Isto de ir para o Gerês e ficar a dormir até ao meio dia enquanto outros estão (semi-)acordados e a laborar desde o nascer do Sol, é só mesmo para alguns. Mas na verdade não me queixo, toda a gente sabe ao que vai e gosta do que faz. Para além do enorme prazer que é o convívio, a galhofa e o contacto directo com a Natureza (neste caso em particular as Aves), é produzido e divulgado conhecimento científico a alta velocidade; a troca de ideias e conhecimento entre pessoas ocorre a velocidade estonteante; são debatidas hipóteses e teorias de migrações, identificações, biologia, ecologia; volto sempre com a cabeça a fervilhar de ideias destes encontros.
Apesar da biodiversidade brutal circundante, as Aves são mesmo as rainhas da festa, por isso, eis as jóias da coroa desta semana (pelo menos para mim, aceitam-se outras opiniões):

Accipiter nisus, fêmea adulta, residente

Phylloscopus bonelli, migrador

Locustella naevia, juvenil, migrador

Mas houve muitos, muitos mais. Com penas, com escamas, com pelos, rastejantes, nadadores, voadores, com e sem coluna vertebral, animais ou vegetais, cuja descrição não cabia em todo o ciberespaço.

Gerês Parte I - A Viagem

Eis-me regressado de mais uma curta semana e um dia (benditos dias de "mestrado") de férias, passados, como já vem sendo habitual de há uns 5 anos para cá, nas altas terras do Barroso entre Pitões das Júnias e Tourém. Apesar dos dias de férias pedidos ao patronato, grande parte do tempo foi empregue a trabalhar, quer a dar ao alicate, quer a sugar preciosas amostras de sangue para a minha tese megalómana, segundo alguns.
Devido à semana anterior, perfeitamente caótica em termos de trabalho, embora com alguns picos de actividade social (as festas do 2B), não me foi possível informar alguns de vós de que iria estar fora entre paisagens bucólicas e o trinar dos passarinhos, enquanto alguns desgraçados ficavam por cá, verdes de inveja e a trabalhar. Bwah-ah-ah! Mas como tudo o que é bom acaba depressa, cá estou eu a mentalizar-me de que vou regressar ao meu local de labuta amanhã... Nãooooo!!!
Quanto à viagem em si, confesso que foi difícil fazer as malas às 2h da manhã para um casamento em Castelo Branco, um fim de semana com amigos em Figueira e uma semana de anilhagem no Gerês. Como é habitual, ficaram algumas coisas em casa que me fizeram falta e levei um exagero de roupa, da qual metade voltou mais ou menos intacta. Desta vez não me esqueci da pasta de dentes ou dos sapatos, foi mesmo de material de trabalho e como é difícil recolher amostras de sangue sem agulhas e seringa, lá me desenrasquei e repus o stock na farmácia de Montalegre, onde os diabéticos locais devem ter passado um pouco mal sem as suas injecções diárias de insulina e a farmacêutica me olhou com um ligeiro ar de desconfiança, certamente pensando que ia inaugurar uma casa de chuto ao levar tanta seringa.
Portanto, Lisboa - Castelo Branco - Figueira - Fróia - Manteigas - Pitões das Júnias/Tourém. Um dos maiores prazeres em viajar, mesmo por terras nacionais, é a viagem em si, a antecipação de chegar e imaginar que paisagem vai aparecer depois daquela curva. Quando se viaja sozinho, coisa que tenho vindo a fazer de há uns anos para cá, tanto melhor, pois há tempo de arrumar ideias e fazer uma segunda viagem paralela, mais introspectiva (e sem necessidade de queques de chocolate).
O casamento foi agradável, deu para rever pessoas que já não via há anos e constatar que estamos mais velhos, mais gordos, alguns com menos cabelo, uns casados e com filhos e outros já divorciados. também foi interessante estar sóbrio num casamento (ainda ia para a Figueira nessa noite) e divertir-me com as lindas figuras de alguns dos convivas.
O dia e meio passados na Figueira e na praia fluvial da Fróia souberam muito bem, boa companhia, consegui desforrar-me das horas de abstémia do casório e a confirmação de que começo a gostar mais de praias fluviais que marinhas.
A passagem pela Serra da Estrela foi rápida, só passar por alguns locais onde já não ia há alguns anos e tirar algumas fotografias. Lamentavelmente, não consegui fotografar os Iberolacerta monticola, embora tenha visto uns Timon lepidus de proporções komodianas. É claro que, graças ao Sr. Murphy, não tinha a câmara comigo e portanto não os pude fotografar.
Finalmente, o destino último que era o Gerês, a oportunidade de passar uns belos dias a fazer coisas que gosto, desenhar, anilhar, farolar, apanhar rãs e peixes (porque os coelhos e mochos-galegos ficam só para alguns) como se fosse novamente puto, rever amigos e conhecer mais pessoal porreiro. Finalmente, o Centro e Sul do país começa a ter alguma representação nestas semanas. Mais, só para Junho de 2008. Ficamos à espera.

sábado, setembro 01, 2007

Vivam as festas do 2B!

Venho por este meio agradecer ao anfitrião desta semana cultural que durou de Sábado até Quarta. Ele foi gastronomia, enologia, música, fotografia, cinema. Um must!

sexta-feira, agosto 31, 2007

Dia Internacional dos Mortos-vivos

É oficial. O dia 31 de Agosto passa a ser oficialmente o dia internacional, embora com celebrações mais centradas na zona de Lisboa e Alcochete, dos mortos-vivos, vulgo zombies. Se hoje encontraram algumas pessoas a vaguear sem rumo pelos locais de trabalho, com olheiras de meio metro e um fiozinho de baba a escorrer pelo canto da boca, enquanto tentavam manter-se acordados, provavelmente essas almas penadas estiveram a noite passada no Estuário do Tejo. Ou talvez não, porque só mesmo um pequeníssimo punhado de loucos (em que desgraçadamente me incluo) é que se mete nestas coisas.
Mas mais importante que as celebrações, passadeiras vermelhas e discursos inflamados, este dia é principalmente um dia de aprendizagem. Eis então o que eu aprendi:

1. É má gestão da agenda social marcar a uma quinta-feira uma louca caça aos gambozinos, quando se teve uma sequência de borga nos dias anteriores e a borga se prolonga durante o fim de semana. O facto de ter ido trabalhar hoje com 2 míseras horas de sono é irrelevante;

2. Quando se afirma peremptoriamente que se regressa cedo a casa e que às 2h da manhã já se está transformado em abóbora deitado na cama, é mentira! O que se quer dizer na realidade é que só vamos regressar a casa quase às 7h00 quando as pessoas normais estão a sair dos seus lares para irem trabalhar;

3. Novamente, os cabrões dos mosquitos. Aprendi que nem a combinação Prebutix + Tabard + contrapic me salvou dos mosquitos sedentos de sangue do Samouco e que estes filhos das putas conseguem picar através da roupa. MEDO!

4. O facto de que as salinas são poços de areias movediças prontos a sugar qualquer caminhante incauto, já eu sabia; O que fiquei a sabir é que é sadicamente divertido ver as outras pessoas (coitada da Pintinhas) a enterrarem-se repetidamente naquela massa amorfa de sal, lodo e água;

5. Vou passar a andar sempre com 3 ou 4 isqueiros, uma dúzia de caixas de fósforos, um maçarico e um lança-chamas. Descobri que são coisas extremamente úteis e senti um laço de empatia com os nossos antepassados homens das cavernas;

6. Para fazer café (bebida quente e reconfortante, rica em cafeína), dá jeito ter café (pó); Água só não chega;

7. Apesar da minha triste figura de hoje e da actividade cerebral virtualmente nula, tenho que admitir que ainda vão sendo estes programas que vão atenuando um pouco a neura das últimas semanas.

domingo, agosto 26, 2007

quinta-feira, agosto 23, 2007

Estou morto

Estou completamente k.o. Longe vão os meus tempos áureos de jovem destemido e intrépido, em que conseguia trabalhar 24 horas seguidas. Ontem, 15 horas de labuta somadas às 10 de hoje deixaram-me de rastos. Só consegui reunir forças para vos avisar.
Será que também me estou a "vaniar"?

segunda-feira, agosto 20, 2007

The Breeders - CannonBall

Antigo, eu sei mas dá vontade de começar a saltar pela sala e partir a mobília toda.

Carry the Zero - Built to Spill

Já não punha músicas aqui há algum tempo... já tinham saudades? Estes gajos têm músicas incríveis, esta é das minhas preferidas. Infelizmente, são pouco dados à imagem, pelo que só têm um quadrado azul para olhar enquanto ouvem os riffs de guitarra enquanto imaginam um qualquer vídeo genial.

Só para avisar...

... quem anda a seguir a novela dos inquéritos sorológicos, que finalmente recebi os meus resultados, após terem ido parar a casa de outra pessoa, que amavelmente os digitalizou e me enviou via e-mail.
Obviamente que as meninas vampiras me vão ouvir amanhã ao telefone no modo "Monstro" por tão distinta salganhada.
Ficam também desde já a saber que, se daqui a uns tempos começar a andar por aí a delirar (mais do que o habitual) e com um ar febril e assim, quiçá mesmo em coma, obviamente não-alcoólico, a culpa não é minha...
É da Borrelia burgdorferi! Ou, mais uma desculpa para comportamentos socialmente pouco aceitáveis...

Há lá organismo mais fashion que este!...

Nota: avisam-se as mentes mais crédulas que, efectivamente, não ando aí a espalhar a peste ou outra peçonha. Quer só dizer que o meu sistema imunitário já contactou com este ser vivo e que tenho anticorpos protectores. Para qualquer dúvida, vão rever "Era uma vez a vida..."

Pequenos prazeres

Ir à praia ao fim da tarde de sábado com amigos. Comer bolas de berlim (com creme! Não digam nada à ASAE) na praia. Jantar frango assado e galhofa até altas horas e, mais uma vez, constatar que Portugal é mesmo um penico, em que toda a gente conhece toda a gente. Dormir até altas horas no Domingo. Voltar à praia à tarde e comer mais uma grande bola cheia de creme. Ao fim do dia, ir petiscar mexilhões de cebolada e choco frito ao Sr. Domingos, embora dispensasse as criancinhas a correr pela esplanada aos guinchos e a fazer gongos das bandejas, mas mesmo estas situações deram azo a mais galhofa. Terminar a noite no sítio do costume.
Eu sei que não me canso de gabar e acarinhar estes momentos, mas vão sendo cada vez mais raros, logo mais preciosos. E quando hoje retornei ao meu, por vezes infernal, dia-a-dia só penso no próximo fim de semana.

quinta-feira, agosto 16, 2007

O feriado de 15 de Agosto em números

28 minutos de atraso com que chegou o resto do pessoal (o que vale é que já tenho anos de prática e já estava a contar com isso...);

6 de 6 pessoas que rumaram ontem à Comporta de manhã acharam que estávamos loucos em ir para a praia com aquele tempo;

25 minutos que aguentámos na praia até começar a chover a potes;

48 sardinhas que foram devoradas à hora de almoço;

2 de 6 pessoas ainda conseguiam continuar a degustar alarvemente mais umas sardinhas;

30 graus célsios marcavam os termómetros depois de almoço, anunciando uma bela tarde de praia;

13 toques seguidos de vólei foi o máximo que 5 totós conseguiram dar na areia;

15 graus célsios (mais coisa menos coisa) devia estar a temperatura da água, mas que soube como se estivesse a 25;

47 fotografias idiotas que conseguimos tirar durante a tarde;

1 único mosquito à volta para os carros (e nem sei se chegou a picar a Pintinhas);

1 ano passado desde a última vez que apanhámos um dia de praia excelente e a vontade, espero, de repetir mais vezes o programa.

Parabéns... fora de prazo

Então não é que este pasquim, veículo de informação, por vezes deformada, é certo, do conhecimento científico e social da nossa praça fez 1 ANO no passado dia 12 e eu nem me dei conta?
A celebração acabou por ocorrer da terça-feira, noutro aniversário, este da minha irmã, quando fazia uma pilha monumental com as cascas de camarões, que tinha devorado. Como me esqueci do evento, estão desculpados por não darem os parabéns e podem compensar a vossa falha oferecendo a este escriba lindos presentes, como uns travões novos para o carro, um emprego novo - que, como alguns bem sabem, o presente já enjoa.
PARABÉNS A MIM!! E a vocês, que estoicamente, me aturam - embora eu saiba que, secretamente, não conseguem viver sem o GUIA DE CAMPO...

terça-feira, agosto 14, 2007

Invasão!

Parece que o SEF tem mais um imigrante ilegal sul-americano com que se preocupar. Já com ninhos - e cheios de crias - ,identificados em Algés e Sintra, parece que os guias de campo ornitológicos vão ter mais uma página para um novo residente nacional, a fazer companhia às hordas de periquitos de colar (Psittacula krameri) que já sobrevoam Lisboa.
Não se deixem enganar pelo ar simpático do bicho. Quem já passou por Barcelona sabe que estes periquitos-de-peito-cinzento (Myipsitta monachus) formam pragas de proporções bíblicas. E desenganem-se aqueles que supõem que seriam uma alternativa mais colorida e simpática aos pombos. É que estes animaizinhos também conseguem ser um reservatório de doenças bem interessante.
É mais um dos efeitos da globalização.
É curioso.

Investigadores embrenhados no coração das florestas equatoriais da República Democrática do Congo descobrem várias espécies de vertebrados novos para a ciência, entre anfíbios, morcegos, roedores e insectívoros.

Na China, o golfinho-de-rio-chinês ou baiji (Lipotes vexilifer) passa a ser oficialmente dado como extinto, substiuindo as águas escuras do rio Yangtzé por prateleiras de museu ou um punhado de fotografias. Fruto da poluição, do tráfico intenso de embarcações no rio e da construcção desenfreada de barragens, qualquer população residual que ainda reste está condenada a desaparecer.

Não estou a falar do equilíbrio natural das coisas, desaparecem umas espécies, são descobertas outras e obviamente, uma situação não compensa a outra. Também não pretendo moralizar ninguém, estava só a constatar 2 factos, aparentemente aleatórios.

Ser mau compensa...

Hoje precisei de ir levantar aos correios da loja do cidadão 2 cartas registadas para a empresa. Após uma longa espera entre magotes de gente, fruto de pessoas complicadas e de avózinhas a contar a história das suas vidas aos funcionários dos CTTs, quando chegou a minha vez já eu bufava de impaciência. Até porque, sendo hora de almoço, já se ouvia um eco vindo do fundo vazio do meu estômago, que mais parecia um buraco negro.

Tendo entregue as folhas para levantar as cartas, o BI e mais umas resmas de documentos que eram necessários, o empregado virou-se para mim e disse: "Ah e tal são precisas 2 assinaturas para levantar isto e o camandro. Não lhe posso entregar as cartas".

"O QUÊÊÊÊ???" Foi nesse momento que se levantou um mar de chamas atrás de mim, reviraram-se-me os olhos até se ver o branco da esclera, começaram-se a alongar os caninos, vampirescos e julgo, até, uns chifres demoníacos começaram a aflorar na minha fornte. Foi com uma voz aterradora, enquanto deixava escapar a minha língua bífida, que referi a impossibilidade da segunda assinatura e que se tratava do último dia para levantar a correspondência.

Ante tal visão do inferno e semelhante metamorfose para lá de kafkiana, o senhor, apavorado, tendo deixado uma poça de urina no assento, pediu desculpa e foi buscar as cartas.

Resultado: consegui o que queria sendo um monstro. Recomendo a prática a todos, especialmente em balcões de atendimento público. Obviamente, algumas partes desta narrativa são treta, mas digam lá se não se tornou uma história mais interessante?

Ora toma!




Your Power Bird is an Eagle



You are spiritual and able to soar to great heights.

You are a true inspiration, and many people look to you for guidance.

And you are quite demanding in relationships... but you're worth it.

People know that you will become even greater than you imagine.

Devo dizer que estes blog-tests são um vício...

R.I.P.

Gadus morhua
Nota: não fui o autor da ilustração - as minhas costumam ser bem mais estranhas, não sei se já tinham reparado. Eu sei que não é muito convenia - aliás, nada neste blog é - , mas a expressão óleo de fígado de bacalhau passa a ter outro signifcado a partir de hoje.

Pause

Este fim de semana soube bem fazer programa de gente (quase) normal, para variar. Dormir a sesta Sábado à tarde - sim, porque as manhãs de Sábado parecem estar eternamente destinadas a trabalhar - , ir beber um copo com os amigos à noite numa esplanada à beira rio, dormir até tarde Domingo, ir à praia - se bem que a água tivesse descongelado na véspera, o tempo invernal não ajudasse e a as conversas nas toalhas próximas fossem de alto nível, com as frases mais soft serem uns femininos e incisivos "foda-se ó amor..." e "ó estúpido do caralho!..." (e devo dizer que não me choca nada uma mulher proferir palavrões, mas há que fazê-lo com classe e nessa tarde, acho que aquelas interlocutoras nem a quarta classe tinham) - , comer gelados ao fim da tarde. Coisas triviais mas que já me faziam bastante falta.
Claro que hoje fui trabalhar e foi-se a magia.

sexta-feira, agosto 10, 2007

Bem vinda de volta

A Irmandade da Esteva recupera um dos seus ilustres membros que andou pela Estónia, Letónia, Lituânia, Rússia e Finlândia. Bem vinda de volta Pintinhas! Aguardamos avidamente pelas fotos e pelas prendas que, certamente, nos terás comprado por essas longínquas paragens.

O problema deve ser meu...

Hoje o chefe resolveu não ir trabalhar porque, e passo a citar, "Ah e tal estou muito stressado e preciso de relaxar e o camandro". Obviamente, teve a vergonha de não mo dizer na cara e chefe é chefe e faz o que quer (principalmente, levar empresas à falência) mas ainda assim... alguém acha isto normal (pergunta retórica)??? Pelo menos, deixa-me de consciência tranquila pelos dias de "mestrado" em que hei-de ir andar a laurear a pevide. Ou quando, para a semana, precisar de ir de-stressar uns dias para a praia ou ir fazer canoagem.
Nota: obviamente, para meu mal e para sorte do gajo, ainda não tenho a distinta lata de me baldar assim à descarada. Mas já faltou muito mais...

Grandes dúvidas

O que será pior: o carro ficar sem bateria, com 40º graus à sombra, quando está estacionado em segundo fila em frente a uma garagem, com outros carros a querer sair (como aconteceu hoje a uma colega minha) OU o radiador do carro, e com ele o resto do motor, entrar em completa e irreversível fusão no meio do Alentejo à 1h da manhã e com -1º C (como já aconteceu a mim, na última viagem com o saudoso citroen)?

Moluscos Gastrópodes

Raras são as vezes que temos olhos para os pequenos pormenores que nos rodeiam e frequentemente, não nos apercebemos como a vida fervilha por todos os recantos, exibindo padrões de geometria espantosos. Já repararam no detalhe de uma concha de um simples caracol e como se encontra beleza em seres tão singelos? Agora imaginem pratadas com miríades destes pequenos e mucosos seres a fumegar, banhados num molho apurado de alho, cebola e oregãos. Muito melhor!!
Finalmente, senhoras e senhores, consegui abrir a época de caça ao belo do petisco e o resultado foi uma chacina, um genocídio de milhares de pequenos, mas deliciosos seres invertebrados, que certamente morreram felizes ao ser lentamente cozidos vivos no seu próprio muco, sabendo que momentos mais tarde iriam satisfazer a gula alarve de uma mesa muito bem composta por mim e uma excelente selecção de amigos.
Os carcóis foram intercalados com bifanas suculentas, afogadas em rios de mostarda, tirinhas de pica-pau (antes prefiro este que o críptico pico nigro dos Pirenéus) e um sortido de belos enchidos grelhados. Tudo iguarias para fazer as artérias chiarem e estalarem tal deve ser o colestrol a entrar no sistema. Mas de certeza que irão chiar de satisfação ao serem tão bem nutridas. No fundo, ninguém quer saber do colestrol e dessas merdas. Porque melhor que o petisco é toda a animação e boa disposição que o envolve.
Ainda houve tempo para ir conhecer a maison de um casal amigo, resolver todos os quebra-cabeças metálicos e finalmente conhecer personagens singulares como o sr. Vítor Cerqueira, a Lena e a Lu e o Palhaço Pimpolho... Medo! Não os queiram encontrar.
Volto assim satisfeitíssimo, quer de estômago, quer de espírito e principalmente porque acho que me livrei da leve neura dos últimos 2 dias. O que vale é que passam depressa. Deste modo, a verborreia que tem distinguido este blog pode ter continuidade, para meu e vosso deleite!

terça-feira, agosto 07, 2007

Retrato de família

Ora temos então da esquerda para a direita os seguintes antepassados :
1. A tia Lucy, Australopithecus aferensis (crânio) existente há cerca de 3-4 milhões de anos atrás, no que é hoje o Vale do Rift em África e um dos primeiros hominídeos capaz de adoptar uma verdadeira postura bípede. Consta que foi baptizada no seguimento da música "Lucy in the Sky of Diamonds", que devia estar a bombar nas rádios quando os seus restos fósseis foram desenterrados. Por sua vez, diz-se por aí que esta música foi inspirada no LSD (Lucy Sky Diamonds) e se por acaso ouvirem a música, vão concordar que é mesmo muuuuito alucinada.
2. Cynognathus, Réptil Terapsídeo Cinodonte do início do Triássico da África do Sul. Houve uma altura em que era difícil distinguir Réptil de Mamífero e o facto desta espécie e muitas outras apresentarem o corpo coberto por pelos, terem graus variáveis de metabolismo endotérmico e provavelmente amamentarem as crias com secreções de glândulas sebáceas modificadas, dificultava o trabalho.
3. Acanthostega, um dos primeiros Tetrápodes, encontrado em rochas do Devónico tardio na Gronelândia. Mais um fóssil de transição, desta vez entre Peixes e Anfíbios. Repararam que os membros têm 8 dedos e que aninda possui uma berbatana caudal?
4. Eusthenopternon, Peixe de barbatanas lobadas ou um Osteolepiforme Tristicopterídeo, também proveniente do Devónico tardio, mas do Canadá e cuja morfologia devia ser semelhante aos antepassados de Acanthostega.
5. Moi même, Homo sapiens sapiens, versão Perry Bible Fellowship comics e sem as próteses oculares para não dar um ar tão geek e exponte máximo de milhões de anos de evolução. Se quiserem, podem colar a vossa cara por cima.
6. Megazostrodon, um dos primeiros Mamíferos conhecidos, que terá vivido no final do Triássico na África austral. Apesar ser um verdadeiro mamaliforme, com as principais características que distinguem a classe, ainda apresentava uma articulação mandibular primitiva do tipo reptiliano.
7. Hylonomus, Réptil Cotylosauro e um dos mais antigos a libertar-se completamente do meio aquático para se reproduzir, tendo para isso inventado essa maravilha que é o ovo (com todas as ramificações no presente, como a Páscoa).
8. Purgatorius, um dos primeiros Primatas (ou pelo menos Primatiforme), do final do Cretácio da América do Norte e com eles, visão binocular, polegares oponíveis, unhas em vez de garras e um cérebro com potencial para se desenvolver.
9. Pikaia, dos mares do Câmbriano inferior e um dos primeiros Cordados. Possuia um notocórdio, onde se inseriam músculos segmentados e um cordão nervoso suportado, pela estrutura anterior, com uma dilatação anterior, que milhões de anos mais tarde se iria tornar no cérebro que se lembra de criar posts estranhos como este.

Eles existem mesmo!

Ainda a propósito dos pirilampos, não quis deixar de partilhar esta foto tirada nos Pirenéus, embora não muito brilhante (piadinha fácill...). Quando já na última noite reparo numas coisas verde-fluorescentes no chão ao pé da tenda, eis que me deparo com uma pirilampa (espécie desconhecida) com o rabo alçado para cima a mandar sinais claros e inequívocos aos pirilampos pretendentes de que se encontra interessada em coiso e tal. Enquanto fui procurar máquina para captar o momento, não pude deixar de pensar que é uma pena que na maioria das espécies animais em geral, numa em particular, o sexo feminino não dá sinais inequívocas de nada. Acho que era mais feliz, embora dispensasse os glúteos a brilharem no escuro. Felizmente, deitei-me pouco depois e não pensei mais nisso.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Acanthisittidae

Como se não fosse suficiente estar o dia inteiro rodeado de animais, ainda me dá na cabeça vir para aqui escrever sobre eles. E ainda por cima numa sexta-feira à noite, quando me preparo para ir roncar, graças à brilhante conjugação do facto de amanhã trabalhar e estar perfeitamente derradeado. A minha esperança, confesso, é um dia o Guia de Campo estar à altura dos lindos blogs que aparecem em Science Blogs e ser reconhecido como instotuição de reconhecida utilidade pública, graças à inesgotável sapiência do seu escriba (cof... cof...). Até lá, serão vocês a aturar-me, enquanto se questionam de onde vou eu buscar estes temas esquizóides.
A Nova Zelândia não é só aquele sítio nos nossos antípodas, onde o Senhor dos Anéis foi filmado, pleno de paisagens espantosas. Obviamente, a sua fauna é extremamente particular, ou não estaríamos aqui a falar dela (das plantas que falem outros). Infelizmente, a maioria dos seus representantes não resistiu às ondas de invasões de polinésios e, mais tarde, inglesas e todas as hordas de ratos, porcos, raposas, veados e outras bichezas que fizeram uma razia a tudo quanto era fauna autóctone. Assim, só é possível montar os ecossistemas completos do arquipélago graças aos vários fósseis e outros vestígios que chegaram aos nossos dias. E é provável que uma terra que outrora albergara seres como as maiores aves à face da terra (moas), a maior águia (Harpagornis sp.), osgas gigantes, grilos predadores, papagaios ápteros e uma colecção de outras criaturas nos reserve várias surpresas.
À primeira vista, as carriças-neozelandesas (Acanthisittidae), uma das 3 famílias de Passeriformes endémicas na ilha, passariam despercebidas ao observador casual. Pássaros insectívoros de pequenas dimensões, bico estreito e fino, cauda reduzida e plumagem inconspícua em laivos de verde e castanho. Sobreviveram até aos dias de hoje 2 espécies mas outras 2 não tiveram a mesma sorte.
A carriça-da-nova-zelândia (Acanthisitta chloris) é a ave endémica de menores dimensões das ilhas e a mais abundante das 4 espécies conhecidas. É um fraco voador, alimenta-se de insectos capturados em troncos ou na vegetação e usa esquemas de cuidados aloparentais, fornecidos por juvenis de ninhadas anteriores ou adultos, geralmente machos, para ajudar a criar as crias.
A carriça-das-rochas (Xenicus gilviventris) habita zonas rochosas alpinas e sub-alpinas na ilha do Sul, onde se alimenta de insectos. É capaz de sobreviver à neve abrigando-se em buracos no solo.
O dia da descoberta para a ciência da carriça-da-ilha-stephen (Xenicus lyalli) coincidiu com o dia em que foi dada como extinta, em 1894. Pouco se sabe sobre a biologia e hábitos desta espécie, já que apenas foram observados 2 indivíduos em vida, mas pensa-se que tenha sido o equivalente ecológico dos pequenos roedores. Tinha a particularidade de ser o único passeriforme incapaz de voar.
As 3 subespécies da carriça-do-mato (Xenicus longipes), que habitavam a ilha do Norte, ilha do Sul e ilha Stewart desapareceram, respectivamente, em 1955, 1968 e 1964, não resistindo à pressão exercida pelos ratos e ratazanas introduzidos. A introdução acidental de roedores na ilha Stewart na década de 60 foi um dos piores desastres ecológicos de que há memória, embora pouco conhecido, tendo levado à extinção de várias espécies de Aves e de um morcego, todos endémicos.


Desde a sua descoberta, que se sabia serem Passeriformes basais e após as análises moleculares de Sibley e Monroe chegou-se à conclusão que esta família estava na base da radiação da Ordem. Eis então o que se pensa ter passado: por volta de uns 85 milhões de anos atrás, quando a Nova Zelândia se separou do resto de Gondwana arrastou consigo, entre outros, os antepassados das carriças-neozelandesas. Os outros 2 grandes de Passeriformes, Sub-oscines e Oscines só se terão separado mais tarde, tendo a sua origem no Hemisfério Sul e provavelmente tendo de competir com os Enanthiornithes, provenientes do Hemisfério Norte.

Talvez alguns dos ilustres doutores da biologia que por aqui passam possam contribuir com algum do seu conhecimento para elucidar sobre os mistérios desta família. Outro mistério é porque é que me lembro de escrever posts destes?

quinta-feira, agosto 02, 2007

2º grande passatempo Guia de Campo

Iupi! Devem estar vocês a gritar em coro, enquanto dão saltinhos pela sala. Mais um concurso completamente geek! Quem é amigo? Vão então a correr chamar os vossos amigos geeks e tentar acertar o quizz. É que já reparei que quando cheira a passatempos e ao ténue vislumbre de prémios vem logo toda a gente a correr aqui ao estaminé (da outra vez, bateu-se o pico de comentários e estou a precisar de insuflar um bocadinho o ego). Obviamente o prémio para o vencedor é segredo. Para não estragar a surpresa, claro! Então isto é muito simples: só têm de adivinhar a espécie (nome científico obrigatório) a que corresponde cada fotografia herpetológica do paleártico ocidental:
Foto #1

Foto #2

Foto #3

Foto #4

Foto #5

Foto #6

Foto #7

Foto #8

Boa sorte! Só ganha quem acertar TODAS as fotos de uma só vez.

iscas de cebolada

Após ter diagnosticado uma peritonite biliar, ver vesículas a literalmente explodir e bílis a esguichar até ao teto da sala, nunca mais acuso alguém de ter MAUS FÍGADOS!
P.S.: para quem conhece a história, o paciente está óptimo. Modéstia à parte, pode agradecer aqui ao je...

quarta-feira, agosto 01, 2007

Conholândia Road Trip

Finalmente podem dormir descansados e parar de roer as unhas de ansiedade pois após uns dias de ausência para férias pelo Norte de Espanha, o Guia de Campo está de volta, cheio de cromos novos. Como reparei que nestas últimas semanas a blogosfera está repleta de relatos de férias, deixo aqui a minha contribuição, até porque seria conveniente ficarem a conhecer a minha versão (obviamente, a verdadeira) de alguns acontecimentos antes que algumas vozes caluniosas apareçam aí a dizer mentiras ou meias-verdades. Eis então o que se passou:
Dia 1
Marquei presença no casamento do sr engº e da sua Maria, só tendo a lamentar ter saído tão cedo. Fui um tenrinho e durante o dia inteiro só bebi uma amêndoa amarga. Pelo contrário, a minha mesa, que reuniu os convidados mais ilustres, foi a que se portou pior, com o chavascal feito só comparável à diversão reinante. Ao fim do dia lá fui ter com o Sócio e a Maria Amélia, pegámos na Brigite (ou BB, para os amigos) e rumámos ao Porto.
Dia 2
Fazer o trajecto Porto-Somiedo. Chegar a uma bela paisagem montanhosa e encontrar postos de turismo, delegações do parque, associações dos ursos (e ursas ;-)) abertos a um Domingo à tarde (!), para fazer um bocadinho de contraste com o funcionamento dessas coisas do lado de cá da fronteira. Grande momento de ausência no restaurante Urogalo, onde a empregada que nos atendeu, momentos antes estava a tirar macacos do nariz com o dedame. Voltar a acampar foi bom, embora dispensasse a chuva que teimou em cair toda a noite.

Dia 3
Voltas de carro por alguns trajectos do parque. Frio. Vento. Polares vestidos em Julho. Percurso a pé numa zona ocidental de Somiedo para ver as primeiras camurças e alguns veados. Ursos, só mesmo os que iam comigo (esta e outras piadas foram levadas até à exaustão). Jantar noutro restaurante, substituindo os macacos da véspera por um pudim de queijo excelente. Voltar ao parque e descobrir que uns tugas tinham estacionado o carro quase em cima da nossa tenda. O facto do resto do parque estar praticamente vazio foi um pouco desconcertante...

Dia 4
Grande percurso a pé para ir ver um maravilhoso lago natural (NOT!) e andar por carreiros inimagináveis com 5 cm de largura, ora bloqueados por vacas, ora cobertos por plantas carnívoras e espinhosas, ora à beira de precipícios. Mas bem fixe! Menos fixe foi ter descoberto a resposta à seguinte equação:

hiperuricémia + desidratação + não tomar alopurinol = gota!

O meu ácido úrico já é internacional! Durante uns dias andei a fazer de saci pelas montanhas a sofrer agruras, não tanto pelo incómodo do pé, já que me atolei em anti-inflamatórios, mas pelo gozar constante dos 2 ursos que vinham comigo. Fui acusado de explosões de mau feitio e frases proferidas por mim foram distorcidas até à exaustão. Já ganhei o meu lugarzinho no céu...

Dia 5
Viagem de carro de Somiedo para os Pirenéus. Já começa a fazer um calorzinho e o parque de campismo de Gavin é excelente.

Dia 6
Ainda a arrastar-me, lá fazemos uns percursos em Bujaruelo para deleite da minha parte herpetológica, dada a quantidade de espécies novas. Enquanto fotografávamos um Calotriton asper e uns girinos de Rana pyrenaica, passou uma coña por nós a rosnar "No se los puede cojer. Es por eso que ya no los hay" ou qualquer coisa do género. O facto de dizer isto ao filho enquanto este dava pauladas aos girinos não fez muito sentido. Puta! Por esta altura já estamos todos viciados em coca-cola. Paragem à tarde frente a um penhasco impressionante sobrevoado por alguns quebra-ossos. O facto de não termos encontrado a estrada para esse percurso terá sido devido ao facto de o mapa do sócio ter uns 15 anos??? Regressar ao parque para o primeiro mergulho na piscina.

Dia 7
Por esta altura as doses mastodônticas de drogas permitem-me andar apesar de o estômago se começar a ressentir. Mas tinha de ser pois íamos para Ordesa. Rumar vale acima até Cola del Caballo, ver marmotas e alguns pitos novos. O Sócio bem chamava pelo Pico nigro mas nada, apesar de a Maria Amélia ter visto uns espécimes semelhantes. Fazer a viagem de volta na camioneta com a família mais disfuncional que já vi.

Dia 8
Regresso a Portugal, com direito a paragem no Douro. Passear pelas arribas com a Maria Amélia mais Maria Amélia que nunca, a queixar-se dos riscos na pintura da BB e o camandro. Rever amigos e burros, jantar excelente, café excelentíssimo para esquecer a aguadilha que nos servem em Espanha, assistir ao reencontro do Batman com o Robin. O resto da noite foi meio surreal, dado o sono, mas lembro-me de ter andado por uma quinta com mais burros, cães e gatos, dar boleia a uma mula e de ter parado no Macdrive dos abutres (cenário dantesco).

Dia 9
Despedidas e regresso a Lisboa, passando por incêncios e temperaturas de 43º C. Acabaram-se as férias. Mais só em Setembro!
Em resumo, espécies novas (observações de jeito e confirmadas):
Calotriton asper
Alytes obstetricans
Iberolacerta monticola cantabrica
Iberolacerta bonnali
Podarcis muralis
Podarcis hispanica
Certhia familiaris
Parus palustris
Serinus citrinella
Rupicapra rupicapra
Marmota marmota