quinta-feira, julho 19, 2007

Os 5 segredos das Tartarugas Ninja

A pedido de um novo (e espero que futuramente assíduo) leitor, hoje apetece-me falar de tartarugas (lá chegaremos às ninjas) e de alguns dos seus super-poderes. Até pode parecer que não se tem passado nada digno de nota mas o relato da noite de ontem demonstra o contrário e como vou de FÉRIAS para a semana, deixo-vos um último texto assim a atirar para o pseudo-científico-intelectualóide para ficarem cheios de saudades da minha escrita.

Bom, só para situar um pouco... as tartarugas são Répteis (Ordem Chelonia ou Testudines) e a sua característica mais distintiva é a sua carapaça (a carapaça propriamente dita e o plastron) formada por placas ósseas cobertas de pele e suportadas pelas costelas. Existem cerca de 307 espécies, distribuídas por várias famílias e por todos os continentes (excepto a Antártida), em habitats terrestres, dulçaquícolas e marinhos. Podem encontrar mais informação aqui. Apesar de serem animais bastante familiares para o públigo em geral, graças a disparates como a tartaruga touché e coisas afins, desvendo aqui alguns dos seus segredos, que me foram confiados pela super-tartaruga-ninja durante um período de estágio nos esgotos de Nova Iorque:

O primeiro fóssil de uma tartaruga, Proganochelys, provém do final do Triássico (há 200 milhões e tal de anos atrás), quando começavam a surgir os primeiros Dinossáurios e primeiros Mamíferos, de regiões que são hoje a Europa Central e Sudeste asiático. Apesar desta antiga ancestralidade, Proganochelys possui praticamente todas as características morfológicas da Ordem, sugerindo que esta terá divergido dos restantes Répteis bastante mais cedo. Por essa altura as tartarugas já se encontravam separadas em 2 grandes grupos, Cryptodira e Pleurodira, que se distinguiam então pelo modo como a bacia se articula com a carapaça. Só mais tarde é que cada um desses grupos desenvolveu os diferentes mecanismos de recolher o pescoço no interior da carapaça, principal característica que os separa actualmente (os Cryptodira recolhem o pescoço ventro-dorsalmente enquanto que os Pleurodira lateralmente). Os quelónios fazem parte de um grupo de Répteis designado Anapsida, que não possui aberturas pós-orbitais no crânio e que não tem mais nenhum representante actual. Ainda é um mistério qual o grupo antepassado das tartarugas; foram avançadas diversas hipóteses de ancestrais, incluindo Pareiasaurios, Placodontes, Procolofonídeos ou Captorrinídeos, mas nenhuma ganhou concenso entre as pessoas que ligam a estas coisas.

Os Placodontes, um dos supostos antepassados ou parentes dos Quelónios, são exemplo de uma evolução mais ou menos convergente com as tartarugas. Estes Répteis aquáticos surgiram no início do Triássico, tendo desaparecido no final desse período e ao longo da sua curta história no planeta mostraram uma tendência para desenvolver uma carapaça dorsal a partir de placas ósseas. Na verdade, 2 famílias deste grupo, Placochelydae e Henodontidae (Henodus ao lado), mostram grandes semelhanças superficiais com as tartarugas. Actualmente pensa-se que os Placodontes, especialmente as formas mais tardias como Henodus, Placochelys e Psephoderma, mais do que constituirem uma segunda onda de répteis tartarugóides, seriam a resposta evolutiva dos Répteis às raias que se alimentam de organismos bênticos.

Uma espécie actual, Platysternon megalocephalum, do Sudeste asiático, surpreende pela sua agilidade e capacidade de trepar às árvores (ou pensavam que as tartarugas ficam assim feitas monas no fundo dos lagos?), graças aos seus membros desenvolvidos, à cabeça de grandes dimensões, que desloca o centro de gravidade do corpo para a frente, e pela cauda, longa e robusta, capaz de suportar a tartaruga quando esta trepa pelos troncos acima.

A apropriadamente baptizada tartaruga-panqueca (Malacochersus tornieri), da África Equatorial, contraria a ideia de que as tartarugas terrestres (Testudinidae) têm carapaças altas e abobadas e que são animais lentos. Esta espécie vive em habitats rochosos e a sua carapaça espalmada e fracamente mineralizada (e portanto, bastante flexível) permite-lhe enfiar-se em fendas estreitas nas rochas, mais ou menos encaixando entre as 2 superfícies; mais, ao firmar as patas contra as rochas, que possuem unhas e escamas robustas, são praticamente impossíveis de retirar. Para além disso, deslocam-se extremamente depressa, ultrapassando facilmente um ser humano em terreno horizontal. No habitat natural, utilizam essa agilidade para se esconderem rapidamente.

Uma família de Cryptodira, que terá evoluído no que era a então Gondwana (super-continente composto pela América do Sul, Antártida e Austrália) no final do Cretácio, chamada Meiolaniidae, terá subsistido na Austrália e Indo-pacífico até há bem pouco tempo (2000 anos atrás), contrariando um pouco a ideia de que a fauna de tartarugas australianas actuais é apenas composta por Pleurodira. Os membros desta família eram herbívoros, terrestres, atingiam grandes dimensões e a carapaça, cabeça e cauda eram adornadas por nódulos e espinhos, provavelmente usados como defesa contra os predadores malignos que habitavam o continente australiano nessa altura. O género Meiolania (esqueleto à esquerda), com 2,5 m de comprimento, é dos mais bem conhecidos, tendo aparecido no Oligoceno e sobrevivido na ilha de Lord Howe até há bem pouco tempo. Curiosamente, várias espécies colonizaram ilhas do Pacífico Sul, chegando até às ilhas Fiji e comprovando que as grandes tartarugas terrestres são bons colonizadores insulares, tal como já se tinha verificado nas ilhas Galápagos, Canárias (exemplares sub-fósseis) e ilhas do Índico (Seycheles e Mascarenhas). Uma espécie fóssil, Ninjemys owenii, do Pleistoceno da Austrália era a verdadeira tartaruga-ninja, com longos espinhos transversais na cabeça. Afinal há ou não há tartarugas ninja??
Muito mais se podia dizer sobre as capacidades paranormais de algumas tartarugas marinhas conseguirem comer esponjas, de algumas espécies conseguirem (por exemplo, Lissemys punctata) efectuar trocas gasosas através da pele e cloaca, conseguindo permanecer submersas durante horas, de as tartarugas-das-galápagos (Geochelone elephantopus) atingirem a provecta idade de 150 anos e por aí fora mas fiquem-se com a tartaruga ninja!


crânio de Ninjemys owenii

5 comentários:

Hugo disse...

Boa resposta! ;)

Jp disse...

Dasse... estás a precisar é de trabalhar! Tens demasiado tempo livre ;)

Fuzhong! disse...

Queres trocar de horários de trabalho ó Maria Amélia a ver se deixas de ir trabalhar para o bronze na praia?
Já devia ser do vosso conhecimento que a minha genialidade e sapiência me permite criar posts deste gabarito em 5 minutos :P

Anónimo disse...

Queria uma citação de algum autor sobre as tartarugas e a referência gostei da matéria.sou estudante de ciências biológicas e estou pesquisando as tartarugas.ass:jaqueline

Anónimo disse...

Queria uma citação de algum autor sobre as tartarugas e a referência gostei da matéria.sou estudante de ciências biológicas e estou pesquisando as tartarugas.ass:jaqueline