sábado, dezembro 02, 2006

Safari fotográfico

Não foram tigres nem leões que fotografei, não descobri novas espécies para a ciência mas também não estive no Congo nem noutro país esquisito. Estive no Estuário do Tejo, bem às portas de Lisboa e os campos alagados fervilhavam de vida. Os locais de observação são meio secretos, só as irmandades da esteva e da planta-lava-panelas é que os conhecem, mas tenho todo o prazer em fazer a visita guiada. Seguem algumas fotos devidamente legendadas (nesta fase só consigo fotografar alguns "cromos" mais comuns mas dêm-me tempo). Qual acham que vai ser a próxima capa da National Geographic???

Cegonha-branca (Cicconia cicconia) vistas através de uma cerca (não ia dar cabo do arame ao homem). Comuns mas sempre fotogénicas.

Colhereiros (Platalea leucorodia), ainda atrás da cerca. Bem menos comuns que as cegonhas, logo mais interessantes.

Não são corvos, nem o Mantorras e os amigos. São gralhas-pretas (Corvus corone).


Estes são patos-reais (Anas platyrhynchus), a espécies mais comum no Estuário. Como tal, e como esta foto já foi tirada à hora de almoço, não faz mal pensar neles rodeados de arroz e rodelas de chouriço a sair do forno.


Et voilá! a prova fotográfica (por digiscoping) da presença de piadeiras (Anas penelope) no estuário, que deu direito a pôr mais uma cruz no meu guia. Livrem-se de dizer que está desfocada! Qualquer incapacidade de identificação deve-se a inépcia do observador (sim, tu que vês a foto), má qualidade do telescópio ou estremecimento constante da plataforma onde me encontrava.

Pequenos prazeres da vida

Pequenos prazeres (ou Life's Simple Pleasure, que também é mais ou menos o título de um album de Tindersticks) são pequenos nadas que frequentemente passam despercebidos e que não são devidamente valorizados. No meu dia-a-dia, entre lutas renhidas com seres alienígenas e a hercúlea tarefa de trazer alguma sanidade mental a certas pessoas, ainda mais facilmente são descurados. Afinal, foi preciso um feriado para abrandar um pouco e poder ver quais são as coisas que realmente importam. Senão, vejam:
  1. ir para o campo numa manhã fresca de Inverno;
  2. experimentar uma máquina fotográfica nova (e tirar fotos dignas da capa de qualquer National Geographic);
  3. marcar no Guia de Campo uma espécie nova (neste caso um bando de Anas penelope);
  4. passar uma tarde a beber chá e a jogar Scrabble com amigos;
  5. sair de casa naquela expectativa que antecede qualquer jogo de futebol...
O dia só não foi perfeito porque o Sporting perdeu a duas (injustas) bolas o jogo com os lampiões. Em casa. Desgraça...

quinta-feira, novembro 30, 2006

Más notícias...

O nariz que produz mucosidade a uma taxa de 2 baldes por hora... os olhos raiados de sangue que me tornam numa qualquer personagem de filmes de vampiros ou de exemplo dos malefícios de fumar erva... a voz melodiosa só equiparável a um sapo fumador depois de fazer uma traqueostomia... tudo parece apontar numa única direcção: constipação à vista! Já tive que tomar um cocktail de fármacos (só falta o super-chá) para amanhã voltar ao normal. Preciso é de dormir (o que vai ser fácil, com a carraspana + anti-histámínico + noites mal dormidas que tenho em cima).
Por acaso, lembrei-me da melra de ontem... e da conjugação aleatória das teclas H,5,N,1...

quarta-feira, novembro 29, 2006

PDI*

Pode parecer ridículo estar com esta conversa de velho aos 28 anos (especialmente para quem tem mais anos que eu) nem estou com nenhuma crise de meia-idade antecipada (para isso, sempre está a guitarra à espera- só falta a banda). Mas o que é verdade é que já começo a encontrar algumas limitações impostas por estes longos e sábios anos, especialmente depois dos últimos dias. Senão, vejamos:

Já não sou tão tolerante ao efeito do alcool. No sábado passado, emborcadas umas 5 ou 6 imperiais e meia garrafa de whisky estava completamente KO às 3h00. Ou 4h00? Só sei que acordei de madrugada refastelado num sofá e tapado com uma mantinha. Nada de cenários de degradação mas sim, o avôzinho a dormir uma soneca?? Ontem à noite, depois de 2 caipironas servidas em copos-tamanho-penico e quase sem gelo (mas estavam bem boas)e sem nada no buxo para as receber, já me estava a dar a fraqueza. Se não fosse o belo do stroganoff tinha-me desgraçado. Mas novamente, às 3h00 já estava a ver em pal plus. Até há bem pouco tempo atrás conseguia acumular directas + bebedeira e ir trabalhar no dia seguinte mais ou menos normal; hoje parece que ando numa frequência diferente do resto das pessoas.
Ambas as festas foram óptimas mas o day after fez-me recear o futuro: chá e bolinhos? Se calhar estou em baixo de forma, se calhar preciso de voltar aos treinos. Digam-me, também se vêm acometidos dos mesmos problemas.

Também não me faz sentir muito jovenzinho constatar que entrei para a faculdade há 10 anos e que estou a encontrar algumas amigas grávidas e a visitar demasiados quartinhos de bebé...

*Puta Da Idade

sábado, novembro 25, 2006

E se de repente um desconhecido...

... completamente embriagado entra pelo estaminé dentro 5 minutos depois deste fechar ao público e, com a voz entamarelada e a destilar vapores etílicos, fala dum qualquer problema de 4 patas com 3 semanas de duração e que a seguir começa a ligar para todos os telefones isso é sinal que preciso pensar seriamente em mudar de profissão. PUTA QUE OS PARIU A TODOS!!

Ó senhor, vá para casa curar a cadela com isto:


E já agora, não nos chateie os cornos e tome uns 2 ou 13 frascos disto aqui:


sexta-feira, novembro 24, 2006

Mais um dia recheado de pequenos momentos surreais

Cada vez mais acho que ando a ser exposto a doses tóxicas de surrealismo, bem acima dos limites impostos pela lei. Senão vejam:
#1 quem conduziu hoje deve ter reparado que algo não andava bem; quer fosse pela chuva, pelos oceânicos lençóis de água, óptimos para artísticos aqua-plannings, pela elevada taxa de acidentes aparatosos com que me cruzei, com as filas de trânsito quase sempre inexplicáveis (as explicáveis eram causadas por um Sr guarda Cerôdio, que tentava por alguma desordem... digo, ordem no trânsito). Também rapararam na grande quantidade de cadáveres estropiados de guarda-chuvas nas estradas?
#2 constatei como é difícil dar más notícias a um cliente, especialmente que metam as siglas PIF, enquanto se ouve o patrão aos saltos e aos gritos ao telefone a combinar palermices. Só dá mesmo para por o sorriso amarelo nº 3 e dizer "pois..." enquanto se encolhe os ombros
#3 e se de repente uma maluca qualquer telefona a perguntar se os comprimidos só se tomam aos dias úteis isso é... sinal de que preciso de mudar de profissão!
Apesar de toda estas e outras coisas esquizóides, não posso deixar de pensar em como o meu dia-a-dia é riquíssimo. Quando for velhinho, daqui a muitos anos, hei-de mandar os meus robots escreverem as minhas memórias intituladas "displepsias no reino dos esquitos". Parece-vos bem? Isto se entretanto não enlouquecer também

quinta-feira, novembro 23, 2006

O código da Vinci

Ontem a minha irmã trouxe o dvd do dito filme para visionamento pós-jantar, que se revelou um óptimo sedativo, pois após uma meia hora de visionamento já tinha adormecido. Pode ter ajudado o facto de ter estado a trabalhar quase até às 23h mas tinha esperança que a visão da deslumbrante Audrey Tatou me mantivesse desperto. Mas nem isso ajudou. Se não tivesse lido o livro (que confesso que li sofrega e ininterruptamente durante um fim de semana) me tinha perdido pela história confusa e fraccionada.Bem melhor que este código é este outro:

Esta e outras ilustrações espetaculares são feitas por um senhor chamado Ray Troll e podem ser vistas aqui. Quando for grande quero ser como ele (excepto a parte de ter um nome meio... desenho animado. Raio Trol?)

A vida era bem mais simples...

... quando comunicávamos por carta ou telefone. Lembram-se? É verdade que os mails vieram revolucionar um pouco as comunicações e o modo como se trabalha. Hoje em dia não consigo passar sem ele e é inegável a quantidade de documentos, relatórios e afins que envio e recebo diariamente. Fora as mensagens pessoais.
E os omnipresentes fwds que dizem "o coração da amizade" e outras baboseiras que metem sempre cãezinhos ou gatinhos e que se não enviar a 300 pessoas nos próximos 2 segundos caem-me as sobrancelhas, como aconteceu a um senhor na ilha da Páscoa.
E o spam que vai aparecendo e que me convida a comprar viagra ou codeína e a contactar umas "horny barely legal sluts".
Essas serão as partes menos boas. No entanto, hoje foi-me atribuída mais uma conta de e-mail o que me fez pensar se não estará a ser um pouco demais. Ao ritmo a que perco massa encefálica, como é que me vou lembrar dos mails e passwords dos 34 endereços que certamente irei ter daqui a um ano? Senão vejam a quantidade de mails que já acumulo:
#1 mail pessoal: neste recebo e envio mails de e para amigos, algumas coisas relacionadas com trabalho e as mensagens de 3 fóruns da net (também de trabalho);
#2 conta no gmail: para receber e eneviar ficheiros grandes;
#3 mail da empresa: trabalho, claro;
#4 conta no hotmail: basicamente para receber spam;
#5 mail do instituto: que me foi atribuído hoje. No entanto, não posso deixar de estar um pouco contente pois é o meu endereço "científico", que irá aparecer em alguns futuros artigos. Nobel Prize, here I come!!
Já chega não acham?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Ninguém me liga...

Ao passar os olhos por outros blogs, fico com um pouco de inveja quando vejo alguns posts cheios de comentários e o meu guia de campo, assim tão pobre e abandonado, apenas com umas míseras linhas. Existem uns raríssimos leitores que eu sei que o lêem (até porque às vezes vêm tirar satisfações do género "ó meu ganda boi, escreveste aquilo?"), por isso lanço aqui o desafio:
À semelhança dos vossos guias de campo (que eu sei que os têm), em que põem cruzinhas ou bolinhas ou "vistos", não acham que enriqueciam muito mais esta experiência de alta literatura electrónica a deixar aqui a vossa participação?
Desde já, o meu mui obrigado e um grande bem haja!
P.S. não estranhem a maluqueira pois acabo de vir do mestrado, onde deixei mais uns neurónios moribundos.

sábado, novembro 18, 2006

Twilight zone

Lembram-se decerto daquela série de culto dos anos 60, com aquela música do genérico perturbadora e que nos relatava histórias estranhas com ovnis, fantasmas e outras coisas que tais. Muito pior que zombies no quintal, homens-lampreia a sair da sanita ou marcianos a dizer adeus da janela da sua nave espacial são alguns episódios do meu dia-a-dia, que me fazem logo ouvir a musiquinha "turururu-turururu-turururu" e sentir o meu corpo sugado por um vórtice espaço temporal e ser transportado para a 5ª dimensão. Se os argumentistas da série me tivessem conhecido teriam material para escrever um episódio todos os dias até ao dia do juízo final. Se não, vejam alguns argumentos para histórias baseados em factos verídicos:
"A Exterminadora", em que uma profissional de saúde maníaco-depressiva assassina pequenos roedores inocentes com injecções de insulina.
"Surpresa!!", em que uma emigrante de um qualquer país centro-americano se revela um ser de outro planeta, sempre acompanhada do seu inocente mas insuportável coelho mutante de estimação.
"A clínica dos horrores", em que um aparentemente vulgar estabelecimento comercial se revela um local de passagem de zombies, mulheres cadavéricas com voz nasalada e debilóides mentais.
"A irmã de pinóquio", em que uma mentirosa compulsiva cocainómana tenta dominar o seu pequeno mundo fazendo uso de infusões de pelos púbicos (vulgo chá de pintelho).
E pronto, assim de repente, são alguns dos títulos. O que vos parece?

A minha vida dava um filme...

Ou talvez não... se calhar, um documentário da National Geographic ou na melhor das hipóteses, qualquer coisa tipo "Garden State" só que sem a Natalie Portman. Na pior das hipóteses, tenho alguns episódios ao nível da mais rasca telenovela sul-americana.
Ainda no outro dia fui protagonista de um desses folhetins. Felizmente, era uma mera personagem secundária cujo único papel era observar as duas personagens principais aos gritos e guinchos, aos pontapés às portas e murros nas paredes (por momento pensei tratar-se de um filme de Kung Fu ou de uma comédia foleira), enquanto iam desenrolando os seus papéis. É bastante mau assistir a este filme no local de trabalho. Bastante pior saber que as personagens estavam a ser interpretadas pelo patrão e sua cônjugue. A parte boa foi ter sido visto por alguns outros espectadores como o herói da película (só que sem capa ou super-poderes), enquanto desmascarava a vilã, uma qualquer aspirante a Maga Patalógika esquizofrénica.
Felizmente, fui salvo pela Carmen Miranda e o seu pronventrículo dilatado e pude sair da sala, entre o incrédulo e o prestes a libertar uma sequência de gargalhadas, pelo ridículo da situação.
Resta-me a esperança de ter assistido à cena de "volte-face", que irá mudar o rumo deste filme. Caso contrário, tenho mesmo de mudar de argumentista... Confusos? Não percam as cenas dos próximos capítulos...

terça-feira, novembro 14, 2006

Ahhh!... Férias

Pois é, como devem ter percebido pela pista anfíbia cá deixada há uns posts atrás, acabo de regressar de São Tomé.
Muito podia ser dito sobre o reino do leve-leve, das aventuras da princesa Maria Amélia e do seu séquito na floresta do Obó, do segundo melhor fruto à face da terra, do omnipresente peixe-fumo, dos tecelões gigantes, dos conóbias, das deliciosas mas potencialmente salmonélicas santolas, de plocos a passear nas ruas, de comer banana a todas as refeições, de cheirar folhas de canela, de ouvir "docedocedoce" a cada curva, de jogar scrabble com gafanhotos à luz de velas, de usar tanques de guerra como pacíficos estendais e chegar a casa e ter a mochila inundada de um cheiro a café forte e telúrico como uma ilha.
Mas palavras para quê? Uma imagem vale mesmo por muitas dessas...

quarta-feira, novembro 01, 2006

Quentes e boas!

Apesar do clima semi-tropical que estamos a viver (quem é que se lembra de andar de manga curta em Novembro?), ontem foram oficialmente abertas as hostilidades do consumo de castanha assada, como manda a época outonal.
Estava então ontem em casa de amigos em amena cavaqueira e a preparar a logística para a viagem quando veio uma segunda dose de castanhas como manda a lei, quentes e boas. inclusivé, as várias fornadas vinham para a mesa num saco de pano com o mesmo slogan bordado.
No preciso momento em que nos estavam a falar do serviço de catering de feijão frade entregue via bicicleta, ouviu-se um estouro "POFF!" e a sala ficou com uma nuvem de fumo.
Não, não era um ataque da Al-qaeda nem ninguém tinha comido castanhas a mais. O que se passou foi bem mais surreal, pois constatámos, enquanto afastávamos o fumo, que uma castanha tinha literadamente explodido à nossa frente. Passado o choque inicial e, enquanto tirávamos bocados de castanha estorricada da cabeça, seguiu-se novo estoiro, este agora das nossas gargalhadas. Penso até que terei batido novo record decibélico que, bem vistas as horas, não terá sido muito apreciado pelos vizinhos.
Conclusão: aquele corte que se faz às castanhas antes de as por a assar não é por acaso, nem para enfeitar. Simplesmente, serve para as impedir de nos atacar. Claro que mentes maquiavélicas podem ver outras aplicações ruins para este facto (Bwah-ah-ah!). Quem quer castanhas? Agora o slogan é quentes e explosivas!

domingo, outubro 29, 2006

Devia era já estar a dormir mas enfim...

Decerto conhecem aquela máxima, que homem que é homem deve plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um livro. Nada portanto a ter que ver com o cromossoma Y, comprimentos de certas partes da anatomia masculina ou quantas babes se consegue papar numa festa. De qualquer modo, e invadido por uma onda de introspecção decidi avaliar a minha situação:
Árvore- as sementes que trouxe do monte vinham estragadas pois a única coisa que ganhou raíz foi bolor por toda a parte. Só uma mísera uva-de-cão é que vingou, mas não passa de uma trepadeira. Mas agora me recordo que no secundário plantei um cedro num canteiro qualquer na escola. Está certo que era para um trabalho de TLB, mas menos mal. Checked!
Livro- para além de artigos científicos completamente revolucinários (dois deles até vêm indexados no PubMed. Ah pois é!), está na forja algo mais. Vou ter que esperar alguns meses para poder por um checked neste tópico.
Filho- até ao momento e por meu conhecimento as únicas crias (adoptivas) aos meus cuidados têm 2 cm de comprimento, são cabeçudos, respiram por um sifão e têm patinhas a crescer. Ainda bem que saem aos pais biológicos. UNchecked
Portanto cumpri 1/3 da minha masculinidade (abençoado cedro), o que não deixa de ser manifestamente pouco (se bem que ainda não quero criancinhas à minha roda; a propagação da espécie fica para mais tarde). Para afogar as mágoas e ver as coisas de uma outra perspectiva, quiçá mais turva mas saudável, é que se começou a combinar hoje à noite na esplanada do café um daqueles nostálgicos fins de semana à antiga com o pessoal. Espero bem que sim, já tenho saudades de 48 h de excessos alcoólicos e gastronómicos, nuvens de fumo ilícitas e a desresponsabilização completa e total dos meus actos (estou cansado de ser certinho). Mas isso só depois das férias! Até lá tenho uma internacionalização e vários estágios pelo caminho

sábado, outubro 28, 2006

Estou-te a ver!

Never ending story

E para compensar o deserto de escrita que foram os últimos dias cá vai mais um post.
Não é que me considere uma pessoa excessivamente negativa, mas há uma série de coisas que me irritam profundamente e que despertam o Mr. Hyde que há em mim. Hoje de manhã, enquanto trabalhava (pois é, hoje é sábado e aqui o mouro esteve de serviço... como todos os sábados), tive de gramar com algumas delas e, azar dos azares, tive que manter o sorriso pepsodent número 32 como convém a qualquer pessoal extremamente profissional. Mas isto levou-me a pensar: "que mais coisas me deixam fodido?". É certo que a lista é grande (daí o título do post) e sempre crescente mas mesmo assim não me deixei intimidar por tamanha tarefa. Eis a LISTA DE COISAS QUE ME DEIXAM FODIDO!!
  1. Excesso de informação. Pode variar, desde alguém que entra na sala e dizer "Bom dia! Eu sou médico/a e tenho uma filha asmática", passando por "como não comia, mastiguei a comida e dei-lhe à boca" até senhoras gordas e anafadas, com idade para serem minha mãe, que levantam a camisola para mostrar as banhas arranhadas pelo seu parceiro sexual. O facto de estarmos a falar de um periquito, de uma iguana e de um coelho, respectivamente faz-me pensar que ando a ser exposto a doses muito pouco saudáveis de surrealismo.
  2. Falta de educação. Pronto, confesso que também digo umas caralhadas e que quando conduzo não sou um exemplo de boas maneiras mas antes de entrar costumo bater à porta, por exemplo. Nem que seja para evitar que bandos de pássaros esvoacem porta fora. Havia um senhor que fazia isso (mais exactamente, batia à porta e de seguida, escancarava-a) mas desde que deparou com 2 dinossauros à solta na sala até lhe saltou o bigode! Meus amigos: por isso não é nada saudável ter este irritante hábito, especialmente quando estou eu dentro da divisão... nunca se sabe que animal peçonhento vos posso soltar em cima.
  3. Interferências sonoras. É muito desagradável estar a trabalhar tendo como ruído de fundo motores de carros fórmula 1, senhores neozelandeses envolvidos em rituais Maori ou casamentos hablados en coño. Especialmente se a algazarra é toda emitida por um certo e determinado computador quando certa e determinada pessoa, em vez de estar a fazer coisas mais produtivas, lhe carrega as teclas. Sem esquecer que há pessoas alheias a isso tudo e que podem achar, não sei... estranho? entrarem na sala e ouvirem tudo isso.
  4. Famílias numerosas. Eu bem tentei fazer o meu local de trabalho pequenino para limitar a entrada desses enxames que, a toda a hora, me entram dentro da sala aos guinchos e saltos e a mexer em tudo o que lhes apareça à frente. Não tenho nada contra crianças, especialmente as bem comportadas, mas não tenho propriamente ar de educador de infância para meninos-queques-mal-comportados. Geralmente tenho que esperar que os progenitores ponham ordem na prole mas o que me apetecia mesmo era pô-los todos em fila (incluido os paizinhos) e trás-trás-trás! distribuição de chapadas!

Como vêm, tudo isso só numa única mísera manhã de sábado, em que eu podia era estar noutro lado qualquer (provavelmente a roncar na cama). Prometo ir completando esta lista (o que não falta no meu dia-a-dia são episódios destes a toda a hora). Também aceito contribuições do público (e já agora, podem ser em dinheiro ou cheque pois, para variar, só devo receber lá para meio do mês).

Pistas...

Os observadores mais perspicazes poderão adivinhar para onde vou dentro de 1 semana se identificarem as seguintes espécies:

Bastante fácil, não? (é verdade, foi aqui o artista que fez os bonecos. Nem sei onde vou parar com tantas qualidades...)

Countdown

Por esta altura em que as minhas inúmeras legiões de ávidos leitores imaginários se indagam sobre o meu paradeiro nos últimos dias, eis que retorno após várias semanas de dura labuta em que consegui levar a cabo as seguintes hercúleas tarefas:
1º foi com os dedos em sangue de tanto escrever e com os nervos ópticos gastos de tanto olhar para o ecrã do PC que terminei mais uns capítulos desse que será o futuro best-seller da literatura portuguesa do século XXI;
2º ganhei uma tendinite de tanto pipetar amostras no instituto no âmbito do meu trabalho-de-tese-de-mestrado-quase-prémio-nóbel e inclusivé, poderei ter descoberto o primeiro positivo para Microsporideas... Bwah-ah-ah (riso maléfico) cuidado, anilhadores incautos! Eles "andem" aí;
3º Os meus 2 neurónios trabalharam árduamente para destrinçar casos clínicos obscuros e salvaram as vidas de inúmeros inocentes;
4º Mais reuniões de trabalho para essa obra da consultoria e gestão ambiental que será o projecto que temos em mãos;
5º superei estoicamente a dura prova de não ter conseguido bilhetes para o concerto de Muse (esgotadíssimo há mais de 1 mês); inclusivé tive de atender chamadas de amigos que perguntavam "então não vais?" e azar dos azares, tive de passar perto do Campo Pequeno no precido instante em que os felizes espectadores saíam do concerto. É claro que tive de compensar este trauma ouvindo todos os albúns nas minhas inúmeras viagens de carro a um nível decibelmente intolerável para alguns dos meus amigos;
6º Consegui ir a Sagres ver os imigrantes (aqueles com penas e que não fazem fila à porta do SEF) em passagem para... África! O que me leva à questão de fundo:
Dentro de 1 semana já estou de férias num novo continente e país! Vai ser a manhã na selva, a tarde na praia e à noite... logo se vê. Daí a contagem decrescente. Daí na próxima semana eu estar completamente "ausente" pois as pessoas e os sons vão-me parecer como o hiperespaço na guerra das estrelas à medida que caminho para 6ª feira. Não que esta ausêcia faça muita diferença... às vezes parece que trabalho noutro planeta qualquer (um em que equanto trabalho se ouve em ruído de fundo alguém a ver jogos ou corridas de fórmula 1 no PC).

sexta-feira, outubro 13, 2006

quanto mais as coisas mudam, mais ficam na mesma...

A realidade atingiu-me como se tivesse levado com a serra do Gerês inteira na cabeça (mais calhau menos calhau)... quando retornei à civilização constatei (já sem surpresa) que ainda não tinha recebido. O devidos euricos lá acabaram por entrar no dia 12, o que já se está a tornar uma triste rotina desde Junho.
Com coisas destas lá se foi toda a veia poético-bucólica do post anterior; ou melhor, estas coisas começam a passar ao lado e a vincar-me algum traço de cinismo, apesar de garantidamente não me acomodar. Isto acaba por se entranhar dentro de mim como um ninho de invertebrados com muitas patas num burado no tronco de uma árvore(o nome do bicho começa por P...) e tornar-me a saliva mais cáustica. E eu até nem desgosto do sarcasmo...
Daqui para a frente a canção que a xana canta enquanto salta alegremente de flor em flor a chamar pelos lobos vai-se tornar numa hino de guerra gritado por um gnomo de cara bexigosa enquanto piso cogumelos venenosos a conduzir uma matilha de cães raivosos.
Mas o problema deve ser meu... até porque se calhar para muita gente o m~es só deve começar ao dia 12...

segunda-feira, outubro 09, 2006

Na companhia das Xanas, Bitxos bravos e ratos flamejantes

É incrível como uma semana passa depressa, especialmente se estou envolvido em actividades que me dão prazer. É verdade... a semana de férias terminou e resigno-me a trocar a floresta de carvalhos pela floresta de betão e em vez dos badalos das vacas num lameiro lá longe ou da chuva a cair vou passar a ouvir as buzinas dos automóveis que passam na minha rua.
Quantas coisas cabem numa semana? Quantos pássaros cabem na minha mão enquanto outros teimam em voar? Quantas histórias consigo ouvir antes de adormecer? Quantas paisagens de montes e fragas podem os meus olhos ver? Quantos trilhos e caminhos posso percorrer (a pé ou a carro, não interessa)? Não tenho raízes ou história nesta terra mas de cada vez que lá passo, é uma experiência avassaladora para os sentidos. Não me canso de olhar, ouvir e provar (sim, porque à parte da massa, é sempre uma boa semana gastronómica) e lá, realmente faz sentido tapar os ouvidos com as mãos para não ver. Ou subir o rio na expectativa de encontrar algo novo na próxima curva. Ou justificar com projectos de fotografia ou desenho o voltar à infância e apanhar rãs num charco qualquer.
Tudo faz mais sentido e as coisas parecem estar no seu devido lugar: a hera a trepar por um carvalho, o uivar de um lobo no meio do nevoeiro, espécies reaparecidas no alto de uma fraga; conversas ou jogos da sueca (cuidado...) à lareira na companhia dos ratinhos. Mesmo a chuva que teimou em marcar presença e outras coisas menos boas fazem muito mais sentido. Não é melancolia que me assola (embora aconteça por vezes), é um sentido de comunhão com a terra. Se acreditasse numa religião, provavelmente seria um culto pagão (embora não numa taberna pseudo-celta). É então assim, de alma serena, que retorno ao trabalho. Vamos a ver se todas as canções das Xanas que trouxe comigo me dão paz de espírito para aturar as próximas semanas.
E é um facto, as sementes que trouxe comigo hão-de germinar e dar fruto.