quinta-feira, maio 22, 2008

Guia de mar

Um dia de faina


Desde já faço o aviso: não estou na posse total das minhas capacidades mentais - que, já no estado normal, são o que são - porque o dia foi cheio e só dormi meia hora. Se o post ficar demasiado longo, sem nexo ou com uma percentagem de erros ortográficos excessivamente elevada, dêm o devido desconto mas tenho receio que se deixar esta crónica para amanhã possa perder algumas impressões e imagens importantes.
Por oposição às saídas de campo, hoje tive a minha primeira saída de mar; Apesar do mau tempo e da chuva que teimava em nos fustigar, toda a experiência foi excelente, sobretudo pela companhia e acabou por ter o seu quê de iniciático.
Tudo começou, ainda em Lisboa, numa ceia estupenda às 2h30 da manhã. A noite começou ou continuou mais cedo para 2 amigas, que vieram directas de um concerto - finalmente! Alguém que me compreende e também sofre do síndrome de ubiquidade de Santo António.
Às 4h30 já estávamos em Setúbal a embarcar na traineira "Belo Sado" - era assim que se chamava? havia alguém suficientemente desperto para ler o que quer que fosse? O grupo, composto por 10 pescadores, mais ou menos experientes fez-se então às águas para pescar ao largo da Comporta.
Imagino que haja pessoas neste momento a interrogar-se sobre uma questão de suma importância e a resposta é: não enjoei nem gregoriei um único mililitro de suco gástrico- apesar daquele copito de aguardente de medronho a seguir ao almoço tenha tido o efeito de bomba atómica no estômago. É verdade que tomei 1 primpéram e 1 vomidrin antes de embarcar mas houve quem tivesse tomado 4 vezes mais, sem surtir qualquer efeito e acabou por fornecer litros de engodo - o que foi um desperdício das tartes deliciosas que comemos à ceia. Sem me querer deleitar com a desgraça alheia, devo referir que ainda consegui injectar anti-eméticos em dois marinheiros desesperados por pôr o ouvido interno no sítio.
Mais jeito, menos jeito lá consegui pescar uns quantos peixitos, entre cavalas, choupas e sargos, que para além de constarem da ementa de amanhã, foram já exaustivamente fotografados e serão objecto de mais uns quantos desenhos. Ainda consegui espetar um anzol num dedo, que ninguém me viu a tirar - deve ter sido a tal parte da iniciação, dormir uma sesta depois de almoço e delirar com o movimento do barco entre as vagas de 2 a 4 metros que nos embalavam - mas se calhar este conceito de diversão não é partilhado por todos.
Havia ainda tanto para contar mas como descrever 14 horas de diversão quando o nível de consciência a bordo era mínimo? Coisas como as super-puseiras-anti-sol, a pesca de cenouras-do-mar e bisnagas de Carnaval, os rascassos desfigurados, a experiência única e transcendente de fazer xixi a bordo, os assentos de ameijoa e tantas outras vão ter de ficar mesmo só para nós.
Apesar do regresso a causa de olhar esgazeado, com olheiras até ao queixo, desgrenhado e a cheirar a Choupa nº 5, só me apetece voltar rapidamente para o mar. Quem alinha?

1 comentário:

João Carvalho disse...

Como um dos inocentes voluntários para as tuas experiências anti-eméticas só posso dizer que necessito para já de alguma terra firme debaixo das solas de borracha por uns tempos... Talvez quando o mar estiver mesmo chão...

Uma pergunta (do) inocente: da minha (muito mais vasta) pescaria falta-me um Coris julis... Ó meu, porque acaso não te açambarcáste ao meu?

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