segunda-feira, março 24, 2008

Parque paleo...pleisto...ornito... whatever!

Como alguns amigos ornitólogos reclamaram porque num post recente sobre reconstituições de fauna (ou como dizem os americanos, rewilding) só incluí Mamíferos, aqui fica a parte ornitológica da questão. Ou, por outras palavras, que peças estão a faltar e quais espécies faria mais sentido voltar a re-introduzir no nosso país.
À partida, parece muito mais fácil trabalhar com as Aves, a maioria das espécies ainda por aí anda e, na Península Ibérica, há vários casos de programas de reprodução em cativeiro com sucesso e histórias de expansões populacionais recentes.
Posto isto, estas eram as espécies que, mantendo populações reprodutoras viáveis em Portugal, gostava de ver com os binóculos (especialmente se os meus amigos me oferecerem uns melhorezitos), pôr anilhas ou tirar sangue:

Vamos lá a ver se as conseguem identificar todas...

Algumas espécies, como Montifringilla nivalis, Pyrrhocorax graculus, Trichodroma muraria, lagopus mutus, Dryocopus martius e Aegolius funereus, devem ter visto as suas áreas de distribuição a regredir com o fim das últimas glaciações. Hojem em dia, só os encontramos praticamente em algumas montanhas de Espanha, mas com jeitinho, dava para os voltar a trazer para o nosso lado da fronteira. Inclusivé, há alguns registos fósseis da presença dessas espécies em nosso território e relatos interessante de vocalizações de D. martius no Gerês.

Temos depois algumas espécies que desaparecerem há relativamente pouco tempo. Algumas delas, como Aquila adalberti, parecerem ter regressado recentemente à região do Tejo internacional e outras, como Perdix perdix, são ocasionalmente observadas para os lados de Trás-os-Montes. Outras, são observadas apenas ocaionalmente, são invernantes ou migradores de passagem e é pouco provável que haja populações reprodutoras viáveis, como Botaurus stellaris, Pandion haliaetus, Pterocles alchata, Marmaronetta angustirostris e Fulica cristata.

Algumas espécies com estatuto de conservação global preocupante, como Oxyura leucocephala, turnix sylvatica e Geronticus eremita, podiam ter um polo adicional de manutenção de populações.

E finalmente, algumas espécies têm um grau de fixeza tão elevado, que ficariam bem em qualquer paisagem portuguesa (obviamente, também já ocorreram no nosso país), como por exemplo, Haliaetus albicilla, Crex crex e Tetrao urogallus. E os anilhadores recebiam um Serinus citrinella para por anilhas.

Só fica mesmo a faltar o pinguim, Alca impennis, que esse está extinto e perdido para sempre. A não ser que alguém injectasse o DNA de exemplares de museu em ovos de Alca torda a ver no que dava.

Mais ideias para projectos?

3 comentários:

pedro disse...

Isto é só uma ideia e não tanto um projecto, contudo fazeres uma visitinha ao hospital psiquiátrico mais próximo, não te parece bem?!?!?!? :P

Fuzhong! disse...

meu amigo, talvez te devas informar melhor sobre o funcionamento de alguns programas de reprodução em cativeiro e reintrodução que contemplaram a maioria das espécies referidas em Espanha. Sem falar no resto da Europa, que no que toca a políticas de ambiente e conservação, estão a anos-luz de Portugal.
Nós já tivemos um programa, que teve bastante sucesso, com o caimão e tentativas de o fazer com a águia-pesqueira.
Eu sei que os posts são escritos num tom meio leviano mas têm sempre uma boa base científica. Portanto, nada de confundir laivos de loucura com projectos realistas que têm todo o sentido.
Sempre disponível para responder a qualquer questão!

S. C. disse...

Têm sido bons posts. Agora já só falta um dedicado à herpetofauna (sim, eu continuo a puxar a brasa à minha sardinha).