domingo, março 18, 2007

Domingo KO

É com grande esforço que arrasto os meus dedos pelo teclado para escrever penosamente estas linhas e a grande custo consigo manter os olhos abertos e combater a grave desidratação que se apodera do meu corpo, quase sem vida...
Como já devem ter percebido, mesmo não me tendo inscrito, lá tive que ir para a mini-maratona. Hoje de manhã quando acordei às 8h30 (isso mesmo), hora perfeitamente criminosa para despertar de um Domingo, excepção seja feita às actividades de bird-watching e afins, achei que ainda estava a ter um qualquer pesadelo. Já equipado e alimentado, lá fui a conduzir com os olhos enramelados até Entrecampos para me encontrar com o resto do pessoal, que obviamente chegou atrasado, deixando-me a ponderar seriamente uma fuga estratégica.
Mas não, eu, parte da irmandade da esteva, pessoal da quêpêe e mais alguns (milhares), lá rumámos de comboio ao Pragal embora me pareça que tenhamos feito um ligeiro desvio pelo metro de Tóquio, tal era o aperto de gente dentro da carruagem.
Obviamente chegámos atrasados, mercê dos maravilhosos acessos à ponte 25 de Abril e quando eu estava prestes a ponderar o suicídio, foi quando tive uma epifania, que se prolongou durante os 7 Kms que durava a coisa.
Como não me inscrevi não dispendi os 11 euricos da inscrição, que verdade seja dita são mais bem empregues em qualquer petiscada ou incursão gastronómica. Mas comecei a arrebanhar quase os mesmos brindes que o resto dos milhares de pessoas. Ele eram bonés, carapuços, garrafas de água, barritas energéticas, gelados. Confesso que alguns me foram dados pelos companheiros de caminhada (pensavam que ia correr, era?) e outros pertenciam a uma velhinha amorosa que, do alto do tabuleiro da ponte, viram uma perspectiva diferente do rio Tejo. Mas a grande questão é: inscrever-me para quê quando se pode fazer matrafia e ganhar o mesmo que os outros? Pronto não ganhei a medalha ranhosa, mas pormenores.
E lá dou o braço a torcer, até foi engraçado, especialmente a montanha russa que é o tabuleiro da ponte, a abanar por todos os lados e sempre deu para ir rindo um bocado, em particular com algumas promessas à Nossa Senhora de Fátima e acabar com uma grave crise de identidade.
Não satisfeitos com os míseros 7 Kms, continuámos a correr desvairados, como se possuídos por espíritos malignos, quase a vomitar verdete tal era a fome, até Algés onde estavam algumas das viaturas. Segunda fase da maratona, agora à procura de restaurante para repor as forças, e sempre a levar com a porta na cara.
Quando estava prestes a entrar em coma hipoglicémico vi-me transportado para um paraíso chamado Franguia em Tercena, onde todos podemos repor as calorias perdidas durante a caminhada. Nunca uma imperial me soube tão bem... Como devemos ter perdido vários milhões de calorias foi imprtante alambazarmo-nos alarvemente com pratadas de moelas, bacalhau, batatas (fritas, a murro e assadas), migas, arroz de feijão, várias carnes e outras iguarias. Tudo excelente e a merecer novas visitas.
Pequena paragem para beber café em casa de outros desportistas e regresso a Lisboa para voltar a sair, após banho e muda de roupa para um lanche de inauguração da casa de uma migo numa rua com um nome impronunciável. Mais comida, agora doçaria, sob a forma de tarte de maçã e pudim de pão com crostas de caramelo por cima. A conversa correu fluida ao longo do fim de tarde até que tive de cometer um sacrilégio, que foi desmarcar um outro jantar. Mas estava tão cansado...
Os efeitos da mini-maratona devem-se sentir amanhã sob a forma de uma mega-dor de pernas. Pior, fiquei com as partes pudendas das virilhas meio assadas do extenuante exercício físico (que visão infernal, hã?). Quem me manda meter nestas coisas?

1 comentário:

Jp disse...

Coitadinho... doem as perninhas do menino, é? :)
Vá, deixa-te de mariquices que até te portaste bem. Agora é halibut nas virilhas... e treinar para a meia maratona para o ano!!!